terça-feira, 25 de outubro de 2016

Banco Central reforça postura cautelosa


A depender de grande parte dos economistas e analistas do mercado financeiro nacional, a taxa básica de juros já estaria, hoje, aos 13,75% ao ano, com sinal bastante claro para novo corte de 0,50 p.p. no mês de novembro.

O mercado está indo com sede demais ao pote devido à grande ansiedade para queda dos juros futuros, explicada em postagens anteriores. O Banco Central, felizmente, não entrou na perigosa onda excessivamente dovish do mercado e ganhou mais um ponto importante para o processo de recuperação da credibilidade perdida na gestão anterior.

Agora, a autoridade monetária quer fazer mais: colocar ordem na casa. Os mais apressados para cortes agressivos na taxa Selic perderam o juízo ao desconsiderarem fatores importantes ao balanço de riscos para a inflação. São velhos conhecidos problemas típicos da dinâmica da inflação brasileira.

A manutenção da estratégia da autoridade monetária no mercado de câmbio, juntamente com a divulgação da ata da última reunião de Comitê e entrevista de Ilan Goldfajn (presidente da instituição) reforçou a mensagem de uma postura justificadamente mais cautelosa daqui pra frente.

Em entrevista concedida para a Globo News, Ilan afirmou que a política monetária vai ser flexibilizada quando a inflação permitir. Isso significa que, no momento, o Banco Central não enxerga condições para aumentar o processo de flexibilização da política monetária, ou seja, subir o ritmo de cortes da taxa Selic de 0,25 p.p. para 0,50 p.p.

Na ata divulgada nesta terça-feira, os membros do Comitê deram destaque aos sinais recentes de pausa no processo de desinflação do setor de serviços, o que pode sinalizar convergência mais lenta da inflação à meta. Consequentemente, na visão dos membros votantes, uma maior persistência inflacionária requer persistência maior da política monetária.

O documento deixou bastante claro a perspectiva de manutenção do ritmo de corte de 0,25 p.p. na próxima reunião de Comitê. O tom mais duro foi adotado, possivelmente, para colocar ordem na casa, já que havia (ainda há) disparidade elevada entre as sinalizações do Banco Central e as perspectivas do mercado para a taxa básica de juros. Em outras palavras, a autoridade monetária sinalizava cenário x, mas o mercado insistia enxergar 2x.

Sobre o ritmo de aprovação das reformas estruturais, o Banco Central reconhece as recentes surpresas positivas, mas, por outro lado, enxerga que a natureza longa e incerta do processo sugere que há, ao mesmo tempo, risco e oportunidade. É uma visão com um pouco mais de pé no chão.

É bom ressaltar que, de nada adianta aprovar a PEC do teto dos gastos na Câmara e no Senado sem reformar a previdência. A PEC do teto dos gastos terá pouco efeito do ponto de vista fiscal se não for acompanhada pela reforma da previdência. Não há como retomar a sustentabilidade fiscal fazendo o serviço pela metade. Portanto, o governo precisa agilizar a reforma da previdência para que o Banco Central possa se sentir mais confiante para intensificar o ritmo de cortes na taxa básica de juros.

A bolsa de valores brasileira fechou o pregão desta terça-feira em leve queda, mantendo a sinalização de mercado vendido no curtíssimo prazo.


No quadro internacional, destaque para as declarações de Ma Jun, economista do Banco Central da China. Na visão de Ma Jun, uma alta da FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros norte-americana) terá impacto limitado sobre o iuan (moeda chinesa). A comunicação do FED (Banco Central dos Estados Unidos) tem conseguido limitar a volatilidade no mercado financeiro internacional, mas, ainda assim, o iuan tem se enfraquecido contra o dólar, realizando movimento oposto ao constatado em outras moedas de países emergentes.

O iuan caiu mais de 1,5% contra o dólar desde o final de setembro, renovando temores no mercado de uma contínua queda da moeda chinesa nas próximas semanas/meses devido ao ceticismo com os indicadores econômicos domésticos e mercado de crédito local.

Por enquanto, o mercado de câmbio não contaminou a bolsa de valores local. O principal índice da bolsa de Xangai fechou mais um pregão em alta, aproximando-se da máxima registrada no mês de agosto, com boa configuração técnica para rompimento ascendente.


A flexibilização monetária do Japão tem conseguido se sobrepor aos temores com a economia da China. Nesta terça-feira, o presidente do BoJ (Bank of Japan), Haruhiko Kuroda, afirmou que a autoridade monetária continuará com a política de afrouxamento sob sua nova estrutura de política monetária para alcançar rapidamente a meta de inflação de 2% ao ano. Isso significa que as condições monetárias ultra expansionistas serão mantidas para sustentar a economia.

As declarações de Kuroda renovaram ânimo dos investidores na bolsa de Tóquio, em franca retomada de preços. A superação da forte linha de resistência localizada na faixa dos 17,2k abre mais espaço para novos upsides.


Nos Estados Unidos, o índice S&P500 fechou o pregão em leve queda, voltando a ficar abaixo da linha central de bollinger. Mercado permanece congestionado e muito comportado frente à aproximação das eleições presidenciais.
 

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