quinta-feira, 14 de julho de 2016

Surpresa com BoE não abala o mercado


A reunião do Comitê de Política Monetária do BoE (Bank of England) terminou nesta quinta-feira sem apresentar nenhuma medida adicional em resposta ao Brexit, contrariando fortemente as expectativas do mercado.

A ampla maioria de analistas e economistas estava convencida de que a taxa básica de juros britânica seria reduzida de 0,50 p.p. para 0,25 p.p. na reunião de Comitê da autoridade monetária encerrada hoje. Entretanto, a taxa básica de juros permaneceu inalterada em 0,50 p.p.

A decisão sinaliza que os membros do BoE estão confortáveis com a reação do mercado frente ao resultado inesperado do referendo britânico, permitindo que a autoridade monetária possa esperar mais e, consequentemente, colher mais dados, antes de agir.

Em comunicado divulgado após a reunião de Comitê, o BoE se comprometeu em adotar algum estímulo na reunião do mês seguinte, quando terá em mãos as projeções de inflação e dados mais consistentes do impacto de curto prazo na economia causado pelo Brexit.

Assim, a autoridade monetária britânica deixa praticamente contratada nova (s) medida (s) de estímulo (s) a ser (em) divulgada (s) no mês seguinte, fato que aliviou o mercado e permitiu manutenção do clima positivo nas principais praças financeiras mundiais. O único ponto de incerteza está relacionado à dosagem a ser utilizada na artilharia do BoE.

Variável importante ao BoE, ainda desconhecida, são os impactos causados pela forte desvalorização da libra. No gráfico abaixo podemos notar que, ao contrário dos demais ativos, a libra contra o dólar não se recuperou do tombo provocado pelo Brexit:


O mesmo quadro pode ser observado no deslocamento da libra contra o euro:
  

O impacto provocado pelo tombo da libra pode criar pressão inflacionária adicional, mas também facilitar a competição das empresas inglesas no mercado externo. A princípio, o ponto negativo (inflação) desta equação terá menor relevância, comparado ao ponto positivo (exportações), nas futuras decisões de política monetária do BoE, já que a média de preços permanece abaixo do centro da meta.

Além disso, declarações da nova primeira-ministra britânica, Theresa May, e do novo ministro das finanças, Philip Hammond, alinhadas em fazer o necessário para manter a economia nos trilhos, inclusive com uma abordagem menos agressiva para as finanças públicas (menor rigor fiscal), estão mantendo os investidores mais calmos.

No Brasil, destaque para a entrevista de Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central, ao renomado jornal inglês Financial Times (apreciado por investidores do mundo inteiro). Goldjafn confirmou que o governo está elaborando uma proposta de emenda constitucional a ser enviada ao Congresso ainda esse ano para garantir a autonomia do Banco Central.

A emenda é extremamente positiva, pois reduzirá a percepção de interferências políticas nas ações da autoridade monetária, fato que aumentará a credibilidade no mercado e a própria eficácia da política monetária.

O presidente do Banco Central também disse que a trajetória de inflação é descendente e a conversão para a meta em 2017 está “completamente ao nosso alcance”. Com a inflação ancorada na meta (4,5%), Goldfajn defenderá uma meta menor para os anos seguintes.

Com relação ao câmbio, Goldfajn afirmou que um de seus objetivos é reduzir o estoque de swaps cambiais, atualmente em cerca de 60 bilhões de dólares, para zero. O novo presidente do Banco Central argumentou que o uso desse instrumento gera percepção de maior vulnerabilidade à depreciação cambial, além da sensação de que a autoridade monetária intervém muito no mercado.

Por fim, Goldfajn defendeu que o Brasil conte mais com as reservas internacionais (atualmente ao redor de 370 bilhões de dólares) para oferecer confiança aos mercados. É possível que o presidente do Banco Central tenha arrancado lágrimas de felicidade de alguns investidores estrangeiros interessados no Brasil. É uma nova abordagem, um novo Banco Central.

A bolsa de valores brasileira permanece comprada, já trabalhando teste sobre a principal linha de resistência (fragilizada) localizada na faixa dos 55k. A superação deste patamar reforçará a tendência principal de alta, iniciada no início deste ano, aos 37k.


2 comentários:

  1. Peço desculpas pela intromissão, mas talvez alguém possa se interessar. To me desfazendo de alguns livros.

    http://imagizer.imageshack.us/v2/1249x799q90/921/CYfmAx.jpg

    Ficaria agradecido se pudesse deixar meu comentário aqui. Mto obrigado.

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  2. FI,

    Bons números nos eua ... bom número do pib chines (nao sei o qt isso é real).. mas se hoje o maior risco do mundo são esses juros baixos gerando farra com dinheiro, a fórmula continua a mesma... mais incentivos, mais juros baixos e mais farra ... não sei .. não consigo ficar animado com essas altas lá fora..

    o ibov penso ser um caso a parte ... juros muito alto aqui .. se a politica parar de atrapalhar ... as coisas engrenam ...

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