segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Recuperação modesta


Duas palavras para resumir o momento da economia brasileira, mais especificamente sobre a importante atividade industrial local. Uma mera recuperação modesta, nada muito empolgante frente ao terrível quadro de recessão dos últimos longos trimestres.

O Instituto Markit divulgou nesta segunda-feira sua pesquisa da atividade industrial brasileira referente ao mês de setembro. Ao atingir 50,9 pontos no mês passado, o Índice Gerente de Compras ficou inalterado em relação à leitura do mês de agosto, mostrando que após o movimento de reação (reversão da trajetória contracionista) a atividade manufatureira voltou a se estagnar, desta vez em leve região expansionista.


Apesar do razoável crescimento da produção e da criação de empregos na categoria bens de consumo, a pesquisa revelou que os empresários continuam inclinados a trabalhar com baixo nível de estoque por não estarem tão confiantes no aumento sustentado da demanda interna.

A recuperação modesta da indústria brasileira não deixa de ser uma boa notícia quando se olha para o filme de terror do passado, mas não demonstra ímpeto necessário para que a economia possa alcançar 3% de PIB (Produto Interno Bruto) a curto/médio prazo.

O Brasil ainda está devendo uma recuperação mais sólida e consistente, até porque o baque sofrido no passado foi muito forte e o mundo está crescendo em ritmo satisfatório. O indicador de atividade industrial global do Instituto Markit calculado em conjunto com o JP Morgan fechou mais um mês acima dos 53 pontos, mostrando solidez de uma recuperação da atividade manufatureira, já ultrapassando os níveis alcançados em 2013.
  

A zona do euro e algumas praças emergentes estão impulsionando a recuperação da atividade manufatureira a nível global. O Índice Gerente de Compras da zona do euro registrou em setembro o nível mais alto desde 2011, alcançado 58,1 pontos. A recuperação na Europa é generalizada e acompanhada pelo fortalecimento da demanda local, reforçando a sustentabilidade do movimento.

A China continua sinalizando baixo risco de descumprimento da meta de crescimento de 6,5% para este ano. Apesar de o indicador do Instituto Markit ter mostrado recuo de 51,6 pontos em agosto para 51,0 pontos em setembro, o Índice Gerente de Compras oficial (governo) apontou aceleração do movimento de expansão da atividade industrial saindo de 51,7 pontos em agosto para 52,4 pontos em setembro, ritmo mais rápido desde abril de 2012.

Essa divergência de números não é tão incomum na China, já que a pesquisa privada é mais concentrada em empresas de pequeno e médio porte enquanto a pesquisa do governo é mais concentrada em empresas estatais e/ou de grande porte. Ainda assim, em ambos os casos, os indicadores continuam mostrando expansão da atividade manufatureira.

Por outro lado, o Banco Central da China informou no último sábado que vai cortar a taxa de compulsório em 0,5 p.p. para os bancos que atendem certos níveis de exigências para empréstimos à pequenas empresas (possível reação ao indicador privado) e ao setor agrícola. Esse é o primeiro corte desde fevereiro de 2016 e tem objetivo de aumentar as operações de crédito no sistema financeiro.

O ritmo de recuperação da atividade industrial na Rússia também não deixa a desejar. O Índice Gerente de Compras subiu de 51,6 pontos em agosto para 51,9 pontos em setembro, mostrando reação natural da economia frente ao processo de afrouxamento monetário promovido pelo Banco Central russo. Processo semelhante ao que ocorre no Brasil, porém com força nitidamente maior.

No Japão, o Índice Gerente de Compras fechou o mês de setembro aos 52,9 pontos, superior aos 52,2 pontos registrados em agosto, consolidando trajetória de recuperação em velocidade satisfatória.

Nos Estados Unidos, o Índice Gerente de Compras subiu de 52,8 pontos em agosto para 53,1 pontos em setembro, revelando aceleração no processo de expansão da atividade manufatureira. A pesquisa mostrou que apesar de tantos temores, os furacões tiveram pouco impacto na produção. Além disso, o levantamento mostrou que o emprego subiu para a máxima dos últimos nove meses, ratificando o status de mercado em nível de pleno emprego, mas com inflação ainda surpreendentemente (e persistentemente) baixa.

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