segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Corrida presidencial pega fogo nos Estados Unidos


O FBI, agência de investigação americana, informou na última sexta-feira que voltará a investigar novos e-mails que surgiram em relação ao uso de um servidor privado pela candidata do partido Democrata Hillary Clinton, quando ocupava o cargo de Secretária de Estado.

A notícia caiu como uma bomba sobre a campanha dos Democratas, que até hoje lutam para abafar o gravíssimo descuido de sua candidata. É inacreditável imaginar um funcionário do alto escalão, ocupando uma das mais importantes funções estratégicas do governo norte-americano, utilizar servidor privado para troca de vários e-mails, muito possivelmente sigilosos e de extrema relevância. Caso contrário, o que Hillary estaria fazendo na linha de frente da diplomacia americana?

As investigações do FBI, iniciadas em 2015, foram encerradas no mês de julho deste ano. O relatório foi muito duro com a decisão de Hillary de manter seus e-mails em um servidor privado. Entretanto, o diretor do FBI, James Comey, recomendou não apresentar acusações contra a então pré-candidata, apesar do ato ser considerado grave, talvez para não permitir ascensão ainda maior do socialista Bernie Sanders, seu principal opositor nas prévias do partido Democrata.

Hillary venceu a convenção nacional do partido (superando Bernie Sanders) e o escândalo dos e-mails perdeu força, apesar da insistência de seu rival do partido Republicano, Donald Trump. Mas agora, com novo material a ser investigado pelo FBI, Hillary volta perder popularidade, deixando a disputa totalmente aberta.

Faltando apenas oito dias para as eleições presidenciais, o levantamento do jornal The Washington Post e da emissora ABC News, realizado entre os dias 25 e 28 de outubro, mostra Hillary com 46% das intenções de voto, enquanto Trump vem logo atrás com 45%.

Outra pesquisa de intenções de voto, divulgada pelo Politico e o instituto de pesquisa Morning Consult, mostra Hillary com 42% de apoio, em comparação com 39% de Trump. Essa pesquisa também mostrou que 45% dos entrevistados consideram que o caso dos e-mails é pior que o escândalo de Watergate, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon em 1974.

Já a pesquisa da NBC News, Wall Street Journal e Marist, divulgada neste último domingo, mostrou que Hillary leva a melhor sobre Trump por apenas um ponto percentual (45% a 44%) na Flórida, estado decisivo para o deslanche da disputa pela presidência dos Estados Unidos.

A Flórida concede 29 votos no colégio eleitoral, sendo que são necessários 270 votos para que um candidato vença a disputa presidencial. No sistema americano, a vitória no colégio eleitoral prevalece sobre o voto popular.  Detalhe importante é que a pesquisa foi realizada nos dias 25 e 26 de outubro, não medindo o possível impacto causado pelo anúncio da reabertura da investigação do FBI.

O mercado acionário norte-americano não se abalou frente à ascensão de Donald Trump na corrida eleitoral. O índice S&P500 permanece congestionado (muito monótono), sem apresentar novidade. Hillary é a queridinha de Wall Street por simples falta de opção, não há empolgação para mais quatro anos de governo Democrata. Talvez os investidores estejam torcendo por Hillary, mas considerando que uma eventual vitória de Trump não será tão catastrófica quanto se espera, já que o próprio mercado costuma podar algumas promessas de campanha.


No Brasil, o segundo turno das eleições municipais confirmaram, mais uma vez, o grande fracasso do PT. Mais do que isso, os resultados mostram partidos da base do governo numa forte ascendência, com grande destaque ao PSDB, ocupando o espaço deixado pela esquerda.

Esse movimento reforça a nova tendência na América Latina, com partidos de esquerda perdendo relevância, enquanto partidos de direita ou focados em políticas ortodoxas voltam a ganhar força e representatividade. Não era pra menos, depois de tantos erros grosseiros acumulados nos últimos anos pelos partidos de esquerda, a população perdeu a paciência com tanta incompetência administrativa e escândalos de corrupção inimagináveis.

Belo Horizonte foi o principal destaque deste segundo turno das eleições municipais, com a derrota do candidato apoiado por Aécio Neves (João Leite – PSDB) para Alexandre Kalil, do partido nanico PHS. Aécio Neves perdeu em casa mais uma vez, relembrando o vexame de 2014, quando perdeu as eleições presidenciais por não conquistar maioria dos votos em seu próprio estado.

A fraqueza de Aécio Neves em seu reduto eleitoral abre espaço para que Geraldo Alckmin, exemplar governador de São Paulo, se torne o candidato do PSDB nas eleições presidenciais de 2018. Apesar de não ser tão popular no Brasil, Alckmin é um político que tem muito a mostrar e pouco a esconder. Tem força impressionante em São Paulo e costuma se sair muito bem nos debates. Além disso, Alckmin pode se posicionar como político outside e angariar votos daqueles que não se sentem representados ou mesmo de eleitores que querem renovação, mas que não suportariam votar na Marina Silva.

O mercado acionário local subiu novamente nesta segunda-feira, renovando máxima do ano. Com a expressiva vitória dos aliados do governo nas eleições municipais, cresce a expectativa de aprovação de mais reformas, especialmente a tão necessária reforma da previdência. O clima ficou ainda melhor para o governo acelerar os trabalhos.


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Reino Unido surpreende novamente


Após surpreender o mundo no final do mês de junho com a decisão de sair da União Europeia, o Reino Unido voltou a chamar atenção do mercado, desta vez contrariando as previsões catastróficas feitas por instituições de renome internacional e do próprio governo, no que ficou marcado como a maior campanha da história moderna pela manutenção do status quo.

O PIB (Produto Interno Bruto) do Reino Unido, divulgado nesta quinta-feira, expandiu 0,5% no período entre julho e setembro. O resultado ficou abaixo do crescimento de 0,7% constatado no segundo trimestre, mas ainda assim ficou bem acima das expectativas do mercado e das próprias instituições, incluindo o BoE (Bank of England – autoridade monetária britânica) e o FMI (Fundo Monetário Internacional).

O fato de registrar crescimento de 0,5% imediatamente após a votação é mais um sinal de desafio do Reino Unido frente às expectativas extremamente negativas relacionadas aos impactos do Brexit. Apesar de as conversas para a saída do Reino Unido da União Europeia estarem em fase inicial, não houve o impacto psicológico esperado na economia.

O crescimento do terceiro trimestre veio em linha com o padrão existente no Reino Unido desde 2015. Portanto, para a economia, o Brexit, ao menos até agora, não fez nenhuma diferença. O bom resultado foi todo puxado pela crescente indústria de serviços britânica, principalmente nos segmentos de cinema e televisão, o que mostra a força do dinamismo econômico local.

Com um PIB surpreendente no terceiro trimestre, o BoE terá menos argumento para voltar reduzir a taxa básica de juros e/ou ampliar seus programas de estímulos monetários na próxima reunião de Comitê a ser realizada no mês de novembro.

Em agosto, o BoE cortou a taxa básica de juros pela primeira vez desde 2009, de 0,50% para 0,25% (mínima recorde), numa reação ao Brexit. Além disso, a autoridade monetária britânica lançou fortes pacotes de compras de ativos (incluindo títulos públicos e privados) e estímulos ao crédito que podem chegar a 170 bilhões de libras. Mark Carney, presidente do BoE, também havia afirmado que estava preparado para tomar novas ações quando julgar necessário.

Enxergando baixa possibilidade de novos estímulos, o mercado segue vendendo Gilts (títulos do Tesouro Britânico) num ritmo alucinante. O rendimento do título de 10 anos atingiu 1,25% nesta quinta-feira, sendo que há pouco menos de três meses atrás era negociado próximo dos 0,50% ao ano.


Investidores e operadores que se posicionaram nas Gilts na ponta comprada nestes últimos meses (seguindo a tendência global) estão acumulando perdas significativas. O mercado de juros futuros no Reino Unido está em pânico e o BoE ainda não sabe o que fazer para acalmar os ânimos.

Ao contrário do que se possa imaginar, a bolsa de Londres não foi contaminada pelo forte baque no mercado de juros futuros, o que faz relembrar a atual “blindagem” da bolsa de Xangai frente à queda considerada agressiva do iuan nas últimas semanas.

O índice FTSE permanece comprador, colado na máxima histórica, sem apresentar sinalização de reversão na forte tendência de alta iniciada justamente após o Brexit.


Nos Estados Unidos, permanece quadro de congestão no mercado acionário, sem apresentar novidade.


No Brasil, o Ibovespa voltou apresentar reação da força compradora após três dias de pregão levemente vendido. Mercado colado na máxima do ano, ainda que sobrecomprado no curto prazo.
 

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Banco Central reforça postura cautelosa


A depender de grande parte dos economistas e analistas do mercado financeiro nacional, a taxa básica de juros já estaria, hoje, aos 13,75% ao ano, com sinal bastante claro para novo corte de 0,50 p.p. no mês de novembro.

O mercado está indo com sede demais ao pote devido à grande ansiedade para queda dos juros futuros, explicada em postagens anteriores. O Banco Central, felizmente, não entrou na perigosa onda excessivamente dovish do mercado e ganhou mais um ponto importante para o processo de recuperação da credibilidade perdida na gestão anterior.

Agora, a autoridade monetária quer fazer mais: colocar ordem na casa. Os mais apressados para cortes agressivos na taxa Selic perderam o juízo ao desconsiderarem fatores importantes ao balanço de riscos para a inflação. São velhos conhecidos problemas típicos da dinâmica da inflação brasileira.

A manutenção da estratégia da autoridade monetária no mercado de câmbio, juntamente com a divulgação da ata da última reunião de Comitê e entrevista de Ilan Goldfajn (presidente da instituição) reforçou a mensagem de uma postura justificadamente mais cautelosa daqui pra frente.

Em entrevista concedida para a Globo News, Ilan afirmou que a política monetária vai ser flexibilizada quando a inflação permitir. Isso significa que, no momento, o Banco Central não enxerga condições para aumentar o processo de flexibilização da política monetária, ou seja, subir o ritmo de cortes da taxa Selic de 0,25 p.p. para 0,50 p.p.

Na ata divulgada nesta terça-feira, os membros do Comitê deram destaque aos sinais recentes de pausa no processo de desinflação do setor de serviços, o que pode sinalizar convergência mais lenta da inflação à meta. Consequentemente, na visão dos membros votantes, uma maior persistência inflacionária requer persistência maior da política monetária.

O documento deixou bastante claro a perspectiva de manutenção do ritmo de corte de 0,25 p.p. na próxima reunião de Comitê. O tom mais duro foi adotado, possivelmente, para colocar ordem na casa, já que havia (ainda há) disparidade elevada entre as sinalizações do Banco Central e as perspectivas do mercado para a taxa básica de juros. Em outras palavras, a autoridade monetária sinalizava cenário x, mas o mercado insistia enxergar 2x.

Sobre o ritmo de aprovação das reformas estruturais, o Banco Central reconhece as recentes surpresas positivas, mas, por outro lado, enxerga que a natureza longa e incerta do processo sugere que há, ao mesmo tempo, risco e oportunidade. É uma visão com um pouco mais de pé no chão.

É bom ressaltar que, de nada adianta aprovar a PEC do teto dos gastos na Câmara e no Senado sem reformar a previdência. A PEC do teto dos gastos terá pouco efeito do ponto de vista fiscal se não for acompanhada pela reforma da previdência. Não há como retomar a sustentabilidade fiscal fazendo o serviço pela metade. Portanto, o governo precisa agilizar a reforma da previdência para que o Banco Central possa se sentir mais confiante para intensificar o ritmo de cortes na taxa básica de juros.

A bolsa de valores brasileira fechou o pregão desta terça-feira em leve queda, mantendo a sinalização de mercado vendido no curtíssimo prazo.


No quadro internacional, destaque para as declarações de Ma Jun, economista do Banco Central da China. Na visão de Ma Jun, uma alta da FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros norte-americana) terá impacto limitado sobre o iuan (moeda chinesa). A comunicação do FED (Banco Central dos Estados Unidos) tem conseguido limitar a volatilidade no mercado financeiro internacional, mas, ainda assim, o iuan tem se enfraquecido contra o dólar, realizando movimento oposto ao constatado em outras moedas de países emergentes.

O iuan caiu mais de 1,5% contra o dólar desde o final de setembro, renovando temores no mercado de uma contínua queda da moeda chinesa nas próximas semanas/meses devido ao ceticismo com os indicadores econômicos domésticos e mercado de crédito local.

Por enquanto, o mercado de câmbio não contaminou a bolsa de valores local. O principal índice da bolsa de Xangai fechou mais um pregão em alta, aproximando-se da máxima registrada no mês de agosto, com boa configuração técnica para rompimento ascendente.


A flexibilização monetária do Japão tem conseguido se sobrepor aos temores com a economia da China. Nesta terça-feira, o presidente do BoJ (Bank of Japan), Haruhiko Kuroda, afirmou que a autoridade monetária continuará com a política de afrouxamento sob sua nova estrutura de política monetária para alcançar rapidamente a meta de inflação de 2% ao ano. Isso significa que as condições monetárias ultra expansionistas serão mantidas para sustentar a economia.

As declarações de Kuroda renovaram ânimo dos investidores na bolsa de Tóquio, em franca retomada de preços. A superação da forte linha de resistência localizada na faixa dos 17,2k abre mais espaço para novos upsides.


Nos Estados Unidos, o índice S&P500 fechou o pregão em leve queda, voltando a ficar abaixo da linha central de bollinger. Mercado permanece congestionado e muito comportado frente à aproximação das eleições presidenciais.
 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Dólar vai expor estratégia do Banco Central


O mais recente rali do dólar contra real, iniciado aos R$ 3,36 no mês passado, ganhou força nos últimos pregões, ameaçando romper a principal base de sustentação localizada na faixa dos R$ 3,11.

O retorno para a base da zona de congestão denuncia novo apetite do mercado para compra de reais. A Receita Federal informou hoje que já contabiliza arrecadação de 25 bilhões de reais (até sexta-feira da semana passada) em impostos e multas gerados pelo programa de repatriação de recursos no exterior. Comparando com o penúltimo levantamento da Receita, pode-se concluir que apenas entre os dias 19 e 21 de outubro o saldo com a arrecadação subiu 6,4 bilhões. O prazo de adesão ao programa vai até o dia 31 de outubro.

Apesar de fortemente influenciado, no curto prazo, pelo programa de repatriação de recursos no exterior, a taxa de câmbio também está refletindo à melhora da imagem do Brasil no exterior. Os investidores estrangeiros estão comprando ativos de risco brasileiros (renda fixa e renda variável) há mais de 10 meses, num ritmo acima do observado em outras praças emergentes.

Notícias de ganhos expressivos de alguns players de mercado já começam a vazar no noticiário internacional, com destaque para o lucro exorbitante de 100 milhões de dólares alcançado por Tom Malafronte no início deste ano, chefe da mesa de títulos de alto rendimento (alto risco) do Goldman Sachs.

Players do mundo inteiro continuam atraídos pelos títulos de grau especulativo, já que o mercado para grau de investimento permanece morno, apresentando prêmios decepcionantes. Mesmo com ganhos expressivos acumulados neste ano, gestores de fundos continuam enxergando margem de ganho satisfatória no mercado de grau especulativo, o que o mantêm muito mais quente quando comparado ao mercado para grau de investimento.

Seja pela atratividade dos ativos brasileiros, melhora da perspectiva macro ou pelo programa de repatriação, fato é que o dólar atingiu ponto de definição. A linha de suporte (base da congestão) localizada na região dos R$ 3,11 é fraca por ter sido artificialmente formada pelas intervenções do Banco Central no mercado cambial.


A perda deste importante patamar de sustentação poderá provocar o acionamento de stops de vários fundos hedge nacionais comprados em dólar contra real. Os gestores que ainda insistem em comprar dólar acreditam que o Banco Central vai aproveitar a oportunidade para ampliar sua oferta de swaps cambiais reversos.

Entretanto, o Banco Central pode não estar tão interessado em influenciar uma retomada ascendente do dólar contra real neste patamar, já que mostrou maior preocupação com a inflação em seu último comunicado emitido semana passada.

Um dólar baixo, mais colado em R$ 3,00 do que R$ 3,30, vai provocar recuo nas projeções de inflação do mercado para 2017, que ainda não apontam para ancoragem da inflação na meta (4,5%).

Portanto, o recuo do dólar vai abrir a estratégia do Banco Central ao mercado. Se a preocupação maior for realmente com a ancoragem da inflação na meta já no próximo ano, o Banco Central vai deixar o couro comer no câmbio por mais alguns dias/semanas e atuar abaixo da zona de congestão. Por outro lado, se o Banco Central partir para o ataque já nesta semana (para sustentar o dólar e, ao mesmo tempo, defender o interesse de determinados grupos), emitirá sinal de que a preocupação com a inflação não é tão forte quanto ao pareceu sinalizar em seu último comunicado. Em ambos os casos o estoque de swaps tende a ser reduzido. O que está em jogo é um possível clareamento do timing para a inflação.

No mercado de ações, o índice Bovespa emitiu sinalização de esgotamento da perna de alta intermediária iniciada na região dos 56,5k. O candle do tipo estrela cadente saiu numa posição clássica, colado na bollinger superior, acompanhado de sobrecompra elevada dos indicadores e uma perna intermediária de alta já maturada. A sinalização de venda precisa de confirmação nos próximos pregões, preferencialmente com novos candles de baixa que revelem força.


Nos Estados Unidos, o índice S&P500 fechou o pregão em leve alta, recuperando a linha central de bollinger. Mercado permanece congestionado no curto prazo, sem apresentar novidade.
 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Mario Draghi mantém o suspense sobre o futuro da política monetária


O encontro de dois dias do Comitê de Política Monetária do BCE (Banco Central Europeu) foi encerrado nesta quinta-feira sem apresentar novidades relevantes ao mercado.

A taxa de depósito foi mantida em -0,40%, a taxa de refinanciamento em zero e a taxa de empréstimo ficou estacionada nos 0,25%. O programa de compra de títulos seguirá respeitando o limite de aquisições mensais de 80 bilhões de euros. O BCE também repetiu a mesma orientação futura de reuniões anteriores, ao afirmar que continua esperar que suas taxas de juros permaneçam nos níveis atuais ou mais baixos por um período prolongado de tempo, e bem além do horizonte das compras de ativos.

Havia forte especulação no mercado sobre uma prorrogação do programa de compra de títulos de 80 bilhões de euros por mês, que, até o momento, tem prazo determinado para se encerrar já no mês de março do ano que vem.

Em entrevista coletiva concedida à imprensa após a reunião de Comitê, o presidente do BCE, Mario Draghi, não deu nenhuma dica sobre o futuro da política monetária e fez questão de ressaltar que os membros do Comitê não discutiram acabar com o programa de compras no mês de março e nem estendê-lo.

Obviamente um assunto de tamanha importância foi discutido sim na reunião de Comitê, até porque havia grande pressão do mercado sobre um posicionamento do BCE. O fato de Mario Draghi estar supostamente mentindo mostra que os membros do Comitê ainda não sabem o que fazer e/ou estão incertos quanto à eficácia do programa de compras.

Possivelmente o programa de compras será mantido no ano que vem, já que a economia na zona do euro permanece emitindo sinais decepcionantes de crescimento e inflação, com o risco de sofrer novas turbulências com o avanço nas negociações para concretização da saída do Reino Unido da União Europeia.

Entretanto, o formato do programa precisa mudar, já que o BCE está limpando rapidamente o estoque de ativos disponíveis no mercado europeu (incluindo títulos corporativos) que se enquadram às exigências de risco da instituição, além de estar prejudicando o trabalho dos fundos de pensão, estes cada vez mais pressionados a buscar risco para compensar a perda de rentabilidade com os yields ultra baixos.

A taxa de juros do título de 10 anos do Tesouro alemão fechou a 0,003% nesta quinta-feira, emitindo nova sinalização de esgotamento da força vendedora em região de resistência consolidada. Há nitidamente uma barreira, patrocinada pelo BCE, que está impedindo o avanço das taxas para o campo positivo.


Nos Estados Unidos, Donald Trump voltou a deixar cidadãos do mundo inteiro de queixo caído. No último debate presidencial realizado na noite de ontem em Las Vegas, o moderador Chris Wallace perguntou a ele se aceitaria o resultado da eleição se perdesse. Trump respondeu afirmando que iria analisar isso no momento, deixando o suspense.

A recusa de um candidato a se comprometer a aceitar o resultado de uma eleição presidencial é algo nunca antes visto não só na história dos Estados Unidos, mas na de países democráticos do mundo inteiro. A recusa é considerada um ato de desqualificação do regime democrático, desrespeito às normas e descompromisso com a transferência pacífica de poder.

Vários integrantes do Partido Republicano repudiaram a postura de Donald Trump, onde alguns membros temem não somente a perda da disputa presidencial, mas também a perda do controle no Congresso.

Depois de mais um vexame, Trump é considerado pelo mercado carta fora do baralho. As últimas pesquisas de intenção de voto apontam vantagem confortável de Hillary Clinton, candidata do Partido Democrata.

Desanimados com o futuro político dos Estados Unidos, os investidores continuam cautelosos no mercado de ações. O índice S&P500 fechou o pregão desta quinta-feira em leve baixa, mostrando nova fraqueza da força compradora, mas ainda acima da principal linha de suporte de curto prazo localizada na região dos 2,1k.


No Brasil, o índice Bovespa fechou o pregão em leve alta, recuperando perdas sofridas durante o dia. O candle desta quinta-feira emite suspeita de esgotamento da força compradora de curtíssimo prazo. O mercado pede para uma realização de lucros, mas o intenso fluxo comprador continua impedindo o fortalecimento das vendas.

  
Corre no mercado a notícia que, somente agora, os gestores dos fundos de pensão (altamente posicionados em LFTs do Tesouro Nacional) estão começando a montar posições em ações na bolsa de valores, numa decisão tática de reação ao início do ciclo de afrouxamento monetário.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Ponto para o Banco Central


O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu nesta quarta-feira reduzir a taxa básica de juros para 14,00% ao ano, iniciando o ciclo de afrouxamento monetário num ritmo gradual de 0,25 p.p., contrariando parte relevante de economistas e analistas, que esperavam corte mais agressivo, de 0,50 p.p.

A sinalização emitida pelo Copom é positiva em função da pressão exercida tanto pelo mercado, quanto do próprio governo, para um corte de 0,50 p.p. na reunião de Comitê do mês de outubro. Corte de 0,50 p.p. representaria, ao Banco Central, uma busca infudamentada pelo risco, já que o balanço de riscos para a inflação ainda não abriu espaço para cortes desta magnitude.

Ao descartar iniciar o ciclo de afrouxamento monetário em ritmo mais agressivo, o Banco Central transmite uma mensagem aos agentes de manutenção do rigor no combate à inflação, além de reafirmar sua autonomia na tomada de decisão, fator extremamente positivo ao processo, em curso, de retomada da credibilidade. Ponto para o Banco Central.

Em comunicado divulgado após a decisão, o Copom destacou os seguintes riscos para o cenário básico para a inflação:

(i) o processo de aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia é longo e envolve incertezas;

(ii) o período prolongado com inflação alta e com expectativas acima da meta ainda pode reforçar mecanismos inerciais e retardar o processo de desinflação;

(iii) há sinais de pausa recente no processo de desinflação dos componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária, o que pode sinalizar convergência mais lenta da inflação à meta;

(iv) a inflação mostrou-se mais favorável no curto prazo, o que pode sinalizar menor persistência no processo inflacionário;

(v) o nível de ociosidade na economia pode produzir desinflação mais rápida do que a refletida nas projeções do Copom;

(vi) os primeiros passos no processo de ajustes necessários na economia foram positivos, o que pode sinalizar aprovação e implementação mais céleres que o antecipado;

Os itens (i), (ii) e (iii) são negativos, mas a novidade do item (iii) é preocupante e tem potencial de inviabilizar a aceleração do processo de flexibilização monetária na próxima reunião de Comitê a ser realizada nos dias 29 e 30 de novembro. Corroboram para esse quadro as projeções de inflação ao redor de 0,40% para outubro e novembro, incompatíveis com o atual quadro de grave recessão.

Já os itens (iv), (v) e (vi) acrescentam pouca novidade ao atual balanço de riscos para a inflação, onde a não materialização da perspectiva relacionada ao item (v) apontará problemas futuros, por indicar desarrumação dos fundamentos domésticos. Em outras palavras, o processo de desinflação precisa ganhar força no curto prazo para se adequar ao nível do PIB (Produto Interno Bruto). Ainda há descasamento relevante.

Nas atuais condições, o Copom entende que a flexibilização moderada e gradual das condições monetárias (ou seja, cortes de 0,25 p.p.) é compatível com a convergência da inflação para a meta em 2017 e 2018. Ou seja, o balanço de riscos para a inflação precisa melhorar para que o ritmo de cortes possa ser intensificado. As condições para que isso ocorra são as seguintes:

(i) que os componentes do IPCA mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica retomem claramente uma trajetória de desinflação em velocidade adequada; e

(ii) que o ritmo de aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia contribuam para uma dinâmica inflacionária compatível com a convergência da inflação para a meta.

As incertezas relacionadas ao item (i) tendem a se dissipar apenas se o IPCA de outubro e novembro apresentar surpresas muito positivas, tal como ocorreu com o IPCA de setembro. São eventos improváveis, já que no quarto trimestre a inflação costuma acelerar.

Já o timing para o item (ii) se materializar é ainda mais longo, pois o Banco Central quer checar se a implementação dos ajustes irão contribuir positivamente para a dinâmica inflacionária. É possível que a autoridade monetária vá se antecipar no item (ii), mas a necessidade da checagem dos impactos tende a suavizar o ciclo de afrouxamento monetário em matéria de tempo, ou seja, mesmo com elevação dos cortes para 0,50 p. p. no futuro próximo, a velocidade pode não ser tão rápida quanto o mercado espera. A taxa Selic pode se estabilizar por alguns meses para, posteriormente, retomar a trajetória descendente.

A mídia do segmento financeiro nacional continua insistindo em fazer uma avaliação mais dovish do que a emitida pelo Banco Central. Não causa surpresa notar quão nítido é esse desejo (juros menores mais rápido). Há grande ansiedade entre institucionais nacionais para queda mais rápida das taxas dos contratos de juros futuros, já que esses players se posicionaram com atraso no pré-fixado. A parte do prêmio mais gorda da curva foi amplamente aproveitada por institucionais estrangeiros e alguns poucos investidores que conseguiram manter o foco no mercado.

A bolsa de valores fechou o pregão desta quarta-feira em leve baixa, aliviando, ainda muito timidamente, o elevado nível de sobrecompra.


Nos Estados Unidos, o índice S&P500 permanece próximo à principal linha de suporte de curto prazo, porém respeitando-a, sem apresentar novidades.


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Mercado continua apostando nos BRICS


Fuzilados pelas principais mídias do segmento econômico mundial nos últimos meses/anos, os cinco países que fazem parte do grupo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) ainda continuam enfrentando seus problemas domésticos, cada qual com sua peculiaridade.

Mais recentemente, o tombo das commodities exacerbou as fragilidades de Rússia e Brasil, economias altamente dependentes da exportação de petróleo, gás, minério de ferro e soja. A África do Sul está mergulhada em problemas macro semelhante aos do Brasil, enquanto a desaceleração do crescimento global atingiu em cheio a China, justamente no momento de transição de seu modelo econômico, mais voltado para o consumo interno. Deste grupo, a Índia é o único País que não decepciona em matéria de crescimento e fundamentos macro.

O ceticismo com o futuro dos BRICS cresceu tanto nos últimos anos que os economistas/analistas lutaram para emplacar um novo grupo de países a serem responsáveis pela pujança de crescimento na(s) próxima (s) década (s). Nenhuma dessas tentativas foi capaz de atrair a atenção do mercado.

Mesmo numa situação delicada, os BRICS continuam sendo insuperáveis. Não há como descartar ou substituir os países responsáveis por 1/4 do PIB mundial e 53% da população do planeta. O grupo é, ao mesmo tempo, motor do mundo e o mercado com maior potencial de crescimento da demanda.

O grande destaque deste último encontro dos BRICS, realizado no final de semana no resort indiano de Goa, ficou por conta da assinatura de grandes acordos bilionários nas áreas de energia e defesa entre Rússia e Índia, num movimento geopolítico que incomoda o ocidente.

Além disso, foram abordados temas de cooperação econômica e fortalecimento do Banco de Desenvolvimento, fundado em 2014. O Banco dos BRICS iniciou as atividades há pouco tempo e vai aumentar a concessão de empréstimos para 2,5 bilhões de dólares no ano que vem, colocando-se como mais uma opção às empresas dos países membros frente às instituições internacionais tradicionais, tais como Banco Mundial e (Fundo Monetário Internacional).

Mesmo em crise, fato inegável é que os BRICS estão conseguindo se fortalecer, surpreendendo estrategistas de praças desenvolvidas, que esperavam justamente um movimento inverso. A prova da força dos BRICS pode ser constatada através do desempenho de seus principais índices acionários neste ano.

A bolsa brasileira é o grande destaque dos BRICs (e também do mundo inteiro). Acumulando quase 70% de alta desde a mínima registrada neste ano, o bull market brasileiro segue pujante, renovando máximas anuais dia após dia, apesar do elevado nível de sobrecompra no curto prazo.


O mercado russo não segue muito atrás. Acumulando mais de 60% de alta desde a mínima registrada em fevereiro, o bull market da Rússia também segue chamando atenção de investidores do mundo inteiro.


Mesmo acumulando ganhos expressivos nos últimos anos, a bolsa de Bombay, na Índia, ainda continua mostrando sua força. A realização de curto prazo não causa ameaça a tendência principal de alta, iniciada aos 7,8k. Neste momento, mercado testa uma importante linha de suporte localizada na faixa dos 27,5k.


Na China, a bolsa de Xangai apresenta retorno positivo no ano, apesar de modesto, comparado aos seus pares. Mesmo com o tombo gigantesco de 2015, o mercado apresenta distância relevante frente ao start da tendência principal de alta, na região dos 2k.
  

A África do Sul, apesar de ser o mais frágil entre os BRICS, também segue em bull market neste ano, acumulando ganhos significativos. O ETF do principal índice acionário do País mostra sustentação sobre a média móvel simples de 200 períodos diária.


A análise destes índices mostra que apesar das críticas e ceticismo entre economistas/analistas, o mercado não mudo seu foco. Os BRICS são insubstituíveis e continuam apresentando retornos superiores aos mercados de países desenvolvidos, especialmente em 2016.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Tese de estagnação secular chega ao alto escalão do FED


O ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Lawrence Summers, lançou ao mercado, em 2013, a ideia de que as economias de países desenvolvidos (incluindo a norte-americana) estariam passando por um preocupante período de estagnação secular.

A famosa expressão, criada pelo economista Alvin Hansen em 1938, é utilizada para qualificar um quadro de elevada sobra de poupança não efetivamente canalizada para o investimento. Com menor investimento, o crescimento tende a ficar muito baixo, levando, por sua vez, expectativas cada vez mais pessimistas sobre a economia.

Desde quando Summers sugeriu que as economias de países desenvolvidos estavam enfrentando um período de estagnação secular preocupante, as previsões de crescimento em diversas economias sofreram seguidas revisões negativas. O FMI (Fundo Monetário Internacional), inclusive, passou a cobrar dos líderes políticos ações mais concretas para estimular o crescimento em suas respectivas economias.

A falta de resposta do ambiente político tem reforçado a tese de estagnação secular, que parece ter chegado ao alto escalão do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos). Na conferência de Boston desta sexta-feira, Janet Yellen, presidente do FED, afirmou que o país pode precisar executar uma economia de alta pressão para reverter os danos causados pela crise.

Segundo Yellen, os baixos níveis de produção podem se tornar permanentes se nada for feito. Isso significa que o potencial da economia norte-americana pode estar caindo e, para revertê-lo, pode ser necessário tomar novas ações agressivas.

Inicialmente, a resposta do FED se daria através da administração de uma economia de alta pressão, o que significa apertar ao máximo o mercado de trabalho (reduzindo ainda mais a taxa de desemprego) e criar um quadro de demanda agregada robusta.

O efeito colateral de uma economia de alta pressão é o estouro da meta de inflação, ou seja, se o FED, no futuro, se sentir forçado a gerenciar esse quadro na economia, vai tolerar juros baixos (inferior ao ponto neutro) e uma inflação ligeiramente acima da meta de 2% ao ano, tornando-o ainda mais dovish.

O fato de Yellen se mostrar preocupada com a tese da estagnação secular não altera as perspectivas para novo aumento da FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros norte-americana) em dezembro deste ano, mas reduz ainda mais a perspectiva para o futuro. Em outras palavras, a FFR pode nem se aproximar dos 3% ao ano no longo prazo.

Algo semelhante foi experimentado pelo Brasil no início desta década. O governo forçou os juros para baixo, aumentou a intervenção micro e macro, injetou crédito para estimular a demanda, mas falhou enormemente, pois o programa foi implementado de forma altamente ineficaz, sem qualquer planejamento ou respaldo econômico.

O que aconteceu no Brasil não serve de parâmetro ao FED em função do grande acúmulo de erros cometidos pela política econômica do governo anterior. Uma economia de alta pressão pode funcionar, desde que as medidas sejam dosadas dentro das limitações dos fundamentos domésticos. Ainda assim, segundo Yellen, as discussões precisam evoluir para que o FED sinta-se minimamente confortável a executar no futuro, se necessário, uma estratégia de alta pressão.

As preocupações com o ritmo de crescimento da economia mantiveram o nível de tensão no mercado norte-americano nesta sexta-feira, renovando força vendedora nas Treasuries (títulos do Tesouro dos Estados Unidos). A taxa de juros do título com vencimento em 10 anos continua avançando, renovando nova máxima em três meses.


O índice S&P500 fechou estável, mantendo-se próximo da importante linha de suporte localizada na faixa dos 2,1k, ainda mostrando insuficiência no contra ataque da força compradora.


No Brasil, destaque para o anúncio de redução de 2,7% no preço do diesel e 3,2% no preço da gasolina nas refinarias a partir da zero hora deste sábado. A medida veio no momento oportuno para a Petrobras, já que as importações de diesel de seus concorrentes mais que dobraram em relação aos níveis verificados no início deste ano. No caso da gasolina, as importações dos concorrentes (que não existiam no início deste ano) atingiram 203,3 milhões de litros em setembro.

A redução do preço dos principais combustíveis reflete, portanto, uma estratégia de defesa da fatia de mercado da companhia, que estava sendo ameaçada pelo rápido aumento dos concorrentes através de importações.

Além disso, a redução também foi oportuna do ponto de vista técnico sobre o preço do barril de petróleo. Neste momento, o barril do tipo light é negociado na casa dos 50,00 dólares, principal linha de resistência da commodity. Players de petróleo continuam enxergando (com razão) esgotamento da força compradora sempre quando o barril ultrapassa ou se aproxima desta faixa de preço.
  

Portanto, anunciar corte de preços com o barril colado na máxima do ano garante margem à Petrobras e provoca melhora nas expectativas para o ambiente doméstico, já que a medida possui boa capacidade de impacto desinflacionário, tanto pela via direta (peso dos combustíveis na cesta do IPCA), quanto pela via indireta (efeito do custo do frete sobre os preços dos produtos, mais transparência, entre outros).

O efeito positivo imediato do fator transparência impulsionou o Ibovespa para a máxima do ano, após realizar pullback sobre a antiga zona de resistência localizada na região dos 60,3k.


Juntamente com o anúncio de redução de preços, a Petrobras também divulgou sua nova política de preços, com objetivo de dar mais clareza aos agentes sobre as futuras decisões a serem tomadas, passando uma sensação de que, ao contrário do passado, a empresa terá, agora, 100% de autonomia nesta decisão, sem qualquer interferência do governo.

Entretanto, a nova política de preços possui fator subjetivo não desprezível, o que pode não garantir 100% de autonomia à Petrobras. Além disso, é altamente improvável que decisões de tamanha importância sejam tomadas sem o conhecimento ou mesmo respaldo do governo, que, por sinal, é o acionista majoritário da empresa.

A decisão da Petrobras surgiu a menos de uma semana da próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que deverá ser marcada pelo início do ciclo de afrouxamento monetário. Apesar de o quadro doméstico apresentar espaço para cortes na taxa básica de juros, permanece incerteza se a pressão do governo (nítida) pode forçar um ciclo de afrouxamento mais agressivo do que o suportado pelo atual balanço de riscos para a inflação. Começar com 0,25 p.p. seria um bom sinal do Banco Central.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Mercado aposta em melhora na perspectiva para o rating brasileiro já em 2017


O rating brasileiro em escala global, atualmente classificado como BB, BB e Ba2 pela Standard & Poor’s, Fitch Ratings e Moody’s Investors Services, respectivamente, todos com perspectivas negativas, poderá ficar defasado em 2017, com a aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do teto dos gastos e da reforma da previdência.

Após o bom desempenho na votação em primeiro turno da PEC do teto dos gastos na Câmara, o mercado começa apostar na agilidade do governo para aprovar outra medida altamente impopular, a reforma da previdência, ainda neste ano ou no início do próximo.

A soma destas duas importantes reformas, juntamente com o quadro de desaceleração da inflação, redução da taxa básica de juros e retomada, ainda que limitada, do crescimento, será incompatível com a perspectiva negativa para o atual rating brasileiro.

Os fundamentos macro domésticos serão bem diferentes daqueles apreciados pelas agências de classificação de risco entre setembro de 2015 e fevereiro de 2016, período marcado pela perda do grau de investimento e revisões de perspectivas negativas por todas as três agências.

Mesmo com endividamento mais elevado em 2017, a redução da inflação, combinada com uma taxa básica de juros menor, provocará, por si só, melhora nos fundamentos domésticos. Acrescentando as reformas aprovadas ao quadro de avaliação das agências de classificação de risco, a perspectiva para o rating brasileiro tende a subir de negativa para estável em 2017, com possibilidade não desprezível de atingir perspectiva positiva.

O mercado já enxerga defasagem na atual nota (e perspectiva) brasileira. O preço do CDS (Credit Default Swaps) do Brasil está incompatível com o seu atual rating. Atualmente na casa dos 260 pontos, o CDS do Brasil está se aproximando da faixa de preço atingida em 2013, 2014 e 2015.


Além disso, o CDS brasileiro está abaixo da média de 294 pontos para países com rating BB nas três principais agências de classificação de risco. Tal como a bolsa, juros futuros e câmbio, o CDS brasileiro também tem demonstrado intenso rali neste ano, o mais forte da década.

Quanto mais próximo dos 200 pontos, o CDS do Brasil estará refletindo um preço praticado mais para países grau de investimento (ou em rota de conquistá-lo) do que para países grau especulativo.

A reconquista do grau de investimento pelas três principais agências de classificação de risco deve demorar mais de dois anos, pelo menos. Entretanto, para o investidor/operador, é importante focar no timming do mercado, que é sempre bem mais antecipado do que o timming das agências de classificação risco.

No pregão desta terça-feira, a bolsa de valores brasileira cedeu 1,05%, trabalhando movimento de realização de lucros, permitindo alívio nos indicadores próximos dos níveis de sobrecompra.


O mercado foi pressionado pelas vendas em Wall Street, já que amanhã será divulgada a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos).

Apesar de indicar boa possibilidade de aumento da FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros norte-americana) no mês de dezembro deste ano, a ata mostrará, também, elevado tom gradualista no processo de normalização da política monetária nos próximos anos, já que não há perspectiva de rompimento ascendente da meta de inflação de 2% em todo o horizonte relevante para a política monetária.

O receio com o iminente aumento dos juros nos Estados Unidos é natural e puramente psicológico. Entretanto, a Treasury de 10 anos (título público do Tesouro norte-americano) renovou máxima dos últimos três meses, atingindo 1,77% ao ano. Apesar de ser considerado um patamar ainda muito baixo, as taxas futuras estão na ascendência mais forte desde 2015, fato que desperta sinal amarelo no FED e nos demais banqueiros centrais.


Ainda sem saber como o FED vai se comportar caso os juros futuros ultrapassem os 2% ao ano em ritmo acelerado, o mercado volta a ficar mais tenso, fato que pode ser constatado pelo retorno do índice S&P500 para a principal região de suporte de curto prazo localizada na faixa dos 2,1k.


segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Até que enfim, um presidente com respeito no Congresso


Um dos principais problemas políticos dos últimos anos no Brasil está sendo superado de forma magnífica pelo presidente Michel Temer. O deplorável quadro de total paralisia do Palácio do Planalto na gestão anterior provocou a implosão de uma crise política e econômica sem precedentes na história brasileira.

Mesmo com pouco tempo sob gestão no governo, Michel Temer já tomou ações mais relevantes em matéria de política econômica do que sua antecessora, Dilma Rousseff. O rápido avanço da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do teto dos gastos é uma bela aula prática de articulação política eficaz, mostrando como se governa um país no sistema de presidencialismo.

As dúvidas, agora, não estão relacionadas à aprovação ou não da PEC do teto dos gastos, mas sim com o placar do primeiro turno. Estima-se ao menos 340 votos favoráveis à PEC, muito superior aos necessários 308 votos, o que representará outra derrota humilhante à oposição (recentemente justificadamente arrasada pelas eleições para prefeituras).

O simples fato de uma PEC altamente impopular avançar de forma rápida mostra o profissionalismo e comprometimento com o futuro do País entre os partidos que compõe a base do governo no Congresso, fato que aumenta as esperanças de que novas reformas possam ganhar corpo nos próximos meses para que a economia retorne à rota do crescimento sustentado.

O mercado também está animado com os primeiros resultados do governo Temer. Sair do atoleiro político já é um alívio, sair para a direção correta é empolgante aos empresários que estão com o dedo no gatilho para voltar a investir no Brasil.

No mercado de capitais, permanece quadro de intensa força compradora, com o índice Bovespa renovando, novamente, máxima do ano, mesmo aproximando-se da faixa de sobrecompra nos principais indicadores técnicos. Apesar de esticado no curtíssimo prazo, o mercado acionário ainda não emitiu sinal de parada para realização de lucros.


Já o dólar contra real segue trabalhando dentro de uma zona de congestão de curto prazo, com mais testes na faixa de suporte do que na faixa de resistência, fato que revela fraqueza da força compradora contra real, mesmo com o dólar relativamente fortalecido frente as demais moedas globais no curto prazo.
  

Nos Estados Unidos, o índice S&P500 também segue congestionado, sem apresentar novidades. Destaque para a baixaria neste último domingo que tomou conta do debate entre os candidatos à presidência Donald Trump e Hillary Clinton.


O debate impede qualquer comentário produtivo, ambos os candidatos partiram para ataques pessoais brutais e as propostas de cada um deles foram apenas vagamente discutidas. Ao que parece, os americanos terão nos próximos quatro anos um dos presidentes mais fracos de sua história, cabendo ao FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) continuar exercendo o papel de principal driver econômico.