sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Donald Trump vai jogar no ataque


Contrariando a expectativa de alguns analistas e até de importantes líderes políticos globais, o velho e agressivo Trump das campanhas eleitorais não será tão diferente do novo Trump como presidente dos Estados Unidos.

Em discurso de posse nesta sexta-feira, Donald Trump, quadragésimo quinto presidente dos Estados Unidos, invocou o espírito nacionalista e criticou fortemente a classe política, duas grandes marcas de sua polêmica campanha eleitoral.

O novo presidente dos Estados Unidos enfatizou que vai colocar de volta os interesses de sua nação em primeiro lugar, reforçando perspectivas de revisões em alguns acordos comerciais, ameaçando o frágil processo de globalização. A posição de Donald Trump é, também, de enfrentamento ao presidente da China, Xi Jinping, que tem defendido vigorosamente o livre comércio.

Logo no primeiro dia de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, ficou claro que as relações comerciais entre as duas maiores potências globais estão se estremecendo. Não por acaso Xi Jinping tem se empenhado em marcar posição contraria as sinalizações de Trump, já que uma onda de protecionismo, puxada pelos Estados Unidos, jogaria a China em colapso, hoje a maior exportadora de bens do mundo.

Trump não só indicou que vai partir para o ataque contra a China, como também vai combater problemas internos utilizando mais fiscal para investir em infra-estrutura, conceder subsídios e aumentar as desregulamentações a fim de se criar mais empregos e impulsionar o crescimento econômico.

Conforme informação disponibilizada pelo site da Casa Branca, a nova administração terá como meta criar 25 milhões de empregos no País, além de retomar um ritmo anual de crescimento da ordem de 4% ao ano. Os números são ambiciosos e, se atingidos, podem provocar efeitos significativamente adversos.

O novo presidente dos Estados Unidos parece não ter se convencido de que o espaço para mais impulso fiscal é pequeno, já que a economia opera próxima do pleno emprego, com a inflação se ancorando no centro da meta. A insistência de Trump numa política fiscal mais expansionista poderá forçar o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) responder com mais aperto na política monetária.

Na política externa, a nova administração tem como principal objetivo erradicar completamente o terrorismo islâmico da face da Terra, palavras mencionadas pelo próprio presidente dos Estados Unidos no seu discurso de posse. Para isso, a Casa Branca confirmou posteriormente que o novo governo realizará operações militares agressivas conjuntas e de coalizão quando necessário, além de trabalhar para cortar os financiamentos de grupos terroristas, promover guerra cibernética para combater propaganda e recrutamento e expandir o compartilhamento de informações.

Uma nova proposta de orçamento será apresentada ao Congresso com objetivo de reconstruir as Forças Armadas dos Estados Unidos, com boa possibilidade de rápida aprovação, já que um orçamento militar robusto sempre foi defendido pelos republicanos, que hoje ocupam a maioria tanto na Câmara, quanto no Senado.

Apesar de nenhum plano ter sido detalhado na tarde desta sexta-feira, o discurso de posse deixou claro que Donald Trump está empenhado em seguir suas promessas de campanha, criando um ambiente de incerteza a nível global.

Por outro lado, o receio continua não contaminando o mercado, mostrando que boa parte dos players ainda preferem aguardar os desdobramentos da administração Trump para traçarem cenários de médio e longo prazo.

O clima em Wall Street segue positivo e os principais índices acionários continuam colados em suas respectivas máximas históricas.


A Treasury de 10 anos (título do Tesouro norte-americano), considerada o termômetro do mercado para a política fiscal de Donald Trump, subiu ligeiramente nesta sexta-feira para 2,48%, ainda empurrada pelas últimas declarações da chair do FED, Janet Yellen.


O dólar contra cesta de principais moedas globais fechou em leve baixa nesta sexta-feira, trabalhando dentro de uma correção de curtíssimo prazo, sem causar ameaça à tendência principal de alta.


Ainda nesta sexta-feira, a Agência Nacional de Estatísticas informou que o PIB (Produto Interno Bruto) da China cresceu 6,8% no quarto trimestre de 2016, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado veio acima do esperado, impulsionado por uma política fiscal ainda muito expansionista, com gastos governamentais considerados excessivos combinados ao aumento da circulação do crédito na economia.

No acumulado de 2016 a economia chinesa expandiu 6,7%, ficando dentro da meta a ser perseguida pelo governo (entre 6,5% a 7%). Mesmo conseguindo cumprir seu objetivo, a China registrou no ano passado o ritmo de crescimento mais lento dos últimos 26 anos.

Para 2017, a expectativa é de continuação da trajetória de desaceleração do crescimento, onde a meta a ser perseguida será possivelmente revista de uma banda entre 6,5% a 7% para 6,5%. A redução gradual do ritmo de crescimento é necessária para que as lideranças políticas consigam conter os riscos da dívida, que tem aumentado significativamente nos últimos anos.

A bolsa de Xangai reagiu para cima, reforçando a formação de fundo duplo na região dos 3k. Mercado bem armado para superar a LTB 3,3k.


Na Europa, destaque para a reunião do BCE (Banco Central Europeu), onde as taxas de juros foram mantidas, bem como o cronograma do programa de compra de ativos, que será reduzido de 80 bilhões de euros mensais para 60 bilhões a partir de abril, com termino previsto para dezembro de 2017.

A reunião de política monetária, encerrada na última quinta-feira, foi marcada por intensa pressão para que a autoridade monetária da zona do euro respondesse à recente sinalização de aceleração da inflação. O Bundesbank (Banco Central da Alemanha) subiu suas críticas ao BCE, afirmando que as políticas tem corroído a riqueza dos poupadores e permitido economias mais fracas a fugir das reformas fiscais.

Em entrevista concedida após a reunião de Comitê, Mario Draghi, presidente da instituição, surpreendeu ao minimizar os riscos provocados pela aceleração da inflação, afirmando ainda não detectar sinais de uma tendência de alta após contabilizar o efeito do aumento dos preços do petróleo.

Draghi finalizou pedindo paciência aos mais críticos (recado dirigido especialmente ao Bundesbank), dizendo que as taxas de juros subirão na zona do euro a partir do momento em que houver aceleração no processo de recuperação do crescimento, quadro que ainda pode demorar para se materializar.

A bolsa de Frankfurt reagiu com otimismo, fechando o pregão desta sexta-feira em alta, colada na máxima histórica.


Na Inglaterra, o índice FTSE trabalha movimento técnico de alívio após o forte e impressionante rali dos últimos dois meses, responsável por jogar o mercado para elevado nível de sobrecompra.


No Brasil, o índice Bovespa fechou a sexta-feira em alta, renovando a máxima de 2017 e muito próximo de testar a máxima do ano passado, aos 65,3k. Mercado segue comprado.


11 comentários:

  1. Agora, uma coisa que me intriga, e porque os mercados estão desprezando completamente essa sinalização.
    E se você concorda com o raciocínio acima,ate quando você acha que os mercados continuarão ignorando esse discurso.
    E só pra complementar como você analisa o cambio daqui pra frente.

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    1. As políticas heterodoxas ganharam força desde a crise do subprime e os players de mercado podem estar viciados com os impactos positivos provocados nos preços dos ativos nesses últimos anos.
      Não tenho a menor ideia rs.. Creio que o investidor precisa apenas reconhecer a soberania do mercado, assim ele estará preparado para operar o que vier.

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  2. EUA fechado, china free market. kkk. Quem diria, ideologia é besteira, mais vale dançar conforme a música..

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    1. Sim rsrs.. Cada um defendendo seus próprios interesses.

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  3. É deprimente ver o Bundesbank sem poder fazer nada e tendo que aceitar essa política inconsequente do BCE, que parece muito mais preocupado em não deixar países irresponsáveis quebrar do que qualquer outra coisa.

    Mas o Euro está cada vez mais chegando ao fim.

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    1. E deve doer mais ainda no Bundesbank ver a própria Merkel (que deveria estar defendendo os interesses da Alemanha) sendo conivente com esta política inconsequente para que mais países não deixem a UE. A cada dia que passa, começo a ver que o Reino Unido fez bem em pular fora.

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  4. Se a China quiser, enquadra-o. Basta tentar resgatar as reservas kk

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    1. Não dá rs.. A economia da China não se sustenta sem as reservas internacionais.

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  5. Postado por CRICRI

    Bom dia FI

    Mais um texto abrangente e consistente que permite uma visão de 360 graus da situação mundial.

    Só tenho duvidas em relação aos EUA estarem próximos do pleno emprego. Pois embora o índice de desemprego esteja em 4,7 % êle não registra os que desistiram, os subempregos e os que estão ganhando muito menos que antes. Afinal, dizem os analistas, Trump foi eleito pelas promessas de emprego e pelo desalento dos que foram deixados para trás.

    Abraço

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    1. Sim, o FED também monitora essa parcela da população que não entra no cálculo do índice de desemprego e ainda assim considera que a economia está se aproximando do pleno emprego. O movimento desejado (pelo FED) para o futuro é de não criar tantos postos de trabalho a mais, mas sim transformar esses postos em empregos de mais qualidade e aumentar a renda das famílias.
      Abs,

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  6. FI,

    Vamos ver o Trump ... mercado que gosta de previsibilidade ... agora ficou complicado rs ... mas vamos ver .. por enqt .. to pagando pra ver .. ainda vendido no dolar ...

    Abs,

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