segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Mercado continua apostando nos BRICS


Fuzilados pelas principais mídias do segmento econômico mundial nos últimos meses/anos, os cinco países que fazem parte do grupo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) ainda continuam enfrentando seus problemas domésticos, cada qual com sua peculiaridade.

Mais recentemente, o tombo das commodities exacerbou as fragilidades de Rússia e Brasil, economias altamente dependentes da exportação de petróleo, gás, minério de ferro e soja. A África do Sul está mergulhada em problemas macro semelhante aos do Brasil, enquanto a desaceleração do crescimento global atingiu em cheio a China, justamente no momento de transição de seu modelo econômico, mais voltado para o consumo interno. Deste grupo, a Índia é o único País que não decepciona em matéria de crescimento e fundamentos macro.

O ceticismo com o futuro dos BRICS cresceu tanto nos últimos anos que os economistas/analistas lutaram para emplacar um novo grupo de países a serem responsáveis pela pujança de crescimento na(s) próxima (s) década (s). Nenhuma dessas tentativas foi capaz de atrair a atenção do mercado.

Mesmo numa situação delicada, os BRICS continuam sendo insuperáveis. Não há como descartar ou substituir os países responsáveis por 1/4 do PIB mundial e 53% da população do planeta. O grupo é, ao mesmo tempo, motor do mundo e o mercado com maior potencial de crescimento da demanda.

O grande destaque deste último encontro dos BRICS, realizado no final de semana no resort indiano de Goa, ficou por conta da assinatura de grandes acordos bilionários nas áreas de energia e defesa entre Rússia e Índia, num movimento geopolítico que incomoda o ocidente.

Além disso, foram abordados temas de cooperação econômica e fortalecimento do Banco de Desenvolvimento, fundado em 2014. O Banco dos BRICS iniciou as atividades há pouco tempo e vai aumentar a concessão de empréstimos para 2,5 bilhões de dólares no ano que vem, colocando-se como mais uma opção às empresas dos países membros frente às instituições internacionais tradicionais, tais como Banco Mundial e (Fundo Monetário Internacional).

Mesmo em crise, fato inegável é que os BRICS estão conseguindo se fortalecer, surpreendendo estrategistas de praças desenvolvidas, que esperavam justamente um movimento inverso. A prova da força dos BRICS pode ser constatada através do desempenho de seus principais índices acionários neste ano.

A bolsa brasileira é o grande destaque dos BRICs (e também do mundo inteiro). Acumulando quase 70% de alta desde a mínima registrada neste ano, o bull market brasileiro segue pujante, renovando máximas anuais dia após dia, apesar do elevado nível de sobrecompra no curto prazo.


O mercado russo não segue muito atrás. Acumulando mais de 60% de alta desde a mínima registrada em fevereiro, o bull market da Rússia também segue chamando atenção de investidores do mundo inteiro.


Mesmo acumulando ganhos expressivos nos últimos anos, a bolsa de Bombay, na Índia, ainda continua mostrando sua força. A realização de curto prazo não causa ameaça a tendência principal de alta, iniciada aos 7,8k. Neste momento, mercado testa uma importante linha de suporte localizada na faixa dos 27,5k.


Na China, a bolsa de Xangai apresenta retorno positivo no ano, apesar de modesto, comparado aos seus pares. Mesmo com o tombo gigantesco de 2015, o mercado apresenta distância relevante frente ao start da tendência principal de alta, na região dos 2k.
  

A África do Sul, apesar de ser o mais frágil entre os BRICS, também segue em bull market neste ano, acumulando ganhos significativos. O ETF do principal índice acionário do País mostra sustentação sobre a média móvel simples de 200 períodos diária.


A análise destes índices mostra que apesar das críticas e ceticismo entre economistas/analistas, o mercado não mudo seu foco. Os BRICS são insubstituíveis e continuam apresentando retornos superiores aos mercados de países desenvolvidos, especialmente em 2016.

12 comentários:

  1. FI,

    O que acha desse dinheiro entrando nos brics? Temos uma melhora significativa de fundamentos, ou, como penso, lá fora está absurdamente caro e por isso o dinheiro migra pra cá?

    Abs,

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    1. Os fundamentos no Brasil continuam ruins, a perspectiva é que mudou. Anteriormente o mercado tinha uma perspectiva muito pessimista, agora a perspectiva virou para otimista.

      Abs,

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  2. Desculpe a pergunta leiga, mas considerando esse fator, não era pra economia brasileiras estar melhor? O que (fora o aspecto político) tem causado essa recessão?

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    1. Com certeza deveria estar muito melhor. A destruição dos fundamentos micro e macro entre o fim do segundo mandato do ex-presidente Lula e durante todo o mandato da ex-presidente Dilma arrebentou com a economia brasileira. Do ponto de vista econômico foi uma desarrumação sem precedentes na história.

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  3. Saudações, FI.

    O Ibovespa depois de um longo inverno descolado da performance dos mercados internacionais apresenta-se como a vedete do ano. Mas, esta liquidez promovida pelos BC's em algum momento terá um revés! Ou teremos uma expansão monetária ad eternum!?
    A equação está difícil de resolver temos um baixo crescimento econômico e reduzida inflação nos centros desenvolvidos, então, como exercer uma política monetária contracionista?
    Em adendo, a regulação dos mercados segue beneficiando as "jogadas" dos conglomerados financeiros, assim, parece-me que o próximo pânico sistêmico será difícil de resolver visto que a margem de manobra dos BC's está limitada.
    Os neófitos em RV devem deixar as barbas de molho, pois, agora eclodem as notícias sobre os investimentos em ações serem o novo Eldorado.

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    1. A normalização das políticas monetárias nas economias desenvolvidas tende a durar décadas. Nos Estados Unidos, onde o processo está mais "adiantado", não há mais QE ou Operação Twist, mas a liquidez injetada desde o início do processo de estímulo monetário permanece no mercado. Num segundo momento, o FED precisará desenvolver uma estratégia para retirar o excesso de liquidez do mercado, ou seja, fazer o caminho inverso, vender papel ao mercado e desalavancar seu balanço. Mas se até pra subir 0,25 p.p. na FFR o FED está sendo muito cauteloso, imagine o tempo necessário para limpar alguns trilhões de títulos subprime (entre outros duvidosos) de seu balanço. Nem se comenta sobre isso nas reuniões de Comitê rs... Não há menor condição de os BCs de países desenvolvidos exercerem política monetária contracionista na forma clássica. Caso a inflação ganhe fôlego nos Estados Unidos (ainda improvável), por exemplo, onde o índice está mais perto da meta, haverá elevado risco de choque traumático no mercado, pois o FED provocará uma recessão para combater a inflação, numa economia que mesmo estimulada não consegue surpreender. Quadro extremamente complicado para autoridade monetária, por isso estão subindo os juros gradualmente, mesmo com a inflação ainda abaixo da meta. Especula-se no mercado que os BCs de países desenvolvidos estão com margem de manobra reduzida, mas eu duvido muito rs.. Já se discute novas ferramentas de estímulos, entre elas o famoso dinheiro de helicóptero, que na minha opinião é algo mais impressionante do que os famosos QEs.

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  4. FI. Até quando irá essa empolgação toda com o Brasil. Os indicadores estão péssimos e até para se construir uma perspectiva de melhora futura, está difícil. O mercado parece estar dando um "cheque em branco" para a nova equipe econômica. As operações estão difíceis pois mesmo com uma visão fundamentalista temperada com um certo otimismo, ainda assim o mercado surpreende com mais otimismo ainda. E tenho visto que não há noticia ruim que abale essa empolgação. Produção industrial, indicadores de serviços, desemprego, etc. Até diminuição do preço da gasolina e diesel distribuídos pela endividada Petrobrás virou notícia boa para a empresa! E agora até descolamento do DJI e S&P 500? Acho que aqui virou o país de Alice (rs). Abs

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    1. Esses descolamentos são muito comuns, principalmente em reversões de ciclos. Faz parte da dinâmica do mercado. No Brasil, o mercado mudou de um excesso de pessimismo para um excesso de otimismo com o futuro.
      Abs!

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    2. Olá FI e frequentadores! Uma pergunta de iniciante:
      Vocês acham que há correlação do IBOV com outros índices mundiais? Eu vejo muita semelhança entre o IBOV e o SP500, mas recentemente também acho que há um descolamento. Quando observei os gráficos dos índices dos países do Brics também notei diversas semelhanças, de uma maneira geral.
      Enfim, vocês observam correlações entre esses índices? E chegam a traçar alguma estratégia de entrada no mercado baseado nisso? Abraço!

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    3. O S&P500 e Dow Jones são os principais índices acionários mundiais, então acabam influenciando todos os demais. Essa correlação costuma alternar entre uma praça e outra, mas Índia e México são boas referências ao Brasil. Para tomada de decisão entre comprar/vender não, a correlação apenas complementa a análise.
      Abs!

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    4. Opa, obrigado pela resposta!
      Ìndia e México, caramba... nunca pensaria neles... em que site eu consigo ver o grafico dos índices desses países, e qual o código?
      Sobre as decisões de compra e venda, por exemplo, se eu sei que um determinado índice tem correlação com o IBOV, e esse índice e o IBOV estão em consolidação. Não seria legal esperar que o IBOV e esse índice saiam da consolidação como reforço um ao outro, antes de entrar numa operação? É só um exemplo. Abraço!

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    5. No stockarts você consegue. Índia é código BSE e México MXY. A correlação nem sempre é exata e pode ser quebrada. Ela funciona mais para identificação de tendências.
      Abs

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