segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Rodada pós-FED


Estratégias diferenciadas marcaram a rodada de importantes decisões de banqueiros centrais nos últimos dias. Alguns países enxergam necessidade de defesa, mesmo com o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) mostrando uma postura extremamente dovish, outros observam GAP de oportunidade para manter ou relaxar ainda mais suas condições monetárias.

A primeira resposta veio da China, que em outras ocasiões durante este ano sinalizou preocupações com a situação do mercado de crédito local. O Banco Popular elevou em 5 pontos básicos as taxas de juros do mercado interbancário, num movimento visto como prevenção à fuga de capitais.

Apesar de o aumento ser considerado de pequena relevância (buscando efeito psicológico), o Banco Popular não subia os juros para as linhas de operações compromissadas no mercado aberto desde março deste ano. A medida não causa impacto expressivo aos custos de empréstimo, mas representa uma resposta ao comunicado emitido pelo FED na última quarta-feira.

No Reino Unido, o BoE (Bank of England) se mostrou otimista em seu comunicado divulgado à imprensa após o término da reunião de Comitê de dois dias realizada na semana passada. A autoridade monetária britânica decidiu manter a taxa básica de juros em 0,5% ao ano, sem alterar a orientação de que se a economia seguir a trajetória esperada, outros aumentos modestos (0,25 p.p.) na taxa básica de juros serão justificados ao longo dos próximos anos.

Entretanto, o BoE se mostrou satisfeito com o avanço nas negociações do Brexit, fato que reduz o risco de uma saída desordenada e, consequentemente, alivia as tensões no mercado local, podendo até mesmo aumentar a confiança de famílias e empresas novamente. O Banco Central também adiantou que vai considerar o progresso positivo do Brexit em suas projeções a serem reavaliadas no mês de fevereiro/2018.

O BCE (Banco Central Europeu) confirmou que as compras mensais de ativos no mercado financeiro serão reduzidas para 30 bilhões de euros por mês a partir de janeiro/2018. O Banco Central também segue com a promessa de manter os juros baixos até depois do término do programa de compras mensais e/ou até mesmo voltar a expandi-lo se a perspectiva de inflação piorar.

Segundo estimativa do BCE, a inflação tende a se manter abaixo da meta até 2020, quando alcançará 1,7%, cenário que deixa as portas arreganhadas para manutenção de uma política monetária extremamente expansionista. Mario Draghi, presidente do BCE, disse ainda que não viu nenhum efeito negativo no aperto da FFR (Federal Funds Rate – taxa básixa de juros dos Estados Unidos) realizado na semana passada.

O Banco Central da Rússia realizou movimento ousado e inesperado na reunião de Comitê encerrada nesta última sexta-feira.  A taxa básica de juros caiu 0,50 p.p., para 7,75% ao ano, influenciada pela inflação surpreendentemente baixa de 2,5% no acumulado dos últimos 12 meses, significativamente abaixo da meta a ser perseguida de 4% ao ano.

Além de fazer um corte mais agressivo do que o amplamente esperado pelo mercado, o Banco Central da Rússia adiantou que novas reduções moderadas poderão acontecer no primeiro semestre deste ano. O movimento da autoridade monetária russa voltou a ficar semelhante com a estratégia já observada no Brasil, aproveitando do clima positivo no mercado para acelerar o afrouxamento monetário.

No México o cenário é totalmente inverso. O Banxico surpreendeu ao elevar em 0,25 p.p. sua taxa básica de juros, para 7,25% ao ano, em resposta às intensificações das pressões inflacionárias.

A renegociação desfavorável do Nafta está criando pressão adicional sobre a taxa de câmbio local, propagando-se para a economia, forçando atuação da autoridade monetária. Nos últimos 12 meses, a inflação no México acelerou mais do que o esperado, atingindo 6,63%, muito próxima da máxima dos últimos 16 anos registrada em 6,66% ao ano.

De forma geral, o ambiente global segue favorável. Wall Street continua renovando máximas históricas, com S&P500 alcançando incríveis 2.690 pontos. Na Europa, Frankfurt e Londres voltam a se aproximar de seus respectivos topos históricos com boa velocidade/agressividade nos últimos dias. Índia, Rússia, Japão e África do Sul voltaram a colar na máxima do ano. Turquia em forte movimento de recuperação, enquanto Brasil e Coreia do Sul seguem um pouco atrás, tentando pegar carona no movimento global.

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