quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Disparada descasada do minério de ferro emite sinal de alerta para bolha


Assustados com o último crash da bolsa de Xangai (cerca de um ano atrás), desconfiados com a nova onda de ascensão dos preços dos imóveis locais e, ainda, perdidos num mercado de poucas oportunidades de investimentos, os chineses partiram com tudo para os contratos futuros de minério de ferro e vergalhões de aço.

Bancos, empresas e fundos de investimentos chineses estão devorando commodities, principalmente o minério de ferro, com os aportes cada vez mais volumosos de investidores pessoas físicas ávidos por retornos escassos.

Os sucessivos estímulos fiscais dos últimos anos também estão contribuindo para nova suspeita de bolha na China. Há grande volume de capital no sistema financeiro chinês, sinalizando às autoridades locais que a expansão do crédito pode ter ido longe demais.

A recente arrancada dos principais contratos de minério de ferro negociados na China mostra uma intensa onda compradora atípica. O ritmo de compras é frenético, característica de ativos em formação de bolha, e alguns contratos estão acumulando retorno de quase 100% somente neste ano.


As principais produtoras de minério de ferro do mundo já alertaram que os preços nos patamares atuais não são sustentáveis. As estimativas de preço para os próximos dois anos giram em torno de 40,00 dólares a tonelada, quase metade de alguns preços negociados atualmente no mercado.

Além disso, o minério de ferro está se deslocando de forma totalmente descolada das demais commodities. No geral, os preços das commodites estão retornando para as mínimas registradas no mês de setembro, enquanto o minério de ferro está superando a máxima do ano.

O barril de petróleo do tipo light (negociado em Nova York) já se aproxima do principal ponto de apoio localizado na faixa dos 43,00 dólares, num movimento de queda vertiginosa iniciado na região dos 52,22 dólares.


Contaminados pelo crash da bolsa de Xangai em 2015, os investidores das demais praças financeiras mundiais seguem atentos ao que ocorre na China. As vendas continuam dominantes nos ativos de risco mesmo com nova pesquisa apontando leve vantagem de Hillary sobre Trump nesta quinta-feira.

O índice S&P500 fechou mais um pregão em baixa, já realizando teste sobre a importante média móvel simples de 200 períodos diária.


A reunião do Comitê de Política Monetária do BoE (Bank of England – autoridade monetária britânica) também contribuiu para manter o nível de tensão elevado no mercado. Após sinalizar para outro corte de juros neste ano, o BoE mudou totalmente sua posição nesta quinta-feira ao prever uma alta da inflação acima da meta a ser perseguida, influenciada pela queda da libra para a mínima de 31 anos em relação ao dólar.

A taxa básica de juros foi mantida em 0,25%, bem como o programa de compra de títulos, mas o BoE alertou que há limites sobre quanto pode ser tolerado de inflação acima da meta e que pode mover-se em qualquer direção.

As novas projeções apontam para uma inflação em 2,7% já no próximo ano, bem acima, portanto, do centro da meta a ser perseguindo (2% ao ano), o que representa quase o triplo do nível atual de inflação. A expectativa anterior era de que a inflação voltasse ao patamar de 2% apenas em 2020.

Mesmo com o conhecido fator câmbio, a drástica mudança na perspectiva do BoE pegou o mercado de surpresa, deixando a porta aberta para mudança na estratégia de política monetária.

No Brasil, o índice Bovespa tombou novamente nesta quinta-feira, refletindo o quadro global de aversão ao risco. O mercado atropelou a linha central de bollinger com candle de força relevante, já se aproximando da primeira linha de suporte localizada na faixa dos 60k.
 

6 comentários:

  1. Será se Vale e Petrobras começam a se desvaloriazar a partir de agora?
    Lógico que isso envolve uma série de fatores e as informações ainda são meio desencontradas, mas aparentemente após uma grande valorização em 2016 essas empresas devem ver suas ações cairem entere o fim desse ao e o início de 2017.

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    1. Ambos os papéis já estão vendidos no curto prazo. Por enquanto é um movimento natural de correção, que ainda não ameaça a tendência principal de alta. Mas como a pernada deste ano foi muito íngreme, as regiões de suporte são relativamente fracas.

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  2. A Russia que é um lixo paga 2/3 das taxas de juros do Brasil.

    A Africa do Sul que se parece bem mais com o Brasil paga apenas a metade.

    Ê Brasil...

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    1. Sim. O juro real no Brasil é disparado o maior do mundo. Isso mostra como custou caro a desarrumação econômica durante todo o governo Dilma. A Rússia está está relativamente bem no quadro macro, levando em consideração o cenário global adverso. Lembrando que em 2014 o CBR provocou choque de juros na economia, ao subir a taxa básica de juros de 10,5% para 17% ao ano, visando combater a queda acentuada do rublo e os seus efeitos sobre a inflação. Foram ousados, agiram rápido e deu certo.

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  3. Grande FI, sempre preciso nas suas análises.
    Torço muito pelo Trump. Acho que apesar de ser um fanfa vai fazer um governo melhor q a Hitlery. A política externa americana tem sido desastrosa e lembra os piores momentos da arrogância petista no Brasil. Falta diálogo com a Rússia e Oriente Médio. Grandes pensadores modernos apoiam Trump embora ninguém se orgulhe muito dele. A CNN e wall street apóiam Hitlery. rsrsrs
    Seria como a odebrecht e a andrade gutierrez doando alto para a Dilma. Pq ? hahaha vc sabe.
    A eleição do fera vai abrir um precedente histórico importante.
    O mundo tem desafios econômicos relevantes, como o aumento da pobreza, a questão dos refugiados e etc... Já dizia o Al Gore em seu livro "o futuro", vem aí uma fase da história em que nações serão geridas como corporações. Muita treta vai acontecer, no futuro isso muda, mas creio que seja a melhor solução para o momento histórico mundial.

    Quanto ao seu comentário a respeito do minério devemos estar atentos ao seguinte.

    Oil subiu e caiu forte em razão do acordo frustado da opep. A tendencia é de alta no meu ver.
    Minério ja deu o sinal.

    Meu amigo, podemos estar diante de um novo rally nas commodities.
    Pode parecer bizarro mas ninguem viu petroleo a 30 assim como ninguém vê a 100 novamente.

    Mas o que não podemos esquecer de jeito nenhum é o enorme esforço que os principais BC do mundo vem fazendo por inflação. Vão acabar conseguindo. Então a inflação tem q se manifestar nas commodities. Concorda?

    A alta recente de petro e vale não aconteceram a toa. Não foi só repique não. Acho q elas ainda vão subir muito, os feras ja enxergaram a inflação mundial que vai acontecer em breve com a declarad intenção dos BC de puxar inflação.

    Bom.. é isso. A gente vai se falando. Abç do Anonimo do BC. (hahhaha sim , eu sempre entro aqui até hj) Fui

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    1. Anônimo do BC. Quanto tempo! Bom ver seus comentários por aqui. Sim, concordo. Existe esforço muito grande para se criar inflação, apesar de que, por enquanto, os BCs tem falhado nesse ponto. Mas certamente chegará o momento de retomada da inflação global, que deve ser acompanhada pela retomada do crescimento, puxando as commodities. Na Inglaterra a inflação deu o primeiro sinal de rompimento ascendente da meta, ainda que boa parte influenciada pelos efeitos do câmbio, é um caso a acompanhar muito de perto. Abs!

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