sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Copom está com dedo no gatilho para começar cortar a taxa Selic


Surpresas positivas na inflação, combinadas com discursos mais dovish por parte de membros votantes do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), deram sinal convincente ao mercado de que o ciclo de afrouxamento monetário no Brasil é realmente iminente.

Na manhã desta sexta-feira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o IPCA de setembro atingiu o menor nível em pouco mais de dois anos, impulsionado tanto pela queda dos preços dos alimentos quanto pela baixa demanda.

A inflação oficial brasileira registrou avanço de apenas 0,08% no mês passado, mostrando forte desaceleração frente a alta de 0,44% registrada em agosto. O IPCA de setembro veio muito abaixo das projeções de mercado, fato que aumentará o ânimo dos agentes, economistas e analistas, criando condições para revisões descendentes nas estimativas de inflação para 2017 e 2018, a serem constatadas nas duas próximas divulgações do boletim Focus.

A redução do GAP entre as projeções de inflação mais otimistas do Banco Central (cenário de referência) e as projeções de inflação menos otimistas do mercado (pesquisa Focus) aumentarão a confiança dos membros do Copom para iniciar o ciclo de afrouxamento monetário.

Além disso, o IPCA de setembro mostrou que a desaceleração da inflação de alimentos aumentou ainda mais. Também houve relevante arrefecimento de preços do setor de serviços (de 0,59% em agosto para 0,33% em setembro), colaborando para reduzir as incertezas sobre a segunda condicionante traçada pelo Copom para abrir caminho ao ciclo de cortes na taxa Selic: “(ii) que os componentes do IPCA mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica indicassem desinflação em velocidade adequada.”

Ainda que a desaceleração da inflação do setor de serviços não tenha atingido velocidade considerada adequada, em função do quadro de grave recessão, o simples fato de o ritmo de arrefecimento ter aumentado já é uma mudança de sinal que os membros do Copom vão levar em consideração na próxima reunião de Comitê.

A inflação de serviços terá peso relevante na próxima avaliação do Copom em função da sua eficácia em medir a pressão da demanda no mercado. Diferentemente da dinâmica de preços dos produtos, os consumidores não possuem a opção de importar serviços. Portanto, a desaceleração de preços do setor de serviços é um forte sinal de arrefecimento da força da demanda na economia, pois demonstra aperto financeiro nas empresas e famílias, o que, por fim, descarta a necessidade de manutenção da taxa básica de juros em nível muito elevado, pois seu efeito já foi totalmente transmitido à economia.

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse hoje que as ações para o controle das despesas têm impacto imediato na confiança dos agentes econômicos, num aceno positivo frente aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que limita o crescimento dos gastos públicos na comissão especial da Câmara.

Essa nova avaliação de Goldfajn (impacto imediato na confiança) também mostra redução de incerteza sobre a terceira condicionante traçada pelo Copom para abrir caminho ao ciclo de cortes na taxa Selic: “(iii) que ocorresse redução da incerteza sobre a aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia, incluindo a composição das medidas de ajuste fiscal e seus respectivos impactos sobre a inflação”.

O presidente do Banco Central também afirmou que o governo Temer vai avançar para além do fronte fiscal numa ampla agenda de reformas estruturais, promovendo investimento em infraestrutura, privatização e reforma trabalhista, que, segundo ele, são essenciais para recuperar o crescimento sustentável e entregar inflação baixa e estável.

Ratificando as expectativas políticas otimistas de Goldfajn, o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Tiago Berriel, disse num seminário do JP Morgan nesta sexta-feira que há um firme comprometimento do governo com sua agenda de política. Essa convicção de Goldfajn e Berriel aparenta fazer parte do cenário de riscos a ser apreciado pelo Copom na próxima reunião de Comitê, nos dias 18 e 19 de outubro.

Mesmo considerando que o nível de otimismo entre os membros do Comitê possa influenciar a importante decisão a ser tomada na reunião deste mês, é justificável que o Banco Central aproveite a janela de oportunidade criada pela importante desaceleração da pressão da demanda para iniciar o ciclo de afrouxamento monetário, desde que em ritmo gradual (0,25 p.p.). Começar o ciclo com cortes seguidos de 0,50 p.p. enviará sinal excessivamente dovish aos agentes e, assim, colocar em risco a ancoragem da inflação na meta (4,5%) nos próximos anos.

No mercado doméstico, permanece quadro bastante favorável aos ativos de risco. Os contratos de juros futuros continuam cedendo, mostrando manutenção da intensa pressão compradora verificada neste ano. As taxas estão pagando os mesmos prêmios praticados cerca de dois anos atrás. Boa parte da alta acumulada desde 2012 (influenciada pelo recuo forçado da taxa Selic aos 7,25% ao ano) já foi devolvida, restando apenas duas regiões de suportes relevantes, sendo uma delas em zona de juros de apenas 1 dígito.


Já a bolsa de valores marcou mais um movimento histórico nesta semana ao superar a linha de resistência localizada na faixa dos 59k, levando junto o importante patamar psicológico dos 60k, sem fazer alarde. A atual pernada de alta, iniciada aos 37.000 pontos, é a mais forte desde a reaproximação da máxima história em 2010.
  

Com um novo pivot de alta acionado no gráfico semanal, em antiga zona de forte resistência, pode-se notar que, agora, restam apenas duas linhas de resistências relevantes (62,5k e 69k) para retorno do Ibovespa à máxima histórica.

O mercado sensação do mundo em 2016, o Ibovespa touro bufante, entrou em contagem regressiva para superação do topo histórico. Isso não é uma garantia de que tal movimento ocorrerá já no curto/médio prazo, mas que, além das condições técnicas favoráveis, cada vez mais investidores e players globais estão apostando no ciclo bullish brasileiro, mesmo com os institucionais nacionais ainda fora do melhor rali dos últimos seis anos.

4 comentários:

  1. Parabéns pelo trabalho, FI!

    E, venho me redimir de uma ponderação equivocada quanto a popularidade deste espaço. O "Abacus Liquid" realizou uma pesquisa e verificou que o seu Blog figura na oitava colocação entre os mais populares no segmento de finanças. Esta condição, certamente, reflete a qualidade do seus textos! O "silêncio" dos leitores, talvez, deve-se como aventou outra anônimo na época sobre o nível do seu background.
    Assim, verifica-se que a divulgação de informações e análises de qualidade (de forma imparcial) corroboram ao escopo de sua inciativa para formação de massa crítica quanto à educação financeira, fenômeno este, relativamente incipiente em nosso país. Assim, reitero minhas congratulações pelos serviços prestados a comunidade financeira.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, nem eu sabia rs.. Fiquei surpreso. Obrigado!

      Excluir
  2. Resistencia 62.500 bull trap crash 15%
    Bem possivel

    ResponderExcluir
  3. FI,

    Será que agora vai essa selic? E essa ibov, para o alto e avante? rs

    Abs,

    ResponderExcluir