terça-feira, 16 de maio de 2017

Governo amplia leque de gentilezas


Com o texto atual da reforma da previdência bem desidratado (em função dos inúmeros recuos de impacto fiscal relevante nas últimas semanas/meses), o governo tem buscado novos meios para conceder mais gentilezas a determinados grupos e, assim, garantir apoio para aprovação da reforma no Congresso.

Nesta última segunda-feira, Michel Temer afirmou que houve uma primeira conversa sobre a possibilidade de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Não há estudos avançados, mas o presidente confessou que a ideia o agradava.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que não há plano concreto para aumentar a faixa de isenção. Embora a possibilidade de implementação de tal medida possa ser considerada muito pequena no curto prazo, o simples fato de um aceno nessa direção ratifica o viés heterodoxo nos bastidores do Planalto.

O governo faz discursos firmes para continuar sustentando o status de tolerância do mercado, mas age com a mão leve na articulação com o Congresso. Sem margem para conceder mais gentilezas a determinados grupos na reforma da previdência, a tática agora é partir com novos pacotes de bondades em outras frentes.

Nesta terça-feira, Temer assinou medida provisória autorizando o parcelamento (a perder de vista) dos débitos dos municípios e estados com o INSS. Além do parcelamento amigo, serão concedidos descontos camaradas de 25% nos encargos das dívidas, 25% nas multas e 80% nos juros.

A manobra foi necessária para que a Confederação Nacional dos Municípios formalizasse apoio à reforma da previdência. O governo espera agora que os prefeitos pressionem deputados para votarem a favor da reforma. Especula-se que o governo ainda não conseguiu os 308 votos necessários na Câmara, mesmo com tantos recuos no texto da reforma da previdência.

A nova onda de bondades não para por aí. Temer deve assinar nos próximos dias outra medida provisória para reduzir a alíquota do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural. A taxa tende a ser reduzida de 2,3% sobre a receita bruta para simbólicos 1,5%.

O mercado segue focado no fluxo de curto prazo. Nos últimos dias, a recuperação dos preços das commodities tem colaborado para manter o clima positivo nas principais praças financeiras mundiais, especialmente em países emergentes.

O índice CRB de commodities Jefferies Reuters acumula ganhos expressivos nos últimos pregões. Apesar da euforia, o movimento é considerado apenas um alívio de curtíssimo prazo, já que a tendência de baixa iniciada em janeiro/2017 ainda não apresenta sinalização de esgotamento.


O Ibovespa segue bullish, já se aproximando da principal resistência localizada na região dos 69,5k, sem apresentar novidade. Entretanto, os pequenos candles compradores dos dois últimos dias, após uma boa sequência de alta, emitem um pequeno alerta para correções nos próximos pregões, mas ainda nada que ameace a perna intermediária de alta iniciada aos 62,8k.
  

No cenário externo, destaque para o derretimento do dólar contra cesta de principais moedas globais. Com um candle de força relevante, um novo pivot de baixa foi acionado nesta terça-feira, renovando mínima do ano, chamando mais pressão vendedora ao dólar.



Europa

Serão realizadas eleições antecipadas na Áustria no dia 15 de outubro deste ano. Os seis partidos com representação no Parlamento fecharam acordo após uma crise aberta na grande coalizão entre sociais-democratas e conservadores. Até então, as eleições legislativas estavam previstas para 2018.

As eleições antecipadas foram a única forma encontrada pelo atual governo para acabar com as disputas e indiferenças dentro de sua coalizão, envolvendo temas complexos como imigração, reforma fiscal e educação. O ultradireitista Partido Liberal está à frente dos dois partidos governantes, lidera as pesquisas com 30% das intenções de voto e pode ser um novo problema para a União Europeia.

No Reino Unido, o Partido Conservador, da primeira-ministra Theresa May, segue com ampla vantagem sobre a oposição do Partido Trabalhista. A eleição nacional será realizada no dia 8 de junho e May tem 47% de aprovação, contra 33% dos trabalhistas.


Ásia

Após o regulador bancário da China apertar as regras de divulgação dos produtos de gestão de riqueza dos bancos (ação vista como medida para conter o crescimento dos bancos sem regulação, bem como investimentos de risco), o Banco do Povo (autoridade monetária da China) injetou nesta terça-feira 170 bilhões de iuanes (cerca de 25 bilhões de dólares) no sistema financeiro através das operações de mercado aberto. O volume da injeção é o maior dos últimos quatro meses e ajudou acalmar o ânimo dos investidores.

O clima ficou apreensivo ainda nesta segunda-feira com a divulgação de dados econômicos mais fracos do que o esperado no mês de abril, sinalizando possível desaceleração do crescimento chinês no segundo trimestre deste ano.

4 comentários:

  1. Fiz uma divulgação no Telegram! Grupos de Traders!
    O que é bom deve ser de conhecimento da grande massa!

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  2. FI, do bolso de quem sai o dinheiro que o governo usa para fazer o Bem ao próximo? Rsrsrsrs

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