terça-feira, 28 de março de 2017

Chile cria seu outsider, de esquerda


O governo de esquerda da presidente chilena Michele Bachelet pode ser considerado um completo desastre. Em seu último ano de mandato, Bachelet enfrenta um índice de 74% de desaprovação por conta de uma série de promessas não cumpridas, escândalos de corrupção, mal uso de verbas públicas e desajustes macroeconômicos.

De maneira geral, a população no Chile, não diferente de outros países da América Latina, está desencantada com os políticos, muito em função dos escândalos de corrupção de grandes proporções que tomaram conta do governo.

A decepção com governos de esquerda na América Latina criou condições para retomada de políticos de direita ou outsiders em alguns países, mas o Chile está mostrando que esse movimento está longe de ser uma tendência pré-definida.

Isso significa que um outsider de esquerda pode surgir e ganhar força mesmo diante de um quadro de baixíssima popularidade de um atual governo de esquerda no poder. Alejandro Guillier, ex-comentarista de TV, é um fenômeno na política do Chile.

Para as eleições presidências que ocorrem em novembro deste ano, o esquerdista Guillier é forte candidato à vitória num país considerado referência na América Latina. Até o fim do ano passado, Guillier era relativamente desconhecido no Chile, mas seu discurso de outsider está funcionando. O fato de não ser filiado a nenhum grande partido também tem ajudado.

As pesquisas de intenção de voto apontam segundo turno disputado entre o outsider de esquerda contra o já conhecido Sebastián Piñera, candidato de direita que promete restaurar o modelo chileno destruído por Bachelet.

Piñera é um político de carreira e já foi presidente do Chile entre 2010 a 2014, mas os investidores temem um disputado segundo turno por conta da força que os outsiders tem conquistado em vários países nos últimos anos.

O outsider de esquerda chileno é polêmico. Ano passado, considerou os fundos de pensão privados (uma indústria de 181 bilhões de dólares) como algo desastroso, acusando-os de deixar muitas pessoas mais pobres. Uma eventual vitória de Guillier no Chile poderá influenciar as eleições presidências no Brasil em 2018 e aumentar a incerteza política em toda a América Latina.

Na França, pesquisas de intenção de voto mais recentes apontam empate técnico no primeiro turno entre a candidata da extrema-direita anti-Europa Marine Le Pen e o centrista Emmanuel Macron. Entretanto, na simulação de segundo turno, Macron tem 68% dos votos e Le Pen apenas 38%.

O liberal François Fillon, conhecido como Thatcher francês (devido sua admiração por Margaret Thatcher), até pouco tempo atrás apontado como favorito à presidência da França, despencou nas pesquisas para o terceiro colocado, com atualmente apenas 18% das intenções de voto.

Fillon propõe corte de 500.000 cargos públicos, aumento da jornada de trabalho, enfraquecimento dos sindicatos e redução dos gastos públicos. Suas propostas foram bem recebidas pelos eleitores franceses, insatisfeitos com o socialismo do atual presidente François Hollande. Mas um escândalo com empregos fantasmas envolvendo a família de Fillon, avolumado pela dura propaganda da esquerda francesa, arruinou sua campanha, praticamente tirando fora da corrida eleitoral.

No cenário local, destaque para mais uma sinalização de falta de estratégia ou planejamento do governo. Exatamente uma semana após anunciar a retirada dos servidores estaduais e municipais da reforma da previdência, justificando invasão de competência, o governo volta atrás e afirma, agora, que dará seis meses para que Estados e municípios ajustem seus sistemas previdenciários após a sanção da reforma da Previdência ou adotem as regras aprovadas pelo Congresso.

A bolsa de valores mantém o movimento de alívio dos últimos dias, realizando teste na linha central de bollinger e LTB dos 69,5k. É o primeiro teste sobre uma região de resistência desde o início do movimento comprador de curtíssimo prazo iniciado na região dos 62,5k. A superação dessa região criará condições para o movimento comprador de curtíssimo prazo ganhar mais força, abrindo espaço técnico para retorno à região dos 66k. Caso a linha seja respeitada, as vendas voltam a dominar nos próximos pregões.


Nos Estados Unidos, o índice S&P500 subiu nesta terça-feira, voltando a encostar na linha central de bollinger. A aproximação de Trump com democratas moderados, visando aprovação da reforma tributária, tem melhorado o clima em Wall Street.


O dólar contra cesta de principais moedas globais encostou na mínima do ano, mantendo o movimento descendente. Moeda segue vendida no curto prazo, para alívio de Trump e sua equipe econômica.


3 comentários:

  1. Posso estar errado, mas minha sensação é que a corrupção no Chile não se compara com a nossa. O povo lá é muito mais exigente que o brasileiro.

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    1. Acho que a corrupção de nenhum país se compara com a nossa. Nós somos um ponto muitíssimo fora da curva.

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  2. FI,

    Essa volatilidade baixa é muito triste .... mercado fica meio sonolento ..

    Abs,

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