quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Mais do mesmo no FED


Investidores do mundo inteiro aguardam ansiosamente a decisão de Donald Trump para a presidência do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos). O importante anúncio tende a ocorrer antes da viagem do presidente norte-americano ao continente asiático, marcada para o dia 3 de novembro.

A disputa parece estar entre Jerome Powell, diretor do FED e Janet Yellen, atual chair do FED. Gary Cohn, principal conselheiro econômico de Trump, Kevin Warsh, ex-diretor do FED e o economista John Taylor, da Universidade de Stanford, estão entre os outros nomes cotados para assumir a presidência do FED.

Cohn, Warsh e Taylor não estão tão quentes no mercado, o que pode ser um grande alívio aos investidores acostumados com o longo período dovish da autoridade monetária norte-americana.

Entre todos os nomes cotados, o republicano Powell é visto como o mais parecido com Yellen, por apresentar viés consideravelmente dovish. Já o ex-diretor do FED e o renomado economista de Stanford estavam criando até então certas preocupações no mercado, por serem considerados mais pesados (não tão dovish) quanto Yellen e Powell, o que poderia ameaçar o tom extremamente cauteloso da política monetária norte-americana.

Segundo reportagem do site Politico, Donald Trump estaria mais inclinado a nomear Jerome Powell como novo chair do FED. Apenas alguns membros do grupo ultra conservador Freedom Caucus da Câmara dos Deputados resistem à nomeação de Powell. O Freedom Caucus também não quer Janet Yellen como chair do FED, a preferência é por um profissional de perfil hawkish, o que parece ser altamente improvável.

Apesar do barulho, o Freedom Caucus não conseguirá impedir uma nomeação dovish para o FED, já que a decisão de Trump precisa ser confirmada apenas pelo Senado. Diferentemente do que ocorreu em outras tentativas de movimentos de Trump durante este ano, o Freedom Caucus desta vez tende a não conseguir “atrapalhar”.

Curioso notar é que Trump criticou Yellen durante sua campanha eleitoral, mas agora considera não só substituir Yellen por outro profissional de perfil semelhante, como também manter a atual chair no cargo. O presidente dos Estados Unidos supostamente mudou de ideia porque tem encontrado dificuldades de implementar sua agenda econômica. A manutenção, portanto, do quadro macro local (considerado bom) tende a continuar dependendo das políticas frouxas do FED.

Seja com Powell ou Yellen, o FED tende a continuar no mais do mesmo, em movimentos cautelosos, muito graduais, com baixo risco de rápida eliminação do elevado nível de liquidez no sistema financeiro. Além disso, o quadro de inflação abaixo do centro da meta corrobora a decisão por um profissional de perfil dovish.

O tom otimista segue dominante em Wall Street, com S&P500 e Dow Jones renovando máximas histórias. O rendimento da Treasury de 10 anos se aquietou abaixo dos 2,35% e o dólar contra cesta de principais moedas globais oscila lateralizado nos últimos dias, em baixa volatilidade.

Por fim, destaque para o crescimento de 6,8% da economia chinesa no terceiro trimestre deste ano em relação ao ano anterior. O número é inferior aos 6,9% do segundo trimestre de 2017, mas sinaliza atividade sólida, com boa perspectiva de superar a meta de crescimento de 6,5% para este ano.

Analistas chineses esperam, também, que o PIB deste ano supere os 6,7% registrados em 2016, o que se concretizado marcará a primeira aceleração dos últimos sete anos, revelando eficácia na estratégia do governo de reestruturar o setor industrial e aquecer a demanda doméstica com aumento dos investimentos.

Peço desculpas pelo tempo relevante ausente e agradeço a paciência de todos. Aos poucos, tentarei retomar a frequência de posts. Bons negócios!

6 comentários:

  1. Estava aguardando o retorno dos posts. Essa matéria sobre o futuro do FED é bem interessante. Não fosse a candidatura Lula ainda assombrando os investidores, eu estaria mais otimista depois dessa matéria... Obrigado

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    1. Imagina, aos poucos retomarei a frequência de posts.

      Abs,

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  2. Show Robson...Vamos aguardar para ver quem será o novo "comandante" do FED.
    Abraços

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  3. Eu tenho acompanhado bastante esse grupo "Freedom Caucus", e normalmente as idéias de política econômica deles são ótimas, eles parecem ser liberais "linha-dura".

    Mas pelo visto não vai mudar muita coisa no FED, só o nome mesmo.

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    1. Sim. São considerados conservadores radicais, mas não concordo com a postura política do grupo. São os mesmos simpatizantes do movimento Tea Party, responsável por ridicularizar os Estados Unidos perante ao mundo cerca de quatro anos atrás, naquele teatro desnecessário para elevação do envidamento do governo. Mais curioso é que o Freedom Caucus sabotou este ano a principal agenda do partido Republicano desta década (derrubar o Obamacare). Algo que seria fácil conseguir na atual gestão, pois os republicanos possuem maioria confortável na Câmara e maioria apertada no Senado, mas o projeto de reforma da lei da saúde do Trump nem chegou a ser votado na Câmara, justamente pela dura oposição do Freedom Caucuns. Não há problema em defender ideias, mas é preciso ser flexível para se chegar ao consenso.

      Abs,

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