quarta-feira, 12 de julho de 2017

Caiu mais um tijolo da muralha


A reforma trabalhista foi aprovada nesta terça-feira em sessão muito conturbada no Senado. Extremamente relevante para a economia, e uma das principais matérias de Temer, o texto modifica mais de 100 pontos arcaicos da famosa CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

Temer não queria alterações no texto, para assim evitar o retorno da matéria à Câmara, e conseguiu. 50 senadores votaram a favor da proposta, 20 contra e 1 se absteve. O placar expressivo mostrou que a articulação funcionou, mas isso não significa que o governo está vencendo a crise política, pelo contrário.

A reforma trabalhista era vista como ponto fundamental para agenda de alguns partidos que formam a base do atual governo, em especial o PSDB. Com a reforma trabalhista aprovada, e sem a menor condição para avanço na reforma da previdência (necessários 2/3 da Câmara e do Senado), restam poucos motivos para que partidos comprometidos com a agenda econômica continuem apoiando o governo Temer.

Ainda que a necessária reforma da previdência seja empurrada para o próximo governo, mantendo o gravíssimo quadro fiscal, as perspectivas tendem a melhorar na margem com a superação de um grande entrave. As novas regras trabalhistas certamente contribuirão para melhora da produtividade no Brasil, derrubando mais um tijolo da muralha de problemas estruturais domésticos.

É um importante passo não só para aumentar o potencial de crescimento econômico, como para a própria dinâmica inflacionária. Num mercado mais produtivo, as condições melhoram para o surgimento da concorrência e as empresas anteriormente dominantes precisam inovar para defenderem suas fatias de mercado. Mais concorrência, mais inovação, mais produtividade significa mais oferta de qualidade. E quanto melhor a oferta, menor a pressão sobre os preços. Quanto menor a pressão sobre os preços, menor a carga de juros necessária a ser praticada pela política monetária. Com juros mais baixos, o crédito se torna mais acessível ao consumo e ao investimento, pequenos negócios podem sair do papel, e a roda da economia gira sustentavelmente.

A gestão Temer acumula uma série de pontos negativos, mas é preciso reconhecer e comemorar a modernização das relações de trabalho, uma das principais agendas defendidas pelo setor produtivo não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Um dos pontos mais criticados por empresários estrangeiros sobre o Brasil era justamente o elevado risco trabalhista, muito alto comparado a outras economias desenvolvidas e até mesmo emergentes.

Sob a expectativa de aprovação da reforma trabalhista, o risco Brasil continuou cedendo nos últimos dias, enquanto a bolsa recupera preços, os juros futuros oscilam na mínima do mês e o dólar contra real perde força.

O câmbio é o destaque da semana, voltando a se aproximar da importante média móvel simples de 200 períodos diária. O dólar opera vendido contra o real no curtíssimo prazo, pressionado pela conturbada gestão Donald Trump e melhora no sentimento local.


A bolsa de valores partiu para teste e possível rompimento da principal linha de resistência localizada na região dos 64,2k, após formação de fundo ascendente bem em cima da linha central de bollinger. Com dois candles de alta seguidos, a media móvel simples de 200 períodos diária voltou a ser retomada e o mercado está pronto para estopar posições vendidas nos próximos dias/semanas, destravando uma congestão de curtíssimo prazo, além de fortalecer a perna de alta iniciada na região de suporte psicológico dos 60k.


O mercado de commodities, em recuperação de preços nos últimos dias, corrobora para melhora do clima nas praças financeiras de economias exportadoras de commodities. O índice Jefferies Reuters de commodities também formou fundo ascendente bem em cima da linha central de bollinger, após uma forte sequência de quedas registradas nos últimos meses.
 

11 comentários:

  1. Reforma ainda tímida. Duas perguntas: 1) você acha mesmo que a reforma da previdência vai ser só aprovada com o próximo governo? 2) você acha que o Temer vai cair?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, na minha avaliação não há menor condição de aprovação da reforma da previdência na gestão Temer. Ele demonstra ter maioria simples nas duas casas, mas não os necessários 2/3. Antes mesmo de o caso da JBS estourar, ele ainda não tinha os 2/3. Por outro lado, acho que a saída do Temer só depende dele (renúncia). Um processo de impeachment seria muito demorado, ou seja, terminaria quase próximo das eleições presidenciais, e a oposição precisaria conseguir 2/3 do Congresso (estão longe disso). Já a denúncia contra Temer na Câmara, parece pouco provável que vá avançar. A saída mais viável poderia ser um acordão dentro da base para substituição do Temer.

      Abs,

      Excluir
    2. 2/3 não, 3/5 do Congresso. 2/3 é para o impeachment.

      Excluir
    3. É vero! Obrigado pela correção.

      Abs,

      Excluir
  2. Boa tarde. E quanto ao cenario para ano que vem, voce analisa que pode ocorrer grandes oscilacoes no mercado financeiro e consequentemente boas oportunidades,durante as eleições?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Provavelmente será um mercado volátil, não só por conta das eleições, mas também pela influência da política monetária de bancos centrais de países desenvolvidos. Daqui há um ano o FED tende a estar avançando no seu programa de desalavancagem, com consequências imprevisíveis. Evento inédito na história.

      Abs,

      Excluir
    2. Legal. Um cdb de 105% é uma boa opção para ficar liquido por agora?

      Excluir
    3. Sim, desde que tenha liquidez diária. Não acho viável travar liquidez, menos ainda no momento econômico atual e nas condições de mercado atuais. O caixa precisa fornecer liquidez quando a estratégia operacional apontar entrada em ativos de risco.

      Abs,

      Excluir
    4. Sim a perda de liquidez agora seria um erro.

      Excluir
  3. Reforma pífia, mas que já ajuda. Na verdade ganhamos dois direitos. O de escolher se queremos contribuir pra um sindicato e o de ver nossos acordos respeitados pelo governo, ainda que lei defina o contrário. De resto foi só legalização de coisas que já acontecem hoje.

    Quanto à previdência, o ideal seria tirar esse assunto da constituição e movê-lo para a esfera da lei ordinária, assim fica mais fácil reformar.

    ResponderExcluir
  4. FI,

    Com a devida vênia, desde início da gestão Temer leio e ouço que Temer está sem base pra aprovar.

    No entanto, desde lá Temer vem aprovando os projetos.

    Reforma da previdência sai sim.

    Abraço!

    ResponderExcluir