quarta-feira, 26 de julho de 2017

Double dovish


A dose dupla de comunicados dovish foi o grande destaque desta quarta-feira. As decisões de política monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) e do Banco Central do Brasil, anunciadas na tarde de hoje, são drivers fundamentais para o cenário macroeconômico de curto e médio prazo.

No Brasil, o Banco Central confirmou as expectativas do mercado ao cortar novamente a taxa Selic em 1 p.p., para 9,25% ao ano. Importante ressaltar que na última reunião realizada no mês de maio, a autoridade monetária brasileira havia sinalizado que o ritmo de cortes seria reduzido no encontro de dois dias encerrado nesta quarta-feira.

Entretanto, ao notar que o Brasil conseguiu se manter dentro da onda de apetite ao risco observada nas principais praças financeiras mundiais, mesmo após o estouro da crise política local, a expectativa de redução do ritmo de cortes foi logo sendo deixada de lado em entrevistas e discursos dos integrantes do Comitê ao longo deste mês.

Além do clima positivo no mercado, o Banco Central destacou que “os efeitos de curto prazo do aumento da incerteza quanto ao ritmo de implementação de reformas e ajustes na economia não se mostram inflacionários nem desinflacionários”, o que, muito possivelmente, contribuiu para abrir a janela de corte de 1 p.p. na reunião deste mês.

A desinflação difundida e o cenário base de lenta recuperação econômica também proporcionam condições para manutenção de uma política monetária ainda muito dovish. Em paralelo, o Banco Central conta com o apoio positivo das expectativas do mercado para a inflação de 2017 e 2018, ambas abaixo da meta a ser perseguida.

Diferentemente do comunicado apresentado no mês de maio, o Banco Central optou por não criar expectativa quanto ao ritmo de corte para a próxima reunião. Mesmo com a taxa Selic em 9,25% ao ano, a autoridade monetária não parece estar enxergando proximidade com o fim do atual ciclo de afrouxamento e quer deixar todas as opções abertas para a próxima reunião, inclusive para cortar novamente em 1 p.p.

O Banco Central se limitou apenas em afirmar que “o ritmo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação”.

O fato de o comunicado apresentar a ideia de reavaliação da extensão do ciclo de flexibilização mostra uma pré-disposição para que a taxa Selic possa cair abaixo do patamar de 8% ao ano e/ou retornar à mínima histórica registrada aos 7,25% ao ano em 2018.

O viés dovish apareceu também no comunicado do FED, divulgado na tarde desta quarta-feira após encerramento da reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária. O Banco Central dos Estados Unidos afirmou esperar começar a implementar seu programa de normalização do balanço patrimonial relativamente em breve.

A expressão relativamente em breve não transmite a sensação de que a desalavancagem está para começar no curtíssimo prazo (ou seja, já na próxima reunião de Comitê a ser realizada em setembro). Se a normalização do balanço estivesse pronta no gatilho, o FED teria optado por utilizar a expressão em breve (ao invés de relativamente em breve) para, assim, sinalizar ao mercado início da estratégia no mês de setembro.

A sinalização de maior cautela por parte do FED adiciona viés dovish até então inexistente para a normalização do balanço patrimonial de quase 4,5 trilhões de dólares. Respalda esse tom moderado o fato de a inflação estar desacelerando neste ano, causando incerteza em alguns membros do Comitê. O núcleo de inflação recuou de 1,8% em fevereiro para 1,4% em maio, distanciando-se da meta de 2% a ser perseguida.

A inflação mais branda não estava nos planos da autoridade monetária e pode postergar o início da fase da desalavancagem ou mesmo reduzir o volume estimado das operações, o que certamente agradaria o mercado. Nesta quarta-feira, o rendimento da Treasury de 10 anos recuou de 2,33% para 2,29%, ainda com boa distância sobre a máxima do ano registrada em 2,62%.

O quadro cambial também requer um viés mais dovish por parte do FED. O dólar contra cesta de moedas globais segue apanhando feio como há muito tempo não se via no mercado. Influenciados pelos vexames da administração Trump, e por um começo de ano hawkish na política monetária, investidores estão vendendo dólar e buscando títulos e moedas em outras praças financeiras.

O tombo do dólar chegou ao ponto crítico, na principal linha de suporte de uma congestão de pouco mais de dois anos, juntamente com a média móvel simples de 200 períodos semanal. Essa é a principal base de sustentação da moeda norte-americana e um rompimento descendente seria dramático, pois aumentaria o potencial vendedor e reafirmaria nascimento de um ciclo bearish.


Sendo assim, o FED pode estar adotando um tom mais dovish agora para, também, defender o dólar em zona de ponto crítico para o mercado. O perigo, no entanto, continua restrito apenas ao mercado cambial. No mercado de ações, os principais índices de Wall Street seguem fortemente bullish, renovando máximas históricas.


No Brasil, o Ibovespa criou zona de resistência na região dos 66,5k, mantendo o mercado pressionado na venda no curtíssimo prazo, mas ainda sem apresentar perigo à perna de alta iniciada na região dos 60k.
 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

PIS/Cofins sobre combustíveis é só o começo


Pressionadas pela disparada da taxa de desemprego e longa sequência de vexames econômicos, grande parte das famílias brasileiras precisarão adequar novamente seus respectivos orçamentos já diminutos para suportarem mais uma elevação de tributos.

A “brilhante” equipe econômica do governo Michel Temer teve de promover uma forte elevação nas alíquotas do PIS/Cofins sobre os combustíveis, além de contingenciar mais 5,9 bilhões de reais do orçamento, para assegurar o cumprimento de uma meta fiscal pavorosamente deficitária.

O objetivo é encerrar 2017 com um rombo de 139 bilhões de reais. Mesmo com tantas receitas extras, o governo ainda precisou elevar tributos para fechar a conta. Incapaz de demonstrar força e competência para cortar gastos desnecessários e/ou ineficazes, a única solução acaba sendo o aumento de impostos.

Ao contrário do que se imagina, a carga tributária não está tão elevada no Brasil. Portanto, há sim espaço para aumento de tributos. Conforme aponta o Relatório de Acompanhamento Fiscal do Instituto Fiscal Independente, a carga tributária deve encerrar 2017 em 31,5% do PIB (Produto Interno Bruto), mantendo a trajetória de queda.

O declínio da carga tributária brasileira é explicado pelas renúncias fiscais, com peso cada vez mais elevado no orçamento. Em 1997, a renúncia fiscal era de apenas 1,6% do PIB brasileiro. Os números mais recentes levantados pelo Instituto Fiscal Independente apontam para insustentáveis 4,8% do PIB. As renúncias fiscais obviamente reduzem a carga tributária potencial do setor público e exercem pressão sobre o orçamento, dificultando o financiamento do estado, bem como execução de políticas públicas.

Estima-se que somente com as desonerações o governo deixará de recolher 284 bilhões de reais neste ano. Entidades empresariais criticaram o aumento do PIS/Cofins sobre os combustíveis nesta quinta-feira, mas por outro lado defendem a manutenção das desonerações. São contra aumento de impostos, pois são as empresas destes grupos que possuem benefícios tributários. Poucos se arriscam fazer o cálculo do custo x benefício de uma conta tão pesada, nítida e gritante, já que o lobby para manutenção dessas regalias parece ser muito forte.

Ainda segundo estudo do Instituto Fiscal Independente, a carga tributária bruta potencial (sem as desonerações) aumentaria em 4,5 ponto percentual sobre o PIB. Está aí o número mágico do fiscal. O que deixa de ser arrecadado de um lado, precisa ser cobrado do outro, caso contrário a conta não fecha. Aliás, a conta já não está fechando há alguns anos, o que tem resultado no aumento acelerado do endividamento.

As desonerações estão embutindo um peso muito grande para ser redistribuído à sociedade, mas infelizmente é isso continuará acontecendo. Vale frisar, o governo está subindo impostos para conseguir fechar o ano com déficit de 139 bilhões de reais. Não estamos nem perto de alcançar superávit para a conta fechar no primário. E já que é difícil reverter benefícios de grupos fortes, a conta (impostos primeiramente e, quem sabe, no futuro, inflação) vai continuar sendo cobrada pelo lado mais fraco.

O mercado está pouco preocupado com quem paga mais ou menos impostos no Brasil. O importante é o número alcançado no fim do ano. O fato de o governo não revisar a meta de déficit primário contribui para manter seu elevado nível de confiança com o mercado.

O dólar contra real está em queda livre. A perda da média móvel simples de 200 períodos diária abriu espaço aumento da força vendedora sobre o dólar, fazendo os preços se aproximarem da principal região de suporte localizada na zona que vai dos R$ 3,04 aos R$ 3,10.


Otimismo também no mercado de juros futuros. Mesmo com a perspectiva de elevação do PIS/Cofins sobre os combustíveis (potencial de impacto sobre a inflação), as taxas de juros dos contratos futuros continuaram cedendo. As mínimas do ano foram estouradas, reduzindo ainda mais o prêmio embutido nos contratos. A curva para 2020, por exemplo, está pagando apenas 8,94% ao ano.


A bolsa de valores opera lateralizada nos últimos dias, em movimento natural de alívio após fortes ganhos acumulados nas últimas semanas. Mercado segue comprado, ainda com certa gordura para novas realizações.
 


Europa

O Comitê de Política Monetária do BCE (Banco Central Europeu) decidiu manter inalterada sua política monetária, em reunião de dois dias encerrada nesta quinta-feira. No comunicado emitido após a reunião, não houve menção sobre novos ajustes no volume mensal de compras de ativos.

Durante a coletiva de imprensa, Mario Draghi, presidente do BCE, disse que a inflação (fundamental para o programa de estímulo) ainda não atingiu o patamar almejado pela autoridade monetária. Por conta disso, os membros do Comitê decidiram não comunicar qualquer mudança na orientação futura e sequer estabelecer uma data para que essas discussões sejam feitas.

O BCE não está tão dovish quanto no passado recente, mas sua transição, para fase mais hawkish, continua muito cautelosa, ajudando a fortalecer o euro contra o dólar.


Ásia

O BoJ (Bando do Japão) também decidiu manter sua política monetária inalterada nesta quinta-feira e aumentou o timing para alcançar a meta de inflação de 2% ao ano (agora, a meta será alcançada em algum momento durante o ano fiscal de 2019). O tom do comunicado reforçou que o BoJ continuará muito atrás da curva do FED e relativamente atrás da curva do BCE e BoE.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

China cria gordura para suportar desaceleração no segundo semestre


Dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas revelaram nesta segunda-feira que o PIB (Produto Interno Bruto) da China subiu 6,9% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2016 e 1,7% em relação ao primeiro trimestre de 2017.

Respaldando os números positivos do segundo trimestre de 2017, a produção industrial avançou 7,6% em junho na base anual, uma boa aceleração frente à alta de 6,5% registrada em maio. As vendas no varejo saltaram 11% no mês de junho na base anual, também superior aos 10,7% registrados em maio.

No trimestre anterior, a economia da China também avançou 6,9% na base anual, mas se expandiu apenas 1,3% na base trimestral. Os números são muito positivos, mas a aceleração do crescimento na base mensal e trimestral não tende a se estender pelos próximos meses.

O governo chinês trabalha com uma meta de crescimento de 6,5% para 2017, relativamente inferior aos 6,7% de 2016, considerado o ritmo mais fraco dos últimos 26 anos.

O processo de transformação da economia chinesa (mais voltada para o mercado consumidor e menos dependente dos investimentos) segue em curso e as recentes medidas de controle do crédito e do excesso de produção tendem a fazer efeito no segundo semestre deste ano, provocando desaceleração do ritmo de crescimento mais próximo da meta a ser perseguida de 6,5%.

Entretanto, os números positivos do PIB deste segundo trimestre não animaram os investidores na bolsa de Xangai. Muito pelo contrário, o pregão tombou nesta segunda-feira, provocando perda da LTA rápida de sustentação da perna de alta iniciada aos 3k, bem como linha central de bolliger. É a queda mais forte desde o nascimento da atual perna de alta, sinalizando resistência formada na região dos 3,2k e possível reversão.


Pode parecer piada, mas as vendas pesadas foram influenciadas por uma polêmica envolvendo o Ursinho Pooh. O governo chinês censurou referências ao personagem de livros infantis em várias redes sociais. O motivo não foi justificado, como de costume, mas circulavam montagens nas redes sociais comparando o presidente Xi Jinping com o Ursinho Pooh.

Xi não quer ser comparado ao personagem, descrito como ingênuo, rechonchudo e lento de raciocínio. Apesar de ser apenas uma piada, a censura por parte de Pequim acabou alimentando receio no mercado quanto à força de Xi Jinping para conquistar um novo mandato. O congresso quinquenal de outono está se aproximando e o Partido Comunista precisa eleger o novo líder do país, no qual Xi busca sua manutenção no poder.

Na Índia, os legisladores e representantes de estados votaram nesta segunda-feira para escolher o novo presidente. Os dois candidatos são da casta dalit, a mais baixa do sistema de castas indiano, antigamente conhecidos como intocáveis.

A eleição será história para a Índia, apesar de o chefe de estado ocupar um cargo meramente representativo. Quem detém o poder é o primeiro-ministro Narendra Modi. Entretanto, a conquista dos dalits tende ampliar a base de Modi e, assim, criar espaço para continuar tocando sua importante agenda de reformas econômicas.

O quadro político segue agradando o mercado, permitindo encontrar forças para a bolsa de Bombay continuar trabalhando sobrecomprada dentro de um forte canal de alta, colada na máxima histórica.


Assim como na Índia, a bolsa da Turquia segue em forte rali neste ano. A linha de retorno de uma cunha foi estourada para cima, mostrando intensa força de um mercado comprador, mesmo sobrecomprado, em máxima histórica.


Destaque na agenda local para mais uma prorrogação do estado de emergência. Esta já é a quarta vez em que o parlamento turco aprova a prorrogação por mais três meses do estado de emergência vigente desde a fracassada tentativa de golpe de Estado.

A bolsa do México segue o mesmo quadro de forte rali em 2017, extremamente sobrecomprada, colada na linha de retorno de um canal de alta. Os vexames da administração Trump continuam impulsionando os ativos mexicanos e desvalorizando o dólar.


Já a bolsa de Nova York continua operando em clima muito positivo. O índice S&P500 renovou mais uma vez a máxima histórica, mantendo-se dentro de uma tendência de alta de longo prazo, ainda sem sinalização de reversão.


Na Alemanha, o índice DAX segue próximo da máxima histórica, embora congestionado no curto prazo entre a faixa dos 12,3k a 12,8k. A chanceler Angela Merkel, à frente nas pesquisas de intenção de voto, tenta a reeleição para um quarto mandato na disputa a ser realizada no dia 24 de setembro.


A bolsa de Londres também opera próxima da máxima histórica, mas no curto prazo as vendas estão dominantes. Nos últimos quatro pregões pode-se notar luta intensa pela linha central de bollinger, já que a região é considerada fundamental para manutenção do suporte em 7,3k e rompimento da LTB dos 7,6k.


O Reino Unido e a União Europeia iniciaram em Bruxelas a segunda rodada de negociações sobre o Brexit. O processo começa avançar em questões cruciais e de elevado impacto financeiro para ambos os lados. Os primeiros resultados desta fase de negociações serão divulgados na quinta-feira desta semana.

No Brasil, o índice Bovespa apresentou leve recuo nesta segunda-feira, aliviando indicadores que já se aproximavam de zona sobrecomprada. Apesar do alívio, mercado segue em ponta comprada, sem apresentar novidades.
 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Europa preenche GAP Trump


Acertou em cheio quem esperava, no início deste ano, uma conturbada administração de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos. Uma série de escândalos e medidas polêmicas acompanha, até o momento, a trajetória de Donald Trump, em seus pouco mais de seis meses na Casa Branca.

A ousada meta de crescimento de 3% ao ano, o difícil objetivo de alcançar 1 trilhão de dólares de investimentos em infraestrutura e o insustentável pacote de reforma tributária (com significativo alívio fiscal), criou grande expectativa em Wall Street, mas pode ter influenciado o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) a acelerar o passo na sua estratégia de normalização da política monetária.

Desde o início deste ano a autoridade monetária norte-americana vem adotando uma postura mais hawkish, acelerando o ritmo de alta na Fed Funds (taxa básica de juros), além de detalhar o plano de redução de seu balanço de quase 4,5 trilhões de dólares. Essas estratégias contrastam com o viés dovish dos últimos anos e da própria filosofia da atual chair, Janet Yellen.

Os membros do Comitê de Política Monetária do FED negam que estejam agindo em antecipação às promessas de Trump, mas o fato é que o Banco Central dos Estados Unidos nunca esteve tão apressado com sua estratégia de normalização.

Todo esse movimento foi acompanhado de longe por Mario Draghi, presidente do BCE (Banco Central Europeu), que por sua vez soube agir estrategicamente, atraindo fluxo para Europa, sem chamar muita atenção.

Enquanto Yellen endurecia o seu discurso nos Estados Unidos, Draghi pedia paciência aos investidores, insistindo com seu forte programa de estímulos monetários. Enquanto Trump atraía os holofotes com sua gestão polêmica, líderes europeus se uniram para defender o status quo.

A estratégia tem dado certo. A eleição da França, considerada divisor de águas para o futuro do euro, terminou com uma vitória expressiva de Emmanuel Macron, um integracionista europeu pró-mercado.

Macron é um forte aliado para Angela Merkel (presidente da Alemanha, que também vai disputar eleições neste ano) e grande sensação em toda a Europa. O líder francês recebeu Trump nesta quinta-feira no Palácio do Eliseu e já conseguiu mais um feito importante: mudar a crença do presidente dos Estados Unidos a respeito do aquecimento global.

O líder norte-americano anunciou no mês passado a saída de seu país do acordo de Paris, provocando reações negativas em todo o planeta, apesar de a retirada não ter efeito imediato. Após conversa com Macron na tarde de hoje, Trump deu sinal de que voltou atrás em sua decisão ao sugerir que ainda pode mudar de ideia sobre a quebra do acordo de Paris.

Mas não é só no campo político que a Europa tem se destacado. A economia continua mantendo o ritmo de crescimento em torno de 0,5% ao ano. Não é o PIB ideal, mas por outro lado demonstra boa consistência e baixo risco de retorno à recessão (2011-2013 traumatizaram demais os europeus).

O Índice Gerente de Compras da zona do euro fechou o mês de junho aos 57,4 pontos, mantendo o processo de retomada de expansão da atividade manufatureira. As indústrias da zona do euro fecharam o primeiro semestre de 2017 no ritmo mais forte em mais de seis anos.


O bom momento de retomada da atividade industrial tende a criar impulso inflacionário e, com isso, ajudar o BCE dar mais um passo na redução do volume mensal de compras de ativos e abrir as portas para um aumento da taxa básica de juros em meados de 2018.

Mario Draghi tem demonstrado usar esta rota, mas de uma forma ainda muito cautelosa, o que tem agradado gestores de hedge funds do outro lado do Atlântico. Nos últimos meses, players norte-americanos tem se livrado com certa agressividade de suas posições em dólar para comprar euro.


O fluxo comprador em euro tornou a moeda na grande sensação do mercado de câmbio. O rompimento ascendente contra o dólar, seguido de pullback clássico, sobre a média móvel simples de 200 períodos diária, limpou as vendas remanescentes em euro, o que abriu espaço técnico para um upside maior.

Através do gráfico semanal pode-se notar que o euro já alcançou o seu primeiro objetivo de médio prazo, a linha de resistência de uma zona de congestão de pouco mais de dois anos. Com uma perna de alta mais íngreme e forte, o euro chega com força para tentar superar a longa congestão contra o dólar e se manter no radar do mercado de câmbio.



Ásia

A China voltou apresentar indicadores econômicos mais forte do que o esperado. As exportações em junho subiram 11,3% sobre o ano anterior e as importações saltaram 17,2%. A sequência de surpresas positivas na China tem respaldado a retomada de preços na bolsa de Xangai.

Após testar a mínima de 2017 no mês de maio, o mercado de ações local voltou a trabalhar na ponta comprada, sustentado pela linha central de bollinger, sem grandes dificuldades para alcançar a máxima do ano aos 3,3k.



Brasil

O Ibovespa segue em trajetória ascendente, conseguindo se conectar novamente com o mundo bullish. Acima da linha central de bollinger e com o apoio da média móvel simples de 200 períodos diária, a bolsa brasileira superou sua principal linha de resistência de curto prazo localizada na faixa dos 64,2k, abrindo espaço para continuar comprada nas próximas semanas.
 


Novidade global

A BlackRock, uma das maiores gestoras do mundo, referência no mercado de fundos passivos, intensificou a briga com as gestoras de fundos ativos ao reduzir as taxas já consideradas baixas de alguns de seus ETFs.

Além disso, a BlackRock está inovando ao lançar dois fundos passivos (iShares Edge Investment Grade Enhanced Bond e o iShares Edge High Yield Defensive Bond) que acompanharão índices criados pela própria empresa, diminuindo, assim, sua dependência dos administradores de bolsa e/ou demais instituições financeiras.

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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Caiu mais um tijolo da muralha


A reforma trabalhista foi aprovada nesta terça-feira em sessão muito conturbada no Senado. Extremamente relevante para a economia, e uma das principais matérias de Temer, o texto modifica mais de 100 pontos arcaicos da famosa CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

Temer não queria alterações no texto, para assim evitar o retorno da matéria à Câmara, e conseguiu. 50 senadores votaram a favor da proposta, 20 contra e 1 se absteve. O placar expressivo mostrou que a articulação funcionou, mas isso não significa que o governo está vencendo a crise política, pelo contrário.

A reforma trabalhista era vista como ponto fundamental para agenda de alguns partidos que formam a base do atual governo, em especial o PSDB. Com a reforma trabalhista aprovada, e sem a menor condição para avanço na reforma da previdência (necessários 2/3 da Câmara e do Senado), restam poucos motivos para que partidos comprometidos com a agenda econômica continuem apoiando o governo Temer.

Ainda que a necessária reforma da previdência seja empurrada para o próximo governo, mantendo o gravíssimo quadro fiscal, as perspectivas tendem a melhorar na margem com a superação de um grande entrave. As novas regras trabalhistas certamente contribuirão para melhora da produtividade no Brasil, derrubando mais um tijolo da muralha de problemas estruturais domésticos.

É um importante passo não só para aumentar o potencial de crescimento econômico, como para a própria dinâmica inflacionária. Num mercado mais produtivo, as condições melhoram para o surgimento da concorrência e as empresas anteriormente dominantes precisam inovar para defenderem suas fatias de mercado. Mais concorrência, mais inovação, mais produtividade significa mais oferta de qualidade. E quanto melhor a oferta, menor a pressão sobre os preços. Quanto menor a pressão sobre os preços, menor a carga de juros necessária a ser praticada pela política monetária. Com juros mais baixos, o crédito se torna mais acessível ao consumo e ao investimento, pequenos negócios podem sair do papel, e a roda da economia gira sustentavelmente.

A gestão Temer acumula uma série de pontos negativos, mas é preciso reconhecer e comemorar a modernização das relações de trabalho, uma das principais agendas defendidas pelo setor produtivo não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Um dos pontos mais criticados por empresários estrangeiros sobre o Brasil era justamente o elevado risco trabalhista, muito alto comparado a outras economias desenvolvidas e até mesmo emergentes.

Sob a expectativa de aprovação da reforma trabalhista, o risco Brasil continuou cedendo nos últimos dias, enquanto a bolsa recupera preços, os juros futuros oscilam na mínima do mês e o dólar contra real perde força.

O câmbio é o destaque da semana, voltando a se aproximar da importante média móvel simples de 200 períodos diária. O dólar opera vendido contra o real no curtíssimo prazo, pressionado pela conturbada gestão Donald Trump e melhora no sentimento local.


A bolsa de valores partiu para teste e possível rompimento da principal linha de resistência localizada na região dos 64,2k, após formação de fundo ascendente bem em cima da linha central de bollinger. Com dois candles de alta seguidos, a media móvel simples de 200 períodos diária voltou a ser retomada e o mercado está pronto para estopar posições vendidas nos próximos dias/semanas, destravando uma congestão de curtíssimo prazo, além de fortalecer a perna de alta iniciada na região de suporte psicológico dos 60k.


O mercado de commodities, em recuperação de preços nos últimos dias, corrobora para melhora do clima nas praças financeiras de economias exportadoras de commodities. O índice Jefferies Reuters de commodities também formou fundo ascendente bem em cima da linha central de bollinger, após uma forte sequência de quedas registradas nos últimos meses.
 

terça-feira, 11 de julho de 2017

Metais precisos sinalizam bear trap


Sensíveis aos movimentos das taxas de juros dos títulos da dívida soberana, às oscilações de moedas fortes e ao próprio sentimento de risco nas praças financeiras mundiais, os metais preciosos rolaram ladeira abaixo na Comex (divisão de metais da Nymex – New York Mercantile Exchange), referência para preços no mundo inteiro.

Os investidores ainda estão bastante otimistas com os ativos de risco e pouco preocupados com a aproximação da longa fase de desalavancagem financeira do sistema. O sentimento positivo retroalimenta a busca por risco, deixando os famosos seguros contra crises (metais preciosos) praticamente esquecidos no mercado.

Além disso, muitos gestores de hedge funds, que não discordam sobre a delicada situação do excesso de sobrepreço em ativos de risco, tem expressado, por outro lado, preocupação com o custo de oportunidade para se posicionarem, neste momento, em metais preciosos. Em outras palavras, o rali no mercado está muito bom para os gestores buscarem um seguro. Na visão desses gestores, ainda é melhor assumir o risco para abocanhar mais algum bom retorno a curto prazo, do que sentar e esperar o mercado estourar.

Também atentos aos movimentos dos banqueiros centrais, o mercado está dando mais atenção à curva de juros futuros. Com o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) cada vez mais hawkish em seus comunicados, os rendimentos dos títulos da dívida soberana voltaram a subir forte nas últimas semanas. Se por um lado esse movimento abre venda declarada para bonds nas praças desenvolvidas, por outro players especialistas em renda fixa ficam de olho para abrirem posições contrarian, fisgando taxas elevadas num contexto de curto prazo.

Os próprios especialistas em mercado de metais preciosos de vários bancos de investimentos em Londres e Nova York tem reforçado expectativas de cenário negativo, batendo na tecla do custo de oportunidade. Ouro e prata não pagam juros e ninguém parece estar preocupado no momento para buscar proteção.

Não resta dúvida de que há unanimidade no mercado em relação aos metais preciosos. Os preços respaldam esse sentimento. A unanimidade, entretanto, é sempre perigosa e tanto o ouro quanto a prata podem estar sinalizando bear trap.

O ouro vem de uma forte pressão vendedora, mostrando marubozus numa perna de baixa já consagrada, um primeiro sinal de possível elástico esticado demais. Na última sexta-feira a mínima do mês de maio foi perdida, levando os preços nesta segunda-feira a se aproximarem da mínima do mês de março.


As vendas em excesso podem ter acionado alguns investidores a comprarem ouro no pregão de hoje, acreditando que o metal está barato demais. O gráfico deixou um martelo na linha inferior de bollinger, bem na linha de suporte dos 1.214 dólares a onça troy, sinalizando falso rompimento. Sobrevendido e com reação da força compradora em ponto extremamente estratégico, o ouro volta a ter forças para subir no curto prazo, em busca da LTB e possível retomada da média móvel simples de 200 períodos diária.

No gráfico semanal, é possível notar que o ouro ainda está contando com o apoio da importante LTA iniciada em janeiro de 2016, que ficou marcada pelo nascimento da perna de alta após o crash dos últimos anos. Enquanto isso, os preços se afunilam dentro de uma cunha (ou triângulo simétrico), encurtando o espaço de tempo para uma definição direcional de médio prazo.


Na prata, o sinal de bear trap é mais dramático. O metal sofreu um atípico flash crash na última sexta-feira, levando os preços para muito abaixo da mínima do ano. Tudo ocorreu com o rompimento da principal região de suporte localizada na mínima do mês de maio, deixando o mercado muito eufórico para socar venda.


A reação veio nesta segunda-feira. Assim como no ouro, a prata deixou seu martelo no gráfico, colado na linha inferior de bollinger, em região de sobrevenda. Players na ponta vendedora ainda tentaram socar a prata no pregão de hoje, mas a força compradora ressurgiu, acionando stops e elevando os preços para a máxima do dia.

Já no gráfico semanal, diferentemente do ouro, a prata perdeu sua LTA de 2016. O ativo opera sem sustentação técnica, mas está na lona, próximo da mínima dos últimos anos, barato e esquecido. Ainda assim, a prata tende a continuar sendo uma oportunidade de compra a médio/longo prazo, principalmente se conseguir se manter acima da mínima de 2016.

  
O bear trap nos metais não significa a confirmação de reversão de ciclo bearish para ciclo bullish. Pode ser um movimento de curto prazo, sem força para alterar a dinâmica dos últimos anos. Entretanto, o custo de oportunidade para posicionamento em metais preciosos, após o crash de 2013/2014, não parece ser tão alto quanto se ventila no mercado. Traps relevantes também representam certa confiabilidade, não são tão comuns e costumam surgir em reversões de ciclos longos. Bom lembrar que a atual perna de alta do S&P500 se fortaleceu com um bear trap.

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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Deflação no IPCA aumenta perspectiva de extensão do ciclo


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou nesta sexta-feira que o Brasil enfim registrou sua primeira deflação mensal em 11 anos. O IPCA caiu 0,23% no mês de junho, atingindo o menor nível mensal desde agosto de 1998. No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA desacelerou de 3,60% para 3%, tocando o limite inferior da margem de tolerância.

O índice de difusão cedeu para o menor nível para meses de junho da série histórica, mostrando que as elevações de preços estão restritas a alguns produtos, longe de um quadro de aumentos generalizados do passado recente.

A deflação de junho surpreendeu economistas/analistas, alimentando a perspectiva de manutenção de um viés ainda muito dovish na política monetária. Antes mesmo de sair o resultado da inflação de junho, os próprios diretores do Banco Central já haviam criado uma expectativa de que o impacto da crise política sobre a inflação pode ser neutro e que a extensão do ciclo de afrouxamento monetário depende da evolução da atividade econômica.

As recentes declarações dos diretores de Comitê têm objetivo de quebrar o clima hawkish criado na última reunião do Copom, no qual a comunicação havia deixado claro uma redução moderada no ritmo de flexibilização monetária já na próxima reunião.

A dinâmica da inflação é considerada bastante benigna, o que abre espaço para extensão do ciclo. Pouco importa se o Banco Central vai cortar 0,75 p.p. ou 1 p.p. no próximo encontro a ser realizado nos dias 25 e 26 deste mês. Com os indicadores demonstrando enfraquecimento da demanda, PIB muito abaixo do potencial, desemprego elevado e queda na renda das famílias, aumenta-se a margem de extensão do ciclo de afrouxamento. Isso significa que o cenário está abrindo espaço para taxa Selic menor do que a projetada pelo mercado através da pesquisa Focus.

Com as expectativas de inflação ancoradas em torno da meta futura de 4% ao ano, o Banco Central pode se arriscar a trabalhar com um juro real pouco abaixo da média histórica de 4%, o que levaria a taxa Selic para abaixo de 8% ao ano. Mesmo num cenário de relativo estresse, supondo inflação pouco acima da meta no futuro (4,5%, por exemplo), o Banco Central defenderia os 4% de juro real com uma taxa Selic de 8,5% ao ano.

Hoje, o principal risco para uma disparada da inflação vem do mercado de câmbio. Mas a política externa de Donald Trump está contribuindo para uma desvalorização do dólar contra as principais moedas globais. Com o dólar fraco na matriz, o real não sofre tanta pressão por desvalorização, embora a crise política também impeça um fortalecimento da moeda local.

No mercado de juros futuros, o dia foi marcado por ajuste de preços. Mesmo com o cenário benigno para a inflação, as taxas dos contratos de juros futuros subiram levemente. O mercado opera com prêmio magro, o que dificulta longas sequências de quedas nas taxas. Além disso, um possível racha no PSDB aumentou o risco de uma transição de poder e, consequentemente, incertezas quanto à agenda de reformas.


A bolsa de valores voltou a sofrer com as vendas, mostrando que os players posicionados na ponta vendedora estão antecipando a defesa de sua principal linha (64,2k) comprando briga pela média móvel simples de 200 períodos diária.


O movimento pegou players da ponta comprada de surpresa, que esperavam uma briga numa pontuação pouco acima. Com isso, o mercado se mantém travado dentro da congestão de curto prazo (64k a 60k), com peso pouco maior na venda.

No cenário externo, permanece o quadro de disparada das taxas de juros dos títulos da dívida soberana. O rendimento da Treasury de 10 anos (título do Tesouro norte-americano) fechou a semana em 2,39%, na máxima do mês. No Japão, o BoJ teve de acalmar o mercado oferecendo compras ilimitadas de títulos da dívida soberana, na tentativa de influenciar um recuo do rendimento de seu título de 10 anos, atualmente pouco acima da meta de juro zero a ser perseguida.

Dados divulgados acima do esperado relacionados ao mercado de trabalho nos Estados Unidos injetaram ânimo em Wall Street, colaborando para o S&P500 confirmar apoio na região dos 2,4k.
 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

G20, o divisor de águas para Donald Trump


Criticado por chineses e alemães, distanciado dos russos e ameaçado pelos norte-coreanos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegará ao importante encontro de cúpula do G20, a ser realizado nos dias 7 e 8 de julho na cidade de Hamburgo, na Alemanha, com uma missão quase impossível: virar o jogo no quadro geopolítico.

O presidente dos Estados Unidos tem irritado sistematicamente aliados de longas décadas com suas decisões unilaterais sobre o clima, migração e comércio exterior. Como se não bastasse, Trump abaixou o nível de seu relacionamento com a imprensa norte-americana e vai ter de carregar nos ombros críticas cada vez mais pesadas. Esse tipo de atitude contribui para aumentar o descrédito de seu governo, dificultando o relacionamento com as demais potências globais.

O seu encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, é o acontecimento mais importante da cúpula de dois dias em Hamburgo. Trump quer uma colaboração maior da Rússia no imbróglio da Síria para, assim, dar uma resposta aos seus eleitores de que está conseguindo acabar com o terrorismo (uma de suas promessas de campanha). Trump também vai questionar Putin sobre o conflito na Ucrânia, provavelmente sem sucesso.

O próprio Kremlin afirmou que espera estabelecer um diálogo de trabalho com Washington, mas que o formato do encontro pode significar que o líder russo não terá tempo suficiente para fornecer uma análise completa sobre os posicionamentos da Rússia nos conflitos da Síria e Ucrânia.

Definitivamente não é uma manifestação de alta receptividade por parte dos russos neste primeiro encontro e muito menos de cooperação com os planos norte-americanos na região. A Rússia está mais provocadora com os Estados Unidos e cada vez mais alinhada com a Ásia. A China, por sua vez, está empurrando a Ásia aumentar laços com toda a Europa, e conta com o importante aval dos alemães.

Rússia e China também estão contendo os ânimos exaltados de Donald Trump contra o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-um, enquanto aliados históricos dos Estados Unidos ficam calados. As ameaças de Trump contra Kim não estão funcionando. Não há menor condição (financeira, principalmente) de os Estados Unidos ingressarem numa incursão militar contra a Coreia do Norte e uma sanção econômica, sem o apoio da China, não causará impacto à economia norte-coreana.

Mas Donald Trump continua lançando seus tweets envenenados na rede. Enquanto isso, Kim lança mísseis cada vez mais modernos, mostrando agora capacidade de atingir o Alasca. Em pleno 4 de julho. Kim não se intimidou com as ameaças presentes nos tweets de Trump e, até o momento, está vencendo o jogo de poker contra o presidente norte-americano.

O líder da Coreia do Norte também mostrou ao mundo que é possível desafiar Donald Trump. A chancelar da Alemanha, Angela Merkel, enxergou esta fragilidade ao criticar duramente a política do presidente dos Estados Unidos, apenas dois dias antes de sediar a cúpula do G20.

A retirada americana do acordo do clima de Paris também irritou lideres políticos comprometidos com o programa no mundo inteiro. É mais um front aberto de pressão contra Donald Trump. Se o presidente dos Estados Unidos não retroceder em alguns pontos durante a janela de oportunidade proporcionada pela cúpula do G20, começará perder (se já não está perdendo) seu poder de influência e a China aproveitará o vácuo para se firmar como “o player do bem” e líder de um poderoso bloco em formação.

No mercado de capitais, a quarta-feira foi marcada por uma atípica tranquilidade em dia de divulgação da ata de reunião do Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos). O documento ratificou a expectativa de início da primeira etapa da estratégia de desalavancagem do sistema, com perspectiva de implantação antes do fim deste ano.

O índice S&P500 fechou o pregão perto da estabilidade, dentro de um zona de congestão de curto prazo, próximo da máxima histórica.


O yield da Treasury de 10 anos (título do tesouro norte-americano, referência global) segue cortado para venda. O pequeno recuo no pregão de hoje, para 2,33% ao ano, ainda é considerado apenas um pequeno alívio após o choque dos últimos dias.


O dólar contra cesta de principais moedas globais permanece em sell-off, o que contribui, por tabela, para segurar o movimento de desvalorização do real. Bem abaixo da média móvel simples de 200 períodos diária, com mais um pivot de baixa acionado no mês passado e dentro de um forte canal de baixa, o dólar segue como saco de pancadas no mercado de moedas.
  

No curtíssimo prazo, entretanto, o dólar alivia as vendas após testar e respeitar a linha de retorno do canal de baixa. O respiro com a entrada da força compradora ainda é considerado temporário e possível formador de nova janela de oportunidade para abertura de posições vendidas.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Mercado endossa redução da meta de inflação


Em mais um sinal de credibilidade da equipe econômica no mercado financeiro nacional, a pesquisa Focus do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira, revelou redução da expectativa para a taxa básica de juros em 2018 de 8,50% para 8,25%. Para o fim de 2017, permanece a estimativa de 8,5%.

Já o top five (grupo de cinco economistas que mais acertam previsões no Focus), reduziu a expectativa para a taxa Selic em 2018 de 8,25% para apenas 8%. Para o fim de 2017, o top five também reduziu a estimativa da taxa Selic de 8,38% para 8,13%.

O banco Itaú, onde Ilan Goldfajn atuou como economista-chefe antes de assumir a presidência da autoridade monetária, foi ainda mais longe e espera que a taxa básica de juros vá encerrar 2018 em 7,5%. Para o fim de 2017, a instituição projeta a taxa básica de juros em 8%.

Os economistas estão alegando que a redução da meta de inflação para 2019 (4,25%) e 2020 (4%) ajudará ancorar as expectativas de longo prazo para a inflação, facilitando o trabalho da política monetária.

O constante recuo das estimativas para a inflação também segue retroalimentando o clima de otimismo entre economistas e analistas. A projeção para o IPCA de 2017 caiu de 3,48% para 3,46%, não só se distanciando do centro da meta (4,5%), mas já se aproximando do limite inferior da margem de tolerância (3%), algo inédito nos últimos 10 anos. Para 2018, o boletim Focus aponta IPCA em 4,25%, contra 4,30% no levantamento anterior.

Inflação e juros menores roubam atenção do mercado, delimitando certo nível de preço para câmbio, juros e bolsa. O Ibovespa bateu na principal região de suporte localizada na faixa dos 60k e voltou a subir, recuperando nesta segunda-feira a média móvel simples de 200 períodos diária, já se aproximando da importante resistência dos 64,2k.


Caso a referida linha de resistência seja superada nos próximos pregões, as vendas abertas tendem a ser desarmadas, abrindo espaço para uma nova perna de alta. Por outro lado, a manutenção de preços abaixo da resistência dos 64,2k mantém o mercado travado numa congestão de curto prazo, porém com peso maior na venda.

O contrato de juros futuros com vencimento em 2020 renovou a mínima do mês passando, perdendo o patamar de 9,50%. O rompimento da mínima aciona pivot de baixa de curto prazo, abrindo espaço para novos recuos da taxa, que agora conta apenas com o suporte localizado em 9,12%.


Enquanto o mercado segue encantado com a queda da inflação e taxa de juros, os dados fiscais continuam desenhando um cenário de insustentabilidade no futuro próximo, juntamente com um PIB estranhamente fraco.

O Instituto Markit revelou nesta segunda-feira que o Índice Gerente de Compras do Brasil reduziu o ritmo de expansão de 52 pontos registrados em maio deste ano para 50,5 pontos em junho. O recuo na pontuação sinaliza que o processo de retomada da atividade industrial, ainda em fase inicial, já pisou no freio.


Movimento semelhante também ocorreu na Rússia, onde o Índice Gerente de Compras recuou de 52,4 pontos em maio para 50,3 pontos em junho. Já no México, o Índice Gerente de Compras subiu de 51,2 pontos em maio para 52,3 pontos em junho. Na Turquia, o Índice Gerente de Compras também subiu de 53,5 pontos em maio para 54,7 pontos em junho.


Europa

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse hoje em sessão extraordinária no Parlamento que pretende reduzir em um terço o número de deputados e senadores. Atualmente, há 577 deputados e 348 senadores na França. Macron também quer extinguir o Tribunal de Justiça da República, responsável por julgar membros do governo no exercício de suas funções.

O presidente da França mandou recado para o Parlamento, ameaçando convocar um referendo caso suas propostas não sejam aprovadas pelo Legislativo dentro de um ano. Seu discurso deu ânimo ao mercado vendido na Europa das últimas semanas, incentivando o ressurgimento da força compradora nesta segunda-feira. A bolsa de Paris fechou o pregão em forte alta, trabalhando formação de fundo aos 5.117 pontos.
  

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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Bonds desarmam compras nas praças desenvolvidas


Uma nova correria para fechamento de posições compradas no mercado da dívida soberana se alastrou rapidamente nas praças de países desenvolvidos nestes últimos dias, ofuscando o clima extremamente otimista observado no mercado financeiro mundial.

Poucos investidores tem se arriscado abrir posições contra a onda bullish que atinge os preços de diversos ativos no mercado de capitais. Mesmo ciente da fragilidade deste movimento, em função do excesso de sobrepreço, a ordem continua sendo assumir o risco e surfar a espuma da onda.

O mercado cobrou seu preço novamente. A taxa de juros da Treasury de 10 anos (título do Tesouro norte-americano – referência global), disparou nos últimos dias, rompendo a LTB da máxima registrada em 2017 após a formação de fundo na região dos 2,18%.

  
A linha íngreme revela que a virada para a venda foi muito rápida, acionando stops de investidores posicionados na ponta comprada. A nova disparada das taxas de juros futuros reflete o receio com o endurecimento da política monetária no Reino Unido e na zona do euro.

Em poucos dias, a taxa de juros do título alemão de 10 anos saiu da base da congestão de curto prazo aos 0,20% para o topo da zona de congestão (e principal linha de resistência) aos 0,48%. O movimento brusco aumenta a chance de um possível rompimento nas próximas semanas, o que se confirmado renovará máxima do ano.


Choque semelhante está ocorrendo no rendimento das gilts (títulos do Tesouro britânico). O yield do papel com prazo de 10 anos rompeu a linha de resistência de uma cunha descendente. O mercado respondeu socando venda pesada, já mirando teste na máxima do ano.


A correria também pode ter sido influenciada pela divulgação do relatório anual do BIS (Banco de Compensações Internacionais – instituição máxima dos principais bancos centrais mundiais), ocorrido no último domingo. No documento, o BIS alertou que os principais bancos centrais devem avançar com as políticas de aperto monetário, mesmo com eventuais turbulências no mercado financeiro.

Num recado ao BCE (Banco Central Europeu), BoE (Bank of England) e BoJ (Bank of Japan), o BIS afirmou que os formuladores de políticas precisam aproveitar a melhoria das perspectivas econômicas para acelerar o fim de programas de flexibilização quantitativa e tirar as taxas básicas de juros dos níveis recordes de baixa.

O chefe de pesquisa do BIS, Hyun Song Shin, ressaltou que mesmo que haja choques de curto prazo, seria muito mais aconselhável manter o curso do processo de normalização, pois uma súbita aceleração da inflação (o que não seria nada surpreendente após um longo período de afrouxamento monetário), forçaria os bancos centrais agirem com choque de juros para cima, prejudicando o crescimento.

Não por acaso o FED tem demonstrado viés cada vez mais hawkish em seus comunicados, pois não se pode subestimar a inflação, principalmente num sistema de elevada liquidez como o atual.

Considerando a elevada complexidade global, causa certo espanto a notícia de que o CMN (Conselho Monetário Nacional) fixou o centro da meta de inflação brasileira em 2019 para 4,25% e, para 2020, a 4,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Justamente no momento em que não só o BIS, mas banqueiros centrais de grande importância ao sistema financeiro mundial, mostram-se preocupados com o cenário futuro para a inflação, o CMN toma uma medida austera, tirando margem de gordura para o Banco Central fazer o seu papel de impulsionar o crescimento.

A decisão parece tecnicamente inadequada e de cunho político, talvez numa tentativa de demonstrar que a agenda econômica avança e, portanto, não foi contaminada pela crise política.

Não há clareza quanto à reação da inflação quando o PIB (Produto Interno Bruto) voltar para a casa dos 2%. Cabe ressaltar que a inflação acumulada dos últimos 12 meses (3,59%) continua totalmente incompatível com o desempenho da economia no período. Era de se esperar uma inflação muito menor, ou mesmo leve deflação. Além disso, a redução da meta de inflação não tem respaldo no quadro fiscal, com uma dívida explosiva em forte trajetória de crescimento.

As principais bolsas de valores mundiais tombaram nesta quinta-feira, em reação à forte virada no mercado de bonds. Nos Estados Unidos, o índice S&P500 voltou para a linha inferior de bollinger. Bandas fechadas e olhos atentos, mercado pronto para definir nova pernada.


Na Alemanha, o índice DAX saiu na frente. As bandas de bollinger voltaram a abrir, sinalizando nascimento de uma perna de baixa. O candle desta quinta-feira marcou o sinal bearish mais forte do ano, limpando as compras do mercado.


No Brasil, o Ibovespa demonstra descolamento de curtíssimo prazo, levemente acima da linha central de bollinger. Apesar do respiro dos últimos dois dias, o mercado mantém viés bearish abaixo da resistência dos 64,2k e média móvel simples de 200 períodos diária.