terça-feira, 29 de novembro de 2016

Mercado não engoliu tempestade em copo d’agua


Uma nova crise política exacerbada pela mídia nacional abalou a imagem do governo Michel Temer neste último final de semana. A temperatura subiu forçadamente no ambiente político quando o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, deixou o cargo sob acusação de usar a estrutura do governo para defender interesses privados.

Geddel é acusado pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de fazer pressão sobre uma obra de um prédio em Salvador do interesse de Geddel. O empreendimento está suspenso pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e Temer teria arbitrado o conflito entre os dois ex-ministros.

O caso foi escandalizado nos últimos dias, atingindo proporções incompatíveis à sua relevância, levando até mesmo um partido da oposição a protocolar na Câmara dos Deputados um pedido de impeachment contra o presidente Michel Temer.

O pequeno imbróglio se transformou numa tremenda e desnecessária confusão. As atenções, até então concentradas nas necessárias reformas estruturais, foram, infelizmente, desviadas para uma crise política, o que pode atrasar ou mesmo atrapalhar o ritmo das discussões e articulações do governo para avançar nas reformas.

Apreciar tamanho escândalo por conta de um empreendimento imobiliário em Salvador causa espanto aos investidores que investem ou tem interesse de investir no Brasil. Existe uma série de problemas mais sérios que merecem discussão no País, uma agenda importante, que definirá o nosso futuro, está curso e o que se vê são chuvas de reportagens de intrigas políticas, mesmo em mídias especializadas no mercado financeiro.

O ponto positivo é que o governo não perdeu seu foco no meio de todo esse estardalhaço. De acordo com o senador Romero Jucá, a PEC do teto dos gastos será votada no Senado nesta terça-feira, onde deverá ser aprovada em primeiro turno por uma margem confortável de 62 a 65 votos. Já a reforma da Previdência (considerada fundamental) parece estar engatilhada e pronta para ser enviada ao Congresso.

O mercado também não engoliu a tempestade em copo d’água. A resposta foi uma disparada de 2,11% do índice Bovespa nesta segunda-feira, com superação da linha central de bollinger e teste sobre a LTB dos 65,3k com boa possibilidade de rompimento ascendente, que conta com impulso de um pivot de alta de curtíssimo prazo e formação de um novo marubozu de alta.


O movimento na Bovespa foi respaldado pela recuperação das commodities e dos preços de ativos de praças emergentes mundo afora. O índice de commodity CRB Jefferies Reuters fechou mais um pregão em alta, superando levemente a máxima da semana anterior.


2 comentários:

  1. FI,

    Só alegria! Rumo a virar Suiça!

    Abs,

    ResponderExcluir
  2. Acho que a aprovação da PEC no Senado já está precificada pelo mercado.
    Como você disse, a reforma da Previdência sim é fundamental. Sem ela, não teremos nem como cumprir o teto de gastos.
    Acho que a novela da aprovação dessa reforma tem potencial para influenciar muito o mercado brasileiro.

    ResponderExcluir