segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Fracasso da TTIP aumenta rachadura na Europa


Cerca de dois meses após os britânicos surpreenderem o mundo ao decidirem abandonar o barco da zona do euro, líderes europeus, ainda desnorteados pelo Brexit, terão outro desafio delicado pela frente: contornar o fracasso da Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês).

A TTIP estava em negociação entre Estados Unidos e a União Europeia nos últimos três anos e era vista como importante alavanca para retomada do crescimento. A TTIP, atualmente, é (ou era) a principal esperança dos europeus, já que nem as políticas altamente agressivas de afrouxamento monetário do BCE (Banco Central Europeu) surtiram efeito.

Segundo o ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, as negociações falharam porque os europeus não querem se submeter às exigências norte-americanas. Apesar de pouca repercussão, o revés com a TTIP não só abre mais uma rachadura na Europa, como mostra predominância de uma postura inflexível dos líderes europeus, mesmo com o acúmulo de tantos problemas econômicos não corrigidos nos últimos anos.

Essa é a postura que os ingleses também enfrentarão nas negociações de ruptura com a União Europeia. O próprio ministro Gabriel afirmou recentemente que o Brexit é um problema mais psicológico do que econômico. O atrasado comportamento de superioridade/ intransigência dos líderes europeus tende a piorar o quadro negativo já criado pelo Brexit, sob o risco não desprezível de criar novas crises na zona do euro.

Com os riscos macro no radar, somados aos fortes programas de compras de títulos da dívida pública e privada do BCE, investidores europeus seguem batendo em retirada de seus respectivos mercados locais em busca de ativos mais rentáveis em outros lugares do mundo.

O mercado de dívida corporativa dos Estados Unidos é, praticamente, a única opção restante de ativos grau de investimento no mundo que ainda possuem algum prêmio de risco razoável. Por conta disso, o País segue recebendo forte entrada de capitais.

A reação do mercado nesta segunda-feira sugere tranqüilidade dos investidores/operadores frente às novidades apresentadas em Jackson Hole, semana passada. O índice S&P500 voltou a subir, retestando a linha central de bollinger.


O dólar contra cesta de principais moedas globais permanece operando abaixo da média móvel simples de 200 períodos diária, soltando candle de indecisão nesta segunda-feira. A fraca tendência de alta parece estar se transformando em congestão.


O mesmo raciocínio técnico se encaixa ao deslocamento de curto prazo da taxa de juros da Treasury de 10 anos (título público do Tesouro norte-americano).


No Brasil, o Ibovespa seguiu o movimento comprador global desta segunda-feira, fechando o pregão em alta de 1,55%, ainda se sustentando em cima da linha central de bollinger.


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