quarta-feira, 27 de julho de 2016

Cauteloso, FED não sinaliza momento de nova elevação da FFR


O Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) decidiu nesta quarta-feira manter a FFR (Federal Funds Rate – Taxa básica de juros) inalterada entre 0,25% a 0,50% ao ano, numa decisão amplamente esperada pelo mercado.

O comunicado divulgado após o encerramento da reunião de Comitê também não apresentou sinalização de quando uma nova alta de 0,25 p.p. na FFR ocorrerá. Embora a autoridade monetária norte-americana tenha considerado nesta reunião que os riscos de curto prazo à perspectiva econômica estão diminuindo, as expectativas de inflação continuam, no geral, pouco inalteradas em relação aos meses anteriores.

A mediana das projeções de inflação dos membros do FED divulgada no mês de junho aponta para uma alta de 1,4% em 2016. Para 2017 e 2018, as projeções de inflação estão em 1,9% e 2%, respectivamente. As estimativas para o núcleo de inflação em 2016 estão em 1,7%. Para 2017 e 2018, a mediana das perspectivas para o núcleo de inflação é de 1,9% e 2%, respectivamente.

Portanto, a ancoragem da inflação na meta a ser perseguida (2% ao ano), tanto no índice oficial, quanto no núcleo, ocorrerá somente entre 2017 e 2018, o que não justifica aumento imediato da FFR na próxima reunião de Comitê a ser realizada no mês de setembro.

Passada a reunião de setembro, o próximo encontro ocorrerá em novembro, uma semana antes da eleição para presidente dos Estados Unidos. A disputa entre Donald Trump x Hillary Clinton tende a ser um processo traumático devido ao baixo nível dos candidatos e das bases que os sustentam. Num quadro de indefinição e risco político elevado, os membros do FED evitarão o máximo possível subir a FFR em novembro.

O clima no mês de dezembro (última reunião de Comitê em 2016) deverá estar mais favorável para uma nova alta de 0,25 p.p. na FFR, caso as projeções de inflação continuem apontando movimento ascendente, rumo à ancoragem na meta nos próximos 12 meses.

É sempre importante relembrar que o momento da próxima alta na FFR permanece irrelevante, assim como ocorreu na primeira vez, em dezembro do ano passado. O mais importante, na prática, é a comunicação do FED com o mercado (que por sinal tem sido perfeita nos últimos 2 anos) e o deslocamento das taxas de juros das Treasuries.

O rendimento dos títulos públicos norte-americanos permanece significativamente baixo, em mínimas históricas, não apresentando ameaça de fuga aos capitais alocados em mercados de risco mais alto, como os emergentes.

O rendimento da Treasury de 10 anos fechou nesta quarta-feira aos 1,52% ao ano, patamar extremamente baixo e muito longe da zona de perigo traçada na casa dos 3% (responsável por chacoalhar mercados de dívida soberana em todo o mundo e provocar fugas de capitais em 2013).


Com o FED cauteloso e mostrando poucas novidades relevantes, as atenções dos investidores/operadores recairão sobre as decisões de política monetária do BCE (Banco Central Europeu) e BoJ (Banco Central do Japão), justamente os banqueiros centrais que, atualmente, operam programas de estímulos monetárias mais agressivos no mundo.

As bolsas de valores permanecem trabalhando coladas em máximas históricas ou anuais, embora nos últimos dias sinais de esgotamentos em tendências de alta de curto prazo tem sido mais freqüentes.

Nos Estados Unidos, o índice S&P500 fechou mais um pregão de lado, acumulando 10 dias de pregões irrelevantes, praticamente estagnado.


No Brasil, o índice Bovespa também segue trabalhando movimento lateral, mostrando excesso de dojis em ponto de sobrecompra, o que pode sinalizar esgotamento na força compradora de curtíssimo prazo. Apesar de a tendência principal permanecer altista, sem ameaça de interrupção, o mercado dá sinais favoráveis para abertura de operações vendidas nos próximos dias.
 

9 comentários:

  1. Postado por CRICRI

    Valeu FI

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  2. FI,

    Eu estava apostando numa correçãozinha do ibov ... devido as altas seguidas .. mas ao que tudo indica.. to errado de novo.. esse ano tá complicado... só erro .. rs .. não sai dessa linha reta ai ... vai dar porrada pra um dos lados ..

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    1. Se você está errando muito recomendo parar de operar e trabalhar na construção de uma estratégia eficaz.

      Abs,

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  3. FI na próxima reunião do G20 a moeda chinesa deverá ganhar peso na cesta de moedas do FMI ganhando maior representação internacional , isto seria o início desvalorizarizacao do dólar e "forçaria" um aumento de taxas pelo FED ?
    O barril de petróleo referencia deixando de ser brent para o Urals (russo) provável cotato em outra moeda ,não dólar ,como referencia causaria uma maior desvalorização da moeda americana ?
    Se esta linha de raciocínio estiver correta , qual sua análise no valor do petróleo futuro e quais consequências de um forçado aumento de taxa do FED+ dólar desvalorizado , no mercado de capitais brasileiro ?
    Muito obrigado

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    1. É muita bola de cristal pro meu gosto rsrs... Também considero esse exercício irrelevante, pois o mercado é soberano e imprevisível. Por mais que você acerte o evento macro, a reação no mercado pode ser bem diferente daquilo que se esperava. Preocupe-se menos com isso e foque mais na capacidade da sua estratégia de aproveitar movimentos diversos no mercado. Isso é o suficiente para se obter bons resultados. Desculpe por não dar uma resposta que você esperava.

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  4. FI, parabéns pelo excelente trabalho prestado aos investidores!

    A postura mais "dovish" do FED pode se consolidar na próxima semana com um resultado aquém do esperado no Nonfarm Payroll e, desta forma, sepultar a chance de um aumento na FFR neste ano. Assim, teríamos a continuidade da depreciação do dólar frente ao real. Neste quadro, teremos um aumento de atividade do BC com leilões de swap reverso? Ou, o câmbio flutuante será adotado de forma categórica? Assim, qual sua análise para o comportamento do câmbio até o final deste ano (apenas um exercício de futurologia!).

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    1. O FED jamais tomou decisões de política monetária com base num único indicador. A imprensa usa isso para vender notícias diariamente, mas o fato é que o FED, e vários outros banqueiros centrais, analisam uma série de indicadores em modelos altamente complexos e as decisões de política monetária são reflexo desse trabalho. Na minha avaliação, os indicadores norte-americanos seguem dentro da rota que forçaria o FED a subir a FFR em 0,25 p.p. no fim deste ano ou início do próximo. Sobre o câmbio "100% flutuante", ainda não vi nenhum País no mundo "liberar geral" rs... Os regimes são de câmbios flexíveis, mas as autoridades volta e meia adotam medidas indiretas ou mesmo diretas de intervenção. É uma ferramenta importantíssima e acho que os governos e banqueiros jamais abririam mão de poder influenciar no seu deslocamento. O dólar x real permanece em tendência principal de quenda, ainda sem apresentar sinalização de reversão, mas acredito que os níveis atuais já começam incomodar o governo.

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  5. FI, assisti novamente o documentário da década de 90: The money masters apenas para ponderar meu apetite ao risco no atual cenário.
    Os bancos centrais continuam " brincando" com fogo e a economia real segue claudicante!
    Grato pelas análises!

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    1. Olá,
      Sem dúvida é um jogo perigoso, nunca se experimentou nada perto disso na história. Mas vamos em frente, temos que estar preparados para tudo.

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