segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Corrida presidencial pega fogo nos Estados Unidos


O FBI, agência de investigação americana, informou na última sexta-feira que voltará a investigar novos e-mails que surgiram em relação ao uso de um servidor privado pela candidata do partido Democrata Hillary Clinton, quando ocupava o cargo de Secretária de Estado.

A notícia caiu como uma bomba sobre a campanha dos Democratas, que até hoje lutam para abafar o gravíssimo descuido de sua candidata. É inacreditável imaginar um funcionário do alto escalão, ocupando uma das mais importantes funções estratégicas do governo norte-americano, utilizar servidor privado para troca de vários e-mails, muito possivelmente sigilosos e de extrema relevância. Caso contrário, o que Hillary estaria fazendo na linha de frente da diplomacia americana?

As investigações do FBI, iniciadas em 2015, foram encerradas no mês de julho deste ano. O relatório foi muito duro com a decisão de Hillary de manter seus e-mails em um servidor privado. Entretanto, o diretor do FBI, James Comey, recomendou não apresentar acusações contra a então pré-candidata, apesar do ato ser considerado grave, talvez para não permitir ascensão ainda maior do socialista Bernie Sanders, seu principal opositor nas prévias do partido Democrata.

Hillary venceu a convenção nacional do partido (superando Bernie Sanders) e o escândalo dos e-mails perdeu força, apesar da insistência de seu rival do partido Republicano, Donald Trump. Mas agora, com novo material a ser investigado pelo FBI, Hillary volta perder popularidade, deixando a disputa totalmente aberta.

Faltando apenas oito dias para as eleições presidenciais, o levantamento do jornal The Washington Post e da emissora ABC News, realizado entre os dias 25 e 28 de outubro, mostra Hillary com 46% das intenções de voto, enquanto Trump vem logo atrás com 45%.

Outra pesquisa de intenções de voto, divulgada pelo Politico e o instituto de pesquisa Morning Consult, mostra Hillary com 42% de apoio, em comparação com 39% de Trump. Essa pesquisa também mostrou que 45% dos entrevistados consideram que o caso dos e-mails é pior que o escândalo de Watergate, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon em 1974.

Já a pesquisa da NBC News, Wall Street Journal e Marist, divulgada neste último domingo, mostrou que Hillary leva a melhor sobre Trump por apenas um ponto percentual (45% a 44%) na Flórida, estado decisivo para o deslanche da disputa pela presidência dos Estados Unidos.

A Flórida concede 29 votos no colégio eleitoral, sendo que são necessários 270 votos para que um candidato vença a disputa presidencial. No sistema americano, a vitória no colégio eleitoral prevalece sobre o voto popular.  Detalhe importante é que a pesquisa foi realizada nos dias 25 e 26 de outubro, não medindo o possível impacto causado pelo anúncio da reabertura da investigação do FBI.

O mercado acionário norte-americano não se abalou frente à ascensão de Donald Trump na corrida eleitoral. O índice S&P500 permanece congestionado (muito monótono), sem apresentar novidade. Hillary é a queridinha de Wall Street por simples falta de opção, não há empolgação para mais quatro anos de governo Democrata. Talvez os investidores estejam torcendo por Hillary, mas considerando que uma eventual vitória de Trump não será tão catastrófica quanto se espera, já que o próprio mercado costuma podar algumas promessas de campanha.


No Brasil, o segundo turno das eleições municipais confirmaram, mais uma vez, o grande fracasso do PT. Mais do que isso, os resultados mostram partidos da base do governo numa forte ascendência, com grande destaque ao PSDB, ocupando o espaço deixado pela esquerda.

Esse movimento reforça a nova tendência na América Latina, com partidos de esquerda perdendo relevância, enquanto partidos de direita ou focados em políticas ortodoxas voltam a ganhar força e representatividade. Não era pra menos, depois de tantos erros grosseiros acumulados nos últimos anos pelos partidos de esquerda, a população perdeu a paciência com tanta incompetência administrativa e escândalos de corrupção inimagináveis.

Belo Horizonte foi o principal destaque deste segundo turno das eleições municipais, com a derrota do candidato apoiado por Aécio Neves (João Leite – PSDB) para Alexandre Kalil, do partido nanico PHS. Aécio Neves perdeu em casa mais uma vez, relembrando o vexame de 2014, quando perdeu as eleições presidenciais por não conquistar maioria dos votos em seu próprio estado.

A fraqueza de Aécio Neves em seu reduto eleitoral abre espaço para que Geraldo Alckmin, exemplar governador de São Paulo, se torne o candidato do PSDB nas eleições presidenciais de 2018. Apesar de não ser tão popular no Brasil, Alckmin é um político que tem muito a mostrar e pouco a esconder. Tem força impressionante em São Paulo e costuma se sair muito bem nos debates. Além disso, Alckmin pode se posicionar como político outside e angariar votos daqueles que não se sentem representados ou mesmo de eleitores que querem renovação, mas que não suportariam votar na Marina Silva.

O mercado acionário local subiu novamente nesta segunda-feira, renovando máxima do ano. Com a expressiva vitória dos aliados do governo nas eleições municipais, cresce a expectativa de aprovação de mais reformas, especialmente a tão necessária reforma da previdência. O clima ficou ainda melhor para o governo acelerar os trabalhos.


9 comentários:

  1. Capaz do doria passar a perna no alckmim

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  2. Realmente Aécio não está elegendo nem síndico aqui em Minas. Mas nós que moramos aqui sabemos o motivo.
    Abraço!

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    1. Sim, essa imagem que o Aécio tem é o calcanhar de Aquiles. Já o Alckmin não tem esse tipo problema.
      Abs

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    2. Não me refiro aos boatos com drogas, estou falando de gestão mesmo. rs

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  3. Por qual motivo o caso dos emails é considerado mais grave que o Watergate?

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    1. Boa pergunta rs.. Não sei. Não apareceu na pesquisa o motivo.

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  4. A eleição americana está aí. Só de divulgarem uma pesquisa com Trump bem cotado a Bovespa já caiu um pouco.
    Eu pergunto o que podemos esperar para a Bovespa nos próximos dias e após o resultado da eleição?
    E mais quais ações ou setores podem subir após a divulgação do resultado das eleições, seja Trump ou Hillary a eleita?
    Nos próximos dias tudo pode acontecer no mercado financeiro, alguns lucrarão bastante, outros perderão bastante, como escolher o lado certo?

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    1. Só é possível responder sua última pergunta rsrs.. Para você estar do lado que considera certo, você precisa ter uma estratégia operacional eficiente, adaptada ao seu perfil e operar conforme os sinais de sua estratégia. Se você quer operar a favor da tendência, uma boa dica é estudar análise técnica e construir uma estratégia de swing-trade.
      Abs,

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