segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Ibovespa consolida mercado de baixa


O tombo de 2,19% do índice Bovespa nesta segunda-feira deixou a bolsa de valores mais pesada para a venda. O rompimento descendente da importante linha de suporte localizada na região dos 58k, caracterizado por um candle de força relevante, desarmou uma congestão de curtíssimo prazo, detonando um clássico pivot de baixa.


O desenho técnico da bolsa brasileira sinaliza consolidação de um mercado vendedor. A perna de baixa, iniciada aos 65,3k, cerca de um mês atrás, ganhou força com o movimento desta segunda-feira, deixando a média móvel simples de 200 períodos diária fragilizada.

Pela primeira vez desde março deste ano, a média móvel simples de 200 períodos diária deverá ser testada. Tal como na ocasião anterior, o teste na importante média tende a ser realizado (nos próximos dias/semanas) com uma perna fortalecida. Em março, a tendência de alta estava ganhando força, o que favoreceu o rompimento já no primeiro teste. Agora, a média tende a ser testada novamente com uma tendência de baixa ganhando força, o que pode favorecer o rompimento descendente.

A correria para fechamento de posições compradas no mercado futuro de commodities chinês ajudou empurrar o Ibovespa ladeira abaixo. Os contratos futuros de minério de ferro voltaram a despencar nesta segunda-feira na bolsa de Dailan, caindo 7,2%, para 81 dólares a tonelada.

As vendas foram influenciadas pelo aumento dos estoques da matéria-prima nos principais portos do País, atingindo nível mais elevado dos últimos dois anos. Além disso, o sell-off na commodity é uma reação natural ao intenso movimento comprador que inflou irracionalmente os preços nos últimos meses.

Ainda na China, um assessor do Banco do Povo (autoridade monetária local), afirmou que o País pode apertar a política monetária no próximo ano para combater a volatilidade do câmbio, alta da inflação e desinflar o mercado imobiliário. Essa ação é condizente com a estratégia definida na importante reunião anual de planejamento econômico, onde o foco em 2017 será a prevenção de riscos financeiros.

O Brasil não é o primeiro mercado emergente do mundo a demonstrar fortalecimento da força vendedora no fim deste ano. Na Índia, a bolsa de Bombay está vendida desde o mês de setembro, operando abaixo da média móvel simples de 200 períodos diária.


A bolsa do México também trabalha abaixo da média móvel simples de 200 períodos diária, mostrando recente fortalecimento da força vendedora com a formação de um topo descendente localizado na região dos 199 pontos. Em caso de rompimento do piso registrado em novembro, o mercado mexicano poderá voltar para a mínima do ano com domínio de força vendedora.


Vários mercados emergentes estão sofrendo perda de fluxo com o aumento do rendimento das treasurys (títulos do Tesouro norte-americano) e fortalecimento do dólar a nível global. Contra uma cesta de moedas, o dólar segue colado na máxima, já se distanciando do pico registrado ano passado.
 

6 comentários:

  1. FI,

    Opa.... finalmente veio a queda no indice hehehe ...

    Vamos acompanhar se não vai se estender essa queda no ibov .... quem sabe o natal aqui vai ser só alegria ...

    Abs,

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  2. Bom dia!

    FI, o sistema bancário europeu continua apresentando indícios que a situação pode ficar delicada. Ontem, o maior banco da Ucrânia foi estatizado e o mercado parece reticente quanto ao riscos apresentados neste segmento.

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    1. Exato. O bull market nos mercados europeus segue bastante distorcido dos fundamentos. Não é um descolamento pequeno, é algo mais relevante, que pode sinalizar mercados artificialmente inflados pela política monetária do BCE.

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    2. Olá, deixo os parabéns pela análise, como sempre, leitura interessantíssima !

      talvez não só a Europa, mas também as bolsas americanas infladas por sucessivos QE. Me pergunto, sem nenhuma resposta, onde isso vai parar? uma máquina governamental de fazer bolha que não para de soprar.

      Jairo

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    3. Obrigado Jairo!
      Sim, o principal driver do bull market nos Estados Unidos é o FED. S&P500 acumula uma valorização impressionante desde 2009. A decisão está nas mãos dos banqueiros centrais.

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