segunda-feira, 17 de abril de 2017

China cresce acima do esperado


O Departamento Nacional de Estatísticas informou nesta segunda-feira que a economia chinesa cresceu 6,9% no primeiro trimestre de 2017 na base anual. Em relação ao quarto trimestre do ano passado, o crescimento foi de 1,3%.

Os dados surpreenderam as expectativas mais otimistas do mercado, em torno de 6,8%. Os números também mostram aceleração do crescimento em relação ao ritmo constatado no trimestre anterior e marcaram o período mais forte dos últimos seis trimestres. Além disso, o resultado ficou acima da meta de crescimento do governo para este ano, em torno de 6,5%.

Embora a China esteja empenhada em mudar sua estrutura econômica para um modelo menos dependente de investimentos e exportações e mais voltado aos serviços e consumo interno, os dados desta segunda-feira revelam que esse objetivo ainda está longe de ser alcançado.

A atividade surpreendeu neste primeiro trimestre na China por conta dos gastos elevados do setor público, o que revela, ainda, que a economia é muito dependente dos estímulos do governo, o velho e conhecido motor de crescimento de décadas passadas.

Os dados da economia chinesa animaram os pregões que andavam abatidos nas principais praças financeiras mundiais, embora a sustentabilidade do modelo de crescimento continue sendo questionada. O financiamento social na China (medida ampla de crédito e liquidez) atingiu novo recorde de 6,93 trilhões de iuanes (cerca de 1 trilhão de dólares) neste primeiro trimestre de 2017, refletindo o aumento de 21% nos gastos do governo central e locais.

Há forte suspeita quanto à qualidade do crédito na China. O governo adota um discurso de moderação em relação aos financiamentos, mas até o momento segue demonstrando incapacidade de controlar o crédito e conter os riscos da dívida.

Ainda no cenário externo, destaque para vitória de Recep Tayyip Erdogan no referendo do último domingo na Turquia. Com uma pequena margem (51,4% a favor e 48,6% contra), os eleitores turcos decidiram avançar na polêmica reforma constitucional, na qual concentra poderes do Executivo, Legislativo e Judiciário nas mãos do presidente.

Entre as principais mudanças aprovadas pelo referendo, cargo de primeiro-ministro será extinto, o papel do Congresso será diminuído e o presidente terá autoridade para tomar certas decisões judiciais e ministeriais, sem a necessidade de aprovação dos parlamentares.

É importante ressaltar que o referendo foi realizado durante um estado de emergência decretado pelo próprio Erdogran após a fracassada tentativa de golpe sofrida em meados de 2016. A oposição não reconheceu o resultado e a Organização pela Segurança e Cooperação na Europa afirmou que o referendo aconteceu em um marco legal inadequado.

Erdogran perdeu em grandes cidades como Istambul, Antalya e Adana. A maioria na capital Ancara também votou a favor do não. A margem apertada de vitória no referendo tende a manter o clima tenso não só na Turquia, mas em toda a Europa. Erdogran atacou líderes europeus em seu discurso de vitória e não quer que seu país faça parte da União Europeia.

No Brasil, o governo quer transmitir um sinal de normalidade após o bombardeio de notícias relacionadas às delações de executivos da Odebrecht. Para isso, quer manter o cronograma de votações no Congresso e, assim, tentar segurar por mais algum tempo o importante apoio que tem do mercado.

Acompanhando o movimento global, o mercado de ações brasileiro reagiu pra cima nesta segunda-feira, confirmando apoio sobre a importante linha de suporte localizada na região dos 62,5k. O alívio mantêm os preços dentro de uma congestão de curtíssimo prazo, mais ainda insuficiente para invalidar a atual tendência de baixa iniciada aos 69,5k.


Nos Estados Unidos, o índice S&P500 subiu nesta segunda-feira confirmando apoio sobre a linha de suporte localizada na faixa dos 2,3k.


5 comentários:

  1. As notícias sobre as nações em desenvolvimento parece "corrida maluca". Brasil e a corrupção, Turquia no caminho da ditadura, China e o problema do crédito, etc.

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    1. E nesse final de semana tem o primeiro passo do futuro da França e da União Europeia.

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  2. China crescendo acima do esperado, Brasil com a inflação controlada e Previdência prestes a ser aprovada(tem gente que diz que o governo saiu fragilizado ou que a reforma não é suficiente, creio que o Temer ao lançar a proposta inicial naqueles termos já estava contabilizando uma perda daqueles pressupostos aos níveis que encontramos hoje), entre outros índices melhorando. Será que vem uma subida boa por ai?

    Edo

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    1. Não creio que o governo estava esperando recuar tanto. A perda de economia com as modificações gira em torno de 50% a 60%. Esse cálculo é feito por economistas, bem diferente da estimativa do governo. Também não há como manter o discurso de uma mesma reforma para todos. Neste ritmo, o próximo presidente vai ter que fazer outra reforma da previdência para acertar o que ficou para trás nessa. E ainda assim será necessário algo a mais para o País cumprir o teto de gastos. Eu não sei, quem determina a direção é o Sr. Mercado rs.., o investidor só tem o trabalho de segui-la, seja para cima ou para baixo. Por enquanto estamos para baixo.
      Abs,

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  3. FI,

    é ...se esses números chineses forem realmente esses ... mas ...por aqui .. ainda tem que melhorar muito pra ficar ruim ... continua indo ladeira a baixo .. deficits ...

    Abs,

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