quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Tentativa de impulsionar inflação na China agrava quadro de sobreoferta global


Os últimos indicadores da economia chinesa divulgados recentemente acrescentaram novas preocupações às lideranças locais, após um curto período de tranqüilidade constatado no terceiro trimestre deste ano.

O superávit comercial de 54,1 bilhões de dólares registrado em novembro veio menor que o sado positivo de 61,64 bilhões ocorrido em outubro. As exportações recuaram 6,8% no mês de novembro, ante o mesmo mês do ano anterior, após mostrarem queda de 6,9% em outubro. Já as importações caíram 8,7% na comparação anual de novembro, após o tombo registrado em outubro, de 18,8%.

Os dados da balança comercial revelam uma demanda doméstica ainda enfraquecida, mesmo com a intensificação dos programas de estímulos monetários por parte do Banco Popular (Banco Central da China) e, ainda, mostram dificuldade enfrentada pelas indústrias chinesas no cada vez mais competitivo mercado global.

Dados do mês de novembro também revelaram que os produtores chineses atacaram o mercado externo com muito mais força, agravando o quadro de sobreoferta global. As exportações de combustíveis atingiram nível recorde, os processadores de alumínio venderam 450 mil toneladas em novembro, a segunda maior quantidade da história, enquanto as exportações de aço aumentaram 22%, estabelecendo um novo recorde.

Os estímulos monetários implementados na China, apesar de agressivos, ainda não desarmaram a perigosa encruzilhada de excesso de produção e baixa inflação. O fator chave (demanda interna) continua operando abaixo do potencial, o que tem forçado as exportações do excesso de produção num mercado global já muito saturado.

As exportações também são uma importante via para tentativa de criar inflação no gigante asiático. O quadro de excesso de oferta tem mantido a inflação bem abaixo da meta de 3% a ser perseguida pela autoridade monetária.

Embora a inflação oficial tenha acelerado para 1,5% no acumulado dos últimos 12 meses em novembro, superior aos 1,3% registrados em outubro, as fábricas continuam sofrendo com a deflação dos preços. O índice de preços ao produtor caiu para 5,9% em novembro, registrando o quadragésimo quinto mês seguido de queda no índice.

A dificuldade de exportar produtos não só agrava o quadro de sobreoferta global, como mantêm pressionada a preocupante deflação de preços ao produtor na China. Nesta quarta-feira, lideres chineses anunciaram que irão cotar alguns impostos de importação e exportação na tentativa de impulsionar seu comércio e desafogar a oferta.

A medida criará mais tensões comerciais com os países desenvolvidos, que tentam se proteger sob intensa artilharia monetária. Além disso, as dificuldades encontradas neste último ataque ao mercado externo podem incentivar novas medidas de estímulos monetários por parte do Banco Popular.

No Brasil, o quadro permanece desolador. Enquanto o mundo enfrenta uma crise de deflação de preços, agravada pelo derretimento das commodities, nós conseguimos a audácia de criar inflação de dois dígitos. Em novembro, o IPCA acumulou alta de 10,48 por cento nos últimos 12 meses, a maior desde 2003.

Já o mercado financeiro voltou a operar com excesso de viés político, inviabilizando análise em função do deslocamento de preços, tal como ocorreu em meados do segundo e terceiro trimestre do ano anterior, vésperas das eleições presidenciais.


10 comentários:

  1. Desde 2008 tenho olhado a situação mundial com um vies geopolítico. De lá para cá, o mundo entrou em uma guerra economica, onde cada pais busca melhorar a sua economia, entre outras formas, exportando mais e importando menos. Fazem isso através de movimentos cambiais (dos gigantes programas de injecao de ativos EUA, Europa, Japao) ou tentam outros mecanismos de desvalorizar a moeda (China, Brasil). O problema é que quando a economia não cresce por incremento de produtividade e nao gera novos mercados, e cada pais tenta salvar o seu quintal em prejuizo do mercado de outros, como esta acontecendo agora, é gerado muita instabilidade, através de desequilibrios macroeconomicos e principalmente e mais preocupante, desequilibrios diplomaticos. Vale lembrar que a 1 Guerra Mundial ocorreu por tentativas de uma potencia tentar crescer no mercado de outra potência.

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    1. Sim, existe uma crise de diplomacia e governabilidade no mundo. Aumentaram as dificuldades, tanto para estabelecer relações com outros países, quanto para colocar ordem no próprio quintal. Entretanto, guerras de grandes proporções não existem mais. Depois do surgimento do processo de globalização, ficou muito mais fácil "derrubar o inimigo" via sanções econômicas. Os conflitos armados tendem a continuar ocorrendo em regiões de grande potencial econômico combinadas com elevados índices de desigualdade social, onde não existem líderes capazes ou fortes o suficiente para promover o processo de integração social e étnico. Já outro problema que afeta todos os países (e não somente África e Oriente Médio) é o fato de que cada vez mais pessoas sentem-se excluídas do sistema, o que acaba criando condições para alimentar atitudes radicais, como crime organizado e atos de terrorismo.

      Abs, bons investimentos

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  2. Quem diria, depois de anos de crescimento a China na inflação.
    Mas eu acho que os preços ao consumidor da China não devem acelerar de forma significativa no futuro próximo devido à queda nos preços das commodities e energia,

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    1. Certo, apesar de a inflação oficial estar em campo positivo (porém muito baixo e distante da meta), a deflação na porta da fábrica é preocupante. Curioso é que paralelo ao quadro de deflação ao produtor, existe uma bolha no mercado de crédito chinês.

      Abs, bons negócios

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  3. Postado por CRICRI

    Obrigado pelo artigo.
    Bom comentário também do Galo da Comarca e a sua resposta.
    Abraço

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    1. Esse tipo de questionamento levantado pelo Galo da Comarca é muito complexo, delicado e de suma importância. Deveria ser mais debatido na sociedade e principalmente entre os líderes globais.

      Abs, bons investimentos

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  4. Guilherme Sacramento10 de dezembro de 2015 17:43

    Acho que isso se explica pela baixa renda percapita da China, eles não tem uma forte demanda interna. Ao contrário daqui, eles deveria fazer um choque de oferta se a ideia é aumentar a inflação. Aliás, éo que a China está tentando fazer agora, impulsionar seu mercado consumidor. Basta que a renda percapita da China atinja 25% da americana, que eles se tornarão a maior economia do mundo. No Brasil, concordo plenamente que temos deficit crônico de produtividade, há uma falha grave na educação e inovação tecnológica, e uma infrastrutura lamentavelmente degradante. Além de um estado gigantesco, que patrocina aumentos de salários indexados. O brasileiro precisa entender que o estado não produz nada, não produz riqueza e que não existe beneficios grátis.

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    1. Sim, a primeira grande indústria da China foi a "demográfica" rs... O potencial da demanda interna deles é gigantesco. O mundo inteiro está de olho na demanda chinesa, mas o crescimento está desapontando, mesmo com os programas de estímulos monetários. Cedo ou tarde o governo conseguirá fazer com que a demanda interna se torne um ator mais importante no PIB. Quando isso ocorrer, a China fatalmente se tornará a grande potência mundial e as consequências disso (boas ou ruins) são imprevisíveis.

      Abs, bons negócios

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  5. É achei bem estranho esse "pulo" da bolsa.... mas já está devolvendo de novo ...

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  6. A mega bubble chinesa está com o pavio aceso. Não dá p/ crescer p/ sempre a taxas exorbitantes, nem a China pode!
    Olha a "pequena china da américa latina" aqui: http://assessordopairico.blogspot.com.br/2015/12/investir-no-paraguay-friendly.html

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