quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Congresso está pronto para a reforma da previdência


Mesmo com a turbulência política exacerbada nos últimos dias, o governo Michel Temer mostrou força novamente ao conseguir obter mais uma vitória arrasadora no Congresso. A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que limita o crescimento dos gastos públicos por 20 anos foi aprovada por 61 votos a favor e apenas 14 contra.

Para obter vitória em primeiro turno no Senado, o governo precisava que ao menos 49 dos 81 senadores votassem a favor da PEC. O resultado ficou praticamente dentro da margem elástica que a equipe de Michel Temer projetava para a votação no Senado. Com os números a favor, o governo terá tranqüilidade para vencer as votações dos destaques e concluir os trâmites no segundo turno da Casa, projetado para ocorrer entre os dias 12 e 13 de dezembro.

Na Câmara dos Deputados, a PEC foi aprovada no primeiro turno por 366 votos a favor e 111 contra. No segundo turno, 359 deputados votaram a favor e 116 contra. O governo precisava que ao menos 308 deputados votassem a favor da proposta para obter vitória na Casa.

A larga margem de vantagem numa proposta altamente impopular demonstra que a base do governo Michel Temer, tanto na Câmara, quanto no Senado, é a mais forte já presenciada no Congresso em vários anos. Michel Temer está provando ser o líder que o País tanto precisava: um articulador nato capaz de fazer o Congresso trabalhar.

Esbanjando gordura de sobra no Congresso, o governo tende aproveitar o bom momento para apresentar logo a sua proposta de reforma da previdência e iniciar os trabalhos de discussão e articulação com os parlamentares já no início do próximo ano. A reforma da previdência é essencial não só para o quadro fiscal, mas para a própria eficácia do limite de crescimento dos gastos públicos.

O currículo de vitórias do governo abre boa perspectiva para que a reforma da previdência seja aprovada no primeiro trimestre do ano que vem. O calendário é propício para que a votação seja agilizada, pois nesta época do ano o brasileiro normalmente está focado nas suas férias e/ou no carnaval, o que pode reduzir o potencial de número de manifestantes, além de reportagens sensacionalistas na mídia.

No mercado de capitais, o índice Bovespa despencou no pregão desta terça-feira, influenciado pela correria para fechamento de posições compradas de investidores chineses no minério de ferro. A commodity derreteu 4,37% no porto de Qingdao, emitindo um alerta de possível fim de festa no mercado, após uma forte onda compradora constatada nas últimas semanas.

O barril de petróleo também despencou nesta terça-feira devido às especulações sobre o resultado da importante reunião da Opep a ser realizada amanhã. Os países tentam alcançar um acordo para reduzir o ritmo de produção da commodity a fim de influenciar os preços no mercado. Boatos de que o Irã não estaria disposto a aceitar os cortes de produção se espalharam pelas casas de investimentos mundo afora, provocando queda acentuada do preço do barril de petróleo.

É sempre importante ressaltar que essas informações “não oficiais” são perigosas e costumam surgir para favorecer abertura de posições de determinado grupo. Com a queda desta terça-feira, o barril de petróleo do tipo light voltou a se aproximar da média móvel simples de 200 períodos diária, consagrado ponto de compra dos últimos meses.


A referida média é o principal ponto de apoio, justamente onde players de petróleo costumam abrir compras. O histórico dos últimos meses também mostra que sempre quando a commodity visitou a faixa dos 43 aos 41 dólares/barril conseguiu reverter a trajetória descendente rapidamente, voltando a subir, revelando um excelente ponto de entrada.

Com o tombo do minério e do petróleo, o Ibovespa trabalhou formação de topo descendente na região dos 62.9k, exatamente no ponto onde passa a LTB dos 65.3k. Por mais que o marubozu de baixa desta terça-feira configure surgimento de força vendedora relevante, a virada do mercado (de compra para venda no curtíssimo prazo) ainda precisa de confirmação com manutenção da dominância vendedora nos próximos dias, ameaçando romper o patamar de sustentação localizado na região dos 58,3k.


Nos Estados Unidos, o índice S&P500 fechou o pregão em leve alta, repercutindo a revisão do PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre deste ano de 2,8% para 3,2%, no ritmo mais forte desde o terceiro trimestre de 2014. O aumento no ritmo de recuperação da economia norte-americana é mais um respaldo para o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) subir a Fed Funds (taxa básica de juros) em 0,25 p.p. no próximo mês.
  

Ao contrário do se comentou hoje, o resultado positivo do PIB não é suficiente para indicar possibilidade de nível de taxa juros mais elevado do que o projetado pelo FED no futuro. Apesar da aceleração no ritmo de crescimento, a inflação continua mostrando-se muito comportada, sem ameaça de rompimento ascendente da meta, mesmo no horizonte relevante para a política monetária. Com a inflação sob controle, a Fed Funds permanecerá abaixo do patamar considerado neutro por mais um longo período.

12 comentários:

  1. FI,

    OPEP pelo jeito fechou acordo.... petroleo voando agora de manhã .... eu ainda acho que essas commodities estão meio "otimistas" demais .... estou vendido no mini indice .. vamos ver ...

    Abs,

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    1. A média móvel de 200 períodos semanal do barril do light está passando na casa dos 70,00 dólares nesse momento. Isso mostra que mesmo com a recuperação de preços em 2016, ainda está muito abaixo da média de preços verificada nos últimos anos.
      Abs,

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  2. Parabéns pela clareza nas ideias!Realmente as ideias do Temer desde "a ponte para o futuro" tem agradado o mercado. Acredito piamente que diferentemente do que pregam os analistas e cientistas políticos, com o Temer não terá esse papo de lua de mel para aprovar reformas. Ou seja , a reforma da previdência e outras passarão a trancos e barrancos. O detalhe é: já que acredito que as reformas serão aprovadas, como me posicionar no mercado? Ex.: o DI estava em linha de alta(não sou bom em AT), mas com o cenário clareando, sua tendência será de queda, assim como a Selic!? Outra hipótese é achar que a bolsa seguirá subindo!?...mas, aí tem o risco Trump e outras nuances da zona do euro e mundo.E o ouro?Está difícil traçar uma estratégia neste cenário!
    Abraços!

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    1. Obrigado! Avaliar o quadro macro é importante para o investidor ter uma perspectiva, mas não serve como fator de decisão para comprar, vender, manter ou ficar de fora. Você deve se posicionar no mercado conforme determina sua estratégia operacional e não conforme suas convicções. Trabalhar na construção de uma estratégia operacional eficaz é árduo e demorado, pode levar vários anos, mas é a única forma de o investidor conseguir obter retornos satisfatórios no mercado independe do cenário que ele encontrar.
      Abs,

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  3. Sempre o leio. Abraço!

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  4. Nesse momento T bond us 10y + 3,82%. Mesmo assim, dólar opera estável, e DI com leve queda. E petr4 alta de 10%, dá para se dizer q petr4 é uma benchmark brasileira?

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    1. Olá,
      Não, a Treasury de 10 anos fechou em 2,37% ao ano, está lateralizada nos últimos dias, embora colada na máxima deste ano. Também não, A Petro foi apenas usada hoje por alguns players nacionais para se aproveitaram do movimento do petróleo, conforme destaquei no post acima.

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  5. Vc acredita na aprovação da reforma da previdência em ambas as casas em que prazo? Ainda no primeiro semestre/17?

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    1. Sim. É um achismo, posso estar errado rs.., mas vejo condições para Temer sancionar já no fim do 1 TRI.

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