quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Boas Festas


Prezados(as),

É com muita satisfação que venho por meio deste comunicado agradecer o tempo destinado à leitura dos humildes textos publicados neste espaço, além dos comentários sempre muito produtivos. Consegui completar mais um ano sacrificando o máximo possível de tempo para manter o blog ativo e, assim, contribuir para disseminar o básico de uma cultura financeira ainda muito carente no Brasil, além de repassar um pouco do meu conhecimento e experiência sobre o mercado, cenários macroeconômicos, bem como da importância da marcação cerrada aos principais drivers globais (FED, BCE, BoE, BoJ e PBC).

Encerramos mais um ano de clima muito positivo nas principais praças financeiras mundiais, embora os desafios domésticos estejam sendo postergados em algumas economias (incluindo a nossa, infelizmente), o que somado a certa “negligência” do fluxo em busca alucinante por retorno, evita uma pressão do mercado por ajustes eficazes e imediatos, aumentando, portanto, o risco para o cenário de médio e longo prazo.

O panorama para o futuro é desafiador ao investidor e não pretendo abandoná-los paralisando as atividades no blog, mesmo que o quadro fosse mais tranquilizador. Mantenho para o próximo ano o mesmo comprometimento que me motivou a criar este espaço. Apenas adianto pedido de desculpas pela queda no ritmo de postagens, pois observei que a eficácia realmente tem sido muito maior através do trabalho de assessoria de investimentos que comecei a desenvolver neste ano.

Confesso estar sendo muito mais fácil ajudar as pessoas investirem melhor suas economias através deste modelo de negócio, que é perfeitamente viável (assessoria sem custo), imparcial e eficaz (possibilitado pela comunicação transparente e ampla plataforma de produtos financeiros) e que ainda conta com o atrativo da tecnologia e segurança avançada, com o selo de uma instituição financeira de grande porte.

O feedback das dezenas de leitores que já contam com a minha assessoria de investimentos tem sido muito positivo, embora o trabalho esteja apenas começando, o que só reforça o acerto na importante decisão tomada neste ano. Por conta disso, gostaria de deixar as portas abertas aos leitores que ainda não conhecem e/ou querem contar com a minha ajuda em seus investimentos.

Sou assessor de investimentos na JB3 Investimentos, escritório credenciado à XP Investimentos. A minha função é auxiliar você a investir melhor seu dinheiro através da XP Investimentos, disparada a maior plataforma aberta de produtos financeiros do Brasil. Para que isso seja possível, basta abrir uma conta na XP através deste link, que já está direcionado ao meu código de assessor na XP (68439).

Para maiores informações sobre o meu trabalho e/ou agendamento de call, basta acessar este link, ou me enviar um e-mail ( robson@jb3assessoria.com.br ). Estou trabalhando com o que mais gosto de fazer e quanto mais pessoas puder ajudar, maior a satisfação.

Finalizo com o desejo de boas festas e, principalmente, saúde a você e toda família. Contem comigo. Estamos prontos para o que vier em 2018.

Um abraço,

Robson

Triunfo para Donald Trump, emoção para o mercado


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conseguiu sua primeira grande vitória legislativa na tarde desta quarta-feira. A Casa Branca trabalhou incansavelmente nos últimos dias para chegar a um consenso sobre as duas versões (Câmara e Senado) do texto da reforma tributária.

Os últimos impasses que levaram a alterações pontuais de última hora no Senado forçaram o retorno do texto para nova votação na Câmara, que por sua vez carimbou a versão final da polêmica reforma tributária por 224 votos a favor e 201 contra, pronta para ser sancionada pelo presidente.

A versão final do texto fechou com uma significativa redução da carga tributária de 35% para 21% às empresas e simplificou as categorias de pagamento de imposto de renda às pessoas físicas (de sete para quarto), com alíquota máxima caindo de 39,6% para 37%.

O corte de imposto será permanente para as empresas, mas para pessoas físicas terá validade até 2025. Além disso, a nova legislação vai dobrar o atual número livre de impostos sobre as heranças, que passa de 5,5 milhões para 11 milhões.

Outro detalhe importante presente no texto está no fim da imposição de um seguro individual requerido pelo Obamacare. O Departamento de Orçamento do Congresso estima que mais de 10 milhões de pessoas poderiam abandonar o sistema. Alguns meses atrás, Trump tentou desmantelar o Obamacare, mas não conseguiu avançar no Congresso. Entretanto, através da reforma tributária, Trump conseguiu fazer um ataque indireto ao Obamacare, podendo inviabilizar o programa para milhares de norte-americanos.

Todo o conjunto de medidas aprovado pelo Congresso faz parte de uma ampla reforma tributária, considerada a mais expressiva desde o governo Ronald Reagan, em 1986. O corte de impostos representará perda de cerca de 1,5 trilhão de dólares ao cofre do Tesouro norte-americano pelos próximos dez anos.

A aprovação da polêmica reforma é sem dúvida um grande triunfo a Donald Trump, cumprindo uma de suas principais promessas de campanha. Todavia, o sucesso político acrescenta dúvida quanto ao futuro de médio e longo prazo da economia norte-americana, o que pode voltar a deixar o mercado emocionante, diferentemente do longo período de calmaria nesses últimos anos.

Espera-se que a renúncia fiscal vá causar impulso econômico, com algumas projeções do governo apontando aceleração do crescimento para robustos 2,9%. O problema é que a economia norte-americana não demonstra (mais) necessidade de impulso, o Banco Central dos Estados Unidos já usou e abusou dos programas de quantitative easing e o mercado de trabalho está aquecido. Atualmente, a taxa de desemprego ronda a mínima dos últimos 17 anos.

O espaço, portanto, para aceleração do crescimento de forma sustentável, sem provocar desequilíbrios macroeconômicos, parece limitado. Caso a expectativa do governo de aceleração do crescimento se confirme, dentro de um quadro de pleno emprego, a inflação, inevitavelmente, até então apagada, deverá voltar aparecer com mais força nos próximos anos.

Não está nos planos do FED, nem do mercado, uma atuação preventiva mais dura contra os riscos inflacionários. Os números confortáveis do passado deixaram os participantes do mercado mal acostumados com uma situação inflacionária atípica, mas que não será duradoura.

Ninguém (nem mesmo os banqueiros centrais) parece esperar essa quebra de paradigma tão cedo. Não há preocupação com os impactos de médio e longo prazo da reforma tributária de Donald Trump e o fluxo de capital, livre e solto, é um sinal de que os investidores e hedge funds podem estar operando com as defesas desguarnecidas.

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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Rodada pós-FED


Estratégias diferenciadas marcaram a rodada de importantes decisões de banqueiros centrais nos últimos dias. Alguns países enxergam necessidade de defesa, mesmo com o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) mostrando uma postura extremamente dovish, outros observam GAP de oportunidade para manter ou relaxar ainda mais suas condições monetárias.

A primeira resposta veio da China, que em outras ocasiões durante este ano sinalizou preocupações com a situação do mercado de crédito local. O Banco Popular elevou em 5 pontos básicos as taxas de juros do mercado interbancário, num movimento visto como prevenção à fuga de capitais.

Apesar de o aumento ser considerado de pequena relevância (buscando efeito psicológico), o Banco Popular não subia os juros para as linhas de operações compromissadas no mercado aberto desde março deste ano. A medida não causa impacto expressivo aos custos de empréstimo, mas representa uma resposta ao comunicado emitido pelo FED na última quarta-feira.

No Reino Unido, o BoE (Bank of England) se mostrou otimista em seu comunicado divulgado à imprensa após o término da reunião de Comitê de dois dias realizada na semana passada. A autoridade monetária britânica decidiu manter a taxa básica de juros em 0,5% ao ano, sem alterar a orientação de que se a economia seguir a trajetória esperada, outros aumentos modestos (0,25 p.p.) na taxa básica de juros serão justificados ao longo dos próximos anos.

Entretanto, o BoE se mostrou satisfeito com o avanço nas negociações do Brexit, fato que reduz o risco de uma saída desordenada e, consequentemente, alivia as tensões no mercado local, podendo até mesmo aumentar a confiança de famílias e empresas novamente. O Banco Central também adiantou que vai considerar o progresso positivo do Brexit em suas projeções a serem reavaliadas no mês de fevereiro/2018.

O BCE (Banco Central Europeu) confirmou que as compras mensais de ativos no mercado financeiro serão reduzidas para 30 bilhões de euros por mês a partir de janeiro/2018. O Banco Central também segue com a promessa de manter os juros baixos até depois do término do programa de compras mensais e/ou até mesmo voltar a expandi-lo se a perspectiva de inflação piorar.

Segundo estimativa do BCE, a inflação tende a se manter abaixo da meta até 2020, quando alcançará 1,7%, cenário que deixa as portas arreganhadas para manutenção de uma política monetária extremamente expansionista. Mario Draghi, presidente do BCE, disse ainda que não viu nenhum efeito negativo no aperto da FFR (Federal Funds Rate – taxa básixa de juros dos Estados Unidos) realizado na semana passada.

O Banco Central da Rússia realizou movimento ousado e inesperado na reunião de Comitê encerrada nesta última sexta-feira.  A taxa básica de juros caiu 0,50 p.p., para 7,75% ao ano, influenciada pela inflação surpreendentemente baixa de 2,5% no acumulado dos últimos 12 meses, significativamente abaixo da meta a ser perseguida de 4% ao ano.

Além de fazer um corte mais agressivo do que o amplamente esperado pelo mercado, o Banco Central da Rússia adiantou que novas reduções moderadas poderão acontecer no primeiro semestre deste ano. O movimento da autoridade monetária russa voltou a ficar semelhante com a estratégia já observada no Brasil, aproveitando do clima positivo no mercado para acelerar o afrouxamento monetário.

No México o cenário é totalmente inverso. O Banxico surpreendeu ao elevar em 0,25 p.p. sua taxa básica de juros, para 7,25% ao ano, em resposta às intensificações das pressões inflacionárias.

A renegociação desfavorável do Nafta está criando pressão adicional sobre a taxa de câmbio local, propagando-se para a economia, forçando atuação da autoridade monetária. Nos últimos 12 meses, a inflação no México acelerou mais do que o esperado, atingindo 6,63%, muito próxima da máxima dos últimos 16 anos registrada em 6,66% ao ano.

De forma geral, o ambiente global segue favorável. Wall Street continua renovando máximas históricas, com S&P500 alcançando incríveis 2.690 pontos. Na Europa, Frankfurt e Londres voltam a se aproximar de seus respectivos topos históricos com boa velocidade/agressividade nos últimos dias. Índia, Rússia, Japão e África do Sul voltaram a colar na máxima do ano. Turquia em forte movimento de recuperação, enquanto Brasil e Coreia do Sul seguem um pouco atrás, tentando pegar carona no movimento global.

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

FED Peace & Love


Os membros do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) não querem atrapalhar a agenda de reforma tributária de Donald Trump. A reunião de Comitê de dois dias, encerrada nesta quarta-feira, mostrou que a autoridade monetária norte-americana subestima os efeitos de um poderoso pacote de impulso fiscal, sem precedentes na história, prestes a ser chancelado no Congresso.

O Banco Central dos Estados Unidos elevou a meta para a FFR (Federal Funds Rate) em 0,25 p.p. para o intervalo de 1,25% a 1,50% ao ano. O primeiro sinal dovish veio com o placar da decisão. Dos 9 integrantes com poder de voto, 2 votaram contra a decisão de política monetária. O presidente da regional de Minneapolis, Neel Kashkari, e o presidente da regional de Chicago, Charles Evans, queriam manutenção da FFR entre o intervalo de 1,00% a 1,25% ao ano.

Os membros do Comitê avaliaram os impactos da reforma tributária, mas surpreenderam ao não alterar suas projeções sobre a inflação e taxa básica de juros, mesmo considerando cenário de aceleração do crescimento e fortalecimento do mercado de trabalho. Parece ser uma conta que estranhamente não fecha, mas é o cenário base com o qual o FED trabalha.

A mediana de projeções para o PIB de 2017 subiu de 2,4% para 2,5%. Para 2018, a estimativa saltou de crescimento de 2,1% para 2,5%. A taxa de desemprego tende a encerrar 2017 aos 4,1%, mínima dos últimos 17 anos, e continuar cedendo em 2018, alcançando 3,9%.

Entretanto, os números mais fortes para o PIB e o mercado de trabalho não foram acompanhados pela inflação e taxa básica de juros. A mediana das projeções dos membros do Comitê para a inflação subiu de 1,6% para 1,7% em 2017, mas se manteve estável em 1,9% para 2018. O mesmo racional é aplicado para o núcleo de inflação, com perspectiva de encerrar 2018 em 1,9%, pouco abaixo da meta de 2% a ser perseguida.

Acompanhando uma expectativa de inflação fraca, o gráfico de pontos para a FFR revela nenhuma mudança nas projeções, mesmo com aprovação da significativa reforma tributária no Congresso. A mediana das estimativas para a FFR ficou inalterada em 2,1% para 2018 e 2,7% para 2019, com longer run em 2,8%, denunciando extrema cautela na condução da política monetária.


O fato de o FED reconhecer os efeitos da reforma tributária sobre o crescimento e o mercado de trabalho, mas não enxergar o impacto esperado sobre inflação (consequentemente FFR) levanta dúvida sobre a relação da autoridade monetária com o governo norte-americano, talvez, “peace & love” demais.

Certamente, os números pesadamente dovish do FED em seu quadro de projeções são um belo presente à administração Trump, já que uma expectativa de aperto monetário mais duro poderia colocar em cheque o processo de aceleração da taxa de crescimento já considerada satisfatória para uma economia de grande porte operando com mercado de trabalho aquecido.

Em entrevista coletiva concedida à imprensa na tarde desta quarta-feira, a chair do FED, Janet Yellen, afirmou que os membros do Comitê continuam acompanhando de perto a inflação, com perspectiva de estabilização ao redor do centro da meta. E mesmo se a inflação exceder os 2%, o FED não pisaria no freio imediatamente, o que reforça uma condução dovish arriscada para a política monetária nos próximos anos.

Existe, portanto, uma margem de tolerância para o FED continuar com sua estratégia extremamente gradual de aperto monetário e desalavancagem do sistema financeiro a conta-gotas.

O Banco Central também está longe de querer acabar com a festa do mercado de capitais. Questionada sobre o nível do S&P500, em forte tendência de alta desde 2009, Yellen respondeu que os preços dos ativos estão elevados para os padrões históricos, mas não significa que estão sobrevalorizados, dando a entender que as baixas taxas de juros futuros, combinadas com o crescimento econômico sólido e inflação baixa respaldam a euforia do mercado.

O FED demonstrou estar muito confortável com a situação político-econômica e condições dos preços dos ativos no mercado. Os republicanos no Congresso agora possuem o carimbo do Banco Central para chegar a um acordo sobre a versão final da legislação fiscal e o mercado de capitais continua com o importante suporte da autoridade monetária. Enquanto a inflação não mostrar sinais de aceleração superior ao centro da meta, a maré tende a continuar positiva, embora não se deva abaixar a guarda, já que o FED está assumindo risco para o médio e longo prazo.

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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

A conta que não convence


Apesar de aprovada em versões distintas na Câmara e no Senado, a articulação do governo Donald Trump tem conseguido avançar em direção a um consenso para a reforma tributária no país.

Após chancelar sua proposta no último dia 2 de dezembro, o Senado decidiu, na semana passada, iniciar negociações formais para conciliar as propostas tributárias entre as duas casas (Câmara e Senado). A decisão de busca por conciliação do Senado seguiu o mesmo gesto apresentado pela Câmara, excepcionalmente num curto espaço de tempo, o que abre possibilidade de que um projeto final de lei possa realmente ser apresentado até o prazo final do dia 22 de dezembro estabelecido por Donald Trump.

Com a chance aumentando de uma proposta conciliada no Congresso para sanção do presidente, cresce a discussão no mercado sobre as vantagens e desvantagens de uma mudança orçamentária significativa (o maior corte de impostos da história, segundo o governo norte-americano).

O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, divulgou uma carta feita por nove economistas, no qual afirmam que a reforma tributária aumentará o crescimento dos Estados Unidos em 0,3% ao ano na próxima década. Nesta segunda-feira, o Departamento do Tesouro divulgou outro estudo no qual estima que a reforma tributária aumentará o PIB de forma suficiente para gerar receita adicional de 1,8 trilhão de dólares em 10 anos.

Ou seja, a conta do Departamento do Tesouro é mais do que suficiente para compensar a perda de receita com os cortes de impostos. O racional é uma velha e conhecida armadilha experimentada pelo Brasil no passado, onde se acreditava que uma redução de impostos impulsionaria o investimento, criaria novos empregos, aumentaria salários, o que provocaria impulso na economia. Quanto mais forte o crescimento, consequentemente maior será a arrecadação.

No estudo, o Departamento do Tesouro projeta aceleração do crescimento para 2,9% ao ano, nível muito robusto para uma economia avançada e de grande porte. O problema é que o estudo não apresenta detalhes de como o crescimento alcançará nível tão elevado e muito menos qual seria a resposta do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) para manter a inflação ancorada na meta de 2% a ser perseguida.

Ministros de Finanças das cinco maiores economias da Europa já expressaram preocupação e alertaram os Estados Unidos de que a reforma, se aprovada, estará conflitante com as regras internacionais do comércio mundial.

Um estudo independente, feito por 38 economistas consultados pela Universidade de Chicago, mostra que a reforma não vai intensificar o crescimento econômico nem perto do nível esperado pelo governo, além de provocar aquilo que até mesmo leigos em economia temem: aumento da dívida pública.

O corte de impostos representará uma perda de 1,4 trilhão de dólares ao cofre do Tesouro norte-americano pelos próximos dez anos. Além do risco fiscal, o espaço para aceleração do crescimento de forma sustentável, sem criar desequilíbrios macroeconômicos, parece limitado, já que atualmente a economia opera perto do pleno emprego.

O impulso econômico, portanto, se ocorrer, provavelmente irá se esbarrar nas condições aquecidas do mercado de trabalho, provocando o efeito colateral da aceleração da inflação. O novo chair do FED, Jerome Powell, escolhido a dedo pelo Donald Trump, tende a fazer o possível para a política monetária não entrar em conflito com a política fiscal e econômica.

Powell é reconhecidamente dovish no mercado e em declarações recentes tem sido claro em enxergar poucos riscos de aceleração da inflação. Em tese, o aumento da inflação forçaria uma resposta na política monetária, com juros subindo mais rápido do que o esperado e/ou aceleração no processo de desalavancagem financeira.

A taxa de desemprego nos Estados Unidos está em 4,1%, mínima dos últimos 17 anos, mas o FED não tem demonstrado intimidação frente ao risco de uma reforma tributária ser aprovada nas condições macro atuais. Já se especula no mercado que o FED tende a se afastar da agenda fiscal, esperando, primeiramente, por uma reação consistente da inflação por algum tempo, para posteriormente revisar sua estratégia de política monetária.

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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Copom se prepara para a saideira


O extenso e significativo ciclo de afrouxamento monetário, iniciado pelo Copom (Comitê de Política Monetária) há cerca de pouco mais de um ano, pode estar chegando perto do fim. Empolgado com a velocidade de desinflação, o Banco Central não poupou cerimônia para cortar agressivamente a taxa Selic durante todo esse período, deixando o mercado enlouquecido com a situação relativamente atípica de ganhos expressivos alcançados em ativos de risco, principalmente nos contratos de juros futuros.

O mercado, entretanto, parece ter atingido ponto de embriaguez com as elevadas doses proporcionadas pelo Copom e não tem reagido como antigamente. Desde o mês de outubro, quando o Banco Central cortou a taxa Selic em 0,75 p.p., sinalizando redução moderada na magnitude de flexibilização monetária, não se observa mais aquela euforia na curva de juros futuros. Pelo contrário, as taxas voltaram a subir e alcançaram o patamar de dois dígitos na ponta longa, parecendo um clima de fim de festa ou prenúncio de uma saideira.

A sinalização de que a festa pode estar realmente acabando apareceu formalmente no comunicado do Copom emitido ao mercado nesta quarta-feira. O Banco Central reduziu a magnitude de flexibilização monetária, de 0,75 p.p. para 0,50 p.p. e avisou que, para a próxima reunião, a ser realizada nos dias 6 e 7 de fevereiro, a magnitude do corte poderá sofrer uma nova redução moderada.

Entre outras palavras, a taxa básica de juros, atualmente em 7%, tende a recuar para 6,75% em fevereiro de 2018, desde que o cenário evolua conforme esperado. Entende-se por cenário esperado qualquer sinal positivo de avanço na reforma da previdência, até porque, nenhuma autoridade monetária no mundo que não desfrute de independência tem audácia suficiente para traçar cenário (ou seja, neste caso específico, apostar) contra o governo. O cenário esperado do Banco Central é uma aposta na agenda de reformas e seus reflexos positivos na economia.

Sem dúvida uma aposta difícil e muito arriscada. Não por acaso, os membros do Copom acrescentaram uma ressalva importante no comunicado emitido na noite desta quarta-feira: “essa visão para a próxima reunião é mais suscetível a mudanças na evolução do cenário e seus riscos que nas reuniões anteriores”.

Isso significa que o esperado corte de 0,25 p.p. está longe de ser algo “garantido” em fevereiro de 2018. O trecho acima não transmite devida confiança da autoridade monetária, deixando a porta aberta para a primeira decisão do ano que vem, que pode ser, inclusive, nenhuma. Simplesmente uma manutenção da taxa básica de juros. Outro sinal de que estamos na saideira ou muito próximo dela é o fato de o comunicado apontar que “para frente, o Comitê entende que o atual estágio do ciclo recomenda cautela na condução da política monetária”.

Para frente, significa menção às próximas reuniões a serem realizadas nos dias 20 e 21 de março e 15 e 16 de maio. Portanto, se existe dúvida sobre o que fazer até o mês de fevereiro, esse mesmo ponto de interrogação não aparece para os meses seguintes do ano que vem. A recomendação de cautela na condução da política monetária, diante do atual estágio, é um forte sinal de interrupção do atual ciclo de cortes da taxa básica de juros.

Banco Central do Brasil em cima do muro sobre o que fazer em fevereiro, juntamente com a frágil base de apoio necessária para aprovação da reforma da previdência e/ou qualquer avanço positivo em alguma necessária medida de ajuste fiscal de curto prazo, além dos desdobramentos na política monetária e fiscal dos países desenvolvidos nos próximos meses, pode ser um prato cheio para volatilidade no mercado.

Nesta mesma quarta-feira, o RBI (Reserve Bank of India) manteve sua taxa básica de juros inalterada em 5,75% como medida de prevenção ao cenário macro, incluindo à inflação local que subiu para 3,58% no acumulado dos últimos 12 meses. Diferentemente do Brasil, inflação de 3,58% não é um número tão comemorado na Índia.

Lembrando que a meta de inflação a ser perseguida pelo RBI é de 4% ao ano, mas mesmo operando com certa folga abaixo da meta, a autoridade monetária local não quer abaixar sua guarda, pois entende que os riscos internos e externos não são desprezíveis e prefere aguardar os desdobramentos dos próximos meses antes de tomar uma decisão.

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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Está difícil fazer a galinha voar


Tristemente reconhecido mundialmente como a economia dos vôos de galinha, o Brasil tem conseguido decepcionar até mesmo aqueles que esperavam a manutenção da nossa velha trajetória econômica de vôos de curta distância e baixa altura.

A galinha consegue pelo menos dar um bom salto nos primeiros instantes de seu vôo, mas nem isso estamos conseguindo mais replicar. A decolagem da nossa economia parece desnorteada, sem plano de vôo. Continuamos à espera de empurrões (benefícios) e quando não tem colheita na fazenda, o desespero aumenta.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) deu um banho de água fria nesta sexta-feira ao anunciar que o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre deste ano expandiu 0,1% frente ao trimestre anterior. O crescimento paupérrimo ainda é louvado por alguns integrantes do governo, pois nos salvou de um vexame ainda maior de retração no trimestre.

O número é ridiculamente baixo não somente para um país de porte emergente, mas para qualquer economia, independente de sua categoria, pois diante de um ambiente positivo e de elevada liquidez no mercado financeiro mundial, com vários países trabalhando dentro de um bom ritmo de expansão, espera-se, no mínimo, que uma economia seja puxada pelo resto do planeta ou ao menos tente acompanhar o ritmo.

A pesquisa do IBGE mostrou uma retomada econômica, que mal começou, já perdendo impulso. No primeiro trimestre de 20117 o Brasil cresceu 1,3% na comparação com o trimestre anterior. No segundo trimestre deste ano a expansão foi de apenas 0,7%, mesmo com medidas de impulso artificiais, como a liberação de saques do FGTS.

O vilão do resultado decepcionante deste terceiro trimestre recaiu sobre a agropecuária, não por ironia considerada a grande heroína do resultado do primeiro trimestre. Ou seja, quando tem colheita na fazenda, a economia vai bem. Quando não tem colheita, temos de suar para ganhar uns trocados.

Alguns analistas ressaltam que a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) foi um ponto positivo do resultado terceiro trimestre deste ano. De fato, a FGCF subiu 1,6% em relação ao segundo trimestre de 2017, mas a base é muito baixa. Para uma taxa de investimento que está na lona, 1,6% a mais não representa quase nada. Mesmo com a alta deste terceiro trimestre, a taxa de investimento ficou em 16,1% do PIB, muito distante da média de países emergentes em torno de 30% PIB.

O fato é que parece difícil enxergar pontos positivos quando não se olha para a agropecuária. No acumulado dos três primeiros trimestres deste ano, o Brasil cresceu “incríveis” 0,6%, ante igual período de 2016. A indústria encolheu 0,9% e os serviços 0,2%. A agropecuária cresceu 14,5%, o único segmento que registra expansão acumulada no ano.

Não fosse a agropecuária, mais especificamente a supersafra de grãos de 2017, o Brasil ainda estaria em período recessivo. Somente a safra de milho deve crescer 54,9% neste ano, segundo projeções do LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola). É possível imaginar que o país dos vôos de galinha só conseguiu sair da recessão porque vendeu muito milho.

Para fechar a semana azeda, temos de engolir o upgrade na Argentina. Nesta sexta-feira a agência de classificação de risco Moody’s elevou o rating dos hermanos de B3 para B2, com perspectiva estável, destacando as reformas macroeconômicas do governo Macri. A nota da Argentina ainda está abaixo da brasileira, mas a diferença diminuiu para três degraus.

Enquanto os argentinos comemoram o upside no rating soberano, mantendo trajetória ascendente, nós brasileiros, em trajetória descendente, cruzamos os dedos para não levarmos mais um downgrade. Merecido o upside argentino que de fato tem conseguido fazer reformas estruturantes relevantes, algo diferente do que se costuma chamar de reforma aqui no Brasil.

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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

China volta atacar riscos financeiros


No começo deste ano, o Banco Popular (autoridade monetária da China), iniciou uma escalada nas suas taxas de juros de recompra reversa (linhas de 7 dias, 14 dias e 28 dias).  O ajuste da autoridade monetária chinesa era uma tentativa de conter o aumento dos riscos financeiros, num cenário local de endividamento elevado e enfraquecimento do iuan frente ao dólar.

O Banco Popular insistia em afirmar que não estava apertando sua política monetária, onde a taxa básica de juros se manteve inalterada estrategicamente aos 4,35% ao ano, justamente para não criar pânico no mercado. A estratégia funcionou por algum tempo até o governo chinês sinalizar, neste mês, uma nova investida contra o mercado de crédito.

Desta vez, o ataque foi concentrado em pequenas firmas que emprestam dinheiro. Conforme noticiou o jornal International Financial News, a China pretende acabar com 157 instituições online que operam microempréstimos. Este segmento oferece empréstimos quase que imediatos pela internet, normalmente com baixa análise de risco, sem garantias e elevadas taxas de juros, em volume estimado de 152 bilhões de dólares.

Segundo o prospecto da LexinFintech, empresa chinesa de microcrédito que planejava abrir capital nos Estados Unidos, a taxa efetiva anual média dos empréstimos é de 25,3%, com duração média de 9,4 meses. No documento, a empresa apenas se limitou a afirmar que sua captação é de fontes diversificadas.

As plataformas P2P, que buscam juntar pessoas interessadas em emprestar dinheiro com pessoas interessadas em tomar empréstimos também estão dentro deste segmento no qual o governo chinês quer fazer uma faxina e podem ser afetadas ou mesmo sumir do mapa. Ao todo, existem mais de 60 firmas P2P, com valor estimado mensal de concessão de empréstimos de 12 bilhões de yuans.

Com essa nova investida, a tendência é que apenas as estatais (que seguem à risca as vontades de Pequim) e firmas de grande porte continuem com suas licenças para operar microcrédito. As autoridades chinesas já apresentaram propostas de mudanças nas regras de concessão para essas instituições, como novos limites para a estrutura de capital, visando diminuir os riscos do mercado de crédito.

O setor de serviços financeiros na China é um monstro de 40 trilhões de dólares e volta e meia levanta dúvidas no mercado quanto à qualidade dos empréstimos. O governo tenta contornar focos de possíveis distorções com intervenções microeconômicas, pois não pode permitir que um sistema altamente alavancado, como o atual, passe por uma crise de proporções inestimáveis por um “pequeno” revés em determinado segmento.

Além disso, este novo ataque do governo, agora focado no segmento de microcrédito, reforça a estratégia já sinalizada em trimestres anteriores de redução/limitação do excesso de alavancagem do sistema, buscando manter a estabilidade financeira a médio e longo prazo.

A forte queda da bolsa de Xangai frente à máxima do ano registrada semana passada ainda é um movimento incipiente, mas já levantou temores por parte de alguns investidores de novas intervenções do governo no mercado de ações. Em 2015, Pequim anunciou uma série de medidas, desde a suspensão de ações até incitações para fundos estatais comprarem papéis na bolsa, todas com objetivo de reduzir a volatilidade no mercado, mas a atuação excessivamente intervencionista foi um desastre, o que acabou criando ainda mais volatilidade no mercado, deixando muitos investidores traumatizados.

Já o mercado de bonds definitivamente não é mais o mesmo na China. As taxas de juros futuros estão subindo desde os primeiros sinais de fumaça encontrados no final de 2016.


A taxa de juros do título do tesouro chinês com vencimento em 10 anos saltou de 2,60% em novembro do ano passado para cerca de 4% ao ano. O movimento vendedor denuncia apreensão do mercado quanto aos riscos financeiros no país. Apesar do quadro negativo, a atuação do governo chinês tem conseguido evitar, até o momento, contágio para outras praças.

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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Reforma da previdência não garante regra 2+2


A famosa regra 2+2, na qual é preciso alcançar 2% de crescimento econômico ao mesmo tempo em que o superávit primário seja de 2% do PIB, a ser perseguida pelo Brasil para buscar estabilização da trajetória de endividamento está longe de ser alcançada num cenário de curto e médio prazo, mesmo considerando aprovação de uma reforma da previdência completa. Numa versão enxuta da reforma aprovada, analistas consideram que o impacto fiscal positivo para os próximos 2/3 anos seria insignificante.

Os 2% de crescimento são factíveis para serem trabalhados dentro de um cenário de curto e médio prazo, mas os 2% de superávit primário parecem estar orbitando em outra galáxia, sem esperanças de serem alcançados até o final desta década, quando o nível de endividamento tende a se aproximar (ou mesmo ultrapassar) de perigosos 80% do PIB.

Segundo o economista Pedro Schneider, do banco Itaú, o governo conseguiria economizar cerca de 6 bilhões de reais em 2019 com aprovação do novo texto (versão enxuta) da reforma de previdência, o que por si só não seria suficientemente necessário para cumprimento do teto de gastos em 2019.

O governo brasileiro gasta mais da metade de seu orçamento preenchendo cheques, sendo as aposentadorias parte relevante destas despesas. Outros 20% são necessários para pagamento dos juros da dívida, preço salgado de nossa irresponsabilidade fiscal do passado. Somente os cheques e pagamentos de juros constituem, portanto, 75% dos gastos do governo. O número está muito acima de um limite aceitável, se distorcendo até mesmo da média de países da América Latina, que gastam 26% do orçamento com transferências e 10% com pagamento de juros da dívida.

A previdência precisa ser rigorosamente reformada no Brasil, mas não resolverá nosso gigantesco passivo fiscal a curto e médio prazo. Isso significa que, para ao menos estabilizar a trajetória de endividamento (hoje em forte ascendência), serão necessárias duras medidas adicionais de cortes imediatos de gastos ou aumento substancial da carga tributária.

Um estudo encomendado pelo ex-ministro Joaquim Levy ao Banco Mundial, cerca de dois anos atrás, ficou pronto nesta semana. O relatório do Banco Mundial aponta elevada ineficácia de nossos gastos e propõe algumas soluções para melhora na gestão dos recursos públicos. Chegou-se a conclusão de que o Simples Nacional, a Zona Franca de Manaus, o Inovar Auto, o PSI (Programa de Sustentação de Investimentos) e a desoneração da folha de pagamentos não alcançaram os resultados esperados e sequer melhoraram a eficiência da economia. A eliminação desses programas, portanto, não traria prejuízos em termos de eficácia e ainda poderia gerar economia de 2,03% do PIB, exatamente o “número mágico” da regra 2+2.

O Banco Mundial também sugere enxugamento de 1,29% do PIB nos gastos de estados e municípios e redução pela metade da diferença salarial dos servidores públicos federais em relação ao setor privado. De todos os países pesquisados pela instituição, o Brasil é onde os servidores públicos federais tem maior vantagem salarial em relação aos trabalhadores de funções semelhantes da iniciativa privada. A média mundial é de 17% a mais para servidores federais, sendo que no Brasil a vantagem alcança os 67%.

O relatório também aponta economia significativa apenas com mudanças nos procedimentos de compras públicas, atuação com mais eficácia no sistema de saúde e reforma no sistema de educação, medidas que poderiam ter impacto no curto prazo. Já a reforma da previdência é a medida de maior benefício fiscal, porém mais perceptível a longo prazo.

Entretanto, somente o que está relacionado à reforma da previdência (mesmo numa versão bastante desidratada frente à proposta original) tem ocupado as principais manchetes dos jornais. Para alguns, a bolsa de valores pode estar criando uma sensação (falsa) de que o mercado tem apostado na aprovação da reforma, apesar de na prática ser algo praticamente impossível. O governo não aparenta ter os 308 votos necessários para garantir aprovação em dois turnos na Câmara. Ainda assim, mesmo se passar na Câmara, o governo teria de iniciar outra batalha no Senado, já com os partidos em ritmo de campanha.

O Ibovespa está puro e simplesmente plugado ao fluxo global comprador. Os principais índices de Wall Street renovaram máxima histórica mesmo com o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) iniciando os trabalhos de desalavancagem de seu balanço e sinalizando nova elevação da taxa básica de juros no próximo mês. Londres está a menos de 200 pontos abaixo de sua máxima histórica mesmo com as dificuldades nas negociações com o Brexit e elevação da taxa básica de juros pelo BoE (Bank of England), pela primeira vez em uma década. Frankfurt também segue próximo de sua máxima histórica mesmo com a derrota de Angela Merkel na formação de um governo de coalizão.

O fato de os preços dos ativos mostrarem resiliência, a nível global, revela que os investidores continuam despreocupados com as sinalizações macroeconômicas, situação típica de mercados bullish. A busca frenética por retorno num cenário de escassez de promoções mantém o mercado eufórico, onde as quedas de curto prazo têm servido apenas de justificativa para investidores aumentarem suas posições.

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Mercado se anima com upgrade na Índia


Notícias de upgrades nos ratings de economias emergentes relevantes se tornaram muito raras, se não escassas, nos últimos longos anos. O status quo era de rebaixamentos de notas e revisões para perspectivas negativas.

Na última quinta-feira a agência de classificação de risco Moody’s quebrou a maré ruim anunciando upgrade no rating da Índia. A nota de classificação do título soberano indiano subiu de Baa3 (último degrau do grau de investimento) para Baa2, também alterando a perspectiva de estável para positiva. Esse foi o primeiro aumento no rating da Índia por parte da Moody’s nos últimos 14 anos.

A agência de classificação de risco considera que a Índia tem feito importantes progressos em um amplo programa de reformas econômicas. Embora algumas das séries de reformas estejam em fase inicial, o “pouco” do que já foi implementado na Índia foi suficiente para fazer a Moody’s acreditar que proporcionará base para melhorar o ambiente de negócios, aumentar a produtividade, estimular o investimento estrangeiro e, consequentemente, promover um crescimento forte e sustentável, com impacto positivo até mesmo a nível global.

Uma das principais cartadas de Arun Jaitley, ministro de Finanças da Índia, até o momento, está na criação do imposto sobre bens e serviços (taxa única e simplificada que elimina barreira ao comércio interestadual), medidas para enfrentar o excesso de empréstimos inadimplentes no sistema bancário, melhorias no quadro da política monetária e ações para reduzir a informalidade na economia.

Também merece destaque melhorias na frente fiscal, endossadas pela nova Lei de Gerenciamento de Responsabilidade Fiscal e Orçamentária, ampliando a transparência e credibilidade do governo.  A inflação segue confortavelmente baixa e as reservas internacionais aumentaram para máximos históricos, criando importantes amortecedores para absorver eventuais choques internos e externos.

A Moody’s projeta crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 6,7% no encerramento do ano fiscal em março de 2018, aumentando para robustos e sustentáveis 7,5% a médio e longo prazo, uma taxa significativamente maior do que a maioria de outros países emergentes.

A principal fraqueza da Índia está no nível de endividamento. Considerando apenas o quadro apresentado nos últimos parágrafos, a Índia poderia estar facilmente sonhando com uma nota A3, um patamar grau de investimento médio elevado. A elevada dívida publica é um duro fardo para o rating indiano e, consequentemente, acaba levantando uma muralha para alguns players globais.

As reformas realizadas até o momento criam confiança de que, pelo menos, o alto endividamento permanecerá estável a curto/médio prazo (ou seja, deixará de subir, o que já é um bom sinal), diminuindo a longo prazo. Traduzindo em números, a dívida preocupante da Índia é de 68% do PIB, significativamente superior à média de 44% do PIB para países rating Baa (Moody’s) ou BBB (Standard & Poor’s e Fitch).

Obviamente, o atual nível de endividamento absurdo de 74% do PIB no Brasil, combinado com os juros futuros ainda considerados elevados, é um preocupante e gravíssimo ponto fora da curva, não servindo como base de comparação para outros países, mesmo de nível inferior.

O upgrade da Índia quebrou, pelo menos por enquanto, o clima azedo que pairava sobre o mercado, especialmente nas praças emergentes. A bolsa da Índia reagiu para cima, fechando em forte alta pelo segundo pregão consecutivo, aos 33.342 pontos. O clima positivo contaminou outras praças emergentes, como Rússia, África do Sul e Brasil.


Na China, o mercado permaneceu de mau humor por conta da revisão de projetos de parceria público-privada. O Ministério das Finanças endureceu as regras para aprovação de novos projetos, preocupado com os riscos da dívida, reforçando a agenda de longo prazo do governo de desalavancagem do crédito.

Nos Estados Unidos, destaque para aprovação do projeto de reforma tributária na Câmara dos Deputados, por 227 votos a favor e 205 contra, que prevê grandes cortes de impostos para pessoas físicas e jurídicas. Entretanto, o Senado trabalha com uma proposta diferente de reforma tributária, com algumas modificações em relação ao projeto da Câmara.

A expectativa é que a atual reforma aprovada na Câmara enfrente forte resistência no Senado, não somente pela visão diferente dos parlamentares das duas casas, mas também pelo fato de os republicanos possuírem maioria apertada no Senado, bem diferente da ampla maioria na Câmara.

Analistas da Nomura avaliam que há 60% de chance de aprovação de um pacote de reforma tributária mais simples no primeiro trimestre de 2018, 20% de aprovação de uma reforma robusta (similar à proposta da Câmara) e 20% de que nenhuma proposta seja aprovada.

Há uma tendência de entendimento entre deputados e senadores republicanos para um texto final mais simples e voltado para a proposta do Senado, não somente por “sensatez” fiscal, mas também por conta da estreita margem de vantagem que os republicanos possuem no Senado. Na Câmara, os republicanos estão folgados com 240 assentos, precisando apenas de 218 votos para aprovar uma reforma tributária. No Senado, os republicanos possuem 52 assentos, mas só podem perder dois votos para conseguir aprovar uma reforma tributária.

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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

México entra em bear market


Temido por investidores do mundo inteiro, o urso está de volta e desembarcou com fome na praça mexicana. Desde a recuperação ascendente de preços iniciada em 2016, o urso até tentou aparecer no México, aproveitando-se do temor criado pelo mercado em torno da candidatura de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, mas sem sucesso.

Seguindo o ambiente global extremamente positivo e de intensa busca por ativos de risco, a praça mexicana entrou em 2017 dentro de um forte rali, dando sequência à trajetória iniciada em 2016. Os investidores locais (e estrangeiros que compraram México este ano), pouco se importavam com a agenda de Trump para negociação do Nafta (bloco econômico formado por Estados Unidos, Canadá e México).

Atualmente, o maior parceiro comercial do México são os Estados Unidos, disparado. Essa ficha parece enfim ter caído no mercado. Conforme alerta de Wilbur Ross, Secretário de Comércio dos Estados Unidos, o fim do Nafta seria especialmente devastador para o México. Obviamente os Estados Unidos também seriam prejudicados, mas em menor intensidade. A visão da Casa Branca é a de que não conseguir um acordo é melhor do que ter um acordo ruim.

Um sinal de que a agenda de negociação não está avançando é o fato de os principais ministros dos Estados Unidos, Canadá e México, com autoridade sobre o Nafta, não estarem presentes na quinta rodada de discussões que ocorre nesta semana na Cidade do México. Apenas grupos de negociação de nível inferior se reunirão a partir desta sexta-feira.

As autoridades de alto nível destes três países se encontraram anteriormente na cúpula dos líderes da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), realizada no Vietnã. O encontro possivelmente não superou o desgaste acumulado no passado, que ficou nítido quando as autoridades norte-americanas relataram desapontamento com as discussões.

Os Estados Unidos querem firmar um novo pacto até março de 2018 e entre suas principais exigências estão o aumento da cota de produtos fabricados no país, principalmente para o setor automotivo, melhores leis trabalhistas no México, mudanças no processo de resolução de disputas e uma cláusula de caducidade que poderia forçar a renovação do acordo a cada cinco anos, ou suspendê-lo caso ao menos um dos membros não desejasse estendê-lo por mais 5 anos.

Apesar de o FMI (Fundo Monetário Internacional) ter ratificado neste mês que a economia do México segue resiliente, principalmente pela redução do déficit (pouco inferior a 50% do PIB) e melhora na regulamentação financeira, o urso está rugindo alto na praça mexicana.

Atualmente, a bolsa do México é negociada aos 203,94 pontos, acumulando mais de 20% de queda desde pico registrado em julho deste ano, aos 255,83 pontos. Normalmente, analisas e investidores consideram mercado em ciclo bear quando a queda ultrapassa os 20% desde o último topo. Já mercados em ciclo bull são considerados quando a valorização ultrapassa 20% desde o último fundo.

O temor com a negociação do Nafta não é o único motivo que pode explicar a virada para bear market no México. A inflação local está em 6,37%, muito acima da meta de 3% a ser perseguida e o Banxico (Banco Central mexicano) não subiu a taxa básica de juros na última reunião de Comitê, atualmente em 7%.

O Banxico quer apostar num cenário de recuo da inflação no futuro, embora as condições atuais não estejam jogando a favor. Nós brasileiros conhecemos bem os perigos dessa estratégia. A taxa de juros do título da dívida soberana do governo mexicano, com vencimento em 10 anos, disparou de 6,70% no final de junho para 7,37%.


A moeda local também está levando um baile. O peso mexicano saiu dos 17,44 dólares em julho deste ano para 19,23 dólares. Agenda externa complexa, inflação alta, juros futuros disparando e câmbio derretendo não combinam com autoridade monetária sem ação.

Não por acaso, ou injustiça, o urso apareceu no México. A bolsa local acumula 12 semanas seguidas de queda, num movimento bastante atípico e que chama atenção do mercado, pois é a primeira praça financeira relevante a entrar em bear market desde 2016, abrindo possibilidade de contaminação para outras praças consideradas esticadas por alguns analistas.


Ainda não é possível afirmar se o sell-off no México tende a ser um evento local, mas o fato é que outras economias, principalmente as emergentes, incluindo o grupo dos cinco frágeis, estão começando a ver suas moedas serem depreciadas em relação ao dólar, taxas de juros futuros (referência títulos de 10 anos) subindo e bolsas cedendo.

O mesmo urso que bebe tequila também pode apreciar uma vodka, caipirinha, entre outras “bebidas”, ou não. Ao investidor brasileiro, cabe o velho conselho de não creditar peso relevante aos acontecimentos do nosso circo doméstico, como tem feito a mídia local, pois, antes de tudo, somos dependentes do cenário externo.

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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Temor aumenta com os salvacionistas na América Latina


Dentro de um intervalo de dois anos, 14 dos 21 países latino-americanos realizarão eleições presidenciais. Ainda neste ano, haverá disputa no Chile e em Honduras. Em 2018 o caldeirão vai ferver no Brasil, México, Colômbia, Paraguai, Costa Rica e Venezuela. Para 2019, haverá disputa presidencial na Argentina, Uruguai, El Salvador, Panamá e Guatemala.

O mercado está relativamente tranquilo com a eleição presidencial do Chile, que já começa no dia 19 de novembro (primeiro turno). Sebastián Piñera, candidato conservador, de viés pró-mercado, e que inclusive já governou o país entre 2010 a 2014, é o grande favorito na disputa.

Piñera está com 32,8% das intenções de voto no primeiro turno, muito a frente do candidato de centro-esquerda Alejandro Guiller, com 13,8% das intenções de voto. Tanto Guiller, quanto Piñera, tentaram usar ao máximo a imagem de outsider. Porém, o fato de Guiller ser visto como uma sucessão da impopular centro-esquerda Michelle Bachelet, atual presidente do Chile, favoreceu para que Piñera pudesse crescer como outsider, porém com um discurso mais a direita. Bom lembrar que a esquerda de Bachelet falhou em seu plano de governo, o que culminou num período de fraco crescimento e desemprego de 6,7% no maior exportador de cobre do mundo.

A maior preocupação dos analistas, agências de rating e do próprio mercado é justamente com o calendário de 2018. O cenário base geral para os países no qual passarão por disputas presidenciais em 2018 é de baixo crescimento, sensação de insegurança, decepção com casos absurdos de corrupção e cansaço com políticos tradicionais, elementos considerados “fermentos poderosos” para ascensão não necessariamente de outsiders, mas de candidatos populistas ou salvacionistas.

A percepção é de que há potencial apoio considerável da população à figuras salvacionistas no México, Colômbia e Brasil. Enrique Peña Nieto, atual presidente do México, tem aprovação de apenas 12% e os maiores partidos de oposição (incluindo o esquerdista PRD) estão formando aliança para derrotar o partido do governo (PRI) nas eleições de 2018. O PRI governou o México por sete décadas até 2000, voltou ao poder em 2012 com Peña Nieto, mas agora parece que sua hegemonia está novamente ameaçada.

Na Colômbia, o partido da Farc (Força Alternativa Revolucionária do Comum), antiga guerrilha, enxergou espaço para disputar as eleições presidenciais com candidato próprio (seu principal líder, Rodrigo Londoño Echeverri). O primeiro turno das eleições presidenciais na Colômbia será em maio de 2018, mas as eleições legislativas para o Senado e Câmara ocorrerão em março deste ano, também com candidatos próprios da Farc. A disputa no Congresso será fundamental para investidores e agências de rating traçarem as perspectivas econômicas para o médio e longo prazo.

No Brasil o quadro é ainda mais complicado, pois o atual governo Temer, teoricamente de centro-direta, com discurso pró-mercado, trabalha com uma aprovação extremamente baixa (3% apenas da população), taxa de desemprego muito elevada (12,4%), recuperação econômica lenta, com PIB potencial ridiculamente baixo para países emergentes.

Um candidato, portanto, que utilizar o mesmo discurso/estratégia de Temer pode não conseguir apoio suficiente da população nas eleições presidenciais do ano que vem, já que os próprios indicadores econômicos pesam contra o discurso. A população não entende que os problemas atuais são consequência do passado desastroso da nova matriz econômica, o que pode enfraquecer um discurso com viés mais ortodoxo no próximo ano.

Grande parte dos analistas brasileiros acredita que o próximo presidente será um candidato de centro-direita, mas, apesar da grande necessidade de se colocar a casa em ordem, o mercado não parece tão confiante nesta hipótese. Convencer a população com medidas impopulares, semelhantes à agenda do governo Temer, para solucionar o gigantesco passivo fiscal, parece missão praticamente impossível, pois a realidade do crescimento baixo e desemprego alto pesam bastante na escolha do eleitor.

Na verdade, a baixa credibilidade do discurso ortodoxo, evidenciada pelos indicadores econômicos, juntamente com o clima de decepção com a classe política tradicional, abre espaço para salvadores da pátria surgirem com discursos diferentes, aproveitando-se do desespero por mudança.

Em particular, as agências de classificação de risco não parecem dispostas a esperar o resultado das eleições no Brasil para tomar uma decisão sobre o nosso atual rating BB, dois níveis abaixo do grau de investimento. A Standard & Poor’s emitiu um alerta recentemente de que a nota brasileira pode ser rebaixada, caso as mudanças nas regras de aposentadoria e pensão não aconteçam em tempo hábil de dar algum respiro ao próximo governo.

Nesta sexta-feira, vazou informação de que a Moody’s pode rebaixar o rating de até três grandes economias da América Latina (muito possivelmente o Brasil faz parte deste grupo no alvo da Moody’s) e não esperará os resultados das próximas eleições presidenciais.

Para o caso brasileiro, a reforma da previdência está se mostrando fator fundamental não somente para Moody’s, mas Standard & Poor’s e Fitch, tomarem uma decisão logo. Não há tempo para discussões sobre o que fazer com os insustentáveis déficits fiscais. A trajetória do nível de endividamento está se aproximando de um caminho sem volta, quando combinada com a carga de juros atuais (contratos futuros). Se não atacarmos o problema com urgência e devido rigor, estaremos comprando passagem para descer mais um degrau na escala de rating.

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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Fatura está mais salgada para os países dos cinco frágeis


Analistas de investimentos de grandes bancos estrangeiros adoram criar nomes, expressões ou siglas fáceis de memorizar que simplifiquem a transmissão de suas respectivas visões macro em relatórios aos investidores. A estratégia, quando alcança repercussão relevante no mercado, também serve como marketing barato e eficaz aos bancos de investimentos.

O acrônimo BRIC, criado por Jim O’Neill, para se referir à força das economias do Brasil, Rússia, Índia e China, com posterior adesão da África do Sul (mudando o nome para BRICS), foi uma das grandes sacadas de O’Neill e uma bela jogada de marketing longo e barato ao Goldman Sachs na década passada.

Outras siglas tiveram repercussões temporárias fortes, como os PIGS (porcos, em inglês), no auge da crise do euro, para designar os quatro países com sérios problemas fiscais na Europa (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha). Já algumas não emplacaram, como a BIITS, tentativa do Deutsche Bank de designar um grupo de cinco países fragilizados.

Em 2013 o Morgan Stanley apareceu com a mesma ideia do Deutsche, mas ao invés de tentar criar um acrônimo para o grupo de países frágeis e/ou vulneráveis, simplesmente o apelidou de “os cinco frágeis”. A partir deste momento, Brasil, Índia, Indonésia, África do Sul e Turquia passaram a ser mundialmente conhecidos como os cinco países mais vulneráveis às mudanças econômicas, principalmente ao processo de normalização das políticas monetárias nas economias avançadas.

Muitos criticaram a formação do grupo dos cinco frágeis, considerando-a injusta. Nós, brasileiros, por exemplo, não aceitávamos ser comparados com a Turquia. Alguns analistas, inclusive de outros países, acharam a expressão um pouco pesada, contendo um viés talvez injustificadamente mais pessimista para esses cinco países.

Apesar de todo barulho, fato é que o Morgan Stanley estava correto. O título de 10 anos do Brasil está pagando um prêmio na faixa de 10% ao ano, em linha com a taxa praticada em 2013, quando a expressão foi criada. Bom lembrar que a nossa taxa subiu em 2013, 2014 e em 2015 alcançou quase 17%.

Os últimos dois anos foram de correções nos prêmios do Brasil, mas ainda estamos pagando juros de dois dígitos no título com vencimento em 10 anos, sendo que a taxa básica de juros opera aos 7,50%. O GAP entre a taxa básica de juros versus taxa futura de 10 anos revela desconfiança do mercado em diagnósticos de longo prazo.

A toda poderosa Índia, que cresce 5,7% ao ano, em pleno processo de reformas, com taxa básica de juros em 6%, inflação ancorada em 3%, tem que pagar 6,90% no título com vencimento em 10 anos. A taxa exigida pelo mercado hoje está praticamente 1 p.p. acima da mínima dos últimos anos.

A Indonésia paga 6,66% no título de 10 anos, acima dos bons tempos de rolagem/emissão da dívida a 5% ao ano durante 2012 e 2013. Apesar de mais salgado, o governo local está satisfeito com o prêmio atual, pois em 2015 a taxa se aproximou dos 10%. O retorno ao patamar de 5% parece um caminho difícil a ser traçado, já que a curva de juros futuros não aponta para baixo no longo prazo há um bom tempo.

O bond da África do Sul se distancia cada vez mais dos patamares alcançados em 2013. Hoje o governo paga 9,28% no título com vencimento em 10 anos, bem acima dos 6% alcançados quatro anos atrás, também com a curva de juros futuros de longo prazo apontando para cima.

O sal está carregado no título do governo Turco. Para emitir dívida com vencimento em 10 anos, o governo turco precisa pagar hoje ao mercado 11,92% ao ano, prêmio significativamente acima dos 6% praticados em 2013.


O Banco Central da Turquia, inclusive, se viu forçado a ativar, nesta semana, um mecanismo de emergência para injetar 1,4 bilhão de dólares no sistema financeiro com o objetivo de tentar deter a queda da lira turca e disparada dos yields, além de acalmar o mercado.

Apesar de não haver sinais de fuga de capitais, as taxas dos títulos da dívida soberana destes cinco países não estão em terrenos confortáveis. A liquidez no sistema financeiro global está mais alta quando comparada há quatro anos, mas mesmo assim as dificuldades de captação estão se mostrando visíveis nos prêmios.

O clima de aparente tranquilidade nas principais praças financeiras mundiais também tem camuflado o movimento defensivo de alguns investidores em bonds dos cinco frágeis. A ausência de uma espécie de alarme geral tocando no mercado pode criar acomodação para alguns governos não seguirem agendas estruturantes necessárias para restabelecer fundamentos macroeconômicos básicos a fim de se enfrentar um cenário futuro adverso de menor liquidez no sistema.

Mesmo com o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) iniciando sua fase de desalavancagem no mês de outubro, permitindo o vencimento de uma pequena parcela de títulos de seu balanço e a China visando um crescimento menor na próxima década para desarmar riscos de um endividamento elevado, alguns governos ainda estão acostumados com as facilidades do passado e não se deram conta de que o cenário para o futuro tende a ser diferente.

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