terça-feira, 13 de setembro de 2016

Mercado teme ascensão de Trump na corrida eleitoral


A menos de dois meses da eleição presidencial americana, a candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton, queridinha de Wall Street, passa mal num evento recebendo diagnóstico de pneumonia.

O mercado foi pego de surpresa, pois estava confortável com a vantagem que Hillary tinha nas pesquisas sobre o seu oponente do Partido Republicano, Donald Trump. Pior, os questionamentos relacionados à saúde de Hillary, até então abafados pela sua estratégia de campanha, vieram à tona, fato que pode reduzir a vantagem de Hillary e deixar a disputa muito acirrada até o último dia de campanha.

Diagnosticada com pneumonia, Hillary terá que repousar mais e trabalhar menos no curto prazo, justamente num momento onde a campanha pede mais gás dos candidatos, com os debates esquentando.

Donald Trump está aproveitando a oportunidade para aparecer mais e atacar sua adversária. No mês passado o candidato do Partido Republicano já havia afirmado que sua adversária não tem força física e mental para lutar contra o Estado Islâmico e outros adversários. O diagnóstico de Hillary, divulgado somente dois dias depois de feito pela médica, acabou reforçando a tese de Trump. Vale ressaltar que a segurança está entre os principais pontos avaliados pelos eleitores norte-americanos.

Em Wall Street, casas de investimentos já começam a fazer conta sobre até que ponto Trump pode subir nas pesquisas ou mesmo passar na frente de Hillary. É bem possível que os primeiros resultados dessas especulações na corrida eleitoral tenham impactado o mercado nesta terça-feira.

Trump tem feito repetidos ataques à política monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) e, como se não bastasse, suas políticas protecionistas, de corte de impostos e deportação de imigrantes desagradam enormemente o mercado.

A Oxford Economics, empresa britânica independente de pesquisa econômica, divulgou um estudo nesta terça-feira afirmando que a economia dos Estados Unidos pode ficar 1 trilhão de dólares menor do que seria de se esperar para 2021 caso Trump seja o vencedor na eleição de novembro.

O risco Trump não se restringe aos Estados Unidos. O mundo segue muito dependente do desempenho da economia norte-americana e qualquer choque adverso tem capacidade de provocar uma crise a nível global.

O noticiário local atribuiu o movimento de queda vertiginosa dos preços ao deslocamento do barril de petróleo. De fato, o barril do tipo light fechou em forte queda nesta terça-feira, influenciado pelo relatório da AIE (Agência Internacional de Energia), apontando demanda fraca no terceiro trimestre de 2016.


Entretanto, conforme se pode constatar no gráfico acima, mesmo com a queda desta terça-feira, o preço do barril de petróleo está acima das mínimas atingidas neste mês de setembro e, ainda, muito distante dos 39,19 dólares registrados no mês passado.

O temor do mercado, neste momento, não é com o petróleo, mas sim com o aumento dos riscos políticos (Estados Unidos) e financeiros (políticas monetárias dos banqueiros centrais de países desenvolvidos). O deslocamento do preço do petróleo, assim como dos demais ativos no mercado, é apenas uma conseqüência desta mudança de ambiente, mais tenso e imprevisível.

O índice S&P500 permanece vendido no curto prazo, próximo de uma fraca região de suporte (antigo ponto de pivot), apresentando volatilidade elevada.


O índice Bovespa mergulha de ponta cabeça, já se aproximando da importante LTA dos 37k. Assim como nas demais praças mundiais, o mercado brasileiro experimenta forte aumento da volatilidade, com investidores desmontando posições em ativos de risco, incluindo moedas e títulos da dívida pública.


6 comentários:

  1. Fala amigo, acho q o trump leva e está tudo armado pra uma alta forte do petróleo em 2017. Pode ser através da Venezuela ou Oriente Médio, fechando torneiras.
    Se o petroleo não voltar pros 80 u$ o bancos americanos vão quebrar, pois aceitaram o hedge da industria do shale oil e agora estão encrencados. Estão entubando as dívidas em etf´s lançados aos montes nos últimos meses, mesmo em cenário de aversão ao risco.
    Nunca acreditei muito no duelo democratas x republicanos, pra mim são a mesma coisa, apenas se alternam no poder numa forma de morde assopra, e depois de anos de obama é hora de morder de novo com o trump. Abç

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    1. Trump é uma zebra da campanha dos republicanos. E pode ser uma zebra nas eleições também, o mercado ainda não embutiu totalmente esse risco, estava confiante demais na vitória de Hillary. Por incrível que pareça, o único ponto positivo nessa história é que o futuro presidente encontrará um Parlamento ainda muito dividido, e como Trump não tem apoio integral nem dos parlamentares de seu próprio partido, é provável que, se eleito, não consiga cumprir suas promessas. Com Hillary não será muito diferente. De fato, o "shael oil credit" apresenta risco ao sistema, mas numa proporção muito inferior ao que foi o subprime. É algo que preocupa o FED, mas que não tem potencial de pulverizar o sistema financeiro do mapa, como foi o caso do subprime. O mercado de crédito global (público e privado) está muito mais perigoso, essa última arrancada nas taxas pegou muitos fundos hedge de surpresa.

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  2. Excelentes análises! Parabéns pelo trabalho.

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  3. Diz o jim rickards q a bolha do shale oil é cinco vezes o subprime , se é verdade eu não sei

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    1. Não é uma fonte muito confiável rs... Para ser cinco vezes o subprime, deveria ser algo na cada dos 10 trilhões de dólares. Estima-se que boa parte do balanço de 4 trilhões do FED são títulos subprime. É muito provável que seja bem menor que o subprime.

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