terça-feira, 11 de abril de 2017

Está aberta a janela para o outsider brasileiro


A rápida ascensão de outsiders é um movimento que ocorre a pleno vapor no ambiente político em vários cantos do planeta. Os motivos que levam a massa de eleitores a apoiarem figuras de outras áreas para se tornarem líderes políticos estão normalmente relacionados ao descontentamento com a velha e tradicional forma de se fazer política, onde em muitos casos a corrupção atinge proporções inimagináveis.

Na tarde desta terça-feira, o ministro Edson Fachin, relator da operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de 76 inquéritos contra uma imensidade de parlamentares. São 24 senadores, 39 deputados, 3 governadores e 8 ministros.

A autorização para abertura de inquérito é baseada na conhecida lista de Janot, enviada ao STF no dia 14 de março deste ano. O procurador-geral da República enviou 83 pedidos de inquérito ao tribunal, com base nas delações dos executivos da Odebrecht.

Um dos principais destaques desta impressionante lista de Fachin está na volumosa presença de ministros do governo Michel Temer. Aliás, o próprio presidente foi citado, mas não será investigado devido à imunidade temporária, pois as acusações não dizem respeito a atos cometidos em seu mandato.

Temer havia alertado há pouco tempo que afastaria temporariamente qualquer ministro eventualmente denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República). Caso se torne réu, o corte será definitivo. Especula-se no mercado que a possibilidade de boa parte dos nomes citados se tornarem réus é relevante. Neste caso, Temer teria um grande problema de gestão para substituir os ministros e encarar uma nova onda de perda de credibilidade.

Além disso, com os inquéritos abertos, a movimentação no Congresso para avanço das reformas estruturantes tende a minguar. Na tarde desta terça-feira, o quórum desapareceu na Câmara após a divulgação dos nomes dos parlamentares na imprensa. Estava prevista a votação do importante programa de ajuda aos Estados.

O segundo fato relevante constatado na lista de Fachin está na quantidade de inquéritos a serem respondidos pelo senador Aécio Neves. São três inquéritos para investigar supostos pagamentos indevidos em campanhas, outro para investigar vantagens indevidas em troca de ajuda a empreendimentos da Odebrecht e mais um inquérito para investigar suposto esquema de fraudes em processos licitatórios no período em que o senador foi governador de Minas Gerais. Totalizando, portanto, cinco inquéritos contra o tucano.

Independentemente de ser ou não inocente, fato é que os 5 inquéritos arranharão a imagem de Aécio com o andamento do processo (que é muito lento), o que poderá inviabilizar sua candidatura para as eleições de 2018 que estão logo ali. Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, também está na lista de Fachin. Luiz Inácio Lula da Silva, outro nome potencialmente forte, está praticamente fora da próxima corrida eleitoral com tantas suspeitas de corrupção.

Com tantos políticos tradicionais e nomes de peso na lista de Fachin, o terreno está propício para o crescimento de um outsider brasileiro. A princípio, o prefeito de São Paulo, João Doria, parece ter o perfil e as condições de aproveitar os ventos favoráveis do momento para crescer e construir sua imagem visando a disputa de 2018, mas o caminho é incerto, a disputa é acirrada e um deslize pode ser fatal.

No mercado de capitais, o dia amanheceu sob forte pressão vendedora influenciada pelo aumento das tensões geopolíticas. Trump havia afirmado dias atrás que iria resolver por conta própria o problema da Coréia do Norte. O aumento significativo de lançamentos de foguetes do governo Kim Jong-um tem irritado Trump e amedrontado seus aliados sul-coreanos que estão na mira da artilharia do exército norte-coreano.

Na tentativa de intimidar Kim Jong-um, Trump enviou seu porta-aviões nuclear Carl Vinson (uma verdadeira máquina de guerra flutuante com 85 jatos de combate) para a costa coreana. Até o momento, a estratégia funcionou. O líder norte-coreano não emitiu nenhuma nova declaração e os mercados acionários voltaram a subir ao longo da tarde.


No Brasil, o índice Bovespa trabalhou movimento semelhante, com recuperação das perdas sofridas nos primeiros minutos de pregão. O candle de fechamento é um martelo, mas em função da posição técnica e das circunstâncias externas, sua relevância está reduzida.


7 comentários:

  1. Por que você não acredita na candidatura de Lula?

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    1. "Luiz Inácio Lula da Silva, outro nome potencialmente forte, está praticamente fora da próxima corrida eleitoral com tantas suspeitas de corrupção."

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  2. FI,

    Só complementando .. a já arranhada imagem do Aécio hehehe ..

    É na dúvida .. é melhor ter um punhado de dólar .. vai que ....

    Abs,

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  3. A Direita tem a vantagem de ter como alternativa o Dória ou eventualmente até um Bolsonaro (um mais de centro outra mais firme).

    Agora a esquerda realmente está em frangalhos, tanto que o único candidato viável para as eleições de 2018 é o Lula (isso se ele já não estiver preso até lá), fora ele não se tem mais ninguém com apelo e força para entrar numa eleição presidencial com boas chances, pois as alternativas até agora seriam Ciro Gomes (que só sabe ficar xingando todo mundo) e uma Marina Silva que nunca mostrou para que veio.

    A politica é completamente imprevisível, mas eu acredito que o candidato vai acabar sendo realmente o Dória.

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    1. Essa imprevisibilidade é o que fez surgir um outsider de esquerda em pleno Chile. Mas concordo que o Dória, no momento, é um dos que tem mais condições de ocupar a requisitada cadeira de outsider no Brasil.

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  4. Você acha que seria uma estratégia viável se o Dória saísse do PSDB e fundasse um novo partido com empresários, como o Roberto Justus e caras de mercado, e viesse com um partido inteiro outsider? Haveria possibilidade de vitória, se considerar a força da internet frente ao pouco espaço na propaganda política que este suposto novo partido teria?

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    1. Boa pergunta. Posso estar errado, mas acho inviável. Dória precisa do PSDB pra ter um empurrão da base (prefeituras, por exemplo). Nas propagandas ele consegue fazer a imagem de outsider, mas nos bastidores precisará de um partido com base forte.
      Abs,

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