terça-feira, 2 de agosto de 2016

Flexibilização fiscal no Japão aumenta significativamente


O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, aprovou nesta terça-feira mais um mega pacote de estímulos fiscais no valor de 28 trilhões de ienes (cerca de 274 bilhões de dólares).

O anúncio da impressionante nova montanha de estímulo fiscal surge dois meses após a decisão do governo japonês de adiar por mais dois anos e meio, novamente, um aumento da alíquota de imposto sobre consumo.

Na última sexta-feira, o BoJ (Banco Central do Japão) expandiu o estímulo monetário ao dobrar as compras de ETFs (fundos de índices), mas manteve a base monetária em 80 trilhões de ienes (cerca de 775 bilhões de dólares), assim como o ritmo de compras de ativos, incluindo títulos do governo japonês.

O mercado se decepcionou com o BoJ, pois esperava medidas mais audaciosas, como aumento no ritmo de compras de títulos do Tesouro. Além disso, Haruhiko Kuroda, presidente da autoridade monetária japonesa, afirmou que será realizada uma revisão dos efeitos da taxa de juros negativa e dos programas de estímulos monetários na próxima reunião de Comitê em setembro.

Essa revisão criou especulações no mercado de que o BoJ estaria se aproximando dos limites da taxa de juros negativa e de seus fortes programas de estímulos monetários, fato que forçou Kuroda declarar nesta terça-feira que a revisão da política monetária não vai levar ao enfraquecimento dos estímulos, na tentativa de acalmar os ânimos dos investidores/operadores.

Os preços dos títulos japoneses derreteram nos últimos dias (forçando aumento nas taxas de juros futuros), fato que colaborou para retomada do clima de aversão ao risco nas principais praças financeiras globais. O clima é tenso mesmo com as autoridades japonesas continuarem afirmando que permanecerão conduzindo uma poderosa combinação de política fiscal altamente flexível e afrouxamento monetário agressivo.

Na Austrália, economia que entrou no radar do mercado, a autoridade monetária local se viu forçada a agir nesta semana para defender a moeda contra o forte ritmo de valorização dos últimos meses. O banco central australiano cortou novamente a taxa básica de juros em 0,25 p.p., para a mínima histórica de 1,5%. Este já é o segundo corte do ano.

Além disso, os riscos de deflação na economia australiana seguem perigosamente elevados. Dados divulgados recentemente mostraram que a inflação dos preços ao consumidor desacelerou para a mínima de 17 anos no trimestre de junho, enquanto a inflação geral atingiu a mínima histórica de 1,5%.

Com o ambiente mais tenso nas praças financeiras, os preços dos ativos trabalham movimento de correção, aliviando os elevados indicadores de sobrecompra. Nos Estados Unidos, o índice S&P500 já trabalha teste sobre a linha central de bollinger, primeira região de suporte (fraca).


No Brasil, o índice Bovespa trabalha movimento semelhante, aproximando-se do teste na linha central de bollinger, vendido no curtíssimo prazo, sem apresentar novidade.


8 comentários:

  1. Congratulações pelo trabalho!

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  2. Antes de mais nada, parabéns pelas análises. Muito boas.
    Gostaria de lhe sugerir um tema, do qual tenho algumas dúvidas: as quedas nas taxas de juros dos títulos públicos no secundário e seus fundamentos.
    Creio que não só eu, como vários outros encontram-se meio perdidos: onde, tecnicamente, deveriam estar os juros? Como se constatar a distorção? etc.
    Jorge

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    1. Obrigado e desculpe pela demora na resposta.
      Comentamos bastante sobre isso nos últimos posts e nos comentários, quando puder dê uma olhada e qualquer dúvida volte a me contactar. Apenas acrescento que não há espaço técnico devido aos juros. Juros (futuros) irão oscilar como qualquer outro ativo financeiro, portanto não existe um lugar devido, ou um lugar "correto" na minha humilde opinião. O mercado é soberano e pode jogar preços dos ativos para qualquer lugar/direção, a qualquer momento, com ou sem motivo, com ou sem lógica rs.. Muitas vezes não será necessário entender a fundo o movimento, basta saber aproveitá-lo.

      Abs,

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  3. FI,

    E hoje ... o banco da inglaterra ... menos juros ..e mais dinheiro pro mercado ficar feliz .. não sei onde vamos parar com esses juros ..

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  4. FI, permita-me citar um artigo que faz menção aos aspectos relacionados aos juros negativos praticados pelos bancos centrais mundo afora. O artigo ilustra as discussões anteriormente tratadas neste espaço:

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2445

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  5. FI, vc viu o video da nova campanha da empiricus entitulado "o contragolpe" ? Se sim, o que achou ?

    Grato,
    Anônimo da alll (fazia tempo q eu não postava aqui, mas quem é vivo sempre aparece ! Hehehheheheheh)

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    1. Anônimo da alll! Hahaha, putz quanto tempo mesmo! Legal, velhos tempos de blog!

      Estou totalmente por fora rs.. Não acompanho os videos da Empiricus

      Abs!

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