quinta-feira, 25 de maio de 2017

Governo Temer apresenta sinais de isolamento


A decisão do governo de convocar as Forças Armadas para conter a manifestação realizada na última quarta-feira em Brasília aumentou o viés negativo da atual crise política. Considerada por muitos como um gesto de desespero e autoritarismo, Temer revogou o polêmico decreto nesta quinta-feira, ratificando mais um comportamento errático do Planalto.

Convocar as Forças Armadas no momento em que o País pega fogo está longe de ser uma decisão sensata. Temer está possivelmente sofrendo os mesmos efeitos de isolamento que paralisaram o governo Dilma Rousseff há pouco mais de um ano atrás. As evidências estão cada vez mais claras.

Temer já perdeu quatro de seus cinco assessores especiais. Figuras políticas de peso não escondem articulação para discutir nomes alternativos à presidência numa eventual eleição indireta. Críticas aumentaram no Congresso, inclusive de partidos da base aliada. Sua permanente reprovação o colocou entre os cinco líderes menos populares do mundo, segundo a revista Time. Por fim, a atual crise política irá influenciar o julgamento do dia 6 de junho no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Uma decisão desfavorável a Temer levaria à cassação do mandato e à pena de inelegibilidade. A decisão é vista por parlamentares da própria base aliada como uma saída honrosa ao presidente, que por sua vez se recusa a renunciar.

A reação do mercado nos últimos dias tem sido positiva em função da queda do dólar contra cesta de principais moedas globais, juntamente com elevação dos yields das Treasurys (títulos do Tesouro norte-americano), o que força investidores a buscarem alternativas em outras praças e ativos mais arriscados.

A tese de que uma eventual eleição indireta permitirá o andamento da agenda de reformas (utilizada por economistas e analistas para justificar a recente alta nos ativos brasileiros) é infundamentada. Não existe clima para nenhum líder conseguir 2/3 do Congresso nos próximos meses. Além da elevada fragmentação, muitos parlamentares (que aparentam já estar em campanha eleitoral para 2018) utilizarão a atual crise como marketing político.

S&P500 renovando nova máxima histórica com ganhos relevantes acumulados nos últimos seis pregões é o termômetro perfeito de um mercado insistentemente bullish.


No Reino Unido, mesmo com atentado terrorista e números decepcionantes da atividade do primeiro trimestre deste ano, a bolsa de Londres segue colada na máxima histórica, prestes a acionar mais um pivot de alta e renovar nível recorde.


No Japão, o índice Nikkei já encerrou o movimento de realização de lucros de curtíssimo prazo, conseguindo se apoiar acima da linha central de bollinger após renovar máxima deste ano. Mercado em tendência principal de alta.


Na Índia, a bolsa de Bombay voltou atacar a máxima histórica com um candle de força relevante. Praça com correções bem tímidas e ganhos relevantes acumulados nos últimos anos, ainda em forte tendência de alta.


O mercado russo segue se apoiando acima da média móvel simples de 200 períodos diária. O movimento corretivo, iniciado em fevereiro deste ano, demonstra sinais de esgotamento com formações de fundos ascendentes nos últimos meses.


A praça mexicana renovou a máxima do ano e segue numa forte tendência de alta iniciada aos 180 pontos, surpreendendo investidores que apostaram contra o México após a cerimônia de posse de Donald Trump.


O controverso ambiente político na Turquia não afetou o clima positivo no mercado local. Pelo contrário, a bolsa subiu mais de 27.000 pontos desde a fracassada tentativa de golpe de Estado ocorrida em 2016, fato que também abriu caminho para uma polêmica vitória do governo no referendo deste ano.


A bolsa de Xangai confirmou fundo duplo e disparou mesmo com a agência de classificação de risco Moody’s rebaixando a nota de crédito da China pela primeira vez em quase 30 anos. O downgrade (de A1 para Aa3) foi justificado pela agência por conta do desgaste com a desaceleração do crescimento e aumento dos riscos da dívida.


Acompanhando a onda compradora global, a bolsa brasileira conseguiu subir cerca de 3.000 pontos desde a mínima registrada no pregão do circuit-breaker. Obviamente o mercado está longe de alcançar o nível da pré-crise política, responsável por criar um candle totalmente atípico, mas ainda assim o desempenho dos últimos dias pode ser considerado surpreendente em função do forte ambiente de deterioração local.
  

A praça brasileira conseguiu se aproveitar do clima muito positivo observado nos últimos pregões. O mercado (a nível global) segue demonstrando irrelevância aos vários problemas locais e acúmulo de divergências macroeconômicas. Entretanto, os dois últimos candles no Ibovespa emitem certo sinal de alerta à força compradora com os pavios longos superiores relevantes, sinalizando que os players vendidos ainda não desistiram de suas posições. Mercado segue volátil, em briga intensa e aberta, exigindo atenção especial às posições de curtíssimo prazo.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Nova rodada de downgrades está para começar


A agência de classificação de risco Standard & Poor’s anunciou na última segunda-feira que colocou em observação negativa a perspectiva para o rating do Brasil, atualmente em BB (categoria especulativa, dois níveis abaixo do patamar mínimo de grau de investimento).

A guerra de interpretações em torno do áudio de Temer, juntamente com o recuo do PSDB (ainda mantendo sua aliança com o governo) e discursos positivos (sonhadores) da atual equipe econômica reduziu a pressão vendedora no curtíssimo prazo e camuflou os graves alertas emitidos pela Standard & Poor’s em seu comunicado.

A fundamentação da agência de classificação de risco que levou à mudança na perspectiva de estável para negativa deixa claro sua grande decepção com o governo Temer. A trajetória de um longo caminho de ajustes econômicos e fiscais, já considerada lenta antes da implosão da crise política, está sob forte risco de estagnação.

O Brasil perdeu o benefício da dúvida com a Standard & Poor’s e, possivelmente, perderá esse crédito com as outras duas grandes agências de classificação de risco (Moody’s e Fitch). A classe política brasileira não demonstra ter mais a capacidade necessária de estabelecer medidas corretivas de forma tempestiva (antes das eleições de 2018).

Seria importante chegar em 2018 com uma perspectiva de rombo fiscal não tão assustadora quanto os números dos anos anteriores, na tentativa de destravar ao menos parte dos investimentos e, assim, impulsionar o crescimento econômico para uma faixa de 1,5% a 2% ao ano (apesar de ainda ser considerada medíocre para um país emergente). Para esse cenário meia boca se tornar viável, o Congresso teria que aprovar medidas impopulares quase que imediatamente.

Com as incertezas acerca da viabilidade do governo Temer e possibilidade de um processo de transição prolongado, o Brasil fatalmente será rebaixado de BB para BB- nos próximos três meses pela Standard & Poor’s.

Bolívia, Croácia, Guatemala e Turquia são exemplos de países com nota BB. Bangladesh, Vietnã, Barein, Costa Rica, República Dominicana e Sérvia são exemplos de países com nota BB-, no qual o Brasil corre risco de fazer parte.

Num primeiro momento, a comparação pode ser considerada injusta. Ter uma nota abaixo da Bolívia, por exemplo, é simplesmente ridículo. Mas o fato é que o Brasil infelizmente não tem feito o dever de casa para merecer uma nota BB. Não estamos crescendo, nossa dívida está explodindo e nosso PIB per capita está desabando desde 2011. São números cruéis e desastrosos.

A nota BB- é também considerada forte sinal de alerta por investidores estrangeiros, pois está apenas três degraus acima do CCC (nota de elevado risco de inadimplência). Significa que o país já percorreu metade do caminho para cair no patamar de alto risco de calote.

O risco do BB- deveria ser encarado com mais seriedade pela equipe econômica, entretanto, a nota emitida pelo Ministério da Fazenda, após o anúncio da Standard & Poor’s, não acrescentou nenhuma ação de resposta. A Fazenda apenas reafirmou seu compromisso com a recuperação da economia por meio das reformas estruturais. Em outras palavras, não há cartas na manga. Como não existe ambiente para avanço das reformas, estamos à deriva.

Na bolsa brasileira, segue intensa a briga pela importante média móvel simples de 200 períodos diária. Duas tentativas de rompimento descendente foram derrubadas pela força compradora, mas o ponto de pivot em 62,8k ainda está mantido (o que permite manutenção de posições vendidas abertas recentemente).


Mercado pesado, porém indefinido no curtíssimo prazo. Grandes players estão tomando direções opostas e a briga tende a continuar intensa nos próximos pregões. Alguns pesos pesados sairão bastante machucados. Ao investidor pessoa física, é recomendável seguir a direção do rompimento técnico encurtando stops para giros curtos ou mesmo esperar a poeira abaixar no ringue.

O mercado de commodities requer atenção especial em função do teste na LTB de 2017. A tentativa de rompimento realizada no último pregão não foi confirmada. A média móvel simples de 200 períodos diária também segue atuando como barreira à continuação do processo de recuperação de preços visto nos últimos dias.


O Yield da Treasury de 10 anos (título do tesouro norte-americano) voltou a subir após encostar na mínima do ano em 2,20%, sinalizando interrupção da onda compradora. Entretanto, com o dólar vendido, abaixo da média móvel simples de 200 períodos diária, renovando mínima do ano, os investidores estrangeiros estão sentindo dificuldade de realocação das posições de curto prazo em suas praças, o que tem permitido o respiro em mercados de alto risco, como o Brasil.
 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Bum


Uma bomba estourou no Brasil na noite desta quarta-feira. As gravíssimas denúncias reveladas pelo jornal O Globo, se confirmadas, inviabilizarão a continuação do governo Temer. O mercado fez vista grossa às várias citações ao atual presidente em depoimentos dados pelos ex-diretores da Odebrecht, pois a lei impede que o presidente da república seja investigado por fatos ocorridos antes de seu mandato.

Desta vez é diferente. As denúncias feitas pelos executivos da JBS, conforme destaca a reportagem, referem-se a atos ilícitos cometidos nos meses anteriores, com provas concretas, tais como gravações de áudio, entregas de malas de dinheiro filmadas, cédulas com números de série informados aos procuradores e malas ou mochilas com chips para rastrear o caminho dos reais.

Temer possui uma base muito forte no Congresso e vai seguir com sua agenda de reformas para tentar criar um clima de normalidade, mas basta uma figura importante se declarar oposição para o castelo ruir. Será muito difícil evitar distensões na base, até porque, movimentos de força expressiva acompanhados pelos parlamentares, como o MBL, por exemplo, já estão pedindo a renúncia do presidente.

Com as reformas praticamente fora de jogo, não há escapatória. Os argumentos para manutenção do clima de tolerância no mercado chegaram ao fim. A bolha Temer está prestes a explodir.

Se comprovada, a delação da JBS abrirá três caminhos possíveis: (i) Congresso aprovar o impeachment de Temer; (ii) presidente pedir renúncia; (iii) cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE. Todas as três opções são desastrosas à imagem do Brasil no quadro externo, já que antes mesmo de todos esses escândalos estourarem já fazíamos parte do famoso grupo dos cinco frágeis.

Como se não bastasse, todas as três opções estão longe de apresentar expectativa de superação do atual caos político. Conforme determina a Constituição Federal, será necessário realizar uma eleição indireta para escolha do novo presidente. O problema é que parte relevante dos membros do Congresso está envolvida na Lava Jato. Não parece haver clima para eleição indireta.

A PEC do deputado Miro Teixeira tende a ganhar força na sociedade e, consequentemente, no Congresso. Se for aprovada, abrirá caminho para a realização de uma eleição direta. Desta forma, o povo será convocado a escolher o novo presidente. Este cenário favorece a oposição, já que Lula está disparado em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto.

Aécio Neves é praticamente considerado carta fora do baralho. A reportagem do jornal O Globo revelou que o senador foi gravado pedindo 2 milhões de reais a Joesley (um dos proprietários da JBS) para pagar despesas com a sua defesa na Operação Lava Jato. O outsider Joao Doria tende a ser o candidato do PSDB numa eventual eleição direta. O primeiro problema é que mesmo os outsiders precisam de uma imagem e reconhecimento expressivo nacional para ganhar eleições e Doria ainda é um desconhecido para a maioria dos brasileiros. A campanha é curta. O segundo problema é que o tremendo arranhão causado por Aécio à imagem do PSDB.

Independente dos próximos desdobramentos no campo político, a economia, lamentavelmente, tende a continuar sendo prejudicada. Pior, os fundamentos da ortodoxia estão queimados por terem falhado no governo Temer, fato que abre precedente para retorno das famosas ideias ultrapassadas que sempre rodearam a América Latina.

O impacto sobre os preços dos ativos é inevitável. Os juros futuros locais tendem a subir, juntamente com o câmbio. A bolsa de valores tende a continuar o movimento de correção iniciado no pregão desta quarta-feira. O candle de força relevante deve jogar o índice para teste sobre a LTA dos 62,8k. Em caso de rompimento descendente, as vendas tendem a ganhar força, sinalizando nascimento de uma nova perna de baixa.


O movimento de aversão ao risco é fortemente impulsionado por variável local, mas sua determinante tem aval externo. O Brasil está na rota de um furacão, mas fato é que as vendas estão ganhando volume nas principais praças financeiras mundiais em função da deterioração do governo Donald Trump.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos nomeou o ex-diretor do FBI, Robert Mueller, como conselheiro especial para investigar possíveis conluios entre a equipe de campanha de Donald Trump e a Rússia em 2016, sob suspeita de que favoreceriam o resultado da eleição presidencial.

Além disso, alguns parlamentares norte-americanos estão intensificando investigações sobre a demissão do chefe do FBI, incluindo membros do partido republicano (base de Trump no Congresso).

A mídia norte-americana começa a falar em impeachment de Trump, algo devastador para os ativos sobrevalorizados em Wall Street. O surgimento das primeiras palavras na imprensa jogou o S&P500 para a linha inferior de bollinger, incentivando o fechamento de posições compradas. O mercado norte-americano está com bases fracas de apoio, onde a próxima linha de suporte está localizada na faixa dos 2.320 pontos.
  


O influente senador republicano, John McCain, disse que o caso de Trump tem o tamanho e a escala de Watergate. Acusado de abuso de poder e obstrução à justiça, Richard Nixon teve de renunciar em 1974 para fugir de um impeachment, em curso, no Congresso.

Se houver surgimento de prova concreta de tentativa de obstrução à justiça, Trump pode sofrer impeachment. Ainda há muita especulação e a possibilidade é pequena. Importante ressaltar que existe uma briga intensa, desde o período de campanha eleitoral, entre Donald Trump e alguns veículos de comunicação norte-americanos.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Governo amplia leque de gentilezas


Com o texto atual da reforma da previdência bem desidratado (em função dos inúmeros recuos de impacto fiscal relevante nas últimas semanas/meses), o governo tem buscado novos meios para conceder mais gentilezas a determinados grupos e, assim, garantir apoio para aprovação da reforma no Congresso.

Nesta última segunda-feira, Michel Temer afirmou que houve uma primeira conversa sobre a possibilidade de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Não há estudos avançados, mas o presidente confessou que a ideia o agradava.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que não há plano concreto para aumentar a faixa de isenção. Embora a possibilidade de implementação de tal medida possa ser considerada muito pequena no curto prazo, o simples fato de um aceno nessa direção ratifica o viés heterodoxo nos bastidores do Planalto.

O governo faz discursos firmes para continuar sustentando o status de tolerância do mercado, mas age com a mão leve na articulação com o Congresso. Sem margem para conceder mais gentilezas a determinados grupos na reforma da previdência, a tática agora é partir com novos pacotes de bondades em outras frentes.

Nesta terça-feira, Temer assinou medida provisória autorizando o parcelamento (a perder de vista) dos débitos dos municípios e estados com o INSS. Além do parcelamento amigo, serão concedidos descontos camaradas de 25% nos encargos das dívidas, 25% nas multas e 80% nos juros.

A manobra foi necessária para que a Confederação Nacional dos Municípios formalizasse apoio à reforma da previdência. O governo espera agora que os prefeitos pressionem deputados para votarem a favor da reforma. Especula-se que o governo ainda não conseguiu os 308 votos necessários na Câmara, mesmo com tantos recuos no texto da reforma da previdência.

A nova onda de bondades não para por aí. Temer deve assinar nos próximos dias outra medida provisória para reduzir a alíquota do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural. A taxa tende a ser reduzida de 2,3% sobre a receita bruta para simbólicos 1,5%.

O mercado segue focado no fluxo de curto prazo. Nos últimos dias, a recuperação dos preços das commodities tem colaborado para manter o clima positivo nas principais praças financeiras mundiais, especialmente em países emergentes.

O índice CRB de commodities Jefferies Reuters acumula ganhos expressivos nos últimos pregões. Apesar da euforia, o movimento é considerado apenas um alívio de curtíssimo prazo, já que a tendência de baixa iniciada em janeiro/2017 ainda não apresenta sinalização de esgotamento.


O Ibovespa segue bullish, já se aproximando da principal resistência localizada na região dos 69,5k, sem apresentar novidade. Entretanto, os pequenos candles compradores dos dois últimos dias, após uma boa sequência de alta, emitem um pequeno alerta para correções nos próximos pregões, mas ainda nada que ameace a perna intermediária de alta iniciada aos 62,8k.
  

No cenário externo, destaque para o derretimento do dólar contra cesta de principais moedas globais. Com um candle de força relevante, um novo pivot de baixa foi acionado nesta terça-feira, renovando mínima do ano, chamando mais pressão vendedora ao dólar.



Europa

Serão realizadas eleições antecipadas na Áustria no dia 15 de outubro deste ano. Os seis partidos com representação no Parlamento fecharam acordo após uma crise aberta na grande coalizão entre sociais-democratas e conservadores. Até então, as eleições legislativas estavam previstas para 2018.

As eleições antecipadas foram a única forma encontrada pelo atual governo para acabar com as disputas e indiferenças dentro de sua coalizão, envolvendo temas complexos como imigração, reforma fiscal e educação. O ultradireitista Partido Liberal está à frente dos dois partidos governantes, lidera as pesquisas com 30% das intenções de voto e pode ser um novo problema para a União Europeia.

No Reino Unido, o Partido Conservador, da primeira-ministra Theresa May, segue com ampla vantagem sobre a oposição do Partido Trabalhista. A eleição nacional será realizada no dia 8 de junho e May tem 47% de aprovação, contra 33% dos trabalhistas.


Ásia

Após o regulador bancário da China apertar as regras de divulgação dos produtos de gestão de riqueza dos bancos (ação vista como medida para conter o crescimento dos bancos sem regulação, bem como investimentos de risco), o Banco do Povo (autoridade monetária da China) injetou nesta terça-feira 170 bilhões de iuanes (cerca de 25 bilhões de dólares) no sistema financeiro através das operações de mercado aberto. O volume da injeção é o maior dos últimos quatro meses e ajudou acalmar o ânimo dos investidores.

O clima ficou apreensivo ainda nesta segunda-feira com a divulgação de dados econômicos mais fracos do que o esperado no mês de abril, sinalizando possível desaceleração do crescimento chinês no segundo trimestre deste ano.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Mercado feliz, povo deprimido


Michel Temer completou nesta semana 12 meses de governo. Com apenas 4% de aprovação, 14,2 milhões de pessoas desempregadas (número recorde), denúncias de corrupção, consumo patinando, ociosidade elevada na indústria, investimentos escassos e rombos fiscais insustentáveis, o legado deste primeiro ano de governo Temer ficou muito aquém do desejado.

A população está indignada, a economia não cresce, mas o mercado está feliz. A agenda de reformas do governo Temer compra certa esperança para o futuro. Ainda assim, os preços podem estar mostrando um otimismo exagerado, mas o mercado tem os seus próprios motivos para continuar comprando Brasil.

O movimento comprador em bonds de países desenvolvidos sofreu uma interrupção cerca de um mês atrás. As taxas voltaram a subir, impedindo especulação de curto prazo a favor da curva. Sem poder comprar os títulos soberanos mais seguros do mundo, investidores voltaram a olhar para os ativos de risco em praças emergentes, até porque as moedas fortes também estão se desvalorizando no curto prazo.

Apesar de operar com prêmio apertado, uma nova onda de fluxo comprador jogou o pré-fixado brasileiro de volta ao terreno de 1 dígito, renovando mínima do ano. A inflação de 0,14% em abril renovou apostas de que o Banco Central vai intensificar ainda mais o ciclo de cortes na taxa Selic, também contribuindo para valorização nos títulos da dívida soberana local.

  
O dólar contra real segue congestionado no curto prazo, mas oscilando próximo da principal linha de sustentação localizada na região psicológica dos R$ 3,00, sinalizando otimismo do mercado com a gestão Temer.


A bolsa de valores segue bullish, ganhou novo impulso ao conseguir se sustentar acima da linha de apoio dos 62,5k e hoje está muito próxima de retestar a máxima registrada este ano aos 69,5k, ainda com gordura para ser queimada antes de atingir nível de sobrecompra elevado.


A trajetória compradora no mercado de câmbio, juros e bolsa começou bem antes da posse de Michel Temer, não porque o impeachment era totalmente esperado, mas sim por conta do desconto observado nos ativos brasileiros à época frente às condições macro globais.

Players globais entraram no Brasil ainda em 2015 para aproveitar oportunidades generalizadas e sentiram segurança em alongar posições com a posterior evolução do processo de impeachment e formação da nova equipe econômica. O viés reformista e os nomes pró-mercado deixaram o clima mais tranquilo no mercado local, ainda que os resultados práticos continuem decepcionantes. É como num jogo de poker onde o blefe sustenta ganhos de uma mão fraca. Enquanto os investidores estrangeiros sentirem que há espaço para essa estratégia, continuarão mantendo posições.


Ásia

A China se prepara para realizar uma conferência internacional com objetivo de criar uma grande zona econômica que ligará a Ásia à Europa. A iniciativa, que partiu da China, é conhecida como “Fórum Um Cinturão, Uma Rota para a Cooperação Internacional”, terá duração de dois dias e contará com representantes dos Estados Unidos.

A presença dos Estados Unidos na conferência é resultado de um acordo entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente norte-americano, Donald Trump, no encontro de cúpula realizado no mês de abril. Trump se comprometeu em promover esforços para a cooperação econômica bilateral em troca de um plano de 100 dias para redução do déficit comercial dos Estados Unidos com a China.

Ainda assim, a participação dos representantes norte-americanos tende a ser apenas simbólica, como forma de depositar certo crédito a Xi Jinping para tocar o plano de 100 dias. Os dois principais players econômicos mundiais tendem a continuar jogando suas próprias cartas. A China em busca de maior abertura comercial e os Estados Unidos em rota contrária.

Trump não quer voltar atrás na decisão de abandonar a Parceria Transpacífico, mas seu principal aliado na Ásia está articulando votos dos demais membros para que o pacto entre em vigor sem os americanos. Shinzo Abe, premiê japonês, vai à Nova Zelândia na semana que vem para garantir apoio na reunião de ministros de comércio exterior dos 11 países membros da Transpacífico a ser realizada no dia 21 de maio no Vietnã.

Na Coreia do Sul, o liberal Moon Jae-In, presidente eleito na última terça-feira com 41,1% dos votos, parece não ter o mesmo punho firme de Trump em se tratando de Coreia do Norte. Moon Jae-In é filho de refugiados norte-coreanos e quer pacificar as relações com o regime de Pyongyang.


Oriente Médio

O mundo acompanhará de perto a eleição presidencial do Irã, no próximo dia 19 de maio. Companhias estrangeiras que desejam realizar negócios com o País estão otimistas, mas segurando o passo por conta da indefinição política.

Caso o atual presidente, Hassan Rouhani, consiga se reeleger, o País tende a se consolidar como opção de rota ao venture capital e roubar atenção ocupada hoje por algumas economias em desenvolvimento. Rouhani é um conservador moderado que busca mais diálogo com a comunidade internacional. Seus dois principais concorrentes, o ex-procurador geral Ebrahim Raisi e o governador de Teerã, Mohammad Bagher Ghalibaf, são conservadores linha-dura e não querem aproximação com o ocidente.


Europa

Os mercados seguem animados com a vitória tranquila do ex-banqueiro de investimentos Emmanuel Macron no segundo turno da eleição presidencial francesa. Macron quer implementar uma agenda de reformas na tentativa de tirar a economia do atoleiro da baixa competitividade, desemprego elevado e longo período de crescimento frustrante.

Suas propostas agradam investidores e trazem alívio aos líderes europeus, mas o clima político interno joga contra. Muitos franceses votaram com medo no segundo turno contra a radical Le Pen, mas não endossam as reformas de Macron. A campanha eleitoral revelou que quase metade do País prefere um papel maior do Estado na economia e não menor, como propõe Macron.

O novo presidente da França precisa vencer uma importante batalha já no próximo mês. Além de torcer para seu partido conseguir quantidade relevante de assentos nas eleições legislativas, Macron terá de formar maioria numa casa muito polarizada para conseguir apoio do Parlamento e tocar sua agenda.

Como de costume, nenhum receio tem abatido o humor nas praças europeiais, que seguem renovando máximas do ano. Mercados seguem bullish, mas em níveis de sobrecompra elevados.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Reconsideração


Primeiramente gostaria de agradecer todas as mensagens recebidas. Repensei a decisão de pausar as atividades do blog. Nesses últimos dias em que intensifiquei o monitoramento no mercado relembrei um dos principais motivos que me incentivaram a criar este humilde espaço: o excesso de informações de baixa qualidade.

Por incrível que pareça, na minha avaliação, hoje está mais difícil coletar dados úteis do que há cerca de dez anos atrás, quando a dinâmica do mercado também estava em processo de mudança. Atualmente há muita poluição virtual, o que demanda atenção e mais tempo para processamento das informações.

Para resolver esse problema, conversei com a Sra Finanças Inteligentes e ela vai dedicar tempo para me auxiliar no trabalho de coleta de dados. Desde o que é comentado em alguns fóruns até as palavras-chave presentes nos comunicados dos bancos centrais. Com isso, conseguirei retomar as aproximadas 5 horas necessárias para publicar cada texto no blog.

Ao tomar essa decisão, também refleti sobre algo que pudesse compensar o esforço que agora é de duas pessoas. Os meus textos não são uma luz no fim do túnel, mas pelo menos é algo que transmite a mais pura sinceridade, transparência e imparcialidade de uma cuidadosa opinião sobre o mercado. Sei que isso é raro de encontrar e, portanto, acredito que existe algum valor nas frases aqui escritas.

Os leitores que considerarem justo contribuir espontaneamente como forma de incentivo ou agradecimento, poderão fazer doações através de transferência bancária nas contas relacionadas abaixo, paypal ou pelo pagseguro uol (com opção de boleto ou cartão de crédito). Não vou estipular valores. Cada um avalia o que considerar adequado. O blog continuará aberto a todos e os textos voltarão a ser publicados a partir de amanhã.

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Agradeço antecipadamente e peço desculpas pelos eventuais transtornos.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Panorama macro global


Há exatos dez anos atrás corria nas mesas de operações notícias de que alguns hedge funds norte-americanos estavam, enfim, mostrando as garras em posições short. Muitos consideravam uma tremenda loucura abrir posições vendidas naquela época, já que o mercado vinha de um forte rali de cinco anos de duração. Os holders estavam dobrando capital na bolsa. A euforia dominava Wall Street e o mundo inteiro.

Poucos tiveram a frieza de perceber a tempo (meados de 2007) os primeiros sinais de um monstro chamado subprime, mesmo diante de condições técnicas e macro bastante claras. O estouro veio em 2008 como um rolo compressor esmagando capital em todas as praças financeiras.

A situação foi tão dramática ao ponto de exigir uma inédita intervenção dos bancos centrais em seus respectivos mercados. Nunca na história as autoridades monetárias injetaram tantos recursos no sistema financeiro. Os governos também tiveram de agir com significativa flexibilização fiscal.

As ações foram coordenadas a fim de se evitar um desastre sem precedentes na história do sistema capitalista. Deu certo, mas agora o mundo tem um passivo trilionário a administrar. Anos de relaxamento fiscal e monetário deixaram governos e banqueiros centrais sem margem de manobra e com balanços insustentáveis.

Após o estouro do subprime, os mercados ingressaram em um novo ciclo bull, impulsionados pelos governos e bancos centrais. Já são sete anos de euforia compradora dominante nas principais praças financeiras mundiais. É uma festa bonita, mas dificilmente se estenderá para a próxima década.

As condições para o futuro choque já estão sobre a mesa. O mercado ainda não as ingeriu, até porque o clima é bullish, portanto, notícias ruins tendem a ser desprezadas pelos investidores/operadores.

Com os balanços entupidos de ativos (parte deles supostamente podres), alguns bancos centrais estão atingindo o limite da capacidade de flexibilização monetária, como é o caso do BCE (Banco Central Europeu), BoE (Bank of England) e Banco Popular da China. O FED (Federal Reserve) já avisou que está bolando uma estratégia para começar despejar seus ativos de volta no mercado. Outros estão atrás da curva da FED, como é o caso do BoJ, mas preparando o terreno para o fim da era super dovish.

O balanço de 4,5 trilhões de dólares do FED representa apenas a ponta do iceberg, mas é o mais emblemático. É onde o mercado vai concentrar sua atenção no momento em que o choque vier. O FED não consegue suportar por muito tempo tamanho peso em seu balanço e terá de desovar títulos do Tesouro norte-americano e ativos hipotecários (alguns considerados podres) ao mercado, buscando retornar à normalidade.

Antes de a crise do subprime estourar no mercado, o FED tinha menos de 1 trilhão de dólares em ativos no seu cofre. Essa é a normalidade que será alcançada ao longo da próxima década, o que abre uma perspectiva de que 3,5 trilhões de dólares serão retirados somente do mercado norte-americano.

Ao desovar ativos no mercado, o FED estará iniciando a fase da desalavancagem financeira. É uma operação extremamente complexa, de proporções históricas e que tende a se estender por vários anos. A fase inicial da desalavancagem será gradual, com a autoridade monetária norte-americana deixando de reinvestir os juros de alguns títulos e/ou deixando de rolar alguns ativos após o vencimento.

Essa fase inicial tende a começar já no fim deste ano ou no início do próximo. Com o passar do tempo, o reinvestimento será cada vez menor e mais dinheiro será retirado do sistema financeiro.

Por mais que num cenário otimista o mercado possa encarar com tranquilidade o início da fase da desalavancagem financeira, muito dificilmente conseguirá se safar de um choque na medida em que o fluxo de retirada se tornar mais volumoso.

O mercado de ações norte-americano é comprador desde 2009. O desempenho deste atual ciclo bull ultrapassa a média das últimas décadas. Os indicadores técnicos mensais já mostram divergência de baixa. A abertura das bandas de bollinger, após a congestão de 2015, sinaliza euforia incomum em mercado extremamente sobrecomprado.


Apesar de o ambiente ser convidativo e não haver sinalização de topo ou reversão, o S&P500 não apresenta mais as condições necessárias para ingresso de novos holders no mercado. O risco elevado exige mudança de foco para tiros curtos, caso o investidor/operador queira surfar a espuma da onda.

Frankfurt acompanha a euforia de Wall Street. Ganhos robustos, acima da média das últimas décadas, mercado registrando novas máximas históricas. Os investidores europeus não sabem o que é crise, mesmo com a zona do euro atolada em déficits fiscais e baixo crescimento.


Bombay, na Índia, saiu de 7.700 pontos em 2009 para renovar nova máxima história este mês aos 30.000 pontos. Desempenho fenomenal para um mercado emergente, embora exagerado do ponto de vista macro. Do lado técnico, apesar de não haver sinalização de topo ou reversão, já se podem constatar divergências de baixa no gráfico mensal.


O mercado acionário brasileiro é um caso a parte. O governo Dilma promoveu uma série de ações que nos deixaram de fora da festa bullish global. O mercado de ações brasileiro foi um dos poucos no mundo que apanhou entre 2010 a 2015.
  
  
A virada para o ciclo bull só veio em 2016. O mercado tem condições técnicas de descontar parte do atraso em relação às demais praças. Por esso motivo, o Brasil é atualmente um dos centros mais propícios no mundo para operadores surfarem a espuma desta onda de alta global. Mas isso não significa que estamos blindados. Quando os diques se romperem, nós inevitavelmente seremos arrastados pela correnteza.

A parte macro no Brasil merece atenção e impõe cautela ao mercado de câmbio e da dívida pública (juros futuros). O mercado de ações tem sua própria dinâmica e muitas vezes se desloca na direção inversa dos fundamentos. Câmbio e juros são mais fiéis aos fundamentos e não costumam sustentar distorções por muito tempo.

O endividamento segue trajetória insustentável e tende alcançar 80% do PIB (Produto Interno Bruto) até 2019, segundo projeção da agência de classificação de risco Moody’s. Mesmo com o Banco Central mirando uma taxa Selic de 8,5% ao ano, ainda assim a dívida pública continuará tendo uma dinâmica perversa.

Com ou sem reforma desidratada da previdência, o próximo presidente vai assumir uma bomba fiscal. As consequencias são imprevisíveis, porém nada alentadoras. Não há como voltar atrás. Não há carga tributária suportável que cubra o buraco. Perdemos a janela de oportunidade para resolvermos o problema fiscal de forma civilizada e menos traumática.

Players de renda fixa já entenderam que a bola de neve está grande demais. Os juros futuros interromperam uma longa trajetória de baixa no mês passado, o que sinaliza fechamento de algumas posições compradas.


O ciclo bullish nacional das taxas futuras, iniciado em setembro de 2015, começa a dar sinais de esgotamento com as divergências de indicadores técnicos. Ainda não há confirmação de reversão, mas os riscos para abertura de novas posições compradas estão bem mais altos.

A deterioração fiscal é apenas parte do preço que ficará embutida nos títulos da dívida soberana local. A variável externa vai impactar o mercado brasileiro, pois a inevitável desvalorização das Treasurys (títulos do Tesouro norte-americano – referência global) com o processo de desalavancagem financeira contratado para os próximos anos, arrastará os preços dos títulos dos demais países, com efeitos potencializados em economias vulneráveis e/ou com fundamentos deteriorados.

Traders globais de renda fixa aproveitaram o mercado vendedor de Treasurys em meados do ano passado (vide disparada das taxas de juros) para se posicionarem na ponta comprada em praças com gordura em juros futuros, como foi o caso da brasileira. Por esse motivo os títulos soberanos brasileiros se valorizaram tanto nos últimos meses.


Com as Treasurys voltando a virar para a compra, estrangeiros tendem a fechar posições nas praças emergentes (que por sinal começam a ficar com prêmios magros) para aproveitar a nova onda em seus mercados de origem. Títulos soberanos do Japão, Reino Unido, Alemanha, entre outras praças cobiçadas, seguem a mesma dinâmica das Treasurys.

O movimento é tático e de curto prazo. A virada para compra nas Treasurys não é uma reversão na tendência principal, mas sim um alívio temporário. Com o passar dos meses/anos, as taxas tendem a voltar para a rota ascendente principal, com potencial para romper o pico de 3,02% registrado em 2014, acompanhando o aperto das condições monetárias.

Tendo de manter distância dos títulos soberanos para alvos mais distantes e com o mercado de ações esticado e arriscado demais, o asset allocation não será fácil nos próximos meses/anos. Muitos ativos caros no mercado financeiro global, governos e empresas endividadas demais e banqueiros centrais em rota de desalavancagem.

O ambiente propício para ganho de capital com relativa facilidade nesses últimos 7 anos não acabou, mas está chegando ao fim. Com os principais banqueiros centrais se preparando para fazer o caminho inverso, algumas moedas fortes serão usadas como refúgio, posições short começarão a surgir com mais volume e o giro curto terá de substituir o bom e velho hold como necessidade básica de sobrevivência.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Greve geral se transformou em feriadão violento


A greve geral convocada para esta sexta-feira contra as reformas da previdência e trabalhista pode ser considerada um fracasso. Bloqueios realizados por pequenos grupos em importantes vias das principais cidades brasileiras dificultaram a locomoção das pessoas aos seus locais de trabalho.

Em plena sexta-feira, véspera de mais um feriado, muitos brasileiros, que não aderiram ao movimento e saíram para trabalhar, optaram por retornar as suas residências em função da impossibilidade de locomoção. Com isso, o movimento nos centros urbanos caiu acentuadamente, dando um ar de feriadão.

Ao constatar que as aglomerações aparentavam volume significativamente baixo nos pontos de manifestações na parte da manhã (prenúncio de um fracasso), alguns participantes desses grupos resolveram lamentavelmente partir para a violência.

A classe média não foi para as ruas se manifestar, mas sim para tentar trabalhar, o que gerou grande alívio ao governo. Com apenas os sindicatos, movimentos sociais e partidos de esquerda tentando impedir o direito de ir e vir da população, o Congresso está com sinal verde para continuar tocando a agenda impopular de reformas.

Aproveitando a onda do fracasso da greve geral, Michel Temer também está com a faca e o queijo na mão para endurecer o jogo com sua base aliada. Os deputados que traíram o governo na votação da reforma trabalhista nesta semana tendem a ser punidos com a retirada de cargos de terceiros e quartos escalões.

No cenário externo, o Departamento de Comércio informou que o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos subiu apenas 0,7% durante o primeiro trimestre de 2017, impactado pela brusca redução dos gastos dos consumidores (que representam dois terços da economia). O resultado ficou muito abaixo das expectativas de economistas e analistas (em torno de 1,2%) e marcou o pior desempenho em três anos.

O número é o primeiro viés negativo econômico para Donald Trump e gerou preocupações entre investidores/operadores de que a redução de impostos, as desregulamentações e o aumento do gasto público podem atrasar ou mesmo se tornar inviáveis nos moldes atuais.

Wall Street recuou nesta sexta-feira refletindo a decepção com a atividade econômica. Entretanto, no acumulado da semana, os índices subiram, permanecendo colados nas suas respectivas máximas históricas.


O dólar contra cesta de principais moedas globais fechou mais uma semana em baixa e segue vendido no curto prazo, na mínima do ano.


A Treasury de 10 anos segue bullish, com intensa briga entre players de mercado pela média móvel simples de 200 períodos semanal, região de forte suporte e divisor de águas para o curto e médio prazo. A perda deste importante patamar de sustentação poderá acionar stops de posições vendidas ainda em aberto.


Na Europa, destaque para a disparada da inflação, dificultando que o BCE (Banco Central Europeu) continue fazendo vista grossa para manter seu forte programa de estímulo monetário.

A Agência de Estatísticas da União Europeia informou nesta sexta-feira que a inflação na zona do euro subiu forte no mês de abril, atingido 1,9%, máxima dos últimos quatro anos. A meta a ser perseguida pelo BCE é de 2%, restando, portanto, pouca margem de tolerância para os meses seguintes.

No Brasil, o índice Bovespa fechou a semana em alta, superando levemente a LTB dos 69,5k. Mercado tentando emplacar uma nova perna de alta, mas ainda barrado pela zona de congestão de curtíssimo prazo.


BCE prepara nova mudança na política monetária


Na reunião de Comitê realizada em dezembro de 2016, os membros do BCE (Banco Central Europeu) decidiram estender o significativo programa de compras de ativos que venceria em abril deste ano para até o mês de dezembro/2017. A prorrogação do programa de compras agradou investidores/operadores no mercado mesmo com o corte de 20 bilhões de euros no volume mensal de, até então, 80 bilhões de euros.

A partir do mês de abril, o BCE comprará 60 bilhões de euros em ativos no mercado de capitais europeu. Pouco se fala sobre a estratégia gradual de redução do volume de compras, muito semelhante ao cronograma de retirada do FED (Federal Reserve) na praça norte-americana.

A reunião de Comitê do BCE realizada nesta quinta-feira apresentou outra importante sinalização de que no mês de junho possa haver mais uma rodada de redução no volume de compras mensais. Mario Draghi, presidente do BCE, afirmou em entrevista após a reunião de Comitê que os dados apurados desde o mês de março (último encontro) confirmam que a recuperação cíclica da zona do euro está se tornando cada vez mais sólida e que os riscos diminuíram.

Pressionado por um repórter, Draghi confessou que houve debate mais intenso entre os membros do Comitê sobre a perspectiva de crescimento, com alguns mais otimistas do que outros. O viés mais otimista de alguns membros é um forte prenúncio de que mudanças na política monetária poderão ocorrer novamente no próximo encontro a ser realizado no mês de junho, possivelmente com uma nova redução no volume de compras mensal.

A decisão só não foi tomada já neste mês porque o BCE quer se convencer que existe uma tendência convincente de alta da inflação. No acumulado dos últimos 12 meses a inflação da zona do euro mostra aceleração, aos 1,54%, mas ainda relativamente abaixo da meta de 2% a ser perseguida. Além disso, o mercado não estava preparado psicologicamente para uma mudança já em abril, pois a autoridade monetária vinha reforçando um viés muito dovish, que tende a ser levemente quebrado nas próximas semanas.

O BoJ (Bank of Japan) também sinalizou nesta quinta-feira uma política monetária menos dovish para o futuro. A autoridade monetária japonesa fez sua avaliação mais otimista para a economia em nove anos ao descrever em comunicado ao mercado que a economia tem avançado para uma expansão moderada contra a avaliação anterior de que estava melhorando moderadamente como tendência. É a primeira vez que a palavra expansão surge nos comunicados do BoJ desde o crash de 2008.

A partir de agora, o BoJ também começa a considerar que a fraqueza da inflação será temporária, enxergando alcance da meta de 2% a longo prazo (considerada muito ambiciosa para uma economia em décadas de deflação acumulada).

Para não causar temor no mercado quanto ao fim do forte programa de estímulo monetário, Haruhiko Kuroda, presidente do BoJ, disse que a condição básica para que o debate sobre a estratégia de saída aconteça dentro do Comitê é a inflação oficial sinalizar alcance da meta de 2%, o que ainda está longe de acontecer.

Por enquanto, as novidades geraram apenas um pequeno ruído no mercado da dívida soberana, ainda sem afetar o viés comprador iniciado em fevereiro deste ano, responsável por manter as taxas numa tendência de baixa, atualmente muito próxima da meta de zero para o título soberano japonês de 10 anos a ser perseguida pelo BoJ.


A bolsa de valores do Japão segue bullish, acima da média móvel simples de 200 períodos diária e semanal, colada na máxima do ano, numa forte tendência de alta de longo prazo iniciada em 2012.


As praças europeias também seguem bullish, com destaque para a bolsa de Paris trabalhando movimento para superar o topo de 2014.


No Brasil, o Ibovespa apresentou mais um pregão fraco, pressionado dentro de uma congestão de curtíssimo prazo entre os 66k aos 62,5k, sem apresentar novidade.