segunda-feira, 3 de julho de 2017

Mercado endossa redução da meta de inflação


Em mais um sinal de credibilidade da equipe econômica no mercado financeiro nacional, a pesquisa Focus do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira, revelou redução da expectativa para a taxa básica de juros em 2018 de 8,50% para 8,25%. Para o fim de 2017, permanece a estimativa de 8,5%.

Já o top five (grupo de cinco economistas que mais acertam previsões no Focus), reduziu a expectativa para a taxa Selic em 2018 de 8,25% para apenas 8%. Para o fim de 2017, o top five também reduziu a estimativa da taxa Selic de 8,38% para 8,13%.

O banco Itaú, onde Ilan Goldfajn atuou como economista-chefe antes de assumir a presidência da autoridade monetária, foi ainda mais longe e espera que a taxa básica de juros vá encerrar 2018 em 7,5%. Para o fim de 2017, a instituição projeta a taxa básica de juros em 8%.

Os economistas estão alegando que a redução da meta de inflação para 2019 (4,25%) e 2020 (4%) ajudará ancorar as expectativas de longo prazo para a inflação, facilitando o trabalho da política monetária.

O constante recuo das estimativas para a inflação também segue retroalimentando o clima de otimismo entre economistas e analistas. A projeção para o IPCA de 2017 caiu de 3,48% para 3,46%, não só se distanciando do centro da meta (4,5%), mas já se aproximando do limite inferior da margem de tolerância (3%), algo inédito nos últimos 10 anos. Para 2018, o boletim Focus aponta IPCA em 4,25%, contra 4,30% no levantamento anterior.

Inflação e juros menores roubam atenção do mercado, delimitando certo nível de preço para câmbio, juros e bolsa. O Ibovespa bateu na principal região de suporte localizada na faixa dos 60k e voltou a subir, recuperando nesta segunda-feira a média móvel simples de 200 períodos diária, já se aproximando da importante resistência dos 64,2k.


Caso a referida linha de resistência seja superada nos próximos pregões, as vendas abertas tendem a ser desarmadas, abrindo espaço para uma nova perna de alta. Por outro lado, a manutenção de preços abaixo da resistência dos 64,2k mantém o mercado travado numa congestão de curto prazo, porém com peso maior na venda.

O contrato de juros futuros com vencimento em 2020 renovou a mínima do mês passando, perdendo o patamar de 9,50%. O rompimento da mínima aciona pivot de baixa de curto prazo, abrindo espaço para novos recuos da taxa, que agora conta apenas com o suporte localizado em 9,12%.


Enquanto o mercado segue encantado com a queda da inflação e taxa de juros, os dados fiscais continuam desenhando um cenário de insustentabilidade no futuro próximo, juntamente com um PIB estranhamente fraco.

O Instituto Markit revelou nesta segunda-feira que o Índice Gerente de Compras do Brasil reduziu o ritmo de expansão de 52 pontos registrados em maio deste ano para 50,5 pontos em junho. O recuo na pontuação sinaliza que o processo de retomada da atividade industrial, ainda em fase inicial, já pisou no freio.


Movimento semelhante também ocorreu na Rússia, onde o Índice Gerente de Compras recuou de 52,4 pontos em maio para 50,3 pontos em junho. Já no México, o Índice Gerente de Compras subiu de 51,2 pontos em maio para 52,3 pontos em junho. Na Turquia, o Índice Gerente de Compras também subiu de 53,5 pontos em maio para 54,7 pontos em junho.


Europa

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse hoje em sessão extraordinária no Parlamento que pretende reduzir em um terço o número de deputados e senadores. Atualmente, há 577 deputados e 348 senadores na França. Macron também quer extinguir o Tribunal de Justiça da República, responsável por julgar membros do governo no exercício de suas funções.

O presidente da França mandou recado para o Parlamento, ameaçando convocar um referendo caso suas propostas não sejam aprovadas pelo Legislativo dentro de um ano. Seu discurso deu ânimo ao mercado vendido na Europa das últimas semanas, incentivando o ressurgimento da força compradora nesta segunda-feira. A bolsa de Paris fechou o pregão em forte alta, trabalhando formação de fundo aos 5.117 pontos.
  

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6 comentários:

  1. Com essa inflação atual, até a poupança tá dando um rendimento real legal haha. Incrível, essa inflação faz quase me sentir no primeiro mundo. Quase, se não fosse pela crise haha

    Diminuir a meta é sempre legal, se vão conseguir cumprir, outro papo, sem as reformas impossível.

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    1. Temos de aproveitar ao máximo esse momento rsrs... Vai saber o que ocorrerá no final desta década.

      Abs,

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  2. Só para você controlar, fiz uma doação ao blog na conta do BB (Tainara).
    Aproveito para lhe informar que o número da agência do BB que aparece ao se clicar acima está errado, pois falta um dígito. Mas na página do post "Reconsideração está certo".
    Marco.

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    1. Eita. Muito obrigado pelo aviso e pela contribuição!

      Abs,

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  3. Opa. Esqueci de lhe perguntar: por que, com a desalavancagem do FED, as Treasuries obrgatoriamente vão sofrer, caindo de preço/elevando os juros?
    O que seria menos pior em um processo de desinflação geral de preços? Haveria um porto seguro? Pois não vejo nem mesmo as criptomoedas ou o ouro como esse porto...
    Abraços,
    Marco.

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    1. O FED se entupia de Treasuries (forçando valorização dos títulos e, consequentemente, jogando as taxas para baixo) e agora está com um balanço de 4,5 trilhões para desovar no mercado. Vai fazer o movimento inverso. Grande parte deste balanço é composto por Treasuries que deixarão de ser roladas (ou seja, o título vencerá e o FED não realizará nova compra, o mesmo raciocínio vale para os pagamentos de juros). Já a outra parte do balanço é composta por títulos hipotecários que também irão retornar ao mercado.

      O porto seguro é um problema no momento, pois os ativos que compõe a cesta de segurança estão vendidos e/ou fracos demais. Mas no momento do desespero, os players costumam buscar moedas fortes e metais (ouro e prata).

      Abs,

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