quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Alvo da Selic não parece tão baixo quanto o mercado imagina


O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil) reduziu, nesta quarta-feira, a taxa básica de juros em 0,75 p.p. para 7,50% ao ano. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, não surpreendeu. Entretanto, o comunicado apresentado após o término da reunião de Comitê acrescentou alguns elementos hawkish de importância relevante.

Antes de entrar em detalhes sobre o comunicado do Copom, cabe ressaltar que até então estávamos (ainda estamos) dentro de um ambiente de mercado considerado otimista com diagnósticos bastante positivos por parte dos analistas/economistas para a trajetória da inflação e da taxa básica de juros.

Algumas projeções já começaram apontar para taxa Selic em 6,25% no próximo ano, o que pode ser uma sinalização de que desejo por juros baixos está se sobrepondo à realidade do quadro macro local. Mesmo aqueles que esperam Selic em 6,50% (não são poucos) podem estar confiantes demais numa economia ainda com sérios problemas estruturais.

O Comunicado apresentado nesta quarta-feira serve como choque de realidade. O Banco Central não sinalizou que a taxa Selic vá alcançar patamares tão baixos quanto o mercado imagina no médio prazo. Pelo contrário, o ciclo de afrouxamento monetário pode estar se aproximando do fim.

As alterações observadas no texto de hoje, comparadas ao último comunicado emitido na reunião do mês de setembro, são consideradas hawkish. Em primeiro lugar, a menção (por sinal pouco notada) ao primeiro item do fator de risco positivo ao cenário básico para a inflação sofreu pequena alteração, mas extremamente relevante.

Em setembro, o Banco Central considerou que “(i) possíveis efeitos secundários do contínuo choque favorável nos preços de alimentos... pode produzir trajetória de inflação prospectiva abaixo do esperado”. Na reunião encerrada hoje, a palavra “contínuo” foi cortada deste trecho. Isso significa que os integrantes do Comitê enxergam que o choque favorável de preços de alimentos, muito positivo e de certa forma até surpreende no passado recente, tende a não se manter no mesmo nível nos próximos meses. Ou seja, a boa fase da dinâmica dos preços de alimentos pode estar chegando ao fim.

O segundo item da variável positiva para o balanço de riscos da inflação também sofreu alteração. Em setembro, o Banco Central considerou que “(ii) possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação corrente, inclusive dos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária, pode produzir trajetória de inflação prospectiva abaixo do esperado”. Na reunião encerrada hoje, a frase “inclusive dos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária” também foi cortada deste trecho. Com esta mudança, ficou claro que o cenário inflacionário para os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico tende a não ser tão positivo quanto no passado recente.

Por fim, no penúltimo parágrafo do comunicado, o Banco Central deixou seu recado final de que o fim do ciclo de afrouxamento monetário pode estar se aproximando do fim. Na reunião do mês de setembro, a autoridade monetária considerou que “antevê encerramento gradual do ciclo”. No encontro de outubro, este trecho também foi retirado.

Caso o processo continuasse sob perspectiva de encerramento gradual (ou seja, mais duas ou três rodadas de cortes na taxa Selic), o trecho seria mantido no comunicado divulgado nesta quarta-feira. Com a retirada desta frase, entende-se que não estamos mais num processo de encerramento gradual, mas sim na fase final do ciclo de afrouxamento. Em outras palavras, o espaço para novos cortes na taxa Selic parece estar limitado à próxima reunião de dezembro e, talvez, na primeira reunião do próximo ano.

Como o Banco Central reafirmou que para a próxima reunião vê como adequado uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária (ou seja, do atual ritmo de corte de 0,75 p.p. para 0,50 p.p.), a taxa Selic tende a encerrar 2017 aos 7% e, se houver espaço, um corte derradeiro de 0,25 p.p. pode acontecer no primeiro encontro de 2018, possivelmente encerrando o ciclo de afrouxamento monetário.

Considerando o cenário de concorrência (para atração de fluxo) com outros países emergentes ou em desenvolvimento, o corte desta quarta-feira deixa a taxa de juros do Brasil abaixo da praticada no Uruguai (atualmente em 9,25%), Rússia (atualmente em 8,50%), Equador (atualmente em 8,19%) e Turquia (atualmente em 8,0%). Com a taxa Selic caindo para 7%, vamos empatar com o nível de juros do México (atualmente em 7%) e ficar muito próximo do nível de juros praticado na África do Sul (6,75%). Nossa atratividade macro não se difere tanto destes países, pelo contrário estamos até mesmo um pouco aquém da concorrência.

A referência Índia, que cresce num ritmo de 5,7% ao ano, com inflação ancorada na faixa dos 3,20%, praticando política econômica pró-mercado, opera com taxa de juros a 6%. Nossa Selic deixou de ser a cereja do bolo no mundo e estamos aventurando num terreno pouco explorado. Não há como sonhar em alcançar juros de uma Índia trabalhando ritmo de crescimento de uma Grécia. Temos de fazer o dever de casa primeiro, para depois sonharmos com o nível de 6%. Enquanto isso, Selic próxima de 7%, sustentável, sem pânico a curto e médio prazo, pode ser considerado um presente de bom grado dos investidores estrangeiros.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Shinzo Abe, o poder do status quo


Shinzo Abe, atual primeiro-ministro do Japão, mostrou ao mundo neste último domingo como o status quo pode não só garantir o seu espaço consagrado na política, como ratificar sua força numa era em que as redes sociais impulsionam por mudanças (nem sempre bem pensadas) em vários cantos do planeta.

No início do mês de outubro, Abe convocou eleições antecipadas como pretexto para continuar seu programa econômico (conhecido com Abenomia, respaldado basicamente numa política monetária ultra frouxa), fortalecer seu governo para propor mudanças relevantes na Constituição e reunir forças para lidar com a ameaça da Coreia do Norte.

Abe deu uma aula à primeira-ministra britânica Theresa May, que também convocou eleições antecipadas neste ano para fortalecer seu governo. O tiro de Theresa May saiu pela culatra ao perder maioria no Parlamento, mas Abe acertou em cheio, surpreendendo, inclusive, expectativas mais otimistas.

O primeiro-ministro do Japão obteve uma vitória avassaladora neste último domingo, abrindo caminho para um terceiro mandato de três anos e se tornar o premiê há mais tempo no cargo na história do país. Se conquistar também a presidência do Partido Liberal Democrata, a ser realizada em setembro de 2018, Abe poderá manter-se na chefia até 2021.

A coalizão de Abe conquistou incríveis 2/3 da Câmara dos Deputados, conhecida como meta da supermaioria, necessária para alterar a Constituição, por exemplo. Isso significa que, sem precisar conversar com a oposição, Abe teria os votos necessários para propor mudanças relevantes.

A principal mudança na mira de Abe é o artigo 9 da Constituição, que por sinal foi escrito e imposto pelos norte-americanos em 1946. É conhecida como Constituição pacifista, pois limita a utilização das Forças Armadas (apenas para autodefesa) e impede o país de declarar guerra.

A vitória de Abe mostra não só a possibilidade concreta de retorno da força militar japonesa na Ásia, permitindo uma atuação linha-dura com a Coreia do Norte, como manutenção do agressivo programa de recuperação econômica e tentativa de retorno da inflação através das políticas monetárias ultra frouxas praticadas pelo BoJ (Bank of Japão - autoridade monetária local), o que tende agradar o mercado.

Nikkei atingiu máxima dos últimos 21 anos impulsionado pela vitória esmagadora de Shinzo Abe. O mercado japonês segue trabalhando dentro de um forte rali nos últimos anos, estimulado, sobretudo, pelas compras maciças de ativos por parte do BoJ.

Com a inflação oscilando na casa dos 0,7%, longe de alcançar a meta de 2% a ser perseguida pelo Comitê de Política Moentária, e crescimento econômico modesto de 0,6%, a Abenomia tem espaço para prevalecer no Japão. A dívida de 250% do PIB (Produto Interno Bruto) não é um problema para Abe afrouxar a política fiscal e monetária, pois o BoJ, além de praticar juro negativo a curto prazo, trabalha com uma meta de buscar juros zero nos títulos do tesouro japonês de longo prazo.


Nos Estados Unidos, destaque para o primeiro passo da polêmica reforma tributária de Donald Trump. O Senado aprovou na semana passada, por 51 votos a 49, medida para acrescentar 1,5 trilhão de dólares ao déficit fiscal do governo norte-americano ao longo da próxima década. O projeto é  base necessária para abrir espaço aos cortes tributários propostos por Trump.

Se a proposta evoluir na Câmara (onde os republicanos possuem maioria folgada), uma nova espécie de “quantitative easing orçamentário” estará se desenhando para o futuro. O balanço do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) subiu cerca de 3,5 trilhões de dólares com os programas de compras de ativos desde o estouro da crise do subprime em 2008, mas muitos analistas afirmam que boa parte deste fluxo escorreu para o mercado (vide preços das ações, bonds, etc), não criando o efeito inflacionário esperado na economia.

Desta vez, a renúncia fiscal tende a criar uma bela injeção de capital "na veia" (economia), com implicações diretas sobre a inflação. É dinheiro que os norte-americanos poupariam com menor pagamento de tributos para consumir mais. Considerando que Trump prometeu renunciar até 6 trilhões de dólares a pessoas físicas e jurídicas, o primeiro passo no Senado é um sinal de alerta ao futuro da política de normalização das condições monetárias do FED, que até então tem contado com terreno para seguir no seu ritmo de extrema cautela.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Mais do mesmo no FED


Investidores do mundo inteiro aguardam ansiosamente a decisão de Donald Trump para a presidência do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos). O importante anúncio tende a ocorrer antes da viagem do presidente norte-americano ao continente asiático, marcada para o dia 3 de novembro.

A disputa parece estar entre Jerome Powell, diretor do FED e Janet Yellen, atual chair do FED. Gary Cohn, principal conselheiro econômico de Trump, Kevin Warsh, ex-diretor do FED e o economista John Taylor, da Universidade de Stanford, estão entre os outros nomes cotados para assumir a presidência do FED.

Cohn, Warsh e Taylor não estão tão quentes no mercado, o que pode ser um grande alívio aos investidores acostumados com o longo período dovish da autoridade monetária norte-americana.

Entre todos os nomes cotados, o republicano Powell é visto como o mais parecido com Yellen, por apresentar viés consideravelmente dovish. Já o ex-diretor do FED e o renomado economista de Stanford estavam criando até então certas preocupações no mercado, por serem considerados mais pesados (não tão dovish) quanto Yellen e Powell, o que poderia ameaçar o tom extremamente cauteloso da política monetária norte-americana.

Segundo reportagem do site Politico, Donald Trump estaria mais inclinado a nomear Jerome Powell como novo chair do FED. Apenas alguns membros do grupo ultra conservador Freedom Caucus da Câmara dos Deputados resistem à nomeação de Powell. O Freedom Caucus também não quer Janet Yellen como chair do FED, a preferência é por um profissional de perfil hawkish, o que parece ser altamente improvável.

Apesar do barulho, o Freedom Caucus não conseguirá impedir uma nomeação dovish para o FED, já que a decisão de Trump precisa ser confirmada apenas pelo Senado. Diferentemente do que ocorreu em outras tentativas de movimentos de Trump durante este ano, o Freedom Caucus desta vez tende a não conseguir “atrapalhar”.

Curioso notar é que Trump criticou Yellen durante sua campanha eleitoral, mas agora considera não só substituir Yellen por outro profissional de perfil semelhante, como também manter a atual chair no cargo. O presidente dos Estados Unidos supostamente mudou de ideia porque tem encontrado dificuldades de implementar sua agenda econômica. A manutenção, portanto, do quadro macro local (considerado bom) tende a continuar dependendo das políticas frouxas do FED.

Seja com Powell ou Yellen, o FED tende a continuar no mais do mesmo, em movimentos cautelosos, muito graduais, com baixo risco de rápida eliminação do elevado nível de liquidez no sistema financeiro. Além disso, o quadro de inflação abaixo do centro da meta corrobora a decisão por um profissional de perfil dovish.

O tom otimista segue dominante em Wall Street, com S&P500 e Dow Jones renovando máximas histórias. O rendimento da Treasury de 10 anos se aquietou abaixo dos 2,35% e o dólar contra cesta de principais moedas globais oscila lateralizado nos últimos dias, em baixa volatilidade.

Por fim, destaque para o crescimento de 6,8% da economia chinesa no terceiro trimestre deste ano em relação ao ano anterior. O número é inferior aos 6,9% do segundo trimestre de 2017, mas sinaliza atividade sólida, com boa perspectiva de superar a meta de crescimento de 6,5% para este ano.

Analistas chineses esperam, também, que o PIB deste ano supere os 6,7% registrados em 2016, o que se concretizado marcará a primeira aceleração dos últimos sete anos, revelando eficácia na estratégia do governo de reestruturar o setor industrial e aquecer a demanda doméstica com aumento dos investimentos.

Peço desculpas pelo tempo relevante ausente e agradeço a paciência de todos. Aos poucos, tentarei retomar a frequência de posts. Bons negócios!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Assessoria de investimentos

Prezados(as),

A minha jornada de disseminação da cultura financeira no Brasil atingiu um novo e importante patamar. Já publiquei um livro voltado para o mercado de capitais e além desse blog, tenho colunas no Jornal ADVFN e Investing.com Brasil. Apesar de todo esse esforço, sentia que faltava algo mais próximo, viável e eficaz para auxiliar nos seus investimentos.

Pensando nisso, me tornei assessor de investimentos na JB3, escritório credenciado à XP Investimentos. A JB3 está entre os melhores escritórios no ranking de atendimento de toda a rede XP. Conheço a equipe desde 2012, quando abri minha conta na XP. O nosso escritório está localizado em Florianópolis, mas atendemos clientes do Brasil inteiro.

Já a XP Investimentos dispensa comentários. Instituição financeira de grande porte, em forte ascensão, com mais de 100 bilhões de ativos sob custódia. O sucesso da XP está no seu modelo de negócio, onde os escritórios credenciados assessoram seus clientes a investirem na maior plataforma aberta de distribuição de produtos financeiros do Brasil. Plataforma que, inclusive, já conta com uma boa carta de fundos estrangeiros, facilitando as condições para o investidor que busca diversificação internacional.

Na JB3 Investimentos, você contará com a minha assessoria, baseada nos mesmos pilares de transparência, imparcialidade e seriedade que você está acostumado a observar no blog. Vou lhe assessorar na alocação de recursos conforme seu perfil e monitorar seus investimentos de maneira recorrente.

Importante ressaltar que o serviço de assessoria de investimentos é desenvolvido sem custo algum. O meu trabalho é remunerado unicamente pela própria XP. Você vai arcar apenas com os custos operacionais corriqueiros, como taxa de corretagem para compra de ações, taxa de administração ao investir em fundos de investimentos, etc. Outro detalhe importante é que na XP praticamos política de taxa zero para custódia de renda fixa, custódia de bolsa, custódia de COE e custódia de Tesouro Direto. Também não há cobrança para retirada de recursos de sua conta da XP. Mais detalhes sobre os nossos custos operacionais estão disponíveis nesse link: https://investimentos.xpi.com.br/custos-operacionais/#/passo/1

Caso tenha interesse em investir com a XP Investimentos contando com a minha assessoria, basta enviar um e-mail manifestando interesse. Responderei o mais breve possível com o procedimento a ser realizado (simples e rápido). Podemos também agendar um call por skype ou telefone para esclarecer eventuais dúvidas. O meu atendimento é full time.

E-mail: robson@jb3assessoria.com.br

Um abraço,

Robson Versiani

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Recuperação modesta


Duas palavras para resumir o momento da economia brasileira, mais especificamente sobre a importante atividade industrial local. Uma mera recuperação modesta, nada muito empolgante frente ao terrível quadro de recessão dos últimos longos trimestres.

O Instituto Markit divulgou nesta segunda-feira sua pesquisa da atividade industrial brasileira referente ao mês de setembro. Ao atingir 50,9 pontos no mês passado, o Índice Gerente de Compras ficou inalterado em relação à leitura do mês de agosto, mostrando que após o movimento de reação (reversão da trajetória contracionista) a atividade manufatureira voltou a se estagnar, desta vez em leve região expansionista.


Apesar do razoável crescimento da produção e da criação de empregos na categoria bens de consumo, a pesquisa revelou que os empresários continuam inclinados a trabalhar com baixo nível de estoque por não estarem tão confiantes no aumento sustentado da demanda interna.

A recuperação modesta da indústria brasileira não deixa de ser uma boa notícia quando se olha para o filme de terror do passado, mas não demonstra ímpeto necessário para que a economia possa alcançar 3% de PIB (Produto Interno Bruto) a curto/médio prazo.

O Brasil ainda está devendo uma recuperação mais sólida e consistente, até porque o baque sofrido no passado foi muito forte e o mundo está crescendo em ritmo satisfatório. O indicador de atividade industrial global do Instituto Markit calculado em conjunto com o JP Morgan fechou mais um mês acima dos 53 pontos, mostrando solidez de uma recuperação da atividade manufatureira, já ultrapassando os níveis alcançados em 2013.
  

A zona do euro e algumas praças emergentes estão impulsionando a recuperação da atividade manufatureira a nível global. O Índice Gerente de Compras da zona do euro registrou em setembro o nível mais alto desde 2011, alcançado 58,1 pontos. A recuperação na Europa é generalizada e acompanhada pelo fortalecimento da demanda local, reforçando a sustentabilidade do movimento.

A China continua sinalizando baixo risco de descumprimento da meta de crescimento de 6,5% para este ano. Apesar de o indicador do Instituto Markit ter mostrado recuo de 51,6 pontos em agosto para 51,0 pontos em setembro, o Índice Gerente de Compras oficial (governo) apontou aceleração do movimento de expansão da atividade industrial saindo de 51,7 pontos em agosto para 52,4 pontos em setembro, ritmo mais rápido desde abril de 2012.

Essa divergência de números não é tão incomum na China, já que a pesquisa privada é mais concentrada em empresas de pequeno e médio porte enquanto a pesquisa do governo é mais concentrada em empresas estatais e/ou de grande porte. Ainda assim, em ambos os casos, os indicadores continuam mostrando expansão da atividade manufatureira.

Por outro lado, o Banco Central da China informou no último sábado que vai cortar a taxa de compulsório em 0,5 p.p. para os bancos que atendem certos níveis de exigências para empréstimos à pequenas empresas (possível reação ao indicador privado) e ao setor agrícola. Esse é o primeiro corte desde fevereiro de 2016 e tem objetivo de aumentar as operações de crédito no sistema financeiro.

O ritmo de recuperação da atividade industrial na Rússia também não deixa a desejar. O Índice Gerente de Compras subiu de 51,6 pontos em agosto para 51,9 pontos em setembro, mostrando reação natural da economia frente ao processo de afrouxamento monetário promovido pelo Banco Central russo. Processo semelhante ao que ocorre no Brasil, porém com força nitidamente maior.

No Japão, o Índice Gerente de Compras fechou o mês de setembro aos 52,9 pontos, superior aos 52,2 pontos registrados em agosto, consolidando trajetória de recuperação em velocidade satisfatória.

Nos Estados Unidos, o Índice Gerente de Compras subiu de 52,8 pontos em agosto para 53,1 pontos em setembro, revelando aceleração no processo de expansão da atividade manufatureira. A pesquisa mostrou que apesar de tantos temores, os furacões tiveram pouco impacto na produção. Além disso, o levantamento mostrou que o emprego subiu para a máxima dos últimos nove meses, ratificando o status de mercado em nível de pleno emprego, mas com inflação ainda surpreendentemente (e persistentemente) baixa.