terça-feira, 3 de maio de 2016

Máquinas em curto circuito


Após ensaiar movimento de recuperação no primeiro trimestre deste ano, a indústria brasileira voltou apresentar sinais extremamente preocupantes no mês de abril. O baque foi violento e relembra a trajetória de terror causada pelo estouro da crise do subprime em 2008.

O Índice Gerente de Compras do setor industrial brasileiro calculado pelo Instituto Markit despencou para incríveis 42,6 pontos no mês de abril, ante 46 pontos registrados no mês de maço, mostrando não somente encolhimento da atividade manufatureira, mas também rápido aumento no ritmo de contração.


A pontuação atingida pelo Brasil neste último mês está entre as mais baixas entre todos os países onde a pesquisa é feita. As economias que enfrentam dificuldades semelhantes às contatadas no Brasil conseguem, pelo menos, registrar pontuações bem melhores nos índices de atividade industrial.

O quadro é alarmante. O aumento no volume de novos negócios no comércio exterior (devido ao enfraquecimento do real), não foi suficiente para evitar um profundo mergulho do setor manufatureiro brasileiro, o que denuncia elevado grau de deterioração do mercado interno.

Com o volume de produção caindo numa taxa mais acentuada do que a própria sequência de quinze meses seguidos de contração, os empresários permanecem em defensiva fazendo o máximo possível para cortar custos e sobreviver à tempestade.

Consequentemente, novos postos de trabalho foram extintos no mês de abril, também num ritmo extremamente elevado. O relatório aponta que o número de funcionários foi reduzido pela taxa mais acentuada na história da pesquisa.

Esses dados ainda serão refletidos nas futuras pesquisas de taxas de desemprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), onde a Pnad Contínua já está em 10,2% no trimestre encerrado em fevereiro. Isso significa que, infelizmente, mais pessoas enfrentarão a situação dramática do mercado de trabalho nos próximos meses.

O setor financeiro também permanece em defensiva, com os balanços recentes mostrando aumento de inadimplência, aumento nas provisões para perdas com calotes e queda não desprezível no estoque de financiamento.

No mercado de capitais, o clima de aversão ao risco voltou aparecer na praça brasileira. O dólar se fortalece frente ao real, as taxas de juros futuros sobem e as ações caem na bolsa de valores.

O índice Bovespa trabalha vendido no curtíssimo prazo, após formação de topo (a princípio temporário) na faixa dos 55k. A primeira linha de suporte (fraca) está posicionada na faixa dos 51.7k. As vendas recentes ainda não causam ameaça à tendência principal de alta iniciada em 37k, que conta com importante apoio da média móvel simples de 200 períodos diária.
  

Os mercados externos também viraram a mão e operam vendidos no curtíssimo prazo, refletindo a deterioração de importantes indicadores econômicos. O índice S&P500 opera abaixo da linha central de bollinger, com a média móvel simples de 200 períodos diária atuando como principal linha de suporte.


A atividade industrial nos Estados Unidos continua perdendo ritmo de expansão. O Índice Gerente de Compras recuou novamente, atingindo 50,8 pontos no mês de abril, ante 51,5 pontos registrados no mês de março.

Na zona do euro, o Índice Gerente de Compras se manteve relativamente estável ao registrar 51,7 pontos em abril, frente aos 51,6 pontos do mês de março. A pesquisa também revelou segundo corte de preços mais acentuado desde o início de 2010, o que mostra, ainda, baixa eficácia dos programas de estímulos monetários do BCE (Banco Central Europeu).

Na China, a atividade industrial encolheu pelo décimo quarto mês seguido. O Índice Gerente de Compras caiu para 49,4 pontos no mês de abril, ante 49,7 pontos registrados no mês de março, mostrando ligeiro avanço no ritmo de contração do setor manufatureiro. Os analistas esperavam que o indicador viesse na direção oposta, rumo à expansão da atividade industrial.

Essa decepção, aliada aos indicadores ruins de outras economias, alimentou o clima de aversão ao risco nas principais praças financeiras mundiais, com muitos investidores/operadores aproveitando o momento para embolsar os lucros dos últimos meses.

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