segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Democratas ganham força na reta final


Várias pesquisas voltaram apontar retorno de uma vantagem relativamente confortável da candidata Hillary Clinton, do partido Democrata, numa até então acirrada corrida pela Casa Branca contra o candidato do partido Republicano, Donald Trump.

Além da retomada na intenção do voto popular, Hillary recebeu um grande impulso na reta final com o anúncio do FBI de que não vai haver acusações formais contra ela em uma investigação sobre seus e-mails. Segundo o diretor do FBI, James Comey, os investigadores da agência trabalharam dia e noite para completar uma revisão sobre novos e-mails de Hillary descobertos recentemente e não encontraram razão para alterar a decisão de julho, isentando a ex-secretária de Estado de quaisquer atos criminais.

O anúncio do FBI, juntamente com o novo panorama traçado pelas pesquisas de intenção de voto, praticamente eliminou o risco Trump sobre o mercado de capitais a nível global, proporcionando condições para investidores voltarem a comprar ativos de risco.

Paralelo à corrida presidencial, aumentaram as apostas para perda de predomínio dos Republicanos na Câmara e no Senado. O que está em jogo na próxima terça-feira não é apenas a eleição para presidente, mas também as importantes cadeiras no Congresso.

Boa parte da administração apática do governo Obama se deve ao fato de seu partido não ter conseguido maioria dos assentos na Câmara e nem no Senado, dificultando a gestão do presidente Democrata num Congresso dominado por Republicanos.

Analistas políticos norte-americanos projetam que os democratas irão conquistar algo entre quatro e sete cadeiras a mais no Senado na eleição de terça-feira, o que pode garantir o controle da Casa.
Na Câmara, a expectativa ainda é de predomínio do partido Republicano, embora a vantagem tenda a diminuir de forma considerável. Caso os Democratas consigam 20 novos assentos na Câmara, conforme algumas projeções, a casa pode ficar quase equilibrada, reduzindo o capital político necessário para firmar acordos.
As possíveis perdas de assentos do partido Republicano no Congresso ajudaram a colaborar com o clima positivo nesta segunda-feira. Para o mercado, tão importante quanto uma vitória de Hillary Clinton são os assentos de seu partido na Câmara e no Senado.
Fora dos Estados Unidos, outra novidade relevante colaborou para melhora do humor no mercado. O membro do conselho executivo do Banco da Itália, Luigi Signorini, afirmou nesta segunda-feira que o BCE (Banco Central Europeu) não está avaliando a possibilidade de reduzir seu programa de compra de títulos, mas sim examinando até onde pode prorrogá-lo após o prazo de vencimento inicialmente traçado para março do ano que vem.
Na última reunião de política monetária, o presidente do BCE, Mario Draghi, havia desanimado o mercado por não dar nenhuma dica sobre o futuro da política monetária. Na época, havia expectativa de anúncio de prorrogação do programa de compras de títulos de 80 bilhões de euros por mês, não confirmada e sequer sinalizada pelo BCE.
O índice S&P500 fechou o pregão desta segunda-feira em forte alta, confirmando fundo sobre a média móvel simples de 200 períodos diária.

A bolsa do Canadá também subiu forte, trabalhando fundo sobre a região de suporte consolidada na faixa dos 14,4k.

Na Alemanha, a bolsa de Frankfurt confirmou fundo próximo da importante média móvel simples de 200 períodos diária.

A bolsa de Londres, na Inglaterra, também confirmou apoio sobre a principal zona de suporte de curto prazo localizada na região dos 6,6k, revertendo os negócios fortemente para a ponta comprada.

A bolsa do México disparou nesta segunda-feira, recuperando boa parte das perdas acumuladas na última semana. Mercado trabalhou fundo na região aleatória dos 204 pontos, bem armado para voltar testar a principal zona de resistência localizada na faixa dos 223 pontos.

No Brasil, o índice Bovespa também disparou, trabalhando fundo levemente acima da região de suporte psicológico dos 60k. Mercado voltou a virar para compra, com boa possibilidade de retestar a máxima do ano localizada nos 65,3k.

O dólar contra cesta de principais moedas globais também voltou a subir nesta segunda-feira com a melhora no cenário político norte-americano. Fundo levemente formado acima da média móvel simples de 200 períodos diária.  

14 comentários:

  1. FI,

    Essa jogada do FBI foi sensacional ... agora eu tenho o FBI dando o aval de que eu não fiz nada errado ... e tem gente que acha que só por aqui acontece coisas estranhas nas eleições ...

    Abs,

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    1. Realmente, tem algo estranho. A depender como ficará o Congresso, acho que o clima não vai esfriar após as eleições.
      Abs,

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  2. FI, o mercado reagir positivamente à possível vitória da Hillary é perfeitamente compreensível (já que a agenda do Trump é anti-liberal econômica), mas por que estaria reagindo positivamente ao aumento dos assentos democratas no Congresso? Até onde sei, os republicanos (repito, os republicanos, não o Trump) são mais a favor do livre mercado e menor interferência do Estado na economia, então por que isso seria bom para Wall Street?

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    1. Um ponto importante a ser considerado é que nem sempre o que Wall Street quer pode ser considerado positivo para a economia. Wall Street quer a manutenção do status quo. Do ponto de vista econômico e geopolítico, a administração Obama foi um vexame, pelo menos na minha avaliação. Entretanto, do ponto de vista de Wall Street, a administração Obama foi excelente. Estratégias altamente agressivas de política monetária provocaram o surgimento de um novo ciclo de bull market no S&P500, o atual desempenho já se aproxima do ganho acumulado no período 1995-2000, num dos maiores ralis das últimas décadas, que por sinal também terminou de forma traumática. Wall Street quer mais mercado bull e aposta suas fichas na Hillary para manter o status quo na bolsa. Não por acaso, quase totalidade dos grandes investidores e fundos de investimento estão apoiando Hillary. Não tem ninguém em Wall Street insatisfeito com os impactos das medidas heterodoxas do governo Obama no mercado de capitais. Pelo contrário, querem mais rs..

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    2. Ah entendi. De certa forma é como foi aqui no Brasil na era PT: os grandes empresários do país (Eike Batista, Luiza Trajano, Abilio Diniz, o setor automobilístico...) apoiavam o governo porque este estimulava consumo através do endividamento, o que enchia os bolsos deles e criava mais inflação (ou seja, bom para eles, ruim para nós).

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    3. Sim, fora outras questões também rs.. (no caso do Brasil). Nenhum apoio vem de graça.

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    4. Well, in the end, nada disso acabou importando: Trump ganhou e os republicanos mantiveram maioria no Senado e no Congresso.

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  3. FI , se o FED é independente do governo , por que a administração Obama foi um decepcionante do ponto de vista econômico ?
    Li em alguma mídia q está tendo um burburinho de deixar o FED mais alinhado com as políticas do novo governo , procede ? Oq pensa a respeito ?
    Fico aqui pensando , 2 candidatos com extrema rejeição onde se vota no menos pior , onde o provável derrotado diz não aceitar a derrota de forma justa , incentivo à guerra de "classes" e ideias , estado mais presente no mercado , presidente acusado de tráfico de influência ...
    Parece q estamos fazendo escola, enfim fomos o país do futuro e não sabíamos
    Hahahaha

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    1. Dizem as teorias da conspiração que o FED é da inglaterra!! Eles que mandam , não é que seja independente. São em relação ao EUA.

      Imagine um outro pais DONO do banco (Que aqui no Brasil seria o BC) que imprime dinheiro. Como vc mesmo falou Sonhador.... independente do governo

      Estou certo Fi???

      Abraço :D

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    2. O FED é exemplo de soberania e independência, mas nos momentos cruciais teve que traçar estratégias em conjunto com o governo. Foi justamente na administração Obama que o FED se entupiu de ativos podres, atingindo cifras trilionárias inimagináveis. Essa quantidade de recurso "criada do nada" criou um problema gigantesco a ser resolvido no futuro, no qual ninguém ainda arriscou apresentar uma solução. Foi também na administração Obama que o 1% se destacou, enquanto a qualidade do emprego se deteriorou à classe média. E ainda teve um complicador a mais: o fiscal se deteriorou ao ponto de forçar a S&P cortar o rating soberano em 2011, algo inédito para os Estados Unidos. Então mesmo gastando muito (deteriorando o fiscal) e comprando toneladas de lixo tóxico do mercado (que hoje estão no balanço do FED), a economia não cresceu em ritmo satisfatório na administração Obama. Sim, Hillary vs Trump parece ser uma versão piorada de Dilma vs Aécio rs..

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    3. Sobre o BoE mandar no FED, acho que é muito teoria da Conspiração rs... Entretanto, os BCs conversam bastante entre si, trocam diversas informações e realizam encontros fechados. Já ouve casos de atuarem em conjunto.
      Abs,

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  4. rapaz .. estes analistas TINHAM uma tarefa... e trampão ganhou kkkk

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    1. Mais uma vez, as pesquisas estavam todas erradas rss..

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    2. Não necessariamente. As pesquisas avaliam o voto popular e nisso a Hillary ganhou. O problema foi o colégio eleitoral

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