segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Pausa para venda


Influenciados pelo primeiro tombo do barril de petróleo desde que o rali de alta se iniciou a cerca de três semanas atrás, investidores/operadores aproveitaram o momento para vender posições de risco nas principais praças financeiras mundiais.

O barril do tipo light atingiu 49,36 dólares na semana passada, após registrar 39,19 dólares no início deste mês. A forte alta, praticamente ininterrupta, deixou a commoditie rapidamente sobrecomprada no curto prazo, atraindo atenção para abertura de novas posições vendidas, que surgiram nesta segunda-feira.


O ambiente também ficou mais pesado no pregão de hoje em função das declarações de Stanley Fisher, vice-chair do FED (Banco Central dos Estados Unidos), no qual afirma que a autoridade monetária está perto de atingir suas metas de pleno emprego e 2% de inflação. Esse discurso derrubou as falsas expectativas dovish criadas pela mídia após a divulgação da ata da última reunião de Comitê do FED.

O discurso de Fisher está em linha com o tom da mensagem transmita pelos documentos oficiais da autoridade monetária norte-americana, ratificando a expectativa de nova alta da FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros) no fim deste ano.

Qualquer novidade, se surgir, diferente do que já foi colocado ao mercado será cuidadosamente alertada pela chair do FED, Janet Yellen, em seu discurso na conferência de bancos centrais em Jackson Hole, nos EUA, nesta próxima sexta-feira.

O índice S&P500 fechou em leve baixa pelo segundo pregão consecutivo, com relevante estreitamento das bandas de bollinger, mostrando que a baixa volatilidade no mercado acionário pode estar perto do fim.


A bolsa de Londres, na Inglaterra, fechou em baixa pelo segundo pregão consecutivo, confirmando rompimento de uma LTA curta. Mercado vendido, já realizando teste na linha central de bollinger (fraca), ainda relativamente distante do principal ponto de apoio de curto prazo (região dos 6.6k).


Na Índia, a bolsa de Bombay também apresenta relevante estreitando das bandas de bollinger, com correções de preço ainda pequenas. Mercado operando em baixa volatilidade por tempo limitado, criando condições para definição direcional de forma mais agressiva nos próximos dias/semanas.
  
  
A bolsa do México trabalha vendida no curtíssimo prazo, após um forte rali ter impulsionado o mercado para acima da média móvel simples de 200 períodos diária.


Nesta segunda-feira, a agência nacional de estatísticas informou que o PIB (Produto Interno Bruto) contraiu 0,2% no segundo trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior, pressionado pela forte contração do setor industrial. Este é o primeiro recuo da economia mexicana dos últimos três anos, abrindo sinal de alerta aos investidores posicionados ou que pretendem se posicionar no País.

No Brasil, o Ibovespa caiu forte no pregão desta segunda-feira, mostrando surgimento de posições vendedoras com operadores aproveitando o elevado tempo de permanência dos indicadores em território de sobrecompra.


A definição do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff tem criado expectativas de forte ingresso de recursos estrangeiros no curto prazo, além de mais agilidade do governo na aprovação das importantes reformas estruturantes.

A velocidade esperada por economistas/analistas destes dois eventos está sendo superestimada. Os recursos tendem a continuar entrando de forma tática, não eufórica, e as reformas devem ser menos expressivas e mais demoradas.

4 comentários:

  1. FI, parabéns pelo trabalho!

    Essa novela do FED quanto a elevação da FFR aumenta a volatilidade dos ativos de risco e favorece ao ganho nas estratégias que utilizam os algoritmos nos fundos de alta frequência, inclusive, estes já são utilizados no mercado de dívida soberana. A SEC e demais instituições reguladoras deveriam avaliar criteriosamente a atuação destes fundos em virtude do risco sistêmico. Em uma escala temporal menor ocorre um Flash Crash, mas, em um prazo maior qual seria a influência dos mesmos dado o crescimento de utilização da estratégia pelos grandes conglomerados financeiros?

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    1. Obrigado! Discordo quanto à volatilidade, basta checar a permanência do VIX em mínimas históricas por um longo período de tempo. A estratégia do FED no mercado é justamente oposta: mitigar ou mesmo evitar aumento de volatilidade através de (i) política monetária altamente flexível e (ii) comunicação eficaz, antecipando com bastante cautela movimentos futuros. O próprio ciclo bullish no mercado norte-americano foi fortemente influenciado pelo Banco Central. E esse atual ciclo tem uma característica interessante, em nenhum momento houve euforia, parece comportado demais, o que definitivamente não desagrada o FED rs... Com relação aos algoritmos, concordo que o aumento da volatilidade favorece essas operações, mas ao mesmo tempo pode quebrar um fundo desse tipo. Creio que a influência é insignificante, o mercado não é bullish e não se tornará bearish por causa dos algoritmos. A preocupação maior são com os flash crashs, mas na minha opinião o número de ocorrências até o momento ainda é pequeno para causar algum alarde.

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  2. FI, verifiquei o gráfico do VIX e o índice está próximo as mínimas históricas em repique corretivo com teste na EMA(50), porém, distante da EMA(200). Não havia verificado há algum tempo e fiquei surpreso! Desconsidere o comentário sobre a volatilidade não o fiz pautado em números e ainda inferi uma relação causa x efeito com atuação do FED, mas, não era a intenção.

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    1. Imagina! Eu também fico surpreso quando abro o gráfico do VIX, principalmente no semanal em períodos longos. Seu comentário é importante, pois há realmente inquietação de investidores no mercado com atuação dos Bancos Centrais e sentimento de que os negócios estão artificialmente inflados. É uma dinâmica diferente ao funcionamento do mercado e consequentemente os choques são cada vez menores e menos expressivos. Os americanos estão tão desacostumados que quando o S&P500 cai 5% fala-se em recessão na economia rs..

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