quinta-feira, 13 de abril de 2017

Jogo de poker entre Trump e Kim Jong-um fica perigoso


O líder da Coréia do Norte, Kim Jong-um, parece não ter se intimidado com o deslocamento do poderoso porta-aviões norte-americano Carl Vison ao seu quintal. A prova de que seu jogo de poker com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, está ficando perigoso foi confirmada nesta quinta-feira pelo portal 38 North (instituo americano especializado em Coréia do Norte).

Segundo o portal, imagens de satélite mostram atividades contínuas ao redor da base de lançamento de mísseis da Coreia do Norte, utilizada para fazer testes nucleares desde 2006. As imagens sugerem que o País está pronto para realizar novos testes. As mesmas atividades foram observadas em setembro do ano passado, pouco antes do quinto teste nuclear da Coréia do Norte.

Sábado próximo é o Dia do Sol no calendário do regime norte-coreano, data que celebra o aniversário de nascimento de Kim Il-sung, o primeiro da dinastia Kim e fundador da república comunista. O atual líder coreano, Kim Jong-um, gosta de utilizar as comemorações do Dia do Sol para realizar testes armamentistas e atrair atenção do mundo. Tudo indica que este ano não será diferente.

A administração Trump tem ressaltado que não irá tolerar novos testes da Coreia do Norte. A ação de hoje com o lançamento da maior bomba não nuclear do mundo no Afeganistão aumentou as tensões geopolíticas, pois foi encarada como uma nova demonstração de força ao líder coreano, após o disparo de 59 mísseis Tomahawks na Síria.

O jogo geopolítico para Trump é positivo, pois desvia as atenções de sua recente derrota no Congresso na tentativa de alterar a legislação da saúde. Trump não cumpriu a promessa de campanha contra o Obamacare, mas está sinalizando que vai cumprir sua outra promessa de acabar com o Estado Islâmico.

Desde o início deste ano, os jihadistas foram bombardeados mais de 400 vezes no Afeganistão. As forças de coalizão internacional lideradas pelos Estados Unidos já recuperaram dois terços da área antes ocupada pelo Estado Islâmico no Afeganistão. O progresso é satisfatório, mas ao detectar movimentação na base de lançamentos da Coréia do Norte, Trump possivelmente não hesitou em ordenar o lançamento da “mãe de todas as bombas”, a GBU-43, utilizada nesta quinta-feira pela força aérea dos Estados Unidos.

O exército norte-americano alega que os terroristas do Estado Islâmico tem usado cada vez mais bunkers, armadilhas e túneis para reforçarem sua defesa. Acontece que a bomba GBU-43 não é tecnicamente perfurante, logo, sua eficácia contra túneis é questionada. A GBU-43 explode pouco antes de tocar o solo e abrange uma grande área, portanto, parece ter sido um lançamento mais cinematográfico, com objetivo de intimidação, na medida em que a Coréia do Norte se prepara para celebrar o Dia do Sol.

A península coreana nunca esteve tão perto de um conflito militar desde o primeiro teste nuclear, fato que tem aumentado a tensão nas principais praças financeiras mundiais. Entretanto, um conflito parece ser inviável, já que Trump tem feito outra guinada em política externa: se afastando de Putin, presidente da Rússia, ao mesmo tempo em que se aproxima de Xi Jinping, líder chinês.

A China é a chave de solução para redução dos temores relacionados à Coréia do Norte. Um editorial do Global Times, jornal ligado ao partido comunista chinês, admitiu nesta quinta-feira que os líderes do partido não estão convencidos de que Trump vá blefar no jogo de poker com a Coreia do Norte e, por conta disso, o regime chinês estaria disposto a aumentar sua pressão contra Kim Jong-um.

Em caso de nova provocação, os chineses estariam dispostos a adotar sanções contra a Coreia do Norte, incluindo uma restrição às importações de petróleo, algo que seria inédito na história. Kim Jong-um é totalmente dependente do petróleo chinês. O endurecimento da China em relação à Coréia do Norte parece ser o primeiro sinal concreto de que Trump realmente se aproximou de Xi Jinping no encontro realizado semana passada em seu resort na Flórida.

Trump disse estar muito confiante de que a China vai lidar de forma apropriada com a Coreia do Norte e elogiou a primeira atitude já tomada no mês passado. A China suspendeu as importações de carvão norte-coreano, uma das principais fontes de rendimento do País.

Receosos com o quadro geopolítico, investidores/operadores estão desmontando posições em ativos de risco e buscando o porto seguro dos títulos da dívida soberana de países desenvolvidos.

O rendimento da Treasury de 10 anos (título do Tesouro norte-americano, referência global), está caindo ladeira abaixo. O forte movimento comprador provocou rompimento da principal zona de sustentação de curto prazo localizada aos 2,30% ao ano. Neste momento, o rendimento da Treasury é negociado aos 2,24%, com relativa distância da máxima atingida no final do ano passado aos 2,60%.


As Gilts (títulos do Tesouro Britânico) viraram fortemente para bullish. Após a taxa atingir máxima em 1,51% ao ano, uma onda compradora, acentuada recentemente, tem derrubado rapidamente os rendimentos dos títulos britânicos. Neste momento, o rendimento da Gilt de 10 anos é negociado a 1,04%.


Na Alemanha, os rendimentos dos títulos do Tesouro estão voltando a se aproximar do patamar zero. Neste momento, o prêmio do título de 10 anos é de apenas 0,18% ao ano, muito inferior à máxima registrada em 0,48% no início deste ano.


O mercado é bullish também no Japão. O rendimento do título do tesouro de 10 anos despencou de 0,11% ao ano para 0,031%, praticamente de volta ao nível zero.


Conforme esperado, a forte onda compradora que atinge os títulos da dívida soberana de países desenvolvidos é acompanhada pelo desmonte de posições em títulos da dívida soberana, ações e moedas de países emergentes.

Enquanto o mercado estava bearish na dívida soberana de praças desenvolvidas durante boa parte do ano passado, investidores/operadores correram para títulos mais arriscados em países emergentes, surfando a onda que estava favorável para carry trade. Agora, a janela para praças emergentes está fechada com o fluxo retornando às suas origens.

A bolsa de valores brasileira despencou novamente nesta quinta-feira, reforçando o status de mercado vendido. A perna de baixa iniciada aos 69,5k tende a ser fortificada com eventual rompimento da linha de suporte localizada na região dos 62.5k. As condições técnicas jogam a favor do rompimento e a bolsa pode acabar voltando para a média móvel simples de 200 períodos diária nas próximas semanas.
 

No cenário local, destaque para o vídeo divulgado pelo presidente Michel Temer, defendendo-se da acusação de que teria participado de uma reunião para acertar um pagamento milionário de propina com a Odebrecht. Temer confirmou ter participado do encontro com um executivo da Odebrecht, mas nega ter tratado de valores destinados a políticos com a empreiteira.

A delação de Marcelo Odebrecht afeta em cheio toda a aparente podridão do sistema político brasileiro, mas bate forte, especialmente, no atual governo, abrindo novamente a possibilidade de voltarmos a ter um quadro praticamente ingovernável.

7 comentários:

  1. FI,
    Especificamente ao assunto Coréia do Norte, apenas quero compartiljar este gráfico com o orçamento militar anual das maiores potências mundiais: https://mises.org/sites/default/files/styles/full_width/public/US%20spending%20v%20world.png?itok=R8DfeP82
    Coréia do Norte uma ameaça?
    Abraço.

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    1. FI,
      Reli meu comentário acima e vi que fui arrogante.
      Desculpe.
      Minha intenção era compartilhar o referido gráfico apenas para tentar fazer o contraponto ao propagado poder da Coréia do Norte. Até ajuda humanitária eles recebem.
      Enfim, na minha opinião, a Coréia é usada pra tomar o noticiário apenas.
      Um abraço.

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    2. Olá Pedro.
      Imagina! O gráfico está correto. Apesar de a Coreia do Norte não representar ameaça aos Estados Unidos, os lançamentos de mísseis balísticos e testes nucleares (mesmo com falhas) permitem aos cientistas incorporarem novas informações e aperfeiçoar a tecnologia. Trump quer evitar que a Coreia do Norte alcance seu objetivo e, para isso, é necessário tomar uma postura mais firme agora, aumentando as sanções, por exemplo. Já no caso da Coreia do Sul, apesar de ter um orçamento militar maior, ainda está longe de equiparar força com o vizinho do norte e não possui capacidade de defesa adequada.
      Abs!

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  2. Fin.. não seria mercado BEARISH?
    Abraço!

    Se eu tiver errado.. pode puxar orelha!.. kkk

    Veiga!

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    1. Olá Veiga.
      É mercado bullish mesmo rs.. Em títulos soberanos, quando as taxas caem, os valores dos títulos sobem. Portanto, quem compra títulos, ganha com a queda das taxas de juros futuros.
      Abs,

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  3. A CN nunca será uma ameaça verdadeira para os EUA.
    Primeiro porque as armas coreanas não atingem o território americano.
    Segundo porque são armas, que apesar de causarem estragos, sem tecnologia para acertarem um alvo em cheio.
    Terceiro porque a coréia depende da China. O dia que a China virar as costas para os coreanos, eles morrem de fome.
    Se entrarem em guerra, os americanos vencem em três dias.

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    1. Hoje a Coreia do Norte não é uma ameaça. Mas se continuar com seus programas, será uma ameaça sim aos Estados Unidos no futuro. Isso é inevitável, já que é comprovado que os norte-coreanos estão conseguindo aperfeiçoar a tecnologia ao longo dos últimos anos com seus inúmeros testes. A China não vai virar as costas para a Coreia do Norte, mas está sinalizando que poderá colaborar com eventuais sanções do ocidente. Uma limitação nas importações de petróleo da China deixaria Kim Jong-um de joelhos.
      Abs,

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