sexta-feira, 7 de julho de 2017

Deflação no IPCA aumenta perspectiva de extensão do ciclo


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou nesta sexta-feira que o Brasil enfim registrou sua primeira deflação mensal em 11 anos. O IPCA caiu 0,23% no mês de junho, atingindo o menor nível mensal desde agosto de 1998. No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA desacelerou de 3,60% para 3%, tocando o limite inferior da margem de tolerância.

O índice de difusão cedeu para o menor nível para meses de junho da série histórica, mostrando que as elevações de preços estão restritas a alguns produtos, longe de um quadro de aumentos generalizados do passado recente.

A deflação de junho surpreendeu economistas/analistas, alimentando a perspectiva de manutenção de um viés ainda muito dovish na política monetária. Antes mesmo de sair o resultado da inflação de junho, os próprios diretores do Banco Central já haviam criado uma expectativa de que o impacto da crise política sobre a inflação pode ser neutro e que a extensão do ciclo de afrouxamento monetário depende da evolução da atividade econômica.

As recentes declarações dos diretores de Comitê têm objetivo de quebrar o clima hawkish criado na última reunião do Copom, no qual a comunicação havia deixado claro uma redução moderada no ritmo de flexibilização monetária já na próxima reunião.

A dinâmica da inflação é considerada bastante benigna, o que abre espaço para extensão do ciclo. Pouco importa se o Banco Central vai cortar 0,75 p.p. ou 1 p.p. no próximo encontro a ser realizado nos dias 25 e 26 deste mês. Com os indicadores demonstrando enfraquecimento da demanda, PIB muito abaixo do potencial, desemprego elevado e queda na renda das famílias, aumenta-se a margem de extensão do ciclo de afrouxamento. Isso significa que o cenário está abrindo espaço para taxa Selic menor do que a projetada pelo mercado através da pesquisa Focus.

Com as expectativas de inflação ancoradas em torno da meta futura de 4% ao ano, o Banco Central pode se arriscar a trabalhar com um juro real pouco abaixo da média histórica de 4%, o que levaria a taxa Selic para abaixo de 8% ao ano. Mesmo num cenário de relativo estresse, supondo inflação pouco acima da meta no futuro (4,5%, por exemplo), o Banco Central defenderia os 4% de juro real com uma taxa Selic de 8,5% ao ano.

Hoje, o principal risco para uma disparada da inflação vem do mercado de câmbio. Mas a política externa de Donald Trump está contribuindo para uma desvalorização do dólar contra as principais moedas globais. Com o dólar fraco na matriz, o real não sofre tanta pressão por desvalorização, embora a crise política também impeça um fortalecimento da moeda local.

No mercado de juros futuros, o dia foi marcado por ajuste de preços. Mesmo com o cenário benigno para a inflação, as taxas dos contratos de juros futuros subiram levemente. O mercado opera com prêmio magro, o que dificulta longas sequências de quedas nas taxas. Além disso, um possível racha no PSDB aumentou o risco de uma transição de poder e, consequentemente, incertezas quanto à agenda de reformas.


A bolsa de valores voltou a sofrer com as vendas, mostrando que os players posicionados na ponta vendedora estão antecipando a defesa de sua principal linha (64,2k) comprando briga pela média móvel simples de 200 períodos diária.


O movimento pegou players da ponta comprada de surpresa, que esperavam uma briga numa pontuação pouco acima. Com isso, o mercado se mantém travado dentro da congestão de curto prazo (64k a 60k), com peso pouco maior na venda.

No cenário externo, permanece o quadro de disparada das taxas de juros dos títulos da dívida soberana. O rendimento da Treasury de 10 anos (título do Tesouro norte-americano) fechou a semana em 2,39%, na máxima do mês. No Japão, o BoJ teve de acalmar o mercado oferecendo compras ilimitadas de títulos da dívida soberana, na tentativa de influenciar um recuo do rendimento de seu título de 10 anos, atualmente pouco acima da meta de juro zero a ser perseguida.

Dados divulgados acima do esperado relacionados ao mercado de trabalho nos Estados Unidos injetaram ânimo em Wall Street, colaborando para o S&P500 confirmar apoio na região dos 2,4k.
 

12 comentários:

  1. puxa, até onde vai o fôlego do DJ!! sensação bem estranha de ver algo que só sobe continuamente.

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    1. Sem dúvida é um forte upside para padrões históricos. Os sinais são de estágio final do ciclo, mas não há como saber o timing da reversão.

      Abs,

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  2. É uma boa notícia, mas ninguém sabe como se comportará a inflação quando a recuperação econômica ocorrer de fato. Achei precipitado baixar as metas de inflação de 2019 e 2020, mas vamos acompanhando...

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    1. Sim, parece que o foco está mais no curto/médio prazo. Um ponto importante é que o Banco Central conseguiu vencer a batalha das expectativas, com isso criou uma brecha de mercado para cortar os juros sem causar stress. Já pelo lado dos indicadores, os números da inflação estão surpreendendo positivamente (não só a trajetória do IPCA, mas a difusão), o que abre espaço para aposta em juros mais baixos.

      Abs,

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  3. FI, em relação aos títulos públicos,especialmente a LTN2021,estou zerando minha posição, pois também creio num pequeno prêmio até o fim de 2018. A questão é: onde aplicar o lucro? Abraço

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    1. Boa pergunta rs... Sem oportunidades para ativos de risco no mercado financeiro, o ideal é fazer realocação para o caixa (um bom pós-fixado com liquidez diária). Com dinheiro em caixa, esperar surgir novas oportunidades. Mas sinceramente, não tenho muito esperança que o mercado financeiro vá abrir nova janela de entrada a curto prazo. No momento só vejo oportunidades fora do mercado financeiro, em ativos reais.

      Abs,

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    2. Que tipo de ativos reais?
      Abç

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    3. Imóveis, empresas, terrenos, etc. Quem tem caixa está fazendo a festa na economia real.

      Abs,

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    4. Eu tenho caixa e tudo isso que vc falou de ativos reais - terrenos, imóveis - estão extremamente caros, os preços congelaram e os proprietários teimam em não querer baixar ou dar só 30% de queda, perdendo feio de um CDB, por exemplo.
      Se darem 60% de desconto, ainda perde feio para um CDB.

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    5. A maioria está segurando, mas tem gente queimando em off. Ofertas nesse segmento dificilmente chegam abertamente ao mercado. Se estiver a procura de ativos no sul do Brasil, talvez eu possa lhe ajudar.

      Abs,

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    6. Hmm, sou de Passo Fundo/RS.

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    7. Me envie um e-mail: financasinteligentes@gmail.com

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