sexta-feira, 9 de junho de 2017

Mais do mesmo, James Comey


O depoimento de James Comey, ex-diretor do FBI, no Senado paralisou os Estados Unidos nesta quinta-feira. Milhares de norte-americanos lotaram bares para assistir a audiência, que chegou a ser comparada com uma final de super bowl.

Comey confirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o instruiu a não avançar nas investigações contra Michael Flynn. Trump também havia afirmado que esperava mais lealdade por parte de Comey, para por um fim nos rumores de que o FBI o estava investigando por possíveis relações com a Rússia.

Senadores do partido republicano (maioria na Casa), tentaram passar em suas intervenções a mensagem de que a única coisa que tinham em mãos para analisar é a palavra de um contra o outro, o que não deixa de ser uma verdade, pois não há revelações de gravações das conversas, além de não haver documentação comprobatória do envolvimento de Trump com políticos russos. Os republicanos também argumentaram que a interpretação de Comey sobre as conversas com Trump pode estar distorcida.

Já os senadores democratas tentaram, sem sucesso, evidenciar que o presidente Trump tentou obstruir a justiça com o seu suposto pedido relacionado às investigações contra Michael Flynn. Uma prova comprobatória de obstrução à justiça é motivo relevante o suficiente para instauração de um processo de impeachment nos Estados Unidos.

Um dos principais interesses dos norte-americanos no depoimento era saber se ex-diretor do FBI iria dizer claramente que Donald Trump obstruiu a justiça. Comprometido em dizer a verdade, Comey não chegou nem perto disso e se limitou a dizer apenas o que já circulou na mídia.

Sem nenhuma informação nova, o depoimento de Comey ficou no mais do mesmo. Na Casa Branca, o ambiente após o depoimento era de triunfo. No mercado, o clima era de alívio. O S&P500 chegou a esboçar um movimento corretivo no início do pregão, mas as perdas foram revertidas ao longo do dia. Índice segue colado na máxima histórica.


Já o dólar contra cesta de principais moedas globais interrompeu a longa trajetória de baixa (desde o início deste ano), fechando em alta pelo segundo pregão consecutivo, confirmando fundo. A princípio, o movimento é de alívio, ainda sem confirmação de reversão na tendência principal.


No Brasil, o mercado segue vendido, mas cauteloso, com uma pequena zona de congestão de curtíssimo prazo se formando entre os 62k aos 64k, justamente a faixa de preço que pega a disputa pela importante média móvel simples de 200 períodos diária.


Uma possível vitória de Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afastará uma das ameaças a sua permanência no cargo, mas não será suficiente para retomar maioria de 2/3 do Congresso para aprovar mudanças constitucionais, com destaque para a reforma da previdência. Além disso, fatos constrangedores continuam surgindo contra o presidente, o que tende a manter o quadro político tenso nos próximos meses.


Europa

O Comitê de política monetária do BCE (Banco Central Europeu) decidiu manter inalterada as taxas de juros e seu volumoso programa de compras de ativos nesta quinta-feira. Entretanto, houve mudança na orientação futura para os juros, num movimento considerado hawkish.

A autoridade monetária retirou o trecho de seu comunicado no qual mantinha a possibilidade de novos cortes de juros, já que as perspectivas de crescimento seguem melhorando gradativamente. Com relação à inflação, as estimativas seguem conservadoras e relativamente distantes do centro da meta. Para 2017, a projeção foi revisada de 1,7% para 1,5%. O índice de inflação subirá apenas em 2019, para 1,6%.

A inflação baixa permitirá que o BCE continue com seu programa de estímulo monetário por mais um bom tempo, fato que mantém mercados bullish por toda a Europa. Na Alemanha, o índice DAX segue forte, colado na máxima histórica. Uma nova redução no volume de compras mensais não foi discutida no encontro de dois dias encerrado nesta quinta-feira.


No Reino Unido, pesquisas de boca de urna indicam inesperado revés para a primeira-ministra Theresa May, do Partido Conservador. Seu partido não conseguirá maioria dos 650 assentos no Parlamento, o que significa necessidade de formar um governo de coalizão com apoio de outros partidos menores.

May havia convocado eleições antecipadas porque esperava uma vitória confortável, que daria condição necessária para agilizar as negociações de ruptura com a União Europeia.  Caso confirmado, as eleições criarão um ambiente de impasse em Londres, podendo comprometer as negociações mais complexas da história europeia desde a Segunda Guerra Mundial.

A bolsa de Londres fechou em baixa pelo quarto pregão consecutivo, perdendo a linha central de bollinger, em tendência de baixa de curtíssimo prazo. O mercado estava fechado quando saíram as primeiras pesquisas de boca de urna. A sexta-feira, portanto, pode atingir Londres com mais força, com possível contágio para outras praças.



Ásia

As exportações da China subiram 8,7% no mês de maio em comparação com o ano anterior, enquanto as importações saltaram 14,8%. Os números surpreenderam positivamente, aumentando o ânimo no mercado.

A bolsa de Xangai fechou mais um pregão em alta, em forte movimento de recuperação de preços. Com fundo duplo confirmado aos 3.000 pontos, a força compradora parte para o ataque para recuperar a média móvel simples de 200 períodos diária e, assim, limpar as vendas que ainda restam no mercado.
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário