segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Crise institucional pode acabar com a complacência dos investidores


O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio Mello, decidiu por uma liminar afastar o presidente do Senado, Renan Calheiros, acatando o pedido feito pelo partido Rede no processo em que réus não podem estar na linha sucessória da Presidência da República.

A decisão do ministro tem efeito imediato, ou seja, a partir de agora, o vice-presidente do Senado, Jorge Viana, assumirá o comando da Casa. Entretanto, o plenário do STF ainda precisa analisar a liminar do ministro Marco Aurélio e, no caso de uma decisão contrária, o senador Renan Calheiros voltará a presidência do Senado.

Independente da decisão da Suprema Corte, a confusão está feita. O nível de tensão já elevado entre os três poderes subiu ainda mais e uma crise institucional pode estar se agravando, ponto extremamente delicado ao futuro do País. Uma crise institucional é pior do que a não aprovação da reforma da previdência e do teto dos gastos, juntas.

Os investidores (principalmente estrangeiros) estão relativamente pacientes com o Brasil, mesmo com tantos problemas micro e macro acumulados ainda em aberto, olhando para o quadro doméstico com uma visão de mais longo prazo e com perspectiva positiva para a economia. Mas essa complacência pode ir por água abaixo com o agravamento de uma crise institucional, o que levaria a um rápido desmonte de posições compradas em ativos de risco.

O fato de Jorge Viana, novo presidente do Senado, pertencer ao PT e, portanto, se posicionar como oposição na presidência da Casa, causa uma grande dor de cabeça ao governo do presidente Michel Temer, já que a pauta de votações pode ser alterada. A PEC do teto dos gastos está sob risco de ser aprovada em segundo turno com atraso. Já a reforma da previdência, com um petista na presidência do Senado, corre sério risco de não se deslanchar, o que definitivamente seria um desastre do ponto de vista fiscal e um duro golpe ao mercado.

A bomba lançada por Marco Aurélio caiu em Brasília após o fechamento do mercado. O governo Michel Temer terá toda a madrugada para traçar uma estratégia e tentar acalmar os ânimos amanhã, o que será um novo teste à paciência dos investidores (que parece estar no limite).

O índice Bovespa permanece operando abaixo da linha central de bollinger, porém acima da principal região de suporte de curto prazo localizada na faixa dos 58,3k. A perda deste  importante patamar de sustentação poderá criar uma nova onda vendedora.


No cenário externo, destaque para avassaladora derrota do primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, no referendo do último domingo sobre uma reforma constitucional. O “não” venceu com 59,1% dos votos.

Com a derrota, Renzi anunciou que irá renunciar, o que poderá abrir as portar para novas eleições antecipadas no ano que vem. O Movimento 5-Estrelas, partido anti-Europa, é o forte candidato para assumir o poder na Itália.

O fundador do partido, o comediante Beppe Grillo, já pediu eleições imediatas e disse que a partir da semana que vem os integrantes do Movimento 5-Estrelas começarão elaborar uma plataforma de políticas para divulgar a nação. Uma das principais bandeiras defendidas pelo partido é justamente a ruptura com o Euro.

A decisão, entretanto, precisa ser endossada por um referendo. Por esse motivo os mercados europeus reagiram com certa irrelevância à reviravolta política na Itália. A ruptura, se ocorrer, demandará algum bom tempo.

3 comentários:

  1. Tô vendo essa crise institucional como uma boa oportunidade, tomara que os estrangeiros se assustem. Deixa a bolsa cair no curto prazo... vai valer a pena se os políticos começarem a temer as condenações. Cabral tá lá em Bangu...
    A única coisa ruim que vejo é o Jorge Viana na condução do Senado. Ele pode empacar a votação das PECs. Mas... boa notícia: em fevereiro há nova votação para presidência do Senado.

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    1. Bem lembrado. Em fevereiro o governo terá a chance de retomar o controle da Casa. Também vai haver eleição para presidente da Câmara nesse mês.

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  2. FI,

    E na república das bananas ... nada é como deve ser rs ... pelo jeito não está afastado ainda rs ..

    Abs,

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