segunda-feira, 10 de abril de 2017

Há duas semanas das eleições, esquerda radical cresce na França


As eleições presidenciais da França, com o primeiro turno em 27 de abril e o segundo turno a ser realizado no dia 7 de maio, são consideradas as mais incertas da história recente. Até pouco tempo atrás, o liberal François Fillon, conhecido como Thatcher frances (devido sua admiração por Margaret Thatcher), era apontado como grande favorito.

Atualmente Fillon está em quarto lugar nas pesquisas de intenção de voto. Sua campanha foi duramente afetada por denúncias de corrupção. A disputa segue acirrada entre Marine Le Pen, candidata de extrema direita, e Emmanuel Macron, de centro esquerda (mais centro que esquerda). As pesquisas indicavam que esses dois candidatos iriam para o segundo turno com certa facilidade.

Esse cenário caiu por terra nesta semana. Novos levantamentos mostram Jean-Luc Mélenchon, candidato de extrema esquerda da frente França Insubmissa, em rápida ascensão. Somente nas últimas três semanas, o radical de esquerda subiu 6 pontos percentuais, com 18% das intenções de voto. Macron e Le Pen seguem empatados em primeiro lugar com 24%.

A arrancada de Mélenchon contrasta com o leve recuo das intenções de voto de Le Pen e Macron. Muitos franceses ainda estão indecisos para o primeiro turno e essa arrancada final da frente França Insubmissa pode ser decisiva para o partido aproveitar o momentum e alcançar o segundo turno.

As propostas de Mélenchon são preocupantes não só para os franceses, mas para toda a Europa. O candidato francês de extrema esquerda é grande admirador do bolivarianismo latino-americano e tem um programa anticapitalista chamado de revolução cidadã.

Mélenchon é um eurocético que quer tirar a França tanto da União Europeia, quanto da OTAN (Organização do Tratado do Atântico Norte). Como se não bastasse, o candidato da frente França Insubmissa manifesta apoio à intervenção militar do presidente russo, Vladimir Putin, na Síria e na Ucrânica.

Além de bagunçar a Europa economicamente e geopoliticamente, Mélenchon quer taxar em 100% todo o rendimento acima de 33 mil euros mensais, reduzir a jornada de trabalho de 35 horas para 32 horas semanais, aumentar o salário mínimo, reforçar a seguridade social e reduzir a idade de aposentadoria para 60 anos. Ele também quer acabar com a energia nuclear, hoje responsável por 75% da eletricidade nacional e re-estatizar o grupo nacional de energia EDF.

Difícil imaginar um candidato com essas propostas crescer tão rapidamente na reta final das eleições presidenciais na França, mas é o que as pesquisas têm apontado nas últimas semanas. Mélenchon já é considerado um fenômeno pela mídia local, assim como Le Pen, da extrema direita. A força desses dois candidatos revela como os extremos estão tomando conta da opinião pública na França, o que pode ser um reflexo de um fenômeno em curso mais abrangente, a nível global.

No mercado de capitais, o dia foi de relativa calmaria nas principais praças financeiras mundiais. No Brasil, o Ibovespa segue pressionado pela formação de topo duplo descendente na região dos 66k.


No mercado de câmbio local, o dólar opera movimento de congestão de curto prazo após uma perna secundária de baixa iniciada no fim do ano passado. Nessas condições de baixa volatilidade, o real tende a continuar oscilando entre R$ 3,00 a R$ 3,20.


5 comentários:

  1. Que a Franca sempre foi um antro de comunistas não é novidade para ninguém, agora eleger um Maduro Europeu é no minimo bizarro, até porque diferente da America Latina os Europeus vivenciaram de perto a implosão e os absurdos cometidos pelo regime soviético.

    Mas isso acabaria sendo bom é para o Reino Unido, que veria uma União Europeia enfraquecida para negociar o Brexit (visto que esse maluco também parece ser anti-UE), sem contar que o colapso econômico que essas medidas causariam na Franca abririam espaços para o mercado britânico ocupar.

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  2. Vai ser legal ver esse camarada eleito. Quem sabe assim, provando ao mundo o que as ideias de esquerda podem fazer mesmo a nações prósperas e tradicionais, abandonemos de vez o socialismo.

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  3. Apesar dos pesares, acho que se o candidato de centro, Emmanuel Macron, chegar ao segundo turno, leva fácil.
    Os vermelhinhos não votarão Le Pen nem os nacionalistas votarão no candidato da extrema esquerda.

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  4. A França já está em decadência total... o multiculturalismo misturado com o secularismo resulta hoje em um povo nativo culturalmente pobre sendo rapidamente dominado por uma invasão de extremistas.
    A consequência natural disso é dar espaço para populistas e potenciais ditadores.

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  5. Agradeço aos senhores pelas valiosas contribuições nos comentários!

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