quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Inflação na zona do euro ameaça cautela do BCE


Pouco mais de um mês após o BCE (Banco Central Europeu) surpreender o mercado ao decidir reduzir o volume de compras de 80 bilhões de euros por mês para 60 bilhões de euros a partir de abril deste ano, surge uma inflação capaz de arrebentar com os planos cautelosos de saída do longo período de estímulos monetários praticados pela autoridade monetária europeia.

Superando as estimativas, a inflação na zona do euro acelerou fortemente no mês de dezembro do ano passado, atingindo 1,1% (na comparação anual), nível mais elevado desde setembro de 2013. Conforme informado pela Eurostat (agência de estatística da União Europeia), o número é significativamente superior à inflação de 0,6% registrada em novembro e 0,5% em outubro, o que demonstra rápido avanço rumo à meta de 2% ao ano a ser perseguida pelo BCE.

A retomada da inflação na Europa é puxada pelos preços de alimentos e energia, na esteira do movimento de recuperação dos preços das commodities. O retorno da inflação já era esperado para 2017, mas o forte ritmo de dezembro deverá forçar uma revisão nas projeções do BCE.

A autoridade monetária europeia estendeu seu programa de compra de ativos até o fim deste ano, mas se viu forçada a reduzir o volume de compras mensais em 20 bilhões. A baixa eficácia do programa de estímulos, somada aos crescentes custos para o balanço trilionário do BCE, sinaliza aproximação do limite na estratégia de política monetária.

Entretanto, com o avanço da inflação mais forte do que o esperado, o BCE terá de rever sua estratégia para os meses seguintes, onde possivelmente novas reduções no volume de compras devem ser anunciadas neste ano.

O BCE adotou uma estratégia de saída bastante gradual para os seus programas de estímulos, na tentativa de seguir os passos bem sucedidos pelo FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos). O problema é que a aceleração da inflação inviabiliza uma saída gradual e o ritmo de cortes no volume de compras poderá aumentar, o que deixará o mercado local vulnerável aos choques nos preços dos ativos.

Menos cautelosos também estão os membros do Comitê de Política Monetária do FED. A ata da última reunião realizada em dezembro, divulgada hoje, revelou que os integrantes entendem que a economia pode crescer mais rapidamente por conta das promessas de estímulo fiscal, desregulamentação e gastos com infraestrutura do presidente eleito Donald Trump.

O comunicado da última reunião mostrou que a mediana das estimativas para a meta da Fed Funds subiu de 1,1% para 1,4% ao fim de 2017, de 1,9% para 2,1% ao fim de 2018, de 2,6% a 2,9% ao fim de 2019 e de 2,9% para 3,0% no longo prazo. Mas se as pressões inflacionárias aumentarem no governo Trump (fruto da implementação de suas propostas), o ciclo de aperto monetário poderá ser ainda mais agressivo.

Por outro lado, o mercado de bonds a nível global se acalmou um pouco nos últimos dias, com leve redução nas taxas. A Treasury de 10 anos (título do Tesouro dos Estados Unidos), recuou de 2,60% para 2,54%.


A taxa de juros do título de 10 anos do governo alemão recuou de 0,40% ao ano para 0,28%.


No Reio Unido, a taxa de juros do título com vencimento em 10 anos recuou de 1,50% para 1,34%.


Apesar do recente movimento comprador, a dinâmica para dívida soberana a nível global permanece sensível às vendas. Ainda não há sinal de interrupção na tendência principal de alta das taxas.

Ao contrário da dinâmica global, o mercado de bonds brasileiro segue dentro de uma forte onda compradora. A tendência principal (baixa nas taxas) foi reforçada nas últimas semanas com renovação de mínimas anuais nos contratos da ponta curta. Muitos investidores estrangeiros continuam enxergando oportunidades para fazer carry trade em ativos brasileiros, mesmo com aumento do rendimento dos títulos em praças mais seguras (o GAP ainda é considerado elevado).

Nas bolsas de valores, o clima positivo de Wall Street voltou a contaminar praças emergentes que haviam sofrido com vendas pesadas nos últimos meses. O Ibovespa rompeu a LTB dos 65,3k mostrando candle de força relevante, reafirmando mercado comprador no curto prazo, além de suavizar os riscos para manutenção da tendência principal de alta iniciada aos 37k.


A bolsa da Índia se aproximou da principal resistência de curto prazo, localizada na região da média móvel simples de 200 períodos diária, após consolidar formação de fundo duplo nos 25,8k.


Nos Estados Unidos, o índice S&P500 segue operando sem apresentar novidades, dentro de uma forte tendência de alta, colado em máxima histórica.
 

3 comentários:

  1. FI,

    Vamos ver o q vai acontecer com o alto endividamento de muitos paises e empresas européias que é facilmente administrado com o juro ridiculamente baixo ... 2017 promete ....

    Abs,

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  2. Quando a bolha resultante da expansão monetária vai estourar no SP500 com, hoje, seu P/L em torno de 25 (muito acima da média histórica)?

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