quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Ativos de risco brasileiros ganham novo impulso


Mesmo com boa parte dos fundos de pensões e fundos hedge locais ainda se mantendo distantes de ativos de risco brasileiros, o mercado doméstico continua renovando forças de um touro bufante.

O tombo da bolsa brasileira aos 56,5k em meados do mês passado só fez atrair ainda mais atenção de investidores/operadores do mundo inteiro para abertura de novas posições na ponta comprada, proporcionando novo impulso ao Ibovespa, mostrando que ainda somos a grande sensação de 2016.


A nova arrancada das ações brasileiras jogou o Ibovespa a uma condição técnica muito favorável para acionar mais num novo pivot de alta com o possível rompimento da resistência localizada na faixa dos 60,3k, fato que agregará mais força à tendência principal de alta iniciada na região dos 37k.

Já no mês passado, os contratos de juros futuros voltaram a mostrar aumento da força bullish ao romperem para baixo uma zona de congestão de vários meses. O contrato para vencimento em 2019 fechou a quarta-feira pagando uma taxa de apenas 11,45% ao ano.


Cerca de um ano atrás, esse mesmo contrato chegou a pagar taxa de 17,73% ao ano. Nesta época, vários analistas/economistas mostraram preocupação com o aumento do endividamento do governo brasileiro, citando, inclusive, receio com um calote na dívida interna.

Curiosamente, os juros futuros renovaram mínima do ano justamente no dia em que o FMI (Fundo Monetário Internacional) avaliou que o Brasil só voltará a ter superávits primários a partir de 2020, estimando que a dívida bruta vai aumentar de modo ininterrupto até 2021, quando deverá alcançar 93,6% do PIB (Produto Interno Bruto).

Os novos números são insustentáveis e muito piores do que aqueles apreciados um ano antes, mas, ao contrário do sentimento do passado, os analistas/economistas estão, agora, bastante otimistas com o futuro. Para efeito de comparação, a média de endividamento dos países emergentes é de 47,3% do PIB.

O rali dos ativos de risco no Brasil permanece, portanto, altamente desencontrado dos indicadores domésticos. Entretanto, essa divergência gritante é comum em momentos de virada nos ciclos de mercado (neste caso, de bearish para bullish), sinalização que vem sendo emitida desde o início deste ano.

No âmbito externo, destaque para o Relatório de Perspectiva Econômica Global do FMI, mantendo a estimativa de crescimento de 3,1% em 2016 e 3,4% em 2017 (ambas consideradas baixas). A instituição voltou alertar sobre os riscos de políticas protecionistas, que tem ganhado força nos últimos anos.

Apesar da sensação de calmaria transmitida pela congestão de curto prazo no S&P500, o mercado norte-americano permanece com tensão relativamente elevada. Esse sentimento pode ser melhor detectado pelo deslocamento da Treasury de 10 anos, voltando atingir a máxima dos últimos 3 meses.


9 comentários:

  1. FI. Tenho visto dados mostrando que o investidor estrangeiro esta vendendo ações brasileiras desde agosto. Esles apenas estao mantendo posição no indice futuro, o fluxo cambial que saiu hoje esta negativo em 5,54 Bi, aumentando os fluxos negativos das semanas anteriores. Logo, o estrangeiro está correndo do Brasil, e não entrando. Tenho que a alta recente esta sendo provocada por nacionais, não sei de qual segmento. Com toda a conjuntura retratada no seu artigo, tenho a impressao que quedas fortes irão acontecer. Vamos monitorar e tentar tirar proveito. Abs

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    1. Olá,
      O volume vendedor de estrangeiros desde o mês de agosto é muito pequeno perto do volume comprador do ano, indica ser realização parcial e natural de curto prazo, como ocorreu nas outras vezes. O gráfico do fluxo comprador do estrangeiro na Bovespa ainda está muito perto da máxima recorde. No geral, os estrangeiros estão comprando desde 2008, sendo que o ritmo de compras se acelerou significativamente a partir de 2013. O investidor pessoa física e os institucionais nacionais permanecem avessos ao risco. Abs,

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  2. Apenas gostaria de deixar meu elogio ao seu ótimo trabalho. Seu blog é de leitura obrigatória. Um abraço.

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  3. Fala Fin!

    Sempre por aqui.. prestigiando seu trabalho!

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    1. Tudo bom Veigalex, quanto tempo! Não sei como vocês conseguem ficar esse tempo todo lendo o meu blog rsrs.. Não enjoa? Obrigado!

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  4. FI,

    Como sempre boas informações ...

    Abs,

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  5. Acho que depois da aprovação da PEC, se o governo conseguir ter forças para encaminhar na sequencia a previdência. Acho que teriamos um perna de alta permanente, até fato novo. Percebo uma crescente nos índices nacionais. Nada de encher os olhos, mas pra quem ate as ontem estava amargurando uma inflação na casa dos 11% a.a. e hoje sai um IPCA a 0,08.

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