quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Extensão do ciclo de afrouxamento não dependerá do Banco Central


Nesta última quarta-feira, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu cortar novamente a taxa Selic em 0,75 p.p., para 12,25% ao ano, mantendo o atual ritmo de afrouxamento monetário.

A decisão do colegiado não surpreendeu o mercado, mas o comunicado emitido após o encontro apresentou uma importante condicionante para definição do futuro da taxa básica de juros no País:

“O Copom entende que a extensão do ciclo de flexibilização monetária dependerá das estimativas da taxa de juros estrutural da economia brasileira, que continuarão a ser reavaliadas pelo Comitê ao longo do tempo

A taxa de juros estrutural, também conhecida como taxa neutra, é o resultado de uma equação complexa que permite identificar qual o nível recomendável para a taxa básica de juros impulsionar o crescimento ao mesmo tempo em que mantêm a inflação ancorada no centro da meta.

Atualmente, estima-se que a taxa neutra no Brasil esteja entre 4% a 5% ao ano. Entretanto, esse patamar de juros ainda precisa ser testado de forma amplamente sustentável por alguns meses ou anos para ser confirmado.

Os brasileiros ainda estão traumatizados com os impactos negativos provocados pela última vez em que o Banco Central tentou se aproximar do juro neutro (entre o fim de 2012 e início de 2013). O caminho traçado no passado foi muito rápido e não contou com a sustentação dos fundamentos macroeconômicos, o que contribuiu para uma desarrumação generalizada da economia.

Nesta última reunião, o Banco Central voltou a sinalizar o desejo por uma taxa de juro estrutural mais baixa (ou no mesmo nível de outras economias emergentes, atualmente em 3% ao ano), mas o trajeto está condicionado ao avanço das reformas estruturantes.

Isso significa que só depende do Congresso para o Brasil alcançar o tão sonhado patamar de juros civilizados nos próximos anos. A princípio, o Banco Central sinalizou que vai apenas responder às condições macroeconômicas e não forçar a barra na queda dos juros.

O quadro de desinflação, em curso, permite, na visão dos membros do Comitê, manutenção do atual ritmo de cortes na taxa Selic, em 0,75 p.p. Os cortes podem se intensificar no curto prazo caso o balanço de riscos para a inflação apresente melhoras nas próximas reuniões do Copom.

Mais importante do que estimar corte de 0,75 p.p. ou 1 p.p. nos próximos encontros é vislumbrar a extensão do ciclo. De nada adianta o Banco Central acelerar os cortes no curto prazo e ter de interrompê-los logo à frente, ou mesmo voltar a apertar as condições monetárias.

A taxa Selic já cedeu 2 p.p. desde o início do atual ciclo de afrouxamento monetário, com a autoridade monetária aproveitando o timing do processo de desinflação para acelerar sua política expansionista. O problema é que, a partir do segundo trimestre deste ano, o processo de desinflação tende a ser menos intenso.

A partir do momento em que o acumulado dos últimos 12 meses do IPCA começar a se estabilizar, o Banco Central tende a encontrar ambiente inóspito para manutenção de um robusto ciclo de afrouxamento monetário, a não ser que os números mergulhem abaixo do centro da meta (4,5%).

Ao que parece, surpresas muito positivas precisarão acontecer neste ano para que a taxa Selic possa se deslocar naturalmente para o patamar de 1 dígito. A economia, ainda desequilibrada, não pode criar novas pressões inflacionárias e quebrar o histórico negativo dos últimos anos. O processo de recuperação dos preços das commodities não pode contaminar o Brasil. O real precisa continuar se valorizando. O forte ritmo de crescimento do endividamento precisa ser rapidamente atacado. Por fim, o Congresso deve aprovar não só a reforma da previdência, como várias outras medidas estruturais extremamente necessárias para criar condições de retorno ao crescimento sustentado.

O mercado segue comprador em juros futuros, mantendo o foco apenas no cenário de curto prazo. As curvas de 2019 e 2020 fizeram mais um movimento histórico nesta quinta-feira, entrando para o território de 1 dígito. O contrato com vencimento em 2019 atingiu 9,81% ao ano, começando a se aproximar da mínima registrada em 2012 (auge do último ciclo de afrouxamento monetário).


No mercado de ações, o índice Bovespa confirmou topo (a princípio ascendente) exatamente na última linha de resistência abaixo da máxima histórica. Mercado virou para a venda no curtíssimo prazo, aliviando os indicadores sobrecomprados, mas sem causar ameaça à tendência principal de alta. A próxima linha de suporte está localizada na região dos 66k.


Nos Estados Unidos, o índice S&P500 ainda não virou para a venda no curtíssimo prazo, mas emitiu sinalização de esgotamento na atual perna de alta. Mercado ainda comprado, mas com elevada possibilidade de realização de lucros nos próximos dias.


Na Alemanha, o índice DAX fechou o pregão desta quinta-feira em leve baixa, sinalizando possível correção de curtíssimo prazo.


Na Índia, a bolsa de Bombay subiu novamente nesta quinta-feira, mas acumulou duas estrelas cadentes em nível de sobrecompra, após um ritmo de alta frenético das últimas semanas, o que favorece condições para abertura de posições vendidas de curtíssimo prazo.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Panorama técnico global


A semana marcada pela mudança de tom da presidente do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), Janet Yellen, sinalizando para um novo aumento da Fed Funds (taxa básica de juros) no curto prazo, não foi capaz de provocar alterações significativas no humor dos investidores.

Cerca de três anos atrás, quando o então presidente do FED, Ben Bernanke, surpreendeu os mercados com uma mudança inesperada na política monetária, os ativos de risco negociados nas principais praças financeiras mundiais entraram em choque.

Bastou Bernanke sinalizar que o tapering (redução gradual dos estímulos monetários praticados pelo Banco Central norte-americano) estava próximo para os investidores entrarem em pânico.

A situação no mercado hoje é bem diferente. Não há estímulos monetários, Yellen está subindo os juros e surpreendeu (contrariando o último comunicado da instituição) os investidores nesta semana ao mostrar que o ritmo de aperto monetário deixará de ser muito gradual.

Nada disso tem sido capaz de abalar o clima positivo presente nas principais praças financeiras mundiais, característica marcante de mercados bullish, mas também de possível sobreavaliação nos preços dos ativos.

O S&P500 fechou esta semana aos 2.351 pontos, em máxima histórica. O mercado acionário norte-americano está quase 50% acima dos preços praticados no recorde de 2007, que antecedeu a crise do subprime.


O grande retorno acumulado pelo S&P500 nos últimos anos revela que os preços estão possivelmente esticados demais, aumentando os riscos de uma correção relevante no futuro. O processo de retomada da economia norte-americana tem conseguido descontar parte do excesso de preços na melhora do valuation dos ativos, o problema é que o ritmo de intensidade continua desigual (preços subindo mais rápido do que os valuations).

Cedo ou tarde (meses ou anos) o mercado tende a corrigir essa distorção. Apesar de a bolsa de valores seguir comprada e não ter nenhuma sinalização de reversão, os riscos para abertura de posições de longo prazo são bem maiores.

Na Alemana, o índice DAX segue colado na máxima histórica, razoavelmente esticado, com seus quase 250% de ganho acumulado desde o crash do subprime.


Na Inglaterra, o índice FTSE está mais atrasado em relação aos seus pares e somente agora conseguiu se distanciar acima da máxima do pré-subprime, que também marcou ponto de resistência de uma congestão de quase duas décadas.


No Japão, o índice Nikkei sobe impulsionado pelo forte programa de compras de ativos do BoJ (Bank of Japan), voltando a se aproximar da última resistência abaixo da máxima histórica, responsável por marcar o ápice da severa crise de deflação no País.


A bolsa de Sidney, na Austrália, segue com uma recuperação moderada, porém consistente, desde o estouro da crise do subprime. Mercado bullish, mas ainda distante da máxima histórica.


Na Índia, a bolsa de Bombay está razoavelmente inflada, com cerca de 250% de retorno acumulado desde a mínima do subprime. A correção de 2015 aliviou os indicadores e permitiu redução da discrepância entre preços versus valuations, diminuindo relativamente os riscos embutidos nos preços dos ativos.


Na China, a bolsa de Xangai segue mostrando comportamentos anormais, influenciada pelo excesso de regras e intervencionismo do governo, com dois grandes estouros em menos de uma década, intercalados por períodos de baixa volatilidade. Mercado segue inóspito para investidores estrangeiros e até mesmo locais.


A bolsa do México trabalha movimento corretivo desde 2013, corrigindo o excesso de otimismo dos investidores com um futuro que não se concretizou. Mercado vendido, embora tentando confirmar nível de esgotamento na atual tendência.


No Brasil, o índice Bovespa segue bullish, muito próximo de voltar a testar sua máxima histórica nos próximos meses. Apesar da boa expectativa com aprovação de algumas reformas neste ano, os preços atuais não justificam os fundamentos. Entretanto, a distorção no Brasil é muito recente e está abaixo do nível registrado em várias outras praças financeiras. Não há mercado descontado no mundo. As bolsas que demoraram mais tempo para subir desde o crash do subprime são justamente as que apresentam menor risco para os holders.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

FED está pronto para agir novamente


Janet Yellen, presidente do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), contrariou as expectativas apresentadas pela última ata de reunião do Comitê de Política Monetária ao sinalizar que as portas estão abertas para um novo aumento na Fed Funds (taxa básica de juros) no próximo encontro a ser realizado nos dias 14 e 15 de março.

Os últimos documentos do FED divulgados ao mercado não mencionavam possibilidade de mais um aumento de 0,25 p.p. na Fed Funds no curto prazo, talvez porque os membros do Comitê não esperavam uma ação tão rápida de Donald Trump (presidente dos Estados Unidos) no front fiscal.

Na quinta-feira da semana passada, o presidente dos Estados Unidos afirmou que faria um importante anúncio sobre impostos em algumas semanas por estar muito à frente do seu cronograma.

Durante a campanha eleitoral, o presidente dos Estados Unidos se comprometeu a reduzir significativamente a alíquota do imposto para pessoas jurídicas, de 35% para 15%. Caso confirmado, a medida terá potencial para estimular uma economia já aquecida, operando próxima do nível de pleno emprego, o que tende a criar pressão inflacionária adicional.

Com o anúncio de medidas relevantes tão próximo, o FED não pode se dar ao luxo de continuar seguindo uma estratégia extremamente cautelosa na política monetária. É como se Janet Yellen estivesse apostando corrida com Donald Trump. A distância entre os dois não pode ser tão grande, caso contrário o FED teria que responder com aumentos mais fortes na Fed Funds, impactando os mercados e a própria economia.

Trump disparou inesperadamente à frente, obrigando Yellen a mudar o tom do último comunicado da autoridade monetária norte-americana. Agora, a avaliação dentro do FED é de que seria imprudente esperar demais pela próxima elevação da taxa básica de juros, abrindo uma perspectiva de que até o meio do ano a meta para a Fed Funds deverá estar, pelo menos, entre 0,75% a 1,00% ao ano (atualmente, a meta definida para a Fed Funds é de 0,50% a 0,75% ao ano).

Wall Street aguarda com muita ansiedade as novas medidas a serem anunciadas em breve pelo presidente dos Estados Unidos. Os índices acionários aceleraram o rali e seguem renovando máximas históricas dia após dia. Mercado extremamente bullish, embora perigoso no curtíssimo prazo devido ao elevado nível de sobrecompra.


Por outro lado, pressionadas pelas perspectivas de mais inflação, os rendimentos das treasurys (títulos do Tesouro norte-americano) voltaram a disparar, a caminho de atingir a máxima registrada no ano passado. A taxa de juros do título com vencimento em 10 anos rompeu a LTB de dezembro do ano passado, confirmando fundo duplo ascendente sobre a região dos 2,34%. Mercado de bonds segue vendido em Wall Street.


No Brasil, o mercado de bonds segue comprado, mantendo-se entre uma das principais opções para realocações de recursos a curto prazo. Um dos nossos principais concorrentes (México) segue passando por graves problemas internos.


Na semana passada, o Banxico (autoridade monetária mexicana) se viu forçado a subir novamente a taxa básica de juros em 0,50 p.p., para 6,25% ao ano na tentativa de acalmar os ânimos e segurar sua moeda. A inflação acumulada dos últimos 12 meses atingiu 4,72%, em aceleração, muito superior a meta de 3% a ser perseguida.

Empurrado pela queda do risco país medido pelo CDS (credit default swap), o dólar realizou importante movimento contra o real. O principal suporte localizado na região dos R$ 3,10 foi perdido com candles de força relevante, aumentando a força da tendência principal de baixa, iniciada em R$ 4,25 no mês de setembro do ano retrasado, mantendo a moeda vendida contra o real.

A bolsa de valores segue comprada, já se aproximando da última resistência abaixo do topo histórico. Apesar do risco para operações compradas de curtíssimo prazo, em função do elevado nível de sobrecompra, o mercado segue bullish e com boas perspectivas de alcançar níveis históricos.
 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Toshins tememoros com Trump é bom para o Brasil


Os famosos fundos hedge japoneses especialistas em câmbio e títulos de renda fixa, conhecidos como toshins, podem estar adicionando mais gás ao mercado da dívida pública e privada em praças emergentes, especialmente Brasil e Rússia.

O longo histórico de juros baixos no Japão fizeram dos toshins um dos maiores especialistas em renda fixa do mundo inteiro. Sem muitas opções rentáveis no mercado local, muitos japoneses aplicam suas economias em fundos toshins para buscarem rentabilidade minimamente razoável em bonds de outras praças.

Por serem especialistas, os movimentos dos japoneses são acompanhados de perto por gestores de recursos do mundo inteiro. Muitos querem surfar a mesma onda dos toshins e, normalmente, quando um viés é descoberto, ocorre efeito cascata.

Dados recentes revelam que os toshins estão temerosos com a administração Trump, seja pela perspectiva de déficit fiscal e inflação maior ou pela resposta que o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) precisa dar este ano em matéria de política monetária. Juros subindo mais rápido e Trump no ataque são motivos mais do que suficientes para manutenção da cautela.

Os toshins não estão querendo pagar para ver. O movimento de desmonte de posições compradas em treasurys (títulos do Tesouro norte-americano) começou no mês de novembro do ano passado e se intensificou no mês seguinte. Somente no mês de dezembro, o saldo líquido dos japoneses em treasurys ficou negativo em 21,3 bilhões de dólares.

O valor representa apenas uma fração sobre a posição estimada de 1,1 trilhão de dólares em treasurys nas mãos dos japoneses. Para o mercado mais líquido do mundo pode parecer pouco, mas para as praças emergentes a quantia é significativa.

Ao vender treasurys, os toshins imediatamente procuram outras opções no mercado global para não ter que pagar o pedágio (juro quase zero) em títulos do governo japonês. Uma pesquisa feita com 16 estrategistas de instituições financeiras globais, entre eles o Mitsubishi UFJ Kokusai Asset Management e Mizuho Bank, apontou Brasil e Rússia como destino predileto para aplicações em moedas e títulos locais.

A tendência de queda do dólar contra o real, atualmente na mínima do ano passado, uma das mais fortes no mundo, colabora para atrair mais carry-trade para o Brasil. Além disso, a intensificação dos cortes na taxa básica de juros acelera o processo de tomada de decisão dos investidores estrangeiros que estão de olho nos bonds brasileiros. O estrangeiro com dedo no gatilho para títulos de renda fixa no Brasil tem de agir rápido para não pegar pré-fixados com taxas ainda menores e nem surfar uma onda fria de pós-fixado.


De novembro/2016 (mês em que os toshins começaram a registrar saldo negativo em treasurys) até o fechamento do pregão nesta segunda-feira, o contrato de juros futuros com vencimento em 2022 despencou 2,36 pontos.


Novembro é justamente o mês em que Donald Trump se elegeu presidente dos Estados Unidos. Na medida em que os discursos foram alimentando uma perspectiva de déficit fiscal maior e inflação mais elevada, o fluxo comprador em bonds brasileiros foi ficando cada vez mais intenso.

Com a incerteza pairando sobre os Estados Unidos, os ativos de risco brasileiros respondem ao cenário local de inflação em desaceleração no curto prazo combinado com a perspectiva de aprovação de mais reformas estruturais.

O índice Bovespa alcançou nova máxima do ano no pregão desta segunda-feira, acionando importante pivot de alta na perna intermediária iniciada aos 56,8k. O movimento também aciona mais força à tendência principal de alta iniciada aos 37k. Mercado segue comprado.
 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Alívio na tensão entre as duas principais potências mundiais


Em dezembro do ano passado, Donald Trump, ainda como presidente eleito, criou uma espécie de fogueira diplomática com a China ao ligar para a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, num ato caracterizado como um rompimento com a tradição nas relações entre Washington e Pequim.

Trump descumpriu uma regra levada muito a sério pelos chineses ao ligar para Tsai Ing-wen, sem antes comunicar ao líder do País, Xi Jinping, sua intenção. Após a ligação polêmica, Trump adicionou mais lenha à fogueira ao afirmar que poderia não seguir a política de décadas de que o poder reside em Pequim, no que diz respeito a Taiwan.

Os taiwaneses se consideram como uma nação soberana e democrática. Já a China, considera a ilha como parte de seu território, na forma de uma província dissidente.

O presidente dos Estados Unidos, entretanto, decidiu dar um passo atrás nesta última quinta-feira. Donald Trump pegou o telefone e realizou sua primeira ligação com Xi Jinping desde que assumiu a Casa Branca.

A pedido do líder chinês, Trump concordou em honrar a política de China única, numa sinalização de arrefecimento na tensão entre as duas principais potências globais. Para o ocidente, a política de uma só China pode ser considerada até irrelevante, mas para os chineses, é uma questão extremamente delicada.

Em resposta ao reconhecimento de Washington, Xi Jinping afirmou que aprecia o compromisso assumido por Trump e diz esperar que, por meio de esforços conjuntos, as relações bilaterais possam sem impulsionadas entre os dois países a um nível histórico.

A ligação de Trump quebrou o gelo entre os dois países, reduzindo o temor do mercado com a futura relação entre as duas potências mundiais. Os preços dos ativos também foram impulsionados por dados melhores do que o esperado da balança comercial da China.

Conforme informações divulgadas pela Administração Geral de Alfândega nesta sexta-feira, as exportações da China avançaram 7,9% em janeiro deste ano, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, enquanto as importações saltaram 16,7%, mostrando forte apetite por matérias-primas.

As commodities reagiram fechando na máxima da semana, voltando a se aproximar da máxima do ano anterior. Preços em movimento de recuperação gradual desde janeiro de 2016.


No Brasil, o índice Bovespa fechou a semana em alta, limpando as vendas da praça, responsáveis por jogar os preços aos 64.000 pontos nesta semana. O retorno do predomínio da força compradora coloca o mercado perto de testar a resistência dos 66,6k nos próximos dias, com boa possibilidade de rompimento. A tendência principal de alta, iniciada aos 37k, segue forte e inalterada.


A bolsa do México fechou em alta pela quarta semana consecutiva, dando prosseguimento ao movimento de recuperação de preços, que, por sinal, começou após a posse de Donald Trump.


Na Índica, a bolsa de Bombay fechou a semana de lado, com o mercado em tendência principal de alta, perto de testar a resistência dos 29,1k, próximo do máxima histórica.


A bolsa de Xangai, na China, fechou a semana em alta, mantendo o movimento de recuperação gradual dos preços desde o crash de 2015.
  
  
A bolsa da Austrália fechou a semana em forte alta, trabalhando fundo ascendente levemente acima da linha central de bollinger, reforçando a perna de alta iniciada em fevereiro de 2016.


Em Tóquio, o índice Nikkei fechou a semana em alta, se aproximando da máxima do ano anterior. Mercado em tendência principal de alta, sustentado pelo média móvel simples de 200 períodos semanal.


Nos Estados Unidos, o índice S&P500 fechou mais uma semana renovando máxima histórica, aos 2.316 pontos. Mercado segue forte na compra, embora se aproximando de ponto de sobrecompra.


Na Alemanha, o índice DAX segue em tendência de alta. O rompimento da resistência em 11,8k tende abrir caminho para o mercado retornar à máxima histórica.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O caos vai passar, mas a insanidade não


Ruas vazias, lojas fechadas, ônibus parados. Os saques, assaltos e assassinatos dispararam no Espírito Santo desde o início da greve dos policiais militares. A onda de criminalidade e total sensação de insegurança deixaram não só os capixabas, mas todos os brasileiros, em pânico.

Os números são impressionantes, mais de 100 assassinatos e 20 milhões de reais em saques. Em Vitória, capital do estado, somente na última segunda-feira ocorreram 200 furtos e roubos de veículos.

A greve é organizada por familiares de policiais acomodados em tendas e barracas na frente dos batalhões militares, impedindo a saída das viaturas. O movimento começou como um protesto não tão incomum realizado na última sexta-feira em frente a um Destacamento da Política Militar. O ato resistiu e os manifestantes decidiram passar a noite no local. A partir desse ponto as redes sociais, mais uma vez, fizeram o movimento ganhar proporções inimagináveis. O gesto comoveu outros familiares de policiais militares que saíram de suas residências para fazer o mesmo nos dias seguintes.

A principal reivindicação dos manifestantes está relacionada ao reajuste salarial. Segundo a Associação dos Oficiais Militares do Espírito Santo, o piso salarial de um soldado da Polícia Militar é de R$ 2.646,12, inferior à média nacional de R$ 3.980,00, que também pode ser considerada baixa em função dos riscos da profissão, mas, também, pela grande discrepância de salários entre servidores públicos.

Naturalmente, nos próximos dias, o caos vai passar no Espírito Santo com o reforço de tropas do Exército e da Força Nacional. Quando a greve se encerrar, as pessoas voltarão a levar uma vida cotidiana no estado. A insanidade, por outro lado, continuará existindo de forma gritante nos orçamentos da União, Estados e Municípios.

Cargos de super salários e super benefícios estão espalhados na estrutura do estado, criando uma disparidade significativa na folha de pagamento. Os poucos que recebem muito acabam gerando revolta entre os demais, que passam a exigir maiores salários. A referência para o salário da base da pirâmide sempre parte do topo.

O número de cargos públicos criados desde a década passada aumentou significativamente, a ponto de ser o principal objeto de desejo entre boa parte de estudantes universitários no País. Com mais cargos e mais super salários nas folhas de pagamentos, os governos estão asfixiados financeiramente.

Os grandes privilégios de alguns servidores públicos são apenas parte de um problema muito mais abrangente encravado em toda a cadeia política e econômica brasileira. O ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou durante um fórum nacional em 2015 que o patrimonialismo está cobrando um preço muito alto.

O caos no Espírito Santo é apenas uma das várias faturas que a sociedade brasileira precisa pagar para sustentar esse modelo arcaico. Levy perdeu força durante o governo Dilma justamente por tentar combater o patrimonialismo, pois suas propostas afetariam privilégios de grandes grupos.

Há bastante tempo o economista Marcos Lisboa costuma dizer que nosso País virou uma república da meia-entrada. Vários grupos conseguem obter privilégios e benefícios do governo, debilitando a economia.

A partir do momento em que a carga tributária, nunca suficiente para cobrir privilégios cada vez maiores, atinge seu ponto de esgotamento após uma trajetória ascendente, os problemas começam a aparecer com mais freqüência.

Sem poder aumentar mais os impostos, o sistema deveria colapsar. Mas no Brasil, ao contrário do que se poderia esperar, os benefícios estão cada vez mais fortes e indestrutíveis. A regra entre diversos grupos é lutar pelos seus privilégios e não pela melhora do País. Prova disso é a preferência do governo em tocar uma agenda dificílima de reformas impopulares ao invés de rever o gigantesco peso das desonerações e subsídios no orçamento ou acabar com a farra dos super salários, super benefícios e excesso de cargos públicos.

As reformas são essenciais, mas não provocarão alívio de curto e médio prazo no endividamento do governo brasileiro, em rota insustentável. Esse é o reflexo da insanidade presente no Brasil, o governo quer combater uma dívida de 70% do PIB (Produto Interno Bruto), podendo chegar a 80% do PIB já em 2019, tirando algumas centenas de milhões da população, carente de serviços públicos minimante razoáveis, ao invés de recuperar as dezenas ou mesmo centenas de bilhões que correm pelo ralo em privilégios e benefícios a determinados grupos.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Corte de 1 p.p. na taxa Selic ganha força no mercado


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou nesta quarta-feira que o IPCA do mês de janeiro deste ano subiu 0,38%. Apesar de o número revelar aceleração da inflação frente ao resultado apurado em dezembro/2016 (0,30%) e novembro/2016 (0,18%), o sentimento no mercado segue muito positivo, abrindo portas para que o Banco Central possa rever novamente o ritmo de flexibilização monetária já na reunião de Comitê a ser realizada nos dias 21 e 22 deste mês.

O mercado está mais eufórico com a inflação por dois motivos básicos: (i) a alta acumulada dos últimos 12 meses despencou de 6,29% para 5,35%, atingindo o menor nível desde setembro de 2012 e (ii) a inflação de serviços, principal ponto de preocupação do balanço de riscos de curto prazo, recuou de 0,65% em dezembro/2016 para 0,36% em janeiro/2017. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação de serviços cedeu de 6,50% para 6,18%.

O IPCA de janeiro ainda é um número considerado alto em relação ao elevado nível de retração da atividade econômica e continua sinalizando distorções graves que poderão surgir nos próximos anos. Mas o Banco Central revelou há algum tempo estar mais propenso em utilizar a política monetária com foco no curto prazo, na tentativa de fazer aquilo que o governo não conseguiu: impulsionar a atividade.

A surpresa positiva do IPCA de janeiro também tende a provocar revisões descendentes nas projeções de inflação no cenário de referência (Banco Central) e no cenário de mercado. A ata da última reunião de Comitê, realizada nos dias 10 e 11 de janeiro, mostrou que possíveis revisões no ritmo de flexibilização dependerão, principalmente, das projeções e expectativas de inflação, que devem melhorar em relação aos números de janeiro, e da evolução dos fatores de risco, onde a inflação de serviços era o principal entrave.

A evolução positiva dessas duas variáveis podem abrir as portas para o Banco Central revisar o ritmo de flexibilização da política monetária, subindo o cortes de 0,75 p.p. para 1 p.p. já no mês de fevereiro.

Os contratos de juros futuros seguem em queda livre e acentuada, sem sinalização de interrupção na tendência principal de baixa iniciada em 2015. O contrato da ponta mais curta, com vencimento em 2018, renovou mínima do ano ao atingir 10,73% nesta quarta-feira. Apesar de esticado, a manutenção de uma política monetária ainda mais agressiva tende abrir espaço para novas mínimas.

No contrato de juros futuros com vencimento em 2019 o mercado está pagando 10,14% ao ano. São expressivos 7,61 pontos de ganhos acumulados desde o pico atingido em 2015. Apesar da gordura em excesso presente no contrato, as condições são favoráveis para manutenção da tendência principal.


Os contratos da ponta mais longa continuam sendo sugados para baixo pelo intenso fluxo comprador da ponta curta. Na medida em que os investidores ficam mais otimistas com os ganhos da ponta curta, novas posições em pontas mais longas (risco maior) vão sendo abertas, numa busca frenética por prêmios, derrubando as taxas. O contrato com vencimento em 2022, por exemplo, paga um prêmio de apenas 10,43% ao ano, incompatível com os ricos de carregamento do pós-2018.

O otimismo contaminou a bolsa de valores nesta quarta-feira, trabalhando ponto de sustentação na faixa dos 64k. Com o fechamento na máxima do pregão, o mercado ameaça posições vendidas abertas nos últimos dias e reforça a perna intermediária de alta dos 56,8k.

  
No cenário externo, destaque para a decisão do Banco Central da Índia de manter a taxa básica de juros inalterada aos 6,25% ao ano. O resultado surpreendeu negativamente investidores locais que esperavam um corte de 0,25 p.p. para combater os efeitos econômicos contracionistas provocados pela decisão do primeiro ministro, Narendra Modi, em novembro do ano passado, de abolir circulação de cédulas de alto valor.

A autoridade monetária indiana segue adotando uma postura mais cautelosa, afirmando ser necessário aguardar mais dados que mostrem a evolução da inflação no curto prazo e impactos mais concretos das medidas de repressão ao dinheiro sujo (não declarado) de Modi.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

China perde piso psicológico do colchão de segurança


O patamar de 3 trilhões de dólares, considerado por investidores e operadores de câmbio como um piso psicológico de sustentação macroeconômica para a China, foi rompido no mês de janeiro deste ano.

Dados da Administração Estatal de Câmbio da China divulgados nesta terça-feira mostraram que as reservas internacionais caíram 12,31 bilhões de dólares no mês passado, atingindo a marca de 2,998 trilhões de dólares. O número surpreendeu o mercado que esperava manutenção do piso de 3 trilhões de dólares.

Esta é a primeira vez desde fevereiro de 2011 que as reservas internacionais chinesas ficam abaixo da marca psicológica dos 3 trilhões de dólares, sendo que em junho de 2014 as reservas atingiram a marca de 3,993 trilhões.

Apesar de o volume atual das reservas internacionais chinesas ainda ser considerado elevado, estando entre as mais altas do mundo, a trajetória preocupa players internacionais com posições no País.

Em pouco mais de dois anos a China queimou cerca de 1 trilhão de dólares na tentativa de desacelerar uma fuga de capital cada vez mais crescente. Somente em 2015 o governo chinês queimou 513 bilhões de dólares em reservas internacionais.

Observando que o mercado estava impondo uma velocidade insustentável na utilização de suas reservas, o governo passou a implementar em 2016 várias medidas de controle de capital, como forma de poupar munição. Ainda assim, a China precisou queimar mais 320 bilhões de dólares em 2016 para conseguir uma desvalorização de 6,6% do iuan contra o dólar, a maior queda anual desde 1994.

Mesmo com todas as medidas para dificultar a saída de capital do País, a China precisou manter forte ação intervencionista no mercado de câmbio. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, acusa abertamente a China de manter o iuan desvalorizado para conseguir exportar seus produtos com mais facilidade.

Líderes chineses afirmam que as oscilações nas reservas internacionais são normais e que os investidores não devem dar tanta atenção ao nível de 3 trilhões de dólares. Entretanto, fatos recentes mostram que as autoridades enxergam espaço limitado para continuar usando o colchão de segurança e, portanto, precisam de medidas adicionais.

Exemplo disso está no aperto monetário anunciado semana passada pelo Banco Popular (autoridade monetária local), que acabou surpreendendo o mercado. O Banco Central subiu a taxa de juros sobre operações de recompra reversa no mercado aberto de 7 dias, 14 dias e 28 dias, na tentativa de colaborar com o governo para reduzir a fuga de capitais.

A bolsa de Xangai opera vendida desde o fim do ano passado, com duas resistências fortes fazendo pressão contra a sustentação frágil da média móvel simples de 200 períodos diária.


Nos Estados Unidos, o mercado segue comprado e otimista com a nova administração Trump. O índice S&P500 voltou a fechar colado na máxima histórica.


No Brasil, o índice Bovespa segue operando dentro de um movimento corretivo de curtíssimo prazo, sem apresentar novidades. Há briga pela linha central de bollinger, com ligeira vantagem para a força vendedora.
 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Cautela do FED reflete esfriamento do Trumpflation no mercado


O diretor da OMC (Organização Mundial do Comércio), Roberto Azevêdo, afirmou nesta semana em um evento promovido pelo Tesouro da França sobre a abertura comercial, crescimento econômico e desigualdades que todo o mundo perderá com o fechamento das fronteiras para o comércio, numa forte crítica à recente onda protecionista em curso desde o estouro da crise do subprime, em 2008.

Declarações duras como as de Azevedo se tornaram mais freqüentes desde o Brexit e a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, apesar de ser um movimento praticado por diversos países, direta ou indiretamente, incluindo potências globais, há vários anos.

Analisando os impactos provocados por movimentos protecionistas praticados no passado, principalmente por economias que proporcionam adequado ambiente de negócios (ponto fundamental para a estratégia funcionar), o mercado começa a perceber certo exagero no receio da imprensa ocidental e nas declarações de figuras influentes, como a do diretor da OMC.

A revisão de acordos comerciais, como a que está sendo praticada pelos Estados Unidos, e rupturas dramáticas, como a saída do Reino Unido da União Europeia, estão sendo vistas como potências globais dando as costas para o mundo. Entretanto, não há menor condição de nenhum País no mundo fechar de forma parcial e relevante suas portas para o comércio global, muito menos fechar totalmente suas fronteiras.

Acima de qualquer ideologia, as portas continuarão abertas por questões de necessidades básicas e anseios da demanda interna. Nenhum País no mundo é auto-suficiente, ao mesmo tempo, em energia, alimentos e medicamentos. Além disso, os governantes precisam atender certos níveis de exigências de suas demandas locais para se manterem no poder. Novamente, nenhum País no mundo consegue produzir todos os anseios que atendam as necessidades de sua demanda.

Por esses e outros motivos o comércio global não corre risco de acabar. O que está ocorrendo é um movimento de acerto ao forte crescimento da globalização nas décadas passadas. Alguns governantes estão enxergando que suas economias se abriram demais ao mundo ou se juntaram a blocos que trouxeram mais problemas do que soluções e, agora, querem ajustar o que possivelmente foi longe demais no passado.

O esfriamento do Trumpflation (receio de que políticas fiscais e protecionistas de Trump criarão pressões inflacionárias relevantes) em Wall Street nos últimos dias/semanas reflete que o mercado incorporou a abordagem relatada nos parágrafos anteriores.

Mesmo com Trump cumprindo suas promessas de campanha nas primeiras semanas de seu governo, a taxa de juros da Treasury de 10 anos (título do Tesouro norte-americano) segue abaixo do pico registrado ano passado, num movimento corretivo.


A queda nas taxas revela que o volume comprador está se impondo sobre o volume vendedor dominante do passado. Os investidores que estão comprando Treasurys a 2,50% ao ano enxergam prêmio embutido no referido título sobre a expectativa de inflação para os próximos anos ou oportunidade para ganhar com a valorização do papel no curto prazo apostando na continuação do movimento corretivo das taxas. Independente da estratégia, em ambos os casos os investidores não estão mais temerosos com o Trumpflation.

O mercado está começando a entender que Trump pode até conseguir reverter meia dúzia de bilhões de dólares em déficits comerciais com determinados países, o que seria um movimento de ajuste relativamente insignificante frente ao tamanho da economia norte-americana, mas não vai conseguir arrastar de volta fábricas em massa para seu País e criar 25 milhões de empregos.

O melhor remédio contra os discursos populistas de Trump são os números puros e frios da economia norte-americana. O mercado de trabalho opera próximo do pleno emprego, logo, não há espaço para criação de tantos novos postos de trabalho. Na outra ponta, Trump também conta com uma trava. A administração anterior entregou um passivo fiscal relevante e Trump vai ter que respeitar o limite de endividamento do governo, que por sinal já se aproxima do teto. Logo, não há tanto espaço para expansionismo fiscal.

São os números puros e frios que também respaldam as decisões de política monetária do FED (Federal Reserve - Banco Central dos Estados Unidos). A última reunião de Comitê, realizada na terça e quarta-feira desta semana, surpreendeu parte de analistas e economistas por não indicar quando a autoridade monetária pretende subir novamente a Fed Funds (taxa básica de juros).

Em dezembro do ano passado, a mediana das projeções entre os membros do Comitê para a Fed Funds subiu de 1,1% para 1,4% ao fim de 2017, sinalizando que o Banco Central poderia subir sua taxa básica de juros em três ocasiões neste ano.

Como o FED costuma antecipar seus movimentos ao mercado com bastante antecedência, o fato de a reunião do mês de fevereiro ter passado limpa, sem novidades, revela que um novo aumento não está na mira da instituição, mesmo com a inflação deslocando-se para a meta de 2% a ser perseguida.

O FED não estaria adotando uma postura cautelosa caso estivesse enxergando riscos concretos adicionais para inflação vindos da nova administração Trump. O risco não pode ser totalmente descartado, mas a possibilidade de se tornar realidade é baixa.

No Reino Unido, o BoE (Bank of England) também não enxerga risco adicional para a inflação local mesmo calculando os impactos do Brexit na economia, principalmente pela flutuação da moeda. A taxa básica de juros foi mantida em 0,25% ao ano na reunião de Comitê encerrada na última quinta-feira, sem nenhuma sinalização de aperto à frente.

A autoridade monetária britânica também revisou fortemente para cima as projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) deste ano, de 1,4% para expansão de 2,0%. A chuva de catástrofes projetadas antes de o Brexit se tornar realidade no referendo caiu no esquecimento, como de costume.

A semana também foi de reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Popular (autoridade monetária chinesa), com uma decisão que surpreendeu o mercado. A taxa de juros sobre operações de recompra reversa no mercado aberto de 7 dias, 14 dias e 28 dias subiu inesperadamente 0,10 p.p., para 2,35%, 2,50% e 2,65% respectivamente.

Este é o primeiro aumento desde 2013 para as linhas de 7 dias e 14 dias. Para a linha de 28 dias, é o primeiro aumento desde 2015. O movimento do Banco Popular é uma tentativa de defender a economia contra fuga de capitais e evitar um superaquecimento do crédito, dois sérios problemas a serem enfrentados pelas autoridades locais neste ano.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Na contramão do mundo, mais uma vez


Indicadores de atividade industrial das principais economias mundiais continuam surpreendendo positivamente os investidores e empresários, mostrando ímpeto mais forte dos últimos três anos no movimento de recuperação.

Na China, o Índice Gerente de Compras se manteve praticamente estável no mês de janeiro deste ano na comparação com o mês de dezembro do ano passado, oscilando de 51,4 pontos para 51,3 pontos, revelando manutenção de expansão da atividade manufatureira, sustentada pela injeção de crédito no sistema financeiro, onde os empréstimos bancários atingiram novo recorde.

No Japão, o Índice Gerente de Compras subiu de 52,4 pontos em dezembro/2016 para 52,7 pontos em janeiro/2017, mostrando força relevante no movimento de recuperação da atividade iniciado cerca de doze meses atrás.

Na Índia, a atividade industrial conseguiu sair do terreno de contração, voltando novamente a demonstrar expansão. O Índice Gerente de Compras registrou 50,4 pontos em janeiro deste ano, contra 49,6 pontos registrados no mês anterior.

A indústria da Rússia segue em forte ralli de expansão, atingindo incríveis 54,7 pontos em janeiro deste ano, alta frente aos 53,7 pontos registrados em dezembro do ano passado, nível já considerado altamente satisfatório. Há pouco mais de um ano atrás a atividade manufatureira russa amargava em contração.

A forte reviravolta da indústria russa virou um case de sucesso e revela que, ao contrário de alguns países (não é necessário citar nomes), a economia estava muito bem preparada para aproveitar o movimento de reação dos preços das commodities. O nível de expansão da atividade industrial russa é tão forte que já se aproxima do pico registrado em 2006/2007, período conhecido como pré-subprime, onde economias e mercados atingiram seus pontos máximos.

Na zona do euro, o Índice Gerente de Compras renovou nova máxima dos últimos seis anos ao registrar 55,2 pontos em janeiro/2017, contra 54,9 pontos de dezembro do ano passado. A expansão da atividade industrial dos Estados Unidos também renovou máxima em mais de dois anos ao atingir 55 pontos em janeiro/2017, alta frente aos 54,3 pontos registrados no mês anterior.

As máquinas estão a todo vapor ao redor do mundo, o que provocou impulso do Índice Global de Manufatura calculado pelo Instituto Markit em parceria com o JP Morgan para o nível máximo de expansão registrado em 2013.


Os indicadores econômicos estão confirmando os prognósticos de aceleração do processo de retomada do crescimento a nível global neste ano, que por sua vez tende a ser acompanhado pela retomada da inflação (ou aumento de inflação) em vários países.

O Brasil, lamentavelmente e, mais uma vez, não conseguiu pegar carona no processo de retomada da atividade global. Repetindo vexames do passado, a economia brasileira está na contramão do mundo.

O nosso gráfico do Índice Gerente de Compras é desolador. Enquanto o mundo está colado na máxima de 2013, a atividade industrial brasileira está muito abaixo do ponto mínimo registrado em 2013.


Além de não conseguir encontrar forças para se recuperar, a indústria brasileira segue afundando em terreno de contração. O Índice Gerente de Compras caiu de 45,2 pontos em dezembro de 2016 para 44 pontos em janeiro de 2017, nível significativamente baixo, incompatível com mercados emergentes ou mesmo em desenvolvimento.

A depressão da atividade manufatureira é mais um sinal de alerta para a expressiva desarrumação da economia brasileira. A pesquisa de janeiro continua apontando que apesar do otimismo dos empresários para o futuro, uma série de condições inapropriadas está barrando a retomada da produção. Além do ambiente de negócios ruim, o aumento do custo de produção (influenciado pelos preços mais altos dos insumos) jogou a inflação de preços cobrados pelas fábricas para o ritmo mais alto desde junho do ano passado, ultrapassando sua média de longo prazo.

Os números capturados pela pesquisa do Instituto Markit contrastam com as projeções de inflação do Banco Central. Este, por sua vez, demonstra estar determinado em continuar cortando agressivamente a taxa Selic, num movimento de política monetária possivelmente insustentável e comprometedor para o futuro da inflação.

No mercado de capitais, o índice Bovespa mostrou nova sinalização de fraqueza com o pavio longo superior no candle desta quarta-feira, mantendo o mercado vendido no curtíssimo prazo, mas sem apresentar ameaça a tendência principal de alta


Nos Estados Unidos o índice S&P500 fechou o pregão desta quarta-feira próximo da estabilidade, ainda se sustentando sobre a linha central de bollinger. O Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) decidiu manter a fed funds (taxa básica de juros) na faixa entre 0,50% a 0,75% ao ano, ratificando o cenário positivo para a economia, mas sem emitir nenhum sinal sobre o momento do próximo aumento. 

  
O destaque do dia no País ficou mais uma vez por conta de mudanças relevantes evidenciadas pela nova administração. O presidente Donald Trump adotou uma postura bastante agressiva em relação ao Irã após realização de um teste de míssil balístico de médio alcance.

Michael Flynn, assessor de segurança nacional, declarou que os Estados Unidos colocaram oficialmente o Irã sob advertência. A medida marca uma mudança considerável no tratamento dos Estados Unidos com o Irã, o que pode abrir espaço para criação de novas sanções. Cabe ressaltar que o acordo nuclear realizado em 2015 pelo ex-presidente Barack Obama gerou certa tensão por sinalizar um abrandamento na postura dos Estados Unidos com o Irã. Flynn disse que ao invés de agradecer os Estados Unidos pelo acordo nuclear, o Irã está agora se sentindo encorajado.