segunda-feira, 24 de abril de 2017

Todos contra Le Pen


O temido primeiro turno da disputada eleição presidencial francesa terminou com um grande alívio ao mercado. O candidato da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, admirador do bolivarianismo latino-americano, que vinha numa forte ascensão nas últimas semanas, está fora do segundo turno.

Mélenchon ficou em quarto lugar na disputa, com 19,2% dos votos. O candidato ultraliberal François Fillon, admirador de Margaret Thatcher, mostrou certa recuperação nos momentos finais da campanha e alcançou 19,7% dos votos. Marine Le Pen, candidata da direita radical anti-imigranção e anti-Europa, ficou em segundo lugar com 21,53% dos votos. O centrista Emmanuel Macron, ex-ministro da economia, se destacou na reta final e ficou com 23,75% dos votos em primeiro lugar.

Uma rápida mobilização pró-Macron se iniciou assim que os resultados apontaram os dois candidatos a disputar o segundo turno no dia 7 de maio. Benoît Hamon, candidato do partido socialista que ficou em quinto colocado com apenas 6,2% dos votos, foi o primeiro da grande lista anunciar seu apoio a Emmanuel Macron no segundo turno.

François Fillon admitiu uma derrota de cunho pessoal e pediu que seus eleitores se mobilizem a favor de Macron, a fim de evitar uma abstenção no segundo turno. Em seu discurso de derrota, Fillon declarou que votará em Macron.

O ex-primeiro-ministro Alain Juppé, derrotado nas primárias da direita por Fillon, também expressou seu voto ao candidato centrista Emmanuel Macron. Juppé tem grande influência para a direita francesa e afirmou que a extrema-direita de Marine Le Pen conduzirá seu País ao desastre. Bernard Cazeneuve, atual primeiro-ministro, também pediu no último domingo para que os franceses votem contra Le Pen.

O radical de esquerda Mélenchon, do movimento França Insubmissa, se recusou a dar qualquer recomendação de voto no segundo turno assim como Philippe Poutou, do Partido Anticapitalista. Entretanto, é altamente esperado que boa parte dos eleitores da esquerda radical francesa não deverão votar num candidato da direita radical no segundo turno, nem sob forma de protesto.

O segundo turno na França, portanto, será uma disputa de todos contra Le Pen. A direita radical não recebeu nenhum apoio de figura pública relevante e o mercado já contabiliza uma vitória esmagadora de Emmanuel Macron sobre Marine Le Pen no segundo turno. Pesquisas de intenção de voto também apontam amplo favoritismo de Macron, com cerca de 61% dos votos.

Apesar de ser considerado um outsider, Macron, que fundou seu próprio partido em abril de 2016, não pretende quebrar o establishment na França. O candidato tem um programa abertamente pró-europeu, com intenção de fortalecer ainda mais o bloco. Defende um “Buy European Act”, uma forma de preferência de acesso ao mercado europeu para indústrias estrangeiras que deslocarem parte da sua produção para algum país do bloco. Também defende o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Canadá, além de um corte na carga tributária das empresas de 35% para 25%.

Além das propostas tentadoras aos empresários, o centrista Macron é o candidato queridinho do mercado pela sua conhecida reputação e passagem pelos bancos de investimentos na França.

Macron é um outsider que nasceu do mercado de capitais e isso definitivamente agrada os investidores/operadores por toda a Europa. A bolsa de Paris disparou mais de 4% nesta segunda-feira, registrando a alta mais forte desde agosto de 2012. A máxima de 2015 foi superada com um GAP de fuga (a ser confirmado nos próximos pregões), agregando força à tendência de alta iniciada aos 3,9k.


Na Alemanha, o índice DAX subiu 3,37%, renovando nova máxima histórica, num forte movimento de recuperação iniciado em fevereiro de 2016.


Londres também disparou nesta segunda-feira, confirmando fundo ascendente na região dos 7,1k. A característica técnica do movimento abre espaço para novo teste na máxima histórica nos próximos pregões, com possível rompimento.


A euforia dos mercados europeus se espalhou rapidamente pelas demais praças financeiras mundiais. O pregão em Wall Street abriu em clima positivo, jogando o S&P500 para perto da máxima histórica.


No Brasil o índice Bovespa subiu 0,99%, trabalhando teste sobre a LTB dos 69,5k. Apesar de o mercado seguir congestionado no curtíssimo prazo entre os 63k e 66k, um eventual rompimento desta importante LTB agregará força para novo teste sobre a resistência dos 66k, principal linha de manutenção do viés vendedor no mercado local.
 

8 comentários:

  1. Como sempre todo o Establishment voltando suas armas contra aqueles que são contra a sua visão globalista, é simplesmente absurdo ver a maneira escancarada como todo esse lixo esquerdista e globalista se apropriou de absolutamente todas as instituições.

    O que acontece hoje é algo assustador, simplesmente tu não tem absolutamente nada nem ninguém que seja contra esses esquerdistas nojentos, e sempre quando alguém aparece indo contra essas ideias todo o exército cultural esquerdista age no sentido de tentar destruir essa pessoa.

    Mas todo esse maniqueísmo esquerdista do Establishment não vai acabar bem, ao invés de tentar deixar vazar um pouco da pressão da panela o Establishment esta tentando manter a panela trancada "na marra".

    Porem a hora que a panela explodir eu não quero nem ver, entretanto obviamente essa mídia nojenta vai vir se vitimizar e dizer que a culpa é dos outros, como todo bom esquerdista faz.

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    1. Mas a Le Pen, tirando a parte da saída da União Europeia, poderia ser classificada facilmente, em assuntos econômicos, como uma esquerdista.

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    2. Mas a última coisa que está em jogo nessas eleições é a economia, e é exatamente por isso que os comunistas francêses estão apoiando o Macron.

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    3. Anon das 14:11.
      Falei algo assim no tópico anterior, não sei porque o FI insiste em dizer que ela é da direita radical.
      Sendo mega generoso com a Le Pen, estaria no máximo enquadrada como "fair right", ou seja, neo direita, ou direita mega suave.
      A direita radical é composta pelos anarcocapitalistas.

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    4. A Le Pen quer diminuir a idade de aposentadoria de 62 para 60 anos (o que num país envelhecido como a França vai arrebentar com as finanças públicas), aumentar imposto de importação sobre produtos estrangeiros (ou seja, aumentar protecionismo estatal para proteger empresas nacionais improdutivas), taxar contratações de trabalhadores estrangeiros (recompensando os sindicalistas preguiçosos), em outras palavras, exatamente o que os esquerdistas tupiniquins defendem aqui no Brasil e as reformas estão tentando corrigir.

      O Macron quer enxugar o quadro de servidores públicos (que são tão improdutivos na França como aqui no Brasil), reduzir o gasto público em relação ao PIB (exatamente o que a PEC do Teto teve por objetivo), suavizar o imposto sobre grandes fortunas francês (seria melhor se o suprimisse de vez, como queria o Fillon), diminuir os impostos sobre as empresas de 33 para 25%, endurecer as regras de concessão de seguro desemprego (os desempregados devem obrigatoriamente aceitar a segundo proposta de emprego que receberem, acabando com os "desempregados profissionais").

      Quem é o/a esquerdista nesta história mesmo?

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    5. É por isso que Fillon e toda a direita francesa não apoia Le Pen. Estão com Macron. Le Pen é extrema-direita e não direita, representa, acima de tudo, um radicalismo incompreensível.

      Abs,

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  2. Nunca vi um político tão odiado pelo establishment. De qualquer forma, a França não tem jeito mesmo. Amam mais o Estado do que o Brasil.

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  3. Globalista é um neologismo inventado pelos neocomunistas para atacarem o capitalismo

    Fica feio dizer que é contra a globalização,então os neocomunistas dizem que são contra "globalistas"

    É o mesmo ódio ressentido e escamoteado contra as forças do livre mercado

    Quem é pró-mercado é a favor da globalização,pois ela cataliza riquezas

    Não adianta inventar palavra nova pra escamotear o esquerdismo economico enrustido

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