quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Condicionantes do Copom para flexibilização monetária são difíceis de alcançar no curto prazo


O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu nesta quarta-feira manter a taxa Selic inalterada em 14,25% ao ano, numa decisão amplamente esperada pelo mercado.

A retirada do trecho “cenário básico e o atual balanço de riscos indicam não haver espaço para flexibilização da política monetária” do comunicado emitido após a reunião de Comitê atraiu muita atenção do mercado, com economistas projetando o primeiro corte na taxa básica de juros já no próximo encontro a ser realizado nos dias 18 e 19 de outubro.

Os riscos para um movimento possivelmente precipitado de corte da taxa Selic em outubro já começam pela complicação da data. As condições de mercado no qual o Banco Central brasileiro encontrará em outubro serão fortemente impactadas pela decisão e comunicação do Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve - autoridade monetária norte-americana), que se reunirá nos dias 20 e 21 de setembro. Mesmo se a FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros norte-americana) não subir em setembro, o FED deixará claro que estará pronto para apertar as condições monetárias ainda este ano.

Além disso, a reunião do Copom brasileiro ocorrerá três semanas antes da importante eleição presidencial dos Estados Unidos, momento em que o nível de tensão no mercado tende a ser elevado, principalmente em função dos discursos e ataques de Donald Trump.

Afrouxar as condições monetárias no Brasil justamente num período em que o FED se mostrará mais hawkish em meio aos debates políticos na reta final da eleição presidencial dos Estados Unidos não será nada fácil e, possivelmente, arriscado demais.

Em seu comunicado emitido na noite desta quarta-feira, os membros Copom brasileiro decidiram, inclusive, acrescentar no parágrafo destinado ao quadro externo que as incertezas relacionadas à normalização das condições monetárias nos Estados Unidos persistem.

Ainda assim, supondo que a data, do ponto de vista externo, fosse favorável ao corte da taxa Selic, o Copom ainda encontraria alguns empecilhos, fruto do complicado quadro doméstico.

Conforme destaque no comunicado, o Copom considera que “a inflação corrente segue pressionada, em parte em decorrência de preços de alimentos, e vem recuando em ritmo mais lento que o esperado”. Essa menção também não estava presente no texto anterior e mostra que o processo de desinflação, em curso, precisa ganhar mais força para que os membros do Copom se sintam mais confiantes para cortar a taxa Selic.

O Copom também quer que a projeção do mercado (leia-se pesquisa Focus) para a inflação de 2017 recue para o centro da meta (4,5%), ficando em linha com a projeção do cenário de referência (feita pela equipe técnica do Banco Central). Atualmente o mercado estima inflação de 5,1% em 2017. Portanto, existe um GAP 0,6 p.p. entre Banco Central e mercado que precisa ser eliminado, fato que pode demandar tempo.

Do lado positivo para o balanço de riscos, o Banco Central acrescentou que “índices de preços no atacado indicam possível arrefecimento do choque de preços de alimentos e um eventual efeito favorável sobre o IPCA”, ficando, agora, três itens favoráveis ao balanço de riscos para o cenário básico de inflação e três itens desfavoráveis.

Por fim, o Copom deixou bastante claro ao final do comunicado que a flexibilização das condições monetárias dependerá de três fatores:

(i) que a persistência dos efeitos do choque de alimentos na inflação seja limitada;

(ii) que os componentes do IPCA mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica indiquem desinflação em velocidade adequada;

(iii) que ocorra redução da incerteza sobre a aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia, incluindo a composição das medidas de ajuste fiscal, e seus respectivos impactos sobre a inflação.

Os fatores (i) e (ii) estão em curso, mas talvez não alcancem o nível adequado já na próxima reunião de Comitê a ser realizada em outubro. O fator (iii) é o mais complexo, pois depende de rapidez e eficácia da articulação do Planalto com o Congresso, algo difícil e que será duramente testado nas próximas semanas.

Atenção especial para a emenda que estabelece teto para os gastos. É onde o governo Temer está apostando todas as suas fichas. A medida tem potencial para se tornar um divisor de águas no mercado, restabelecendo sentimento de seriedade fiscal ou não. A reforma da Previdência também é prioritária, mas os esforços tendem a se concentrar apenas em 2017.

No quadro externo, destaque para nova pressão negativa sobre a economia mexicana. Aumentou a velocidade de desmonte de posições compradas no País após a agência de classificação de risco Standard & Poor’s revisar a perspectiva da nota de crédito soberana, atualmente em BBB+, de estável para negativa, citando o decepcionante crescimento econômico e estoque de dívida crescente.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Fracasso da TTIP aumenta rachadura na Europa


Cerca de dois meses após os britânicos surpreenderem o mundo ao decidirem abandonar o barco da zona do euro, líderes europeus, ainda desnorteados pelo Brexit, terão outro desafio delicado pela frente: contornar o fracasso da Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês).

A TTIP estava em negociação entre Estados Unidos e a União Europeia nos últimos três anos e era vista como importante alavanca para retomada do crescimento. A TTIP, atualmente, é (ou era) a principal esperança dos europeus, já que nem as políticas altamente agressivas de afrouxamento monetário do BCE (Banco Central Europeu) surtiram efeito.

Segundo o ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, as negociações falharam porque os europeus não querem se submeter às exigências norte-americanas. Apesar de pouca repercussão, o revés com a TTIP não só abre mais uma rachadura na Europa, como mostra predominância de uma postura inflexível dos líderes europeus, mesmo com o acúmulo de tantos problemas econômicos não corrigidos nos últimos anos.

Essa é a postura que os ingleses também enfrentarão nas negociações de ruptura com a União Europeia. O próprio ministro Gabriel afirmou recentemente que o Brexit é um problema mais psicológico do que econômico. O atrasado comportamento de superioridade/ intransigência dos líderes europeus tende a piorar o quadro negativo já criado pelo Brexit, sob o risco não desprezível de criar novas crises na zona do euro.

Com os riscos macro no radar, somados aos fortes programas de compras de títulos da dívida pública e privada do BCE, investidores europeus seguem batendo em retirada de seus respectivos mercados locais em busca de ativos mais rentáveis em outros lugares do mundo.

O mercado de dívida corporativa dos Estados Unidos é, praticamente, a única opção restante de ativos grau de investimento no mundo que ainda possuem algum prêmio de risco razoável. Por conta disso, o País segue recebendo forte entrada de capitais.

A reação do mercado nesta segunda-feira sugere tranqüilidade dos investidores/operadores frente às novidades apresentadas em Jackson Hole, semana passada. O índice S&P500 voltou a subir, retestando a linha central de bollinger.


O dólar contra cesta de principais moedas globais permanece operando abaixo da média móvel simples de 200 períodos diária, soltando candle de indecisão nesta segunda-feira. A fraca tendência de alta parece estar se transformando em congestão.


O mesmo raciocínio técnico se encaixa ao deslocamento de curto prazo da taxa de juros da Treasury de 10 anos (título público do Tesouro norte-americano).


No Brasil, o Ibovespa seguiu o movimento comprador global desta segunda-feira, fechando o pregão em alta de 1,55%, ainda se sustentando em cima da linha central de bollinger.


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Jackson Hole 2016: a modernização da política monetária


O importante encontro anual de Bancos Centrais do mundo inteiro realizado em Jackson Hole, no Estado americano de Wyoming, transmitiu uma mensagem de extrema relevância ao futuro da política monetária a nível global. Este novo pensamento acabou passando despercebido em função do alvoroço criado pela mídia referente ao discurso da chair do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), Janet Yellen.

Yellen afirmou que a hipótese de aumento da FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros norte-americana) tem ganhado força nos últimos meses devido à melhora no mercado de trabalho e às boas expectativas de crescimento econômico e da inflação.

A chair do FED não indicou especificamente quando a FFR subirá, mas o seu discurso deixou claro que a autoridade monetária norte-americana está com o dedo no gatilho para subir novamente a meta para a taxa básica de juros no curto prazo. Isso significa que se o aumento de 0,25 p.p. não vier na reunião de Comitê dos dias 20 e 21 de setembro, virá no encontro de outubro (pouco antes da eleição presidencial nos Estados Unidos) ou na reunião de dezembro.

Apesar da insistência dos economistas/analistas, pouco importa tentar antecipar o timming exato deste novo aumento. O fato relevante é que a meta da FFR está próxima de ser elevada para 0,50% a 0,75% ao ano, confirmando um ciclo muito gradual. Além disso, a comunicação da autoridade monetária tem sido eficaz e, consequentemente, o mercado de juros futuros (esse sim, fator determinante para o fluxo de capitais) tem reagido com certa irrelevância ao aperto na política monetária.

Isso se deve ao fato de as projeções do FED apontarem para uma taxa básica de juros muito baixa no futuro, bem inferior, inclusive, à média histórica. Nesta sexta-feira, Yellen reforçou em seu discurso que a taxa de juros neutra (equilíbrio para manter a economia funcionando em pleno emprego e inflação comportada) deve permanecer muito baixa se a produtividade continuar crescendo lentamente.

A percepção de que o crescimento permanecerá modesto nos próximos anos praticamente inviabiliza o retorno das taxas básicas de juros de países desenvolvidos à normalidade (ou média histórica). Ou seja, é certo que os juros permanecerão muito baixos no mundo desenvolvido até que o crescimento volte a ser pujante.

A permanência de juros baixos por muito tempo tem alimentado forte receio no mercado frente à incapacidade das autoridades monetárias de combaterem novas crises econômicas, já que haverá pouca margem para ser utilizada na ferramenta convencional (juros mais baixos significam pouco espaço para que futuros cortes consigam reanimar a economia).

Jackson Hole 2016 veio para responder esse temor do mercado e não para antecipar o timming da política monetária de curto prazo do FED. Inclusive, Yellen reservou boa parte de seu discurso, amplamente aguardado, para mostrar ao mundo que o seu arsenal vai muito além da FFR. As opções são chocantes.

Estudos recentes de autoridades monetárias mostram que comprar títulos do governos imprimindo dinheiro novo (ferramenta já utilizada pelo FED, BCE, BoE, BoJ, entre outros) pode compensar a impossibilidade de os juros cederam mais ou irem muito abaixo de zero. O conjunto de ativos que podem ser comprados pelos Bancos Centrais também pode ser ampliado.

Além disso, Jackson Hole 2016 mostrou que a estratégia do dinheiro de helicóptero, ainda pouco conhecida, tem ganhado boa aceitação entre as autoridades monetárias. Os governos poderiam, por exemplo, tocar obras de infra-estrutura financiadas por dívida que seria comprada pelos Bancos Centrais. Os déficits fiscais aumentariam ainda mais, bem como os balanços dos Bancos Centrais.

A meta de inflação de 2% ao ano (padrão para boa parte das economias globais, principalmente as desenvolvidas), poderia ser elevada para permitir mais injeções de dinheiro na economia no curto prazo. Estudos de economistas dos bancos centrais mostram que há poucas evidências de que 3% ou 4% de meta de inflação seria pior do que 2%. Com uma meta mais elevada, haverá espaço para a taxa básica de juros subir mais e, assim, em momentos de recessão, os bancos centrais teriam mais espaço para cortar juros e estimular o crescimento.

Os três dias de encontro de equipes de banqueiros centrais do mundo inteiro em Jackson Hole neste ano mostraram que as autoridades monetárias continuam não temendo assumir o papel de grandes protagonistas da economia e dos deslocamentos dos preços dos ativos no mercado.

Os Bancos Centrais continuam agressivos e prontos para atuar cada vez mais em momentos delicados ou mesmo de pequenos deslizes. As consequências de longo prazo podem ser perigosas, mas são imprevisíveis. Por enquanto, segue permanecendo o status quo de economias sustentadas pelos banqueiros centrais e mercados de capitais guiados conforme sua preferência.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Pausa para venda


Influenciados pelo primeiro tombo do barril de petróleo desde que o rali de alta se iniciou a cerca de três semanas atrás, investidores/operadores aproveitaram o momento para vender posições de risco nas principais praças financeiras mundiais.

O barril do tipo light atingiu 49,36 dólares na semana passada, após registrar 39,19 dólares no início deste mês. A forte alta, praticamente ininterrupta, deixou a commoditie rapidamente sobrecomprada no curto prazo, atraindo atenção para abertura de novas posições vendidas, que surgiram nesta segunda-feira.


O ambiente também ficou mais pesado no pregão de hoje em função das declarações de Stanley Fisher, vice-chair do FED (Banco Central dos Estados Unidos), no qual afirma que a autoridade monetária está perto de atingir suas metas de pleno emprego e 2% de inflação. Esse discurso derrubou as falsas expectativas dovish criadas pela mídia após a divulgação da ata da última reunião de Comitê do FED.

O discurso de Fisher está em linha com o tom da mensagem transmita pelos documentos oficiais da autoridade monetária norte-americana, ratificando a expectativa de nova alta da FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros) no fim deste ano.

Qualquer novidade, se surgir, diferente do que já foi colocado ao mercado será cuidadosamente alertada pela chair do FED, Janet Yellen, em seu discurso na conferência de bancos centrais em Jackson Hole, nos EUA, nesta próxima sexta-feira.

O índice S&P500 fechou em leve baixa pelo segundo pregão consecutivo, com relevante estreitamento das bandas de bollinger, mostrando que a baixa volatilidade no mercado acionário pode estar perto do fim.


A bolsa de Londres, na Inglaterra, fechou em baixa pelo segundo pregão consecutivo, confirmando rompimento de uma LTA curta. Mercado vendido, já realizando teste na linha central de bollinger (fraca), ainda relativamente distante do principal ponto de apoio de curto prazo (região dos 6.6k).


Na Índia, a bolsa de Bombay também apresenta relevante estreitando das bandas de bollinger, com correções de preço ainda pequenas. Mercado operando em baixa volatilidade por tempo limitado, criando condições para definição direcional de forma mais agressiva nos próximos dias/semanas.
  
  
A bolsa do México trabalha vendida no curtíssimo prazo, após um forte rali ter impulsionado o mercado para acima da média móvel simples de 200 períodos diária.


Nesta segunda-feira, a agência nacional de estatísticas informou que o PIB (Produto Interno Bruto) contraiu 0,2% no segundo trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior, pressionado pela forte contração do setor industrial. Este é o primeiro recuo da economia mexicana dos últimos três anos, abrindo sinal de alerta aos investidores posicionados ou que pretendem se posicionar no País.

No Brasil, o Ibovespa caiu forte no pregão desta segunda-feira, mostrando surgimento de posições vendedoras com operadores aproveitando o elevado tempo de permanência dos indicadores em território de sobrecompra.


A definição do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff tem criado expectativas de forte ingresso de recursos estrangeiros no curto prazo, além de mais agilidade do governo na aprovação das importantes reformas estruturantes.

A velocidade esperada por economistas/analistas destes dois eventos está sendo superestimada. Os recursos tendem a continuar entrando de forma tática, não eufórica, e as reformas devem ser menos expressivas e mais demoradas.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Ata mostra FED ainda dividido, mas a caminho de subir novamente a FFR


A avaliação predominante no mercado financeiro brasileiro nesta quarta-feira em relação ao documento divulgado pelo FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) ficou um pouco distorcida em função das expectativas hawkish criadas pelo recente discurso do presidente do FED de Nova York, William Dudley, no qual afirma que um aumento dos juros já em setembro é possível, dada a evidência de ganhos salariais e do mercado de trabalho mais apertado.
A ata do FED se mostrou longe de corresponder às declarações de Dudley (por sinal não tem poder de voto no Comitê), apresentando o mesmo tom dovish do comunicado divulgado no dia 27 de julho, no qual foi finalizada a reunião do Comitê de Política Monetária.
O documento da autoridade monetária norte-americana divulgado hoje, portanto, reverteu as falsas expectativas criadas pelo discurso de Dudley no dia anterior, fato que contribuiu para impulsionar os preços dos ativos nas principais praças financeiras mundiais.
O problema é que, como de costume, as notícias e análises exageraram nas expectativas, desta vez para o lado dovish. Agora circula no mercado o sentimento de que o FED está longe de subir os juros, o que não é verdade.
A ata mostrou que um membro do Comitê recomendou uma alta na reunião de julho, dois outros membros pediram paciência até assegurar-se que a inflação aumenta até o objetivo de 2%, enquanto outros membros anteciparam que as condições econômicas permitirão em breve outro passo na retirada da política flexível.
A expressão “outros membros”, da forma como foi colocada, indica ser uma avaliação da maioria de membros do Comitê. Isso significa que a FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros norte-americana) deverá subir novamente este ano, talvez não na reunião de setembro (pois nenhum sinal concreto de aperto monetário no curtíssimo prazo foi emitido pela autoridade monetária), mas no encontro de dezembro deste ano, já que o mês de novembro tende a ser tenso por conta das eleições presidenciais.
O índice S&P500 fechou em leve alta, revertendo as perdas registradas durante boa parte do pregão. Mercado permanece dentro de uma tendência principal de alta, embora lateralizado no curto prazo, sem apresentar novidade.

No Brasil, o índice Bovespa fechou o pregão apresentando candle semelhante ao S&P500. Mercado em tendência principal de alta, embora voltando a emitir sinalização de esgotamento no curtíssimo prazo.

Destaque para manutenção do importante processo de desinflação em curso na economia doméstica, fato que permitirá futuros cortes (não imediatos) na taxa Selic. Nesta quarta-feira a Fundação Getúlio Vargas informou que o IGP-10 caiu 0,27% em agosto, impulsionado pelos preços no atacado.
O processo de desinflação no Brasil é a principal chave para retomada econômica, além de ser um importante driver para manutenção do movimento comprador em ativos domésticos, especialmente títulos públicos e privados.
Os mercados emergentes (com exceção da China) continuam atraindo fluxos de capital, com investidores e players globais mantendo a busca por ativos com prêmios de risco minimamente razoáveis ou elevados. A escassez por esses tipos de ativos (mesmo junks) nunca foi tão alta em mercados desenvolvidos.
Por fim, a agência de classificação de risco Moody’s emitiu um relatório nesta quarta-feira reconhecendo a melhora nos mercados emergentes, citando forte retorno de investidores a esses mercados.
A perspectiva para o Brasil foi melhorada, agora a agência espera que o País retome o crescimento em 2017. Rússia e China também tiveram perspectivas elevadas. Já as projeções para Turquia e África do Sul foram reduzidas.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Bear trap no petróleo reacende ânimo no mercado


O mercado de petróleo voltou a pegar fogo nessa semana, roubando atenções dos investidores nas mesas de operações. A euforia com a commodity se espalhou rapidamente pelos demais ativos financeiros, voltando a empurrar índices acionários para cima, mesmo sobrecomprados.

Vendido desde o mês de junho, o preço do barril de petróleo (tanto do tipo Light, quanto do tipo Brent) deslizava dia após dia no mercado, sem esboçar reação compradora relevante. Entretanto, o comodismo com a facilidade em vender acabou criando condições para uma virada no barril.

No mercado do Light, a média móvel simples de 200 períodos (principal ponto de suporte) foi perdida com candle de força relevante, seguida por um novo candle de baixa no dia seguinte. O domínio das vendas era acompanhado pelo noticiário negativo em relação à commodity, com os analistas voltando apontar projeções abaixo de 30 dólares o barril.


Poucos esperavam uma reação positiva no preço do barril com essas condições, mas foi o que aconteceu. Rapidamente as compras voltaram a dominar o mercado, empurrando o preço do Ligth para acima da média móvel simples de 200 períodos, caracterizando bear trap na principal linha de sustentação de preços.

No mercado do Brent também houve bear trap na média móvel simples de 200 períodos (apesar de não tão visível quanto o do Light), armando condições para teste na banda superior de bollinger, bem como na LTB da máxima do ano.


A correria para comprar petróleo (ou liquidar posições vendidas) criou novo gás de ânimo nos investidores/operadores, sentimento que se espalhou rapidamente para outros ativos financeiros.

A bolsa do México iniciou o mês de agosto em rali de alta, conseguindo superar a média móvel simples de 200 períodos diária, desarmando uma congestão de pouco mais de três meses.
  
  
No Brasil, as vendas permanecem fracas, predominando apenas em curtíssimo espaço de tempo. O Ibovespa renovou máxima do ano nesta quinta-feira, confirmando nova linha de suporte na faixa dos 55,7k.


Na Inglaterra, a bolsa de Londres segue dentro de um forte rali, voltando a se aproximar da máxima histórica registrada no ano passado.


Destaque para a mão pesada do BoE (Bank of England) em medidas de estímulos monetários anunciadas na última reunião de Comitê. A taxa básica de juros foi cortada pela primeira vez desde 2009, de 0,50% para 0,25% (mínima recorde). Além disso, a autoridade monetária britânica lançou fortes pacotes de compras de ativos (incluindo títulos públicos e privados) e estímulos ao crédito que podem chegar a 170 bilhões de libras.

Mark Carney, presidente do BoE, afirmou que está preparado para tomar novas ações quando julgar necessário, a fim de atingir os objetivos para estabilidade financeira e monetária.

Na Ásia, existe outro banqueiro central com o dedo no gatilho para agir novamente. Os indicadores econômicos chineses seguem decepcionando, com a recente queda inesperada das exportações e importações e desaceleração da inflação. O Banco do Povo (Banco Central chinês) afirmou que vai usar múltiplas ferramentas de política monetária para manter liquidez no sistema e impulsionar o crescimento dos empréstimos no segundo semestre deste ano.

As reservas internacionais da China voltaram a cair 4,1 bilhões de dólares no mês de julho (para 3,20 trilhões de dólares – o que mostra ainda muita bala para ser utilizada), após terem subido 13,4 bilhões de dólares no mês de junho.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Flexibilização fiscal no Japão aumenta significativamente


O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, aprovou nesta terça-feira mais um mega pacote de estímulos fiscais no valor de 28 trilhões de ienes (cerca de 274 bilhões de dólares).

O anúncio da impressionante nova montanha de estímulo fiscal surge dois meses após a decisão do governo japonês de adiar por mais dois anos e meio, novamente, um aumento da alíquota de imposto sobre consumo.

Na última sexta-feira, o BoJ (Banco Central do Japão) expandiu o estímulo monetário ao dobrar as compras de ETFs (fundos de índices), mas manteve a base monetária em 80 trilhões de ienes (cerca de 775 bilhões de dólares), assim como o ritmo de compras de ativos, incluindo títulos do governo japonês.

O mercado se decepcionou com o BoJ, pois esperava medidas mais audaciosas, como aumento no ritmo de compras de títulos do Tesouro. Além disso, Haruhiko Kuroda, presidente da autoridade monetária japonesa, afirmou que será realizada uma revisão dos efeitos da taxa de juros negativa e dos programas de estímulos monetários na próxima reunião de Comitê em setembro.

Essa revisão criou especulações no mercado de que o BoJ estaria se aproximando dos limites da taxa de juros negativa e de seus fortes programas de estímulos monetários, fato que forçou Kuroda declarar nesta terça-feira que a revisão da política monetária não vai levar ao enfraquecimento dos estímulos, na tentativa de acalmar os ânimos dos investidores/operadores.

Os preços dos títulos japoneses derreteram nos últimos dias (forçando aumento nas taxas de juros futuros), fato que colaborou para retomada do clima de aversão ao risco nas principais praças financeiras globais. O clima é tenso mesmo com as autoridades japonesas continuarem afirmando que permanecerão conduzindo uma poderosa combinação de política fiscal altamente flexível e afrouxamento monetário agressivo.

Na Austrália, economia que entrou no radar do mercado, a autoridade monetária local se viu forçada a agir nesta semana para defender a moeda contra o forte ritmo de valorização dos últimos meses. O banco central australiano cortou novamente a taxa básica de juros em 0,25 p.p., para a mínima histórica de 1,5%. Este já é o segundo corte do ano.

Além disso, os riscos de deflação na economia australiana seguem perigosamente elevados. Dados divulgados recentemente mostraram que a inflação dos preços ao consumidor desacelerou para a mínima de 17 anos no trimestre de junho, enquanto a inflação geral atingiu a mínima histórica de 1,5%.

Com o ambiente mais tenso nas praças financeiras, os preços dos ativos trabalham movimento de correção, aliviando os elevados indicadores de sobrecompra. Nos Estados Unidos, o índice S&P500 já trabalha teste sobre a linha central de bollinger, primeira região de suporte (fraca).


No Brasil, o índice Bovespa trabalha movimento semelhante, aproximando-se do teste na linha central de bollinger, vendido no curtíssimo prazo, sem apresentar novidade.