quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Aumenta incômodo com estagnação econômica global


A nova rodada de medições da atividade manufatureira das principais economias globais voltou a decepcionar os investidores. O levantamento feito pelo Instituto Markit continua mostrando dados fracos na Ásia, Europa e América, sem qualquer sinalização de retomada.

A grande preocupação continua sendo a China. O Índice Gerente de Compras do gigante asiático recuou de 50,6 pontos no mês de julho para 50,0 pontos no mês de agosto, indicando nova desaceleração sobre uma tentativa de retomada de fôlego da atividade manufatureira.

Na zona do euro, o Índice Gerente de Compras do Instituto Markit recuou de 52,0 pontos em julho para 51,7 pontos em agosto, mostrando perda no ritmo de expansão da atividade industrial. A pesquisa também revelou que as empresas estão oferecendo ainda mais descontos para vender seus bens, fato que contribui para manter a inflação muito abaixo da meta de 2% ao ano. Esse quadro desfavorável também adiciona pressão sobre o BCE (Banco Central Europeu), já que sua política monetária, muito agressiva, continua não surtindo efeito desejado.

Outra economia que continua enfrentando problemas, mesmo com violenta atuação por parte da autoridade monetária local, é a japonesa. O Índice Gerente de Compras subiu de 49,3 pontos no mês de julho para 49,5 pontos no mês de agosto, mas ainda se acomodando em território de contração da atividade industrial.

A atividade manufatureira norte-americana também derrapou no mês de agosto. Após registrar 52,9 pontos em julho, o índice recuou para 52,0 este mês, mostrando desaceleração inesperada no ritmo de expansão.

Acompanhando a tendência global, a atividade manufatureira brasileira também escorregou no mês de agosto. A diferença é que escorregamos de um ponto incrivelmente baixo, o que continua sendo fator preocupante. Depois de registrar 46,0 pontos no mês de julho, mostrando perda no ritmo de contração comparado ao mês de junho, o índice voltou a travar no mês de agosto, recuando para 45,7 pontos.


A pesquisa do Instituto Markit mostra que a pressão negativa sobre o setor industrial brasileiro continua muito forte, marcando o décimo nono mês seguido de contração relevante. Nos últimos meses, o setor vem sentindo os efeitos da valorização do real. O volume de novos pedidos provenientes do exterior voltou a cair no mês de agosto, num ritmo mais forte do que em julho.

Com a decepção generalizada nesta rodada de medições, a economia global permanece patinando, sem perspectiva de melhora. O gráfico do JP Morgan Global Manufacturing PMI abaixo demonstra claramente o estado de paralisia da economia. Índice praticamente estagnado na faixa neutra (50 pontos) nos últimos dois anos.


A diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, afirmou que reduzirá novamente a previsão de crescimento global para 2016, em função da demanda fraca, queda no comércio global, redução dos investimentos e aumento da desigualdade social.

Lagarde vai aproveitar o encontro do G20 para focar na defesa da globalização e cobrar dos líderes mais ações nessa direção. O que tem ocorrido nos últimos meses/anos é justamente o oposto, um ressurgimento de políticas protecionistas.

Sem poder contar com o respaldo dos fundamentos macro, o bom ânimo dos investidores/operadores, responsável por levantar preços dos ativos nas principais praças financeiras mundiais, está sob ameaça de interrupção.

Os mercados ainda não sinalizaram reversão na tendência principal, mas o grau de vulnerabilidade à eventos adversos está alto. Ou seja, apesar de o fluxo ser dominante comprador, o risco está mais alto para abertura de novas posições na ponta comprada.

Nos Estados Unidos, o índice S&P500 permanece congestionado numa estreita faixa de preços. Bandas de bollinger muito apertadas normalmente significam perigo. Acúmulo de negócios feitos em determinada região de preço, por tempo prolongado, costuma ter um desfecho traumático quando o mercado define um direcional. Inicia-se uma correria.


No Brasil, o mercado também segue congestionado, apesar de não tão curto quanto o norte-americano. Ainda assim, os ativos brasileiros tendem a ser contaminados quando as pancadas começarem nos Estados Unidos, definindo o direcional do mercado.
  

Destaque para o recuo não desprezível das taxas de juros futuros no pregão desta quinta-feira, refletindo expectativas precipitadas de corte da taxa Selic no mês de outubro. Conforme destacado na análise anterior, as condicionantes traçadas pelo Copom para flexibilização da política monetária são difíceis de alcançar no curto prazo.

2 comentários:

  1. FI

    Essa estagnação mundial, aliada à melhor imagem do novo governo frente ao anterior deverá atrair uma enxurrada de dinheiro em nossa economia proveniente de outros mercados, não acha?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ela já ocorreu, no início deste ano. Teve respaldo do Banco Central. O mercado brasileiro é a sensação do mundo em 2016. Acredito que para esse movimento continuar, será necessário avanço em algumas reformas estruturantes.

      Excluir