terça-feira, 22 de novembro de 2016

Euforia de Wall Street desembarca no mercado de commodities


A onda positiva que empurra os principais índices acionários de Wall Street para novas máximas recordes desembarcou de vez no mercado de commodities. Surpreendendo as previsões dos analistas e economistas, os investidores continuam comprando ativos de risco, confiantes na nova administração Trump.

Com o índice Dow Jones puxado no curto prazo, superando a incrível marca dos 19.000 pontos nesta terça-feira, conforme pode ser constatado no gráfico abaixo, os investidores estão analisando outras opções interessantes de compra disponíveis na prateleira do mercado financeiro.


As commodities entraram no foco do mercado em função do preço, das condições técnicas favoráveis e do raciocínio predominante nas mesas de operações com as propostas de investimentos em infraestrutura nos Estados Unidos impulsionando os preços das matérias-primas.

O índice de commodity CRB Jefferies Reuters voltou a mostrar sinal de força compradora relevante nos últimos dias após o teste sobre a média móvel simples de 200 períodos diária, que acabou demonstrando novamente fraqueza da força vendedora para tirar os compradores de commodites do mercado.


A referida média é o principal ponto de sustentação das commodities e divisor de água para definição de tendência. Com o mercado voltando a demonstrar força compradora nas commodities, os investidores enxergaram espaço para aproveitar o movimento ascendente, com expectativa de alcançar as máximas registradas em 2016.

O índice Bloomberg de commodity confirma a forte retomada do movimento comprador no mercado, em condições técnicas idênticas às apresentadas no índice CRB Jefferies Reuters, respaldando a reversão do viés a nível global.


Os investidores chineses também estão contribuindo para retomada do fôlego no mercado de commodities. Apesar de os gestores das bolsas de Xangai, Dailan e Zhengzhou terem agido para combater a enxurrada de compras das últimas semanas (característico de formação de bolha), especialmente no mercado de minério de ferro e aço, os preços voltaram a subir forte nesta terça-feira.

Com a puxada das commodities, o índice Bovespa encontrou força para voltar subir com consistência, já realizando teste sobre a linha central de bollinger. Além disso, o suporte formado na região aleatória dos 58,3k está consolidado, oferecendo apoio para a ponta comprada do mercado brigar pela manutenção do importante patamar psicológico dos 60k.
  

Na agenda local, destaque para a sinalização do Banco Central de interrupção das intervenções no mercado de câmbio a partir desta quarta-feira, ao não anunciar novos contratos de swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. O Tesouro Nacional não está mais interferindo no mercado de títulos públicos com seus leilões de compra desde segunda-feira.

O clima no mercado local voltou a ficar positivo, até porque Wall Street está em euforia. A medida que os índices ficam puxados demais (no curto prazo) nas praças desenvolvidas, os investidores automaticamente passam a procurar novas oportunidades em praças emergentes.

Além disso, o acordo do governo federal com os governadores para um ajuste fiscal em troca da divisão da multa do projeto de repatriação soa positivo para o mercado. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem conseguido manter uma posição relativamente dura do governo federal frente à situação caótica de alguns estados e, ao mesmo tempo, conseguido avançar nos acordos.

Em troca da ajuda do governo federal (considerada insuficiente), os estados deverão limitar o crescimento dos gastos equivalente à inflação do ano anterior, reduzir em 20% em relação a 2015 os gastos com pessoal não concursado (cargos comissionados, temporários e gratificações), além de uma série de outras medidas de ajuste fiscal específicas.

2 comentários:

  1. Bom dia,
    Já que os Estados não tem responsabilidade(nao que o governo federal tenha), pelo menos com este poder de barganha do Meirelles talvez consigam aprovar questões cruciais na marra.

    Aqui no RS, Governo lançou um pacote ousado, mas toda a classe boa vida(concursados públicos) já estão tentando brecar juntamente com outros órgãos de classe. Inclusive, chega a ser ponto de discussão na Assembleia a necessidade de plebiscito para vender participações em empresas Estatais. O que gera ainda mais gasto a realização de um plebiscito sobre um assunto que 99% não tem a MÍNIMA capacidade de opinar. É apenas uma discussão ideológica, nada prático ou interessante ao real interesse público.

    De qualquer forma, parabéns pelos artigos. Ainda mais, agora escrevendo em ritmo praticamente diário e, mesmo assim, mantendo a irretocável qualidade.

    Edo.

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    1. Olá Edo,
      Obrigado! Lamentável o baixo entendimento da gravidade do quadro fiscal, não pela população em geral, mas pelos próprios políticos. Quando a conta chega não tem como fugir, se o governo não fizer o seu trabalho na marra, a inflação o fará.

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