terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Reino Unido quer ruptura total com a União Europeia


A primeira-ministra britânica, Theresa May, colocou um fim às especulações sobre os objetivos do Reino Unido na negociação para a saída da União Europeia.

O discurso da premiê britânica revela que o Reino Unido não quer adotar uma postura de estar meio dentro e meio fora da União Europeia, frustrando novamente a expectativa de algumas lideranças do bloco, que acreditavam possuir mais cartas na manga para uma negociação favorável.

O Reino Unido quer estar totalmente fora do mercado comum da União Europeia após o fim das negociações que podem durar dois anos e se reafirmar como um player global que busca negociar livremente fora da Europa.

Com o status de uma potência autônoma, o Reino Unido também vai negociar acordos de livre comércio com a União Europeia, sob um novo modelo, mais ousado e ambicioso, no qual deve ser detalhado nos próximos meses.

Theresa May não quer buscar um Brexit suave, pois entende que sua economia está em vantagem em relação a vários países da zona do euro, por possuir moeda própria e autoridade monetária independente.

Esse diferencial pode ser o fator decisivo para um sucesso do Reino Unido no Brexit. O gráfico abaixo (libra contra euro) mostra que as condições estão melhorando para os britânicos abocanharem uma parte maior do mercado consumidor europeu. O movimento de queda da libra contra o euro começou em 2015 e se intensificou em 2016, já operando abaixo da média móvel simples semanal de 200 períodos, confirmando uma consolidação de tendência. A desvalorização é considerada significativa.


Na briga por fatia de mercado, num ambiente altamente competitivo e de baixa pressão da demanda global, a forte desvalorização da libra é mais benéfica do que prejudicial ao novo Reino Unido.

Mesmo com a recente aceleração da inflação, atingindo o nível mais alto em dois anos e meio, ainda há margem sobre a meta de inflação para o BoE (Bank of England) responder com mais cautela no curto prazo. Futuramente, no médio e longo prazo, o aperto das condições monetárias no Reino Unido tende a ser compensado pelo fortalecimento do crescimento, influenciado pelo aumento das exportações com uma moeda mais fraca.

No Brasil, destaque para a divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) na manhã desta terça-feira, deixando clara a tentativa da autoridade monetária de empurrar a economia via cortes agressivos na taxa básica de juros.

O fraco e decepcionante desempenho da atividade local parece ser uma preocupação maior do que o balanço de riscos para a inflação. Mesmo com o mercado projetando inflação de 4,81% no fim de 2017 (boletim Focus da semana passada, avaliado pelo Comitê), a autoridade monetária considera que as expectativas estão ancoradas.

No documento, o Banco Central revela que a extensão do ciclo de corte de juros e possíveis revisões no ritmo de flexibilização continuarão dependendo das projeções e expectativas de inflação, bem como da evolução dos fatores de riscos acompanhados.

Levando em consideração a decisão de cortar 0,75 p.p. na taxa básica de juros diante da complexidade do quadro macroeconômico, as próximas reuniões de Comitê podem continuar surpreendendo o mercado, já que não parece haver uma rota razoavelmente pré-definida, sustentada por fundamentos, mas sim uma ambição por juros menores o mais rápido possível.

Outro ponto interessante está no retorno das intervenções da autoridade monetária no mercado de câmbio local. Bastou o dólar apresentar condições técnicas de retomada da trajetória altista (martelo colado na linha inferior de bollinger em região de sobrevenda, confirmado por um candle de força relevante no pregão seguinte) para a autoridade monetária atuar com leilões de swaps tradicionais, equivalente à venda futura de dólares.


Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central, afirmou nesta terça-feira que a autoridade monetária poderá sempre fornecer hedge a empresas se os mercados não estiverem funcionando bem e se houver problemas de liquidez.

Entretanto, ao que parece, não há problemas desta ordem no mercado. Muito pelo contrário, o real está descolado frente a uma cesta de principais moedas globais, se mostrando mais fortalecido nos últimos meses. A intervenção do Banco Central, após detectar movimento de retomada do dólar nos últimos dois dias, sinaliza que o câmbio pode estar sendo utilizado como ferramenta de política monetária como forma de contrapeso aos cortes agressivos na taxa básica de juros, pois a manutenção de um real forte evita criar pressão inflacionária.

15 comentários:

  1. Em resumo, as vezes e preciso mudar para tudo continuar a mesma coisa.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Definitivamente não será a mesma coisa. Os britânicos terão total autonomia, definirão suas próprias regras e não precisarão mais cumprir as determinações de Bruxelas.

      Excluir
  2. FI, primeira vez que comento aqui, apesar de acompanhar há tempos. Sem dúvida suas postagens estão entre as mais coerentes e concisas dentre os blogs e até de sites e casas da área. Parabéns!!

    Você costuma ou tem intenção de especular em TD com esta trajetória de queda forçada da SELIC?

    Abraço...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado CRF!
      Sim, tanto para mim quanto para os meus clientes. Mas não por conta da queda forçada da Selic. As posições foram montadas há mais tempo e estão apenas sendo carregadas.
      Abs,

      Excluir
    2. De fato, esse blog é muito foda.
      Valeu FI!

      Excluir
  3. Eu não vejo muito futuro para a União Européia caso ela continue da maneira como é hoje. Primeiro porque a ideia de promoção do "livre comércio" é uma baita propaganda enganosa, porque muito embora haja livre circulação de bens no território comum, é fato que Bruxelas impões inúmeras regulações e exigências que acabam mitigando não só o livre empreendedorismo e a livre iniciativa como também a própria soberania dos Estados-Nações.

    No fim, esse arranjo só me parece bom para os políticos que dele se beneficiam e de grandes empresas que usam seu Lobby para conseguir favores para si mesmos.

    Mas também devemos ficar ligados no Euro, até hoje eu não vejo como os Alemães permitiram que a Alemanha, tendo uma das moedas mais fortes do mundo e controlando a taxa de juros na Europa, tenha se debandado para o Euro.

    E me parece extremamente melancólico ver o Bundesbank, uma das autoridades monetárias mais firmes na defesa do poder de compra da moeda, hoje sendo nada mais do que uma instituição sem força diante do inflacionista e inconsequente Banco Central Europeu.

    Certos estavam os Suíços e Noruegueses em não aderir nem a União Europeia e muito menos a Zona do Europa, e talvez não por acaso estas sejam as duas economias mais ricas da Europa (excluídos "países" como Mônaco, Luxemburgo e Lichenstein)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Perfeito seu comentário!
      Grato pela contribuição.

      Excluir
  4. FI,

    Obrigado por me manter atualizado... interessante a posição do UK.

    Abs,

    ResponderExcluir
  5. Lembro que na época a imprensa demonstrou desespero com o Brext. Na prática isso será ótimo pro UK.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exato! As previsões catastróficas inclusive já caíram no esquecimento.

      Excluir
  6. Quero ver como eles vão trabalhar a questão do Islamismo no UK.
    Se livrar do parasitimismo da UE é fácil.

    A maior ameaça ao UK lifestyle é interna (o que inclui a economia).

    ResponderExcluir
  7. Eae F.I.!
    Seu post e a atual cotação da libra me fizeram pensar em como investir em libras, rs...
    No início de 2016 planejei ir a UK mas a cotação a quase R$6,00 me desestimulou.
    []'s

    ResponderExcluir
  8. A França deve seguir pelo mesmo caminho.

    ResponderExcluir