quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Triunfo para Donald Trump, emoção para o mercado


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conseguiu sua primeira grande vitória legislativa na tarde desta quarta-feira. A Casa Branca trabalhou incansavelmente nos últimos dias para chegar a um consenso sobre as duas versões (Câmara e Senado) do texto da reforma tributária.

Os últimos impasses que levaram a alterações pontuais de última hora no Senado forçaram o retorno do texto para nova votação na Câmara, que por sua vez carimbou a versão final da polêmica reforma tributária por 224 votos a favor e 201 contra, pronta para ser sancionada pelo presidente.

A versão final do texto fechou com uma significativa redução da carga tributária de 35% para 21% às empresas e simplificou as categorias de pagamento de imposto de renda às pessoas físicas (de sete para quarto), com alíquota máxima caindo de 39,6% para 37%.

O corte de imposto será permanente para as empresas, mas para pessoas físicas terá validade até 2025. Além disso, a nova legislação vai dobrar o atual número livre de impostos sobre as heranças, que passa de 5,5 milhões para 11 milhões.

Outro detalhe importante presente no texto está no fim da imposição de um seguro individual requerido pelo Obamacare. O Departamento de Orçamento do Congresso estima que mais de 10 milhões de pessoas poderiam abandonar o sistema. Alguns meses atrás, Trump tentou desmantelar o Obamacare, mas não conseguiu avançar no Congresso. Entretanto, através da reforma tributária, Trump conseguiu fazer um ataque indireto ao Obamacare, podendo inviabilizar o programa para milhares de norte-americanos.

Todo o conjunto de medidas aprovado pelo Congresso faz parte de uma ampla reforma tributária, considerada a mais expressiva desde o governo Ronald Reagan, em 1986. O corte de impostos representará perda de cerca de 1,5 trilhão de dólares ao cofre do Tesouro norte-americano pelos próximos dez anos.

A aprovação da polêmica reforma é sem dúvida um grande triunfo a Donald Trump, cumprindo uma de suas principais promessas de campanha. Todavia, o sucesso político acrescenta dúvida quanto ao futuro de médio e longo prazo da economia norte-americana, o que pode voltar a deixar o mercado emocionante, diferentemente do longo período de calmaria nesses últimos anos.

Espera-se que a renúncia fiscal vá causar impulso econômico, com algumas projeções do governo apontando aceleração do crescimento para robustos 2,9%. O problema é que a economia norte-americana não demonstra (mais) necessidade de impulso, o Banco Central dos Estados Unidos já usou e abusou dos programas de quantitative easing e o mercado de trabalho está aquecido. Atualmente, a taxa de desemprego ronda a mínima dos últimos 17 anos.

O espaço, portanto, para aceleração do crescimento de forma sustentável, sem provocar desequilíbrios macroeconômicos, parece limitado. Caso a expectativa do governo de aceleração do crescimento se confirme, dentro de um quadro de pleno emprego, a inflação, inevitavelmente, até então apagada, deverá voltar aparecer com mais força nos próximos anos.

Não está nos planos do FED, nem do mercado, uma atuação preventiva mais dura contra os riscos inflacionários. Os números confortáveis do passado deixaram os participantes do mercado mal acostumados com uma situação inflacionária atípica, mas que não será duradoura.

Ninguém (nem mesmo os banqueiros centrais) parece esperar essa quebra de paradigma tão cedo. Não há preocupação com os impactos de médio e longo prazo da reforma tributária de Donald Trump e o fluxo de capital, livre e solto, é um sinal de que os investidores e hedge funds podem estar operando com as defesas desguarnecidas.

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4 comentários:

  1. Interessante análise! Diante de um cenário inflacionário norte americano, e possível alta de juros do FED, o mercado brasileiro acaba se tornando cada vez menos interessante pro investidor externo e assim nossa bolsa vai continuar patinando? Agradeço

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    1. Na verdade nossa bolsa ainda está bullish, desde o início de 2016. No cenário de aceleração da inflação nos Estados Unidos (atropelando com força o centro da meta, por exemplo), há risco significativo de choque nas principais praças financeiras mundiais, em decorrência da esperada atuação de defesa da autoridade monetária local e seus impactos sobre os preços dos ativos considerados "espinhas dorsais" do sistema (Treasurys e dólar).

      Abs,

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  2. Com a suposta alta da inflação nos EU, mesmo com a alta de juros do FED, os juros reais podem ser mantidos similares aos atuais, tal como vem ocorrendo no Brasil? No ano passado tivemos Selic de 14% mas a inflação era maior que 10%...

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  3. É extremamente positiva essa medida, tende a deixar mais recursos das empresas disponíveis para investirem no negócio.

    O único problema é a medida não ter sido acompanhada de um plano de redução dos gastos do governo.

    Mas no geral foi extremamente positiva essa medida.

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