terça-feira, 11 de outubro de 2016

Mercado aposta em melhora na perspectiva para o rating brasileiro já em 2017


O rating brasileiro em escala global, atualmente classificado como BB, BB e Ba2 pela Standard & Poor’s, Fitch Ratings e Moody’s Investors Services, respectivamente, todos com perspectivas negativas, poderá ficar defasado em 2017, com a aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do teto dos gastos e da reforma da previdência.

Após o bom desempenho na votação em primeiro turno da PEC do teto dos gastos na Câmara, o mercado começa apostar na agilidade do governo para aprovar outra medida altamente impopular, a reforma da previdência, ainda neste ano ou no início do próximo.

A soma destas duas importantes reformas, juntamente com o quadro de desaceleração da inflação, redução da taxa básica de juros e retomada, ainda que limitada, do crescimento, será incompatível com a perspectiva negativa para o atual rating brasileiro.

Os fundamentos macro domésticos serão bem diferentes daqueles apreciados pelas agências de classificação de risco entre setembro de 2015 e fevereiro de 2016, período marcado pela perda do grau de investimento e revisões de perspectivas negativas por todas as três agências.

Mesmo com endividamento mais elevado em 2017, a redução da inflação, combinada com uma taxa básica de juros menor, provocará, por si só, melhora nos fundamentos domésticos. Acrescentando as reformas aprovadas ao quadro de avaliação das agências de classificação de risco, a perspectiva para o rating brasileiro tende a subir de negativa para estável em 2017, com possibilidade não desprezível de atingir perspectiva positiva.

O mercado já enxerga defasagem na atual nota (e perspectiva) brasileira. O preço do CDS (Credit Default Swaps) do Brasil está incompatível com o seu atual rating. Atualmente na casa dos 260 pontos, o CDS do Brasil está se aproximando da faixa de preço atingida em 2013, 2014 e 2015.


Além disso, o CDS brasileiro está abaixo da média de 294 pontos para países com rating BB nas três principais agências de classificação de risco. Tal como a bolsa, juros futuros e câmbio, o CDS brasileiro também tem demonstrado intenso rali neste ano, o mais forte da década.

Quanto mais próximo dos 200 pontos, o CDS do Brasil estará refletindo um preço praticado mais para países grau de investimento (ou em rota de conquistá-lo) do que para países grau especulativo.

A reconquista do grau de investimento pelas três principais agências de classificação de risco deve demorar mais de dois anos, pelo menos. Entretanto, para o investidor/operador, é importante focar no timming do mercado, que é sempre bem mais antecipado do que o timming das agências de classificação risco.

No pregão desta terça-feira, a bolsa de valores brasileira cedeu 1,05%, trabalhando movimento de realização de lucros, permitindo alívio nos indicadores próximos dos níveis de sobrecompra.


O mercado foi pressionado pelas vendas em Wall Street, já que amanhã será divulgada a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos).

Apesar de indicar boa possibilidade de aumento da FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros norte-americana) no mês de dezembro deste ano, a ata mostrará, também, elevado tom gradualista no processo de normalização da política monetária nos próximos anos, já que não há perspectiva de rompimento ascendente da meta de inflação de 2% em todo o horizonte relevante para a política monetária.

O receio com o iminente aumento dos juros nos Estados Unidos é natural e puramente psicológico. Entretanto, a Treasury de 10 anos (título público do Tesouro norte-americano) renovou máxima dos últimos três meses, atingindo 1,77% ao ano. Apesar de ser considerado um patamar ainda muito baixo, as taxas futuras estão na ascendência mais forte desde 2015, fato que desperta sinal amarelo no FED e nos demais banqueiros centrais.


Ainda sem saber como o FED vai se comportar caso os juros futuros ultrapassem os 2% ao ano em ritmo acelerado, o mercado volta a ficar mais tenso, fato que pode ser constatado pelo retorno do índice S&P500 para a principal região de suporte de curto prazo localizada na faixa dos 2,1k.


4 comentários:

  1. Parabéns!

    Há uma mudança considerável na expectativa sobre o futuro do Brasil após a implementação de medidas de ajuste fiscal e a provável retomada no crescimento. Mas, temo que estamos prestes a alçar mais um voo de galinha e mantermos a tradição de país do futuro.
    Quanto ao mercado bursátil... Surfar a tendência com hedge.

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    1. Obrigado! Sim, é bem possível que o próximo presidente vá pegar a fase do voo de galinha, principalmente se o BC for com muita vontade no afrouxamento monetário (dovish trap). Mas é justamente por conta desta grande frequência de alternância de ciclos que fazem o Brasil um dos melhores países para se investir no mundo, pois os ativos de risco costumam abrir mais oportunidades do que os ativos de mercados mais consolidados. É mais perigoso, mas basta se adequar a dinâmica do nosso mercado.

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  2. FI. Tenho visto muito otimismo com quase nada feito. FMI apontou que o equilibrio fiscal no Brasil só vem em 2020, se tudo der certo. Inflação cadente mais por conta do quadro recessivo que vivemos, do que por méritos de reformas. Dólar em baixa ajudando. Perspectiva de baixa de juros para um patamar ainda alto em termos mundiais, que fatalmente será uma âncora a retomada da economia para a superfície. E adicione tudo isso a delicada situação internacional, sempre bem exposta aqui. Uma impressao preliminar: tenho que se passar a lei do teto dos gastos publicos, teremos um sucateamento do serviço público ao longo dos próximos anos, que já não é bom. Então FI, vejo o Brasil com perspectiva de crescimento na base de anabolizantes. Logo a consequencia vira. Abs

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    1. E ainda assim, esse primeiro superávit previsto para 2020 ficará muito abaixo do necessário para provocar reversão na trajetória de endividamento. A PEC do teto dos gastos vai ajudar, mas não existe milagre com superávit abaixo de 2%. Esses problemas o mercado, por enquanto, não quer saber de ouvir rs... Até porque, o mundo está com excesso de liquidez e o mercado brasileiro faz parte da festa. O atual ciclo bull nasceu com muita força e pode ser que esteja em fase inicial, mas por outro lado não tem gás (fundamentos) pra durar tanto tempo quanto em outras praças ou mesmo repetir o desempenho do período 2002-2008.

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