terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Mesmo nocauteada, indústria brasileira segue apanhando


O sofrimento da indústria brasileira atingiu determinado nível que pode ser considerado uma verdadeira tortura ao empresário e/ou investidor no mês de novembro. Mesmo em situação de nocaute, constatada nos últimos meses, a indústria brasileira continua apanhando de forma humilhante pelo furacão doméstico formado pelos ventos gelados da crise econômica e nervos à flor da pele da crise política.

A última pesquisa do Índice Gerente de Compras do setor manufatureiro brasileiro, divulgada nesta terça-feira, é grave o suficiente para fazer qualquer empresário (não “apadrinhado” pelo governo, claro) acionar planos de emergência para lutar pela sobrevivência de seu negócio.

O indicador não só se manteve numa região de elevada contração da atividade, como também conseguiu piorar aquilo que já era considerado muito ruim. O Índice Gerente de Compras, calculado pelo Instituto Markit, registrou incríveis 43,8 pontos em novembro, abaixo da alarmante medição de 44,1 pontos registrada em outubro.


A pesquisa de novembro é a pior dos últimos 80 meses no Brasil e revelou deterioração acentuada das condições de negócios no setor industrial como um todo, com todos os três principais segmentos registrando forte queda de produção.

Além disso, contrariando a expectativa da equipe econômica do governo, o câmbio continua não apresentando impulso ao setor industrial, mesmo oscilando próximo aos R$ 4,00. Pelo contrário, a pesquisa revelou que os novos negócios com o exterior retrocederam, o que apenas reforça a tese antiga de que o câmbio está muito longe de ser a solução dos nossos problemas.

Para que a indústria possa usufruir adequadamente do deslocamento da taxa de câmbio, é necessário estar amparada por um ambiente interno minimamente propício ao desenvolvimento dos negócios. E para melhorar o atual e desagradável ambiente de negócios, o governo precisa iniciar uma agenda verdadeira de medidas impopulares e reformas que sequer são debatidas no Congresso.

Sob um cenário sombrio, cada vez mais empresários seguem acionando planos de emergência, o que tem contribuído para alimentar o atual quadro estagflacionário. Com o aumento nos custos do capital e queda de receita, as empresas demitem funcionários numa velocidade aterradora, cortam produção e prorrogam pagamentos. Com menos empregos o quadro recessivo aumenta, com menos produção o quadro inflacionário piora e com menos pagamentos a inadimplência aumenta e o rombo fiscal vai à estratosfera.

Devido à falta de figuras no meio político dispostas a pagar o preço para desarmar esse ciclo desastroso, o clima de desesperança predomina e se retroalimenta no País.

No mercado de capitais, o índice Bovespa iniciou o rompimento descendente da importante linha de suporte localizada na região dos 45.5k. Apesar de o candle desta terça-feira sinalizar indecisão no acionamento do pivot de baixa, o contexto é desfavorável à manutenção da tendência de alta iniciada no mês de agosto, já que a recente perna de baixa surgiu com força relevante (marcada pelos três marubozus no gráfico) após tentativas frustradas de superação dos 49k.


6 comentários:

  1. BOA Tarde FI,
    Qual a sua opinião sobre DIVO11?
    A metodologia parece melhor que a do BOVA11 mas tá lotado de VALE,CMIG,BBAS,, empresas que não estão indo muito bem..

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    1. Olá,
      Bom ETF. É interessante montar posições em diferentes ETFs, visando maximizar o aproveitamento das oportunidades que surgirão ao longo dos anos no mercado de renda variável. As opções estão melhorando aos poucos no mercado brasileiro, já temos disponíveis dois índices de dividendos com metodologia semelhante, mas diferente, ETF para índices mais amplos, como o IBrx-100, ETF para índices internacionais (por enquanto, apenas S&P500), etc. O espaço para o crescimento desse segmento é enorme no Brasil, muito possivelmente nos próximos anos surgirão mais ETFs, principalmente de índices internacionais. Difícil achar alguma empresa que está indo bem não só na bolsa, mas no País inteiro rs..

      Abs, bons investimentos

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  2. Tá complicado..... processo de desindustrialização do Brasil acelerado .. daqui a pouco voltaremos a vida no campo ...

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    1. Curiosamente o nosso grande potencial de industrialização hoje está no campo. O Brasil é a "fazenda" do mundo. E, ainda, entre os grandes produtores do ramo no mundo, nós somos o de menor valor agregado.

      Abs, bons investimentos

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  3. Fi, com a separação da mineração casa de pedra com a siderúrgica com vc ve as ações da csn
    E quem trabalha nesta mineração foi melhor ou pior pra mineração. Raul

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    1. Olá,
      Lamento mas não posso opinar, pois não estou por dentro desse assunto.

      Abs, bons negócios

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