quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

FED está pronto para agir novamente


Janet Yellen, presidente do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), contrariou as expectativas apresentadas pela última ata de reunião do Comitê de Política Monetária ao sinalizar que as portas estão abertas para um novo aumento na Fed Funds (taxa básica de juros) no próximo encontro a ser realizado nos dias 14 e 15 de março.

Os últimos documentos do FED divulgados ao mercado não mencionavam possibilidade de mais um aumento de 0,25 p.p. na Fed Funds no curto prazo, talvez porque os membros do Comitê não esperavam uma ação tão rápida de Donald Trump (presidente dos Estados Unidos) no front fiscal.

Na quinta-feira da semana passada, o presidente dos Estados Unidos afirmou que faria um importante anúncio sobre impostos em algumas semanas por estar muito à frente do seu cronograma.

Durante a campanha eleitoral, o presidente dos Estados Unidos se comprometeu a reduzir significativamente a alíquota do imposto para pessoas jurídicas, de 35% para 15%. Caso confirmado, a medida terá potencial para estimular uma economia já aquecida, operando próxima do nível de pleno emprego, o que tende a criar pressão inflacionária adicional.

Com o anúncio de medidas relevantes tão próximo, o FED não pode se dar ao luxo de continuar seguindo uma estratégia extremamente cautelosa na política monetária. É como se Janet Yellen estivesse apostando corrida com Donald Trump. A distância entre os dois não pode ser tão grande, caso contrário o FED teria que responder com aumentos mais fortes na Fed Funds, impactando os mercados e a própria economia.

Trump disparou inesperadamente à frente, obrigando Yellen a mudar o tom do último comunicado da autoridade monetária norte-americana. Agora, a avaliação dentro do FED é de que seria imprudente esperar demais pela próxima elevação da taxa básica de juros, abrindo uma perspectiva de que até o meio do ano a meta para a Fed Funds deverá estar, pelo menos, entre 0,75% a 1,00% ao ano (atualmente, a meta definida para a Fed Funds é de 0,50% a 0,75% ao ano).

Wall Street aguarda com muita ansiedade as novas medidas a serem anunciadas em breve pelo presidente dos Estados Unidos. Os índices acionários aceleraram o rali e seguem renovando máximas históricas dia após dia. Mercado extremamente bullish, embora perigoso no curtíssimo prazo devido ao elevado nível de sobrecompra.


Por outro lado, pressionadas pelas perspectivas de mais inflação, os rendimentos das treasurys (títulos do Tesouro norte-americano) voltaram a disparar, a caminho de atingir a máxima registrada no ano passado. A taxa de juros do título com vencimento em 10 anos rompeu a LTB de dezembro do ano passado, confirmando fundo duplo ascendente sobre a região dos 2,34%. Mercado de bonds segue vendido em Wall Street.


No Brasil, o mercado de bonds segue comprado, mantendo-se entre uma das principais opções para realocações de recursos a curto prazo. Um dos nossos principais concorrentes (México) segue passando por graves problemas internos.


Na semana passada, o Banxico (autoridade monetária mexicana) se viu forçado a subir novamente a taxa básica de juros em 0,50 p.p., para 6,25% ao ano na tentativa de acalmar os ânimos e segurar sua moeda. A inflação acumulada dos últimos 12 meses atingiu 4,72%, em aceleração, muito superior a meta de 3% a ser perseguida.

Empurrado pela queda do risco país medido pelo CDS (credit default swap), o dólar realizou importante movimento contra o real. O principal suporte localizado na região dos R$ 3,10 foi perdido com candles de força relevante, aumentando a força da tendência principal de baixa, iniciada em R$ 4,25 no mês de setembro do ano retrasado, mantendo a moeda vendida contra o real.

A bolsa de valores segue comprada, já se aproximando da última resistência abaixo do topo histórico. Apesar do risco para operações compradas de curtíssimo prazo, em função do elevado nível de sobrecompra, o mercado segue bullish e com boas perspectivas de alcançar níveis históricos.
 

14 comentários:

  1. O FED está demorando muito para elevar as taxas de juros em resposta ao avanço da inflação que já bate flerta com os 2,50%a.a. No último ciclo de alta foi preciso levar as taxas de juros a 5% ao ano o que desencadeou o estouro da bolha do suprime. Dessa vez a bolha de crédito é ainda maior. Espero que o perfil de risco da carteira de ativos dos bancos tenha melhor qualidade desta vez.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exato, mês a mês a inflação tem surpreendido com aceleração acima do esperado. Se o FED continuar seguindo uma estratégia extremamente cautelosa, vai comprar riscos desnecessários para o futuro. Acho que estão preparados para subir novamente a Fed Funds no curto prazo. Existe uma bolha de crédito, mas ela está na China.

      Excluir
    2. Olá FI, excelente análise.
      Por acaso você fez alguma análise da bolha de crédito chinesa, gostaria de entendê-la melhor...

      Abraço!

      Excluir
    3. Olá Noimo,
      Sim, já fiz algumas vezes, mas faz algum tempo. Não me recordo em quais posts, creio que está entre 2014 e 2016 rs..
      Abs,

      Excluir
  2. Tudo indica que estamos próximos da próxima grande bolha, com o inicio do ciclo de alta dos juros o sinal amarelo já deve começar a acender. Mas o bixo só deve pegar mesmo quando chegar ali na metade pro final do ciclo de alta dos juros, por enquanto ainda esta "tranquilo".

    Foi a bolha das empresas .com, a bolha imobiliária e agora eu aposto que a bolha é nos títulos soberanos.

    Mas também nada que vá destruir o mundo como tantos pregam, apenas uma ótima oportunidade de fazer bastante dinheiro... rsrsrsrsrsrs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Títulos soberanos eram fortes candidatos a estourar no futuro, mas os yields, principalmente de praças desenvolvidas, estão em ascensão desde meados de julho do ano passado. Inclusive praças que chegaram a pagar juro negativo, hoje estão em território positivo, em trajetória altista. A Treasury de 10 anos do Japão, por exemplo, saiu de -0,30% para 0,10%. Na Alemanha, o título de 10 anos saiu de -0,2% para 0,35%. Os yields ainda estão baixos, mas em pouco mais de seis meses acumulam um acerto relevante nos preços.

      Excluir
  3. Investidor de Risco e Finanças Inteligente, vocês acham que o estouro dessa bolha de crédito chinesa está próximo ? e as consequências seriam tão graves quanto as da bolha do sub-prime ?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Dizem que a bolha de crédito na China é maior do que a do subprime. Acontece que ao contrário do governo norte-americano, Pequim já identificou o perigo e está tomando ações para desalavancar o sistema e reduzir os riscos.

      Excluir
  4. Bom dia FI,

    Gostaria de saber se com o aumento das taxas norte americanas, e por outro lado, a diminuição dos rendimentos dos Bons Brasileiros. Estes fatos nao seriam uma sinalização que a apreciação do Real frente ao Dolar estaria com os dias contados em um cenário de curto prazo. Havendo um troca de fluxo logo ali na frente?

    Para mim estes dados são conflitantes, como os bonds brasileiros cada vez com um rendimento menor e os bonds americanos com bonds maiores. Nao deveria haver esta troca de fluxo. E , com isto, acarretar uma desvalorização do real no curto-médio prazo?

    É factivel este cenário?

    Att,

    Edo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Edo. Essa troca de fluxo vai acontecer em determinado momento, só não sabemos quando. Pode ser na semana que vem, mês que vem, ano que vem, ou mais.. O mercado é soberano e não raro costuma esticar demais os elásticos, tanto na compra, quanto na venda. Do ponto de vista dos gestores de hedge fund e demais players de dívida soberana global, a trajetória da curva é mais importante do que o preço praticado no momento pelo mercado. Num cenário de risco favorável, com espaço para sair num preço maior do que o de entrada, o fluxo é atraído meio que naturalmente. Com os yields em tendência de alta nas praças desenvolvidas, não há condições para formações de posições de curto prazo (ou mesmo médio prazo) na ponta comprada. Já nas praças emergentes, incluindo o Brasil, a tendência é de baixa nos yields, o que abre oportunidades para formações de posições de curto e médio prazo. Quando houver esgotamento da tendência de baixa dos yields nas praças emergentes, o fluxo tende a retornar para sua origem, impactando as moedas locais, bonds e talvez até mesmo ações (efeito tabela).

      Excluir
    2. Finanças Inteligentes, permita-me cumprimentar mais uma vez por suas colocações. Sua escrita é brilhante e eu fico agradecido de poder ler este site. Parabéns. Esta explicação em particular sobre o fluxo cambial ainda estar entrando em função da tendência aqui ser de alta nos preços dos bonds foi surpreendente. Certamente faz todo sentido! Jairo

      Excluir
  5. A grande questão agora é o dólar,para onde vai?Até que ponto o real vai conseguir se valorizar mais que as outras moedas frente ao mesmo?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A tendência principal ainda é de baixa. Até onde vai, ninguém sabe dizer rs..

      Excluir
  6. FI,

    Sacanagem .. bem agora que eu resolvi apostar numa última pernada de alta da bolsa .... hehehe .vamos ver ..

    Abs,

    ResponderExcluir