terça-feira, 22 de novembro de 2016

Com recuo de Trump, China aumentará sua influência no Pacífico


O atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, bem que tentou, mas não conseguiu avançar no Congresso para buscar aprovação da TPP (Parceria Trans-Pacífico). O trabalho de ratificar (ou não) o importante tratado comercial na região do Pacífico ficou para a articulação do próximo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Entretanto, nesta segunda-feira, Trump afundou de vez a TTP. Em um vídeo citando as ações a serem tomadas em seu primeiro dia de governo na Casa Branca (20/01/2017), o futuro presidente dos Estados Unidos confirmou que vai retirar os Estados Unidos da TTP.

Atualmente, a TTP possui como signatários os Estados Unidos e outras 11 economias da região da Ásia-Pacífico, entre elas, Chile, México e Peru. A China ainda não faz parte da TTP, mas tem pretensão de entrar para o bloco e aumentar sua influência nesses mercados e roubar o espaço de grande protagonista exercido hoje pelos Estados Unidos.

Com a negativa de Trump sobre a TTP, a China encontrará o espaço que sempre buscou para aumentar seus negócios em toda a região da Ásia-Pacífico, que representa quase 60% da economia mundial e 40% da população global.

A China e outros 20 países participaram da reunião de cúpula da Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico em Apec, no Peru, neste último final de semana. Os líderes se comprometeram avançar no acordo comercial, que tende a ser o maior do mundo.

Os chineses já se firmaram como líderes deste novo acordo e dizem que mais nações estão buscando se juntar ao bloco. Atualmente, a China está propondo a FTAAP, uma zona de livre comércio na região da Ásia-Pacífico, conectada à RCEP, uma associação econômica integral regional, que inclui até mesmo a Índia, mas não os Estados Unidos.

Steven Ciobo, ministro de Comércio da Austrália, vê com bons olhos as propostas deste novo bloco que está se desenhando na região, afirmando que seu país está disposto a incorporar as propostas respaldadas pela China.

O jogo das relações comerciais está mudando rapidamente. As duas maiores potências mundiais já mostraram suas cartas e apostam em cenários bem diferentes. Os demais países estão alinhando suas estratégias para este novo quadro, mas o Brasil ainda continua perdido e obsoleto, sem condições de competir ou abrir demais suas portas ao mercado global.

Com ou sem ajuste fiscal a economia brasileira continuará fraca, vulnerável e crescendo abaixo do potencial. O governo tentou emplacar o discurso da reconquista da confiança para tentar atrair os investimentos de volta com uma reforma fiscal pouco convincente.

O País precisa mesmo é de uma reforma de privilégios. O superávit primário dos sonhos existe e está fácil de alcançar no curto prazo: chama-se bolsa empresário. Empresas e grupos fortes continuam dominantes no mercado sob a proteção do governo. Em muitos casos são produtos obsoletos e negócios pouco lucrativos que estão tomando o lugar da inovação, dificultando o surgimento da concorrência e sugando parte relevante do crédito que circula na economia.

O ambiente continua impróprio para negócios não só por conta dos problemas estruturais, que por sinal são comuns em outros países, mas principalmente porque grande parte de empresários e empreendedores que não fazem parte do grupo dos privilegiados não querem se arriscar num ambiente de competição injusta e desleal.

No mercado de capitais, a semana começou com alívio aos ativos de risco no mundo inteiro. O índice Bovespa fechou o pregão desta segunda-feira em alta, mostrando que ainda há intensa briga no mercado pelo importante patamar psicológico dos 60.000 pontos.


Nos Estados Unidos, o índice S&P500 fechou mais um pregão em alta, sem apresentar novidades, renovando máxima histórica.


2 comentários:

  1. Olá!

    Infelizmente não vemos nenhuma medida para incentivar o empreendedorismo.
    É triste ver um pais tão grande sem condições de participar destes acordos...

    Abraços

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    1. Sim, é um incrível desperdício de potencial de crescimento.
      Abs!

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