segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Trump enterra TPP, o acordo que nunca saiu do papel


O decreto que retira formalmente os Estados Unidos do acordo comercial conhecido como TPP (Parceria Transpacífico) foi finalmente assinado nesta segunda-feira pelo novo presidente do País, Donald Trump.

Apesar do grande alarde provocado pela mídia em geral, o impacto da saída dos Estados Unidos foi praticamente insignificante à dinâmica dos principais mercados globais. A irrelevância dos investidores ao evento desta segunda-feira tem uma razão muito simples: a TPP nunca existiu.

O acordo, composto por 12 países signatários (Estados Unidos, Japão, Canadá, México, Austrália, Vietnã, Malásia, Peru, Chile, Brunei, Cingapura e Nova Zelândia), foi negociado durante a ineficiente administração Obama, que não conseguiu sequer avançar no Congresso norte-americano para conseguir aprovação.

Não é necessário fazer muito esforço para entender o motivo do insucesso de Obama. Para aumentar sua influência na região Ásia-Pacífico, os Estados Unidos iriam abrir ainda mais suas portas para mercados de baixo custo de produção. O efeito colateral do acordo (fuga de mais empresas norte-americanas para parques industriais na Ásia) estava muito alto para contrabalancear o aumento do poder de influência na região, que atualmente não é desprezível.

A retirada formal dos Estados Unidos, portanto, é apenas um descarte de serviços inacabados (e de baixo potencial) da administração anterior. O fato de Donald Trump assinar o decreto formalizando sua saída também não altera em nada as relações comerciais bilaterais já existentes entre os Estados Unidos e boa parte dos países signatários da TPP.

Além disso, a notícia não é nenhuma novidade, já que o próprio Donald Trump ressaltou diversas vezes durante sua campanha que se fosse eleito realizaria tal movimento nos primeiros dias de seu governo. O novo presidente dos Estados Unidos apenas cumpriu sua promessa dentro do prazo, algo cada vez mais raro entre políticos do mundo inteiro.

Em função da nítida preferência da mídia ocidental pela ex-candidata do partido Democrata, Hillary Clinton, desde o início da cobertura da campanha eleitoral norte-americana, Donald Trump continua sendo bombardeado por notícias tendenciosas e sensacionalistas.

Os acontecimentos dos últimos dias sugerem que a imprensa norte-americana (seguida de perto pela brasileira) tende a continuar extrapolando limites para atacar deliberadamente a nova administração, o que reforça a necessidade de os investidores trabalharem o filtro de informações e se atentarem à dinâmica macroeconômica.

Ainda nesta segunda-feira, Trump afirmou que vai conversar com os líderes do Canadá e do México para renegociar o Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte). O principal ponto a ser discutido entre os líderes dos três países está relacionado à imigração e segurança na fronteira.

Obviamente, Trump vai tentar reduzir ligeiramente seu grande déficit comercial com o México, o que tende a gerar impactos localizados na economia mexicana, mas muito longe de causar grandes mudanças de fluxo comercial entre os dois países.

O único fato concreto até o momento é que a bolsa do México está subindo forte desde a posse de Donald Trump. A LTB dos 222 pontos foi rompida com candle de força na última sexta-feira, acompanhada com novo surgimento de força compradora relevante no pregão desta segunda-feira, ratificando movimento de bear trap sobre o falso rompimento do suporte localizado nos 184 pontos.


A reação da bolsa do México é uma resposta do mercado frente ao excesso de prognósticos negativos traçados para País. Os primeiros discursos e ações de Donald Trump não confirmaram a catástrofe que se esperava para o México.

No Brasil, o índice Bovespa também subiu forte nesta segunda-feira, trabalhando movimento técnico relevante. A máxima de 2016 foi superada com marubozu, acionando mais um pivot de alta, agregando força à tendência principal de alta iniciada aos 37k.
  

Com isso, o mercado se distancia da faixa amarela traçada no gráfico acima (localizada na faixa dos 63k), considerada a última linha de resistência com força relevante a ser superada pela tendência principal de alta.

As outras duas linhas de resistências localizadas acima (69k e 73,5k), indicadas pelas linhas vermelhas no gráfico, não incorporam força vendedora relevante comparável às resistências superadas abaixo. Isso significa que do ponto de vista técnico o mercado está cada vez mais livre para se manter dentro da tendência principal de alta.

10 comentários:

  1. FI,

    Ainda bem que leio noticias aqui e não na globonews ... no jn já estavam fazendo o maior alarde .. de um negócio que nem funciona ... rs .. melhor continuar vindo aqui...

    Abs,

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    1. Faça um teste e fique uma semana sem ver TV. Não faz falta alguma rs... Aqui em casa há um bom tempo só usamos TV para Netflix e youtube.

      Abs,

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    2. Informação confiável sem ideologia só nos blogs do underground web.

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  2. FI, tudo bem meu amigo?
    Nessa, vou ter uma opinião um pouco diferente.
    Creio que o Trump irá decepcionar, pois ele está tentando trazer um mundo que não existe mais. O mundo da década de 70 com americanos de classe média com pouca instrução e com bons salários não existe mais. Eu que já tive a oportunidade de conhecer alguns países da Ásia pude observar como eles estão vindo com tudo.
    Achar que protecionismo irá de alguma maneira evitar que a multidão de asiáticos bem educados coloque pressão em salários de países mais ricos uma grande ilusão.
    Qual é a diferença do protecionismo a La Dilma Roussef?
    Eu não vou falar sobre coisas que não entendo com profundidade, mas esse acordo era uma tentativa legítima de contrabalancear o peso da China na região. Se ele não era operante, isso não quer dizer que ele não poderia vir a ser. Se ele foi negociado em maus termos para os EUA, também não sei avaliar. Se o Trump irá conseguir fortalecer acordos bilaterais também é um grande mistério. Agora, é fato que isso dá mais "leverage" na China na região, aliás muito mais.
    O que não se pode, em minha opinião, é de alguma maneira ver lances positivos em medidas claramente populistas de protecionismo, e de outro lado criticar quando governos brasileiros fazem a mesma coisa. Nós sabemos para onde leva esse tipo de retórica.

    Além do mais, lembra-se que você disse num comentário de um artigo meu que o Trump presidente ia ser mais moderado do que o Trump presidente, e eu disse que nós não poderíamos saber, pois ele era e ainda é uma grande incógnita. Agora, talvez possa estar ficando mais claro que o Trump um sujeito com patrimônio de bilhões, com um ego do tamanho do mundo não seja facilmente "controlável".
    Eu vejo com preocupação alguns acontecimentos. Guerra à mídia? A mídia está massacrando o Trump? Não foi este o mesmo discurso do PT em relação ao processo de impedimento? Um assessor de imprensa da Casa Branca, ao ser confrontado com uma questão, usou a expressão "Fatos Alternativos". Fatos Alternativos? Isso é newspeak do livro 1984.
    O Brasil nós sabemos que é uma zona, com discursos argumentativos fracos. Os EUA enveredando por essa seara? Acho que é motivo de preocupação sim.

    Abraço

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    1. Grande Soul, seus comentários são bem-vindos e sempre provocam boas reflexões. Lembro sim, inclusive confesso que estava enganado. O Trump presidente não é tão diferente do Trump candidato. Ele não é só um populista aproveitador, ele quer colocar em prática o experimento. Certamente a China vai se aproveitar desse espaço fornecido pelo Trump na Ásia para aumentar sua influência, mas não parece haver uma tremenda janela de oportunidade aberta, primeiro porque a Ásia ainda está muito voltada ao mercado consumidor norte-americano e com ou sem TPP isso não deve mudar, segundo porque a China não pode se abrir demais aos mercados vizinhos asiáticos, pois o governo (chinês) está com o fiscal limitado e não pode se dar ao luxo de continuar dando impulso às suas empresas e continuar queimando capital na magnitude dos últimos meses para administrar a taxa de câmbio. Se os chineses abrirem demais suas portas, começam a perder competitividade e as fábricas migram para outros cantos. A China quer que os mercados mantenham as portas abertas aos seus produtos manufaturados, mas não faz o mesmo na ponta oposta. Como muitos países dependem dos chineses para venderem suas matérias-primas, poucos possuem a força que os Estados Unidos tem de pressionar por uma aceleração na mudança do modelo de crescimento da China. Parece que os Estados Unidos tem mais cartas na manga e a China está num momento delicado, sobretudo pelo acúmulo de problemas domésticos. Então, por enquanto entendo que o Trump está até jogando bem, atacando o "inimigo" num momento de fraqueza.

      As medidas protecionistas no Brasil foram um tremendo tiro no pé, pois o nosso País não tinha (e ainda não tem) a menor condição de proporcionar um ambiente de negócios favorável. Esse é o ponto fundamental. Havendo ambiente de negócio, as medidas protecionistas podem funcionar, desde que bem dosadas. Os Estados Unidos não precisam se abrir demais ao mundo, mas também não podem se fechar demais.

      Abs,

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    2. Isto é puro xadrez, hehe.

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  3. Adoro o blog porque além de ter uma ótima qualidade também dá uma visão um pouco diferente dos "gurus" da mídia, sempre procurando se ater exclusivamente nos fatos e suas consequências práticas.

    Eu estava vendo uns artigos sobre esse TPP e diferente do que a mídia fala ele não tem nada de promover o livre mercado, procura muito mais alinhar as legislações dos países membros, mais ou menos como faz a União Européia, porem numa proporção menor.

    Inclusive é tão absurda a coisa que muitos dizem que esse TPP iria obrigar países a criar sindicatos e salário minimo caso eventualmente não os tivessem.

    Mas parece que os "Fake News" não tem limites nas mentiras e dissimulações.

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