terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Treasurys se aproximam da red line


O mercado tem pavor das Treasurys em 3% ao ano. O último grande susto aconteceu em 2013, quando o então presidente do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, surpreendeu os investidores no mundo inteiro com uma mudança inesperada na política monetária.

Na época, Bernanke havia sinalizado que o tapering (expressão utilizada para caracterizar a redução gradual dos programas de quantitative easing e operação Twist) estava próximo de começar, provocando pânico no mercado.

A taxa de juros da Treasury (título do tesouro norte-americano), com vencimento em de 10 anos, subiu mais de 100% num curto período de tempo, alcançando o patamar de 3% ao ano, marcando o auge da crise. A disparada do rendimento da Treasury provocou choque nos preços dos ativos de risco nas principais praças financeiras mundiais.

Com pouca margem de manobra, o FED teve de adotar, após o evento de 2013, um tom muito gradualista, mudando sua postura ao viés dovish em excesso, para voltar acalmar os ânimos dos investidores. A economia não estava pronta para uma nova crise no mercado, muito menos o FED.

Encantado pelos discursos e comunicados ao estilo “peace and love” do FED, o mercado fez o possível para ignorar a nova trajetória ascendente observada nos rendimentos das Treasurys desde meados de 2016. Entretanto, a superação de uma forte barreira de resistência localizada na faixa dos 2,60% ascendeu o sinal amarelo em Wall Street.


O movimento acelerou nos últimos dias, jogando a taxa de juros da Treasury de 10 anos para 2,73%, já se aproximando do terreno da red line (3% ao ano). O clima azedou de vez em Wall Street. Para se ter uma ideia, a mediana das estimativas de membros do FED para a FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros) é de 2,7% em 2019 e 2,8% no longer run.

Considerando a taxa atual da Treasury de 10 anos, o mercado não parece disposto a pagar prêmio sobre as estimativas para a FFR ou mesmo apostar num quando mais otimista do que o sustentado até o momento. Pelo contrário, no ritmo de aceleração do rendimento da Treasury de 10 anos, o mercado está prestes a duvidar da sustentabilidade de uma FFR em 2,8% no longo prazo, patamar historicamente muito baixo e sem precedentes para uma economia em forte recuperação, operando próximo do pleno emprego.

Banqueiros centrais de vários países desenvolvidos e emergentes, inclusive os que surfaram a onda de otimismo nos últimos anos, indo ao máximo em rota dovish, torcem para que o mercado volte a se acalmar. Caso contrário, as defesas, bem como os fundamentos de cada economia, serão colocadas à prova com o baile dos ursos em Wall Street.

Além disso, com a aproximação do nível de 3% na Treasury de 10 anos, começaram a “brotar do chão” receios no mercado (até então desconsiderados pelos economistas/analistas) quanto aos possíveis impactos inflacionários do forte programa de reforma tributária aprovado pelo Congresso norte-americano no final do ano passado e como o FED se comportará diante de um cenário de rompimento ascendente do centro da meta.

Dow Jones afundou 1,37%, registrando a maior queda em dois dias desde setembro de 2016. S&P500 caiu 1,09%, fechando o pregão desta terça-feira aos 2.822 pontos. Nasdaq recuou para 7.402 pontos. O tombo foi tão forte ao ponto de tirar os três índices da situação de elevada sobrecompra.

A última reunião do FED no comando da atual chair, Janet Yellen, ocorre entre esta terça e quarta-feira. Muitos aguardam o comunicado do FED em busca de pistas para a condução da política monetária, que pode ser mais hawkish, porém é improvável que algo relevante será anunciado amanhã, justamente na despedida de uma chair dovish que conseguiu manter o mercado comportado durante todo o seu mandato.

Yellen quer encerrar sua era no FED com chave de ouro. Portanto, é possível que o FED vá tentar acalmar os ânimos no mercado, sendo apenas aquele mesmo FED “peace and love” dos últimos anos. O problema, a partir de agora, cairá no colo de Jerome Powell, novo chair do FED, que por sinal, além de ser um ex-banqueiro de longa data em Wall Street, será o primeiro não economista a assumir o cargo máximo da autoridade monetária norte-americana nos últimos 40 anos. Sentiu cheiro de problema?

Brasil

O mercado local segue atento ao baile em Wall Street, mas o impacto foi bastante reduzido no pregão desta terça-feira, em função de um rápido movimento de recuperação de preços observado no final da tarde. Quase todas as perdas acumuladas durante todo o pregão foram devolvidas.

Não se sabe o motivo exato da recuperação de preços, destoada de Wall Street. No início desta noite, porém, saiu notícia de que o presidente do STJ (Supremo Tribunal de Justiça), Humberto Martins, negou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Lula para evitar a prisão do ex-presidente condenado na semana passada pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4 Região).

Além disso, corre boato de que o presidente Michel Temer repassou uma espécie de “lista negra”, com os nomes de dezenas de deputados supostamente indecisos para que empresários, agentes de mercado e cidadãos de forte influência política ajudem a convencê-los votarem a favor da reforma da Previdência, prevista para o dia 20 de fevereiro na Câmara.

Banco Central

Esperto e atento aos movimentos recentes em Wall Street, Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central do Brasil, afirmou hoje que o principal risco no momento para a inflação brasileira é o cenário internacional. Segundo avaliação do presidente da autoridade monetária, o cenário atual está positivo mas, se houver reversão, pode levar a aumento de juros e impactar no fluxo de capital.

O ponto de reversão a que Goldfajn se refere, seria justamente o temor que “brotou do chão” no mercado, o de que uma atividade forte internacional pode elevar a inflação, forçando aumento de juros em economias desenvolvidas.

Zona do euro

A Eurostat, agência de notícias europeia, informou que a economia da zona do euro cresceu 2,5% em 2017, registrando a maior expansão anual desde o início da crise do subprime há cerca de 10 anos.

O crescimento de 2017 ficou bem acima do número considerado razoavelmente satisfatório em 2016 (1,8%), superando, inclusive, a estimativa da Comissão Europeia (2,2%). O desemprego caiu para o nível mais baixo desde 2009, aos 8,7%, colaborando para a retomada do consumo doméstico. Apesar de a inflação ainda não ameaçar alcançar o centro da meta de 2%, o fortalecimento da economia na zona do euro adiciona mais pressão para o BCE, ao menos, seguir com seu cronograma de redução do volume de compras mensais de ativos.

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Realmente, não há o que comemorar


A expressão, mencionada pela secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, marcou o dia no mercado financeiro nacional. Ao apresentar mais um resultado fiscal desastroso na tarde desta segunda-feira, Ana Paula disse que não há motivos para comemorar o fechamento do balanço de 2017.

O governo central registrou gigantesco déficit de 124,4 bilhões de reais no ano passado, inferior à meta de déficit de 159 bilhões autorizada pelo Congresso. O simples fato de os números apresentarem margem sobre a meta previamente estipulada mais elevada não representa, necessariamente, dignidade/efetividade na agenda fiscal.

Um rombo de 124 bilhões de reais num único ano mostra que estamos muito distante de alcançar o necessário superávit primário para reverter a trajetória atualmente explosiva da dívida pública. As contas continuam desajustadas e tudo o que o governo tem feito é acreditar no milagre da reforma da previdência. Mesmo se as preces forem ouvidas (improvável), a reforma da previdência, aprovada no Congresso, sozinha, não proporcionará alívio fiscal a curto prazo.

Além disso, merece nota o erro grosseiro na projeção das contas feita por uma equipe técnica de “primeira linha”. Obviamente acertar em cheio a meta não é tarefa fácil, mas o governo passou muito longe. A diferença de 35 bilhões entre projeção e resultado final mostrou que a estimativa, no melhor dos casos, foi mal feita. É possível que a conta tenha sido feita com excesso de pessimismo somente para evitar o risco de decepcionar o mercado anunciando uma nova meta de rombo fiscal maior na reta final.

Outro ponto que merece estaque está no forte ajuste fiscal feito na área dos investimentos, essencial para o crescimento econômico. Durante todo o ano de 2017, os investimentos totalizaram apenas 46,2 bilhões de reais, o que representa insignificantes 0,69% PIB (Produto Interno Bruto). O diagnóstico dos investimentos está nítido pela pobreza do número e dispensa comparação com qualquer país do planeta. Entre outras palavras, o governo brasileiro investe “o troco do dinheiro de pinga” na economia.

Justamente os investimentos, principal tripé do crescimento sustentado, o que mais precisa de um empurrão, principalmente quando originado de um longo período de recessão, é justamente o que está sofrendo mais com a política de ajuste fiscal.

Plano B

"Não existe" plano B. O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirma que o governo não tem plano B e vai colocar a reforma em votação na Câmara neste mês de fevereiro, mesmo admitindo insuficiência dos 308 votos necessários.

Não basta passar na Câmara, o que já seria algo improvável, é preciso que a reforma seja aprovada, no mesmo molde, pelo Senado. Corre boatos de que lideranças da base não garantem aprovação da reforma no Senado, mesmo com a proposta aprovada na Câmara. O governo precisará de 49 votos dos 81 senadores, sendo que cerca de 54 deles já acenaram disputar pela manutenção de suas cadeiras no próximo mandato.

Apesar de o governo insistir que só existe um plano A (aprovação da reforma da previdência), obviamente existe um plano B. Não estamos no momento de discutir o plano B, em função da proximidade das eleições, juntamente com quadro negativo de elevada taxa de desemprego, mas ele certamente será pauta nos próximos anos. O plano B, senhoras e senhores, é o nosso bolso.

Frustração com reformas

Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central do Brasil, disse hoje que a frustração com as reformas pode elevar a trajetória de inflação no horizonte relevante para a política monetária. A perspectiva para 2018 é de crescimento econômico moderado, com inflação se deslocando em direção às metas. Lembrando que em 2018 o objetivo é de 4,5%, porém em 2019 a meta a ser perseguida é mais apertada, em 4,25%.

Não foi mencionado o fato de a inflação agir naturalmente para cima com a economia entrando em processo de retomada, num cenário de baixo PIB potencial. A inflação, de fato, tende a se deslocar para a meta, talvez não por frustração com as reformas (não existe expectativa por parte dos agentes de que a reforma da previdência será aprovada), mas sim por conta dos desajustes estruturais (educação, infraestrutura, burocracia, privilégios, etc) não devidamente atacados, que seguem formando uma barreira ao crescimento sustentável de médio e longo prazo.

No passado, sempre quando a economia brasileira pegou força, acabou se esbarrando nesses gargalos não resolvidos, acumulados nas últimas décadas, justificando o reconhecimento mundial do país dos vôos de galinha.

China

A agência de notícias oficial do governo chinês, Xinhua, informou que existe um plano para fechar 1.000 indústrias até 2020, o que faz parte do programa de longo prazo de reestruturação da economia, mais voltada ao consumo doméstico.

O fechamento das indústrias também vai colaborar com a redução da poluição, além de frear o forte crescimento populacional de Pequim, realocando a população para Tianjin e Hebei. Somente neste ano, 500 indústrias estão na mira para serem fechadas.

O Banco Popular (autoridade monetária da China) segue mantendo a promessa de manter a política monetária neutra, até porque o risco no mercado de crédito continua alto, respaldando cenário de desaceleração do crescimento em 2018.

Índia

Conforme previsão do Ministério de Fianças, a Índia tende a crescer 7% a 7,5% no ano fiscal que se inicia em 1 de abril, revelando significativo avanço frente à expectativa de crescimento de 6,75% (já considerada muito forte) neste ano fiscal.

A aceleração da máquina de crescimento indiana é resultado das reformas estruturantes adotadas pelo atual governo nos anos anteriores, com destaque para o novo regime tributário e desmonetização (algumas cédulas foram retiradas de circulação para reprimir o dinheiro sujo, decorrido de atos ilícitos).

Mercado

O VIX (índice de volatilidade, conhecido como índice do medo) subiu de 11,50% para 13,84% nesta segunda-feira, alcançando fechamento mais alto desde agosto do ano passado. A disparada da volatilidade revela interrupção no clima de extremo otimismo observado no mercado nas últimas semanas/meses.

S&P500 recuou 0,67%, acompanhado pela queda de 0,67% no Dow Jones e 0,52% no Nasdaq. O motivo da pausa da euforia em Wall Street foi relacionado à notícia de que a Apple reduzirá pela metade a sua produção de iPhone X.

Obviamente não é uma notícia que, racionalmente, deveria fazer Wall Street e os mercados no mundo inteiro cederem. Fato é que os índices estavam (e ainda estão) muito esticados a curto prazo (vide níveis de sobrecompra), portanto, realizações de lucro, mesmo que por motivos tolos/pequenos, são tecnicamente mais do que sensatas e necessárias para manutenção das tendências principais de alta.

O índice Bovespa acompanhou o movimento global de realização de lucros, fechando o pregão com queda de 0,97%, aos 84.698 pontos. Mesmo com o recuo no pregão desta segunda-feira, os indicadores ainda estão em zona de sobrecompra, exigindo atenção às posições compradas de curtíssimo prazo.

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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Eleição sem Lula começa a se tornar realidade


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou um baita cruzado da 8 turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4 Região) nesta histórica quarta-feira do dia 24/01/2018. A condenação do ex-presidente, imposta pelo juiz Sérgio Moro em primeira instância, foi ratificada por unanimidade pelos três desembargadores na segunda instância em audiência realizada na cidade de Porto Alegre, sede do TRF-4.

Além da grande relevância do placar unânime na segunda instância, os três desembargadores votaram a favor de aumentar a pena de Lula, até então prevista por Sérgio Moro a 9 anos e meio de prisão. Agora, a pena aumentou para 12 anos e 1 mês de prisão, com início em regime fechado. Ficou decidido, também, que poderá ser ordenada a prisão de Lula assim que a defesa do ex-presidente não contar mais com recursos para tentar modificar a condenação em segunda instância.

Para o ex-presidente, o resultado desta quarta-feira foi catastrófico. Se o placar tivesse sido de 2x1, por exemplo, como alguns investidores temiam no mercado, Lula ainda teria meios de recorrer da decisão no próprio TRF-4 e ganhar mais tempo, muito possivelmente arrastando o processo até as eleições presidenciais. Porém, com a confirmação da sentença por 3 votos a zero, Lula foi ao chão, perdendo “margem de manobra jurídica”. Agora, só resta ao ex-presidente pedir esclarecimentos da decisão ao TRF-4, processo considerado muito mais rápido, com duração prevista de até 2 meses.

Finalizado o prazo de esclarecimentos, o Ministério Público deverá solicitar que Lula seja enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Os advogados de Lula ainda poderão tentar barrar o processo no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e no STF (Supremo Tribunal Federal), numa última cartada já desesperadora. Entretanto, a pressão tende a aumentar para que a impugnação da candidatura seja mantida, respeitando a Lei da Ficha Limpa.

Lula é líder nas pesquisas de intenção de voto, mas não conseguiu arrastar multidões para apoiá-lo nas ruas. Houve certa mobilização, com o máximo possível de apoio de lideranças da esquerda, mas as manifestações pró-Lula nem se aproximaram das grandes mobilizações de massa do passado. Esse fato foi importante para derrubar certo receio/incerteza que havia quanto às consequências sociais de uma possível condenação do ex-presidente. Ou seja, vida que segue. Independente do que acontecer, o País seguirá estável.

Outro fato importante a ressaltar está na estratégia a ser definida pelo PT no segundo e terceiro trimestre deste ano. No curto prazo o partido tende a focar na defesa e apoio ao ex-presidente, mas com a significativa redução da hipótese de recandidatura de Lula, nítida na decisão desta quarta-feira, os petistas terão de analisar nomes alternativos para concorrerem às eleições de 2018, caso contrário, estarão assumindo risco muito alto de sequer participarem da disputa com chances reais de segundo turno.

Além de contar com uma condenação em duas instâncias no currículo, Lula carrega o peso de ser réu em seis outros processos. Em momento de campanha/debate eleitoral, num clima de indignação contra a corrupção, é como fornecer munição para ataques de candidatos de outros partidos. A condenação unânime do TRF-4 enfraqueceu Lula não somente do ponto de vista jurídico, mas também político.

A elevada possibilidade de Lula estar fora da corrida eleitoral pode, também, eliminar a perigosa força dos extremos observada atualmente. Sem Lula para brigar, Bolsonaro tende a perder sua força, pois é visto por muitos eleitores como um candidato anti-Lula, de extremo oposto. Normalmente, candidatos de extrema direita não conseguem crescer sem fazer guerra à candidatos fortes da extrema esquerda e vice-versa, o que pode favorecer as candidaturas de centro em 2018.

Não estava precificado?

Vários especialistas afirmaram nos últimos dias que uma eventual condenação do ex-presidente em segunda instância já estaria precificada no mercado, o que se mostrou, para variar, uma grande bobagem. Mais uma vez surgiu um evento para derrubar teses infundamentadas e/ou tentativas de previsões sobre impacto nos preços dos ativos.

O mercado é soberano e imprevisível, logo, tentativas de previsões sobre oscilações nos preços dos ativos, principalmente a curto/curtíssimo prazo, se tornam inúteis. O dólar contra real registrou sua maior queda desde os dias seguintes da delação da JBS no ano passado, recuando cerca de 2,5% para R$ 3,15, renovando mínima do ano.

O tombo expressivo do dólar foi acompanhado por queda significativa dos contratos de juros futuros, com as taxas voltando a se aproximar das mínimas registradas em outubro do ano passado. O CDS (Credit Default Swaps) brasileiro de 5 anos caiu abaixo dos 148 pontos, menor patamar desde setembro de 2014, ratificando o sentimento de otimismo do mercado com os ativos brasileiros.

O Ibovespa disparou 3,72%, alcançando 83.680 pontos, novo recorde histórico. O giro financeiro no pregão foi R$ 13 bilhões, muito acima da média e o maior desde o dia do escândalo da JBS, reforçando o status de bull market.

BoJ

O Bank of Japan manteve inalterada sua estratégia de política monetária na reunião de Comitê encerrada nesta última terça-feira, com taxa de juros de curto prazo em -0,1% e meta de rendimento zero para o título público japonês de 10 anos. O forte programa de compra de títulos de 80 trilhões de ienes (cerca de 722 bilhões de dólares) por ano também foi mantido, sem sinalização de redução.

A estimativa de crescimento do BoJ para o ano fiscal que começa em abril segue em 1,4% e a projeção para a inflação atingir a meta de 2% segue para o final do ano fiscal que termina em 2020. Apesar de o BoJ não enxergar mais a inflação como muito fraca (uma visão, portanto, mais otimista para o alcance da meta no futuro), não houve sinalização de redução no volume anual de compras de ativos.

Davos

Destaque para as conclusões de um debate de alto nível realizado no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suiça, com executivos de grandes bancos de investimentos globais, entre eles o Citigroup e Barclays, no qual apontaram para o endividamento da China como a maior ameaça à economia global. Esta visão também foi compartilhada pelo famoso professor de Harvard, Kenneth Rogoff, e pelo próprio vice-presidente do órgão supervisor da bolsa da China, Fang Xinghai.

Xinghai admitiu que a dívida chinesa é tão grande quanto um rinoceronte que todo mundo tem na frente, mas ninguém quer ver. No entanto, descartou algum tipo de estouro de bolha, alegando estabilização do endividamento.

Há suspeita de que os banqueiros centrais não tenham sequer um plano de ação caso os mercados quebrem novamente, não por acaso as estratégias de políticas monetárias seguem extremamente graduais.

Rogoff advertiu que o elevado endividamento da China poderia ser o prenúncio de outra crise financeira quando ainda termina a última (subprime). Um dos executivos, frisou, porém, corretamente, que é mais difícil antecipar quando chegará uma crise do que ficar rico com ela.

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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Fim do shutdown


Mais um lendário “shutdown” chegou ao fim nos Estados Unidos. Uma extensão provisória do orçamento norte-americano foi rejeitada pelo Congresso na última sexta-feira, forçando a paralisação automática e parcial de algumas atividades públicas desde a 0h de sábado por falta de verba. Em nenhum momento houve ameaça à interrupção no pagamento da dívida.

Pressionado pelas bases parlamentares de ambos os lados, líderes democratas e republicanos conseguiram alcançar um consenso, como de costume, para que o governo norte-americano volte a funcionar, principalmente para evitar propagação de imagem negativa. As visitas à Estátua da Liberdade, por exemplo, principal cartão postal dos Estados Unidos, foram interrompidas momentaneamente em função da falta de acordo no Congresso para o orçamento.

O Senado aprovou na tarde desta segunda-feira uma lei de financiamento provisória que permitirá reabertura de parte das atividades públicas que estavam paralisadas. O projeto, aprovado por ampla maioria (81 votos a favor e 18 contra), garante funcionamento pleno do governo até o dia 08 de fevereiro.

O prazo pode ser curto, mas é perfeitamente factível, já que a discussão sobre a lei de imigração ainda precisa de mais alguns dias para ser finalizada. Os republicanos querem mais recursos para as forças armadas e construção do muro na fronteira com o México. Entretanto, os democratas só aceitam aprovar o orçamento se for incluída uma solução para os “dreamers” (jovens que entraram ilegalmente nos Estados Unidos quando eram crianças).

Trump revogou o programa Daca da administração Obama, que permitia residência temporária aos dreamers. Porém, na semana passada a justiça norte-americana suspendeu a decisão de Trump, não somente aumentando o impasse, mas fazendo com que a discussão chegasse ao Congresso de forma polêmica.

FMI

O FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgou relatório nesta segunda-feira revisando para cima sua projeção de crescimento para os Estados Unidos em 2018 e 2019, muito em função da ampla reforma tributária aprovada no fim do ano passado pelo Congresso.

O documento, intitulado Perspectiva Econômica Global, mostrou que os cortes de impostos devem impulsionar o investimento, fazendo com que o PIB (Protudo Interno Bruto) alcance robustos 2,7% em 2018, contra perspectiva anterior de 2,3%. Em 2019, a expectativa do FMI é de PIB um pouco menor, mais ainda robusto, aos 2,5%.

O impacto de curto/médio prazo na aceleração do crescimento norte-americano tende a beneficiar diversos parceiros comerciais e puxar o PIB global para 3,9% em 2018 e 2019, 0,2 p.p. superior à estimativa anterior.

Os possíveis efeitos colaterais negativos apontados pelo relatório estão relacionados à ampliação do déficit em conta corrente dos Estados Unidos, fortalecimento do dólar e impacto nos fluxos de investimentos globais. Assim como as projeções de outras instituições, incluindo o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), a inflação não surgiu como problema potencial no relatório do FMI.

O FMI também espera recuperação mais firme no PIB do Brasil neste ano e no próximo. A expectativa subiu de crescimento de 1,5% para 1,9% em 2018 e de 2% para 2,1% em 2019, influenciado, principalmente, pelas condições favoráveis do mercado de commodities. O índice CRB Jefferies Reuters (um dos principais índices de preço do mercado de commodity) segue colado na máxima dos últimos dois anos, trabalhando movimento de recuperação.


China

Os estoques de minério de ferro alcançaram nível recorde nos portos da China, ultrapassando mais de 150 milhões de toneladas. Para se ter uma ideia, com esta a quantidade de minério é possível produzir 107 milhões de carros, o suficiente para alcançar a lua se os automóveis fossem todos empilhados uns sobre os outros.

O aumento do estoque nos portos é reflexo da queda de produção de aço de pior qualidade na China, um esforço do governo para diminuir a poluição, o que por outro lado impulsionou a demanda por commodity de melhor qualidade, como a vendida por Brasil e Austrália. Entretanto, traders da commodity relatam que os estoques em níveis recorde podem, em algum momento, assustar os operadores, forçando uma desova à venda mais barata, afetando o preço do minério de ferro.

Grécia

Os ministros de Finanças da zona do euro aprovaram nesta segunda-feira mais um pacote de ajuda adicional à Grécia no valor de 6,7 bilhões de euros, para que o país se mantenha solvente, atualmente sem condições de voltar totalmente ao mercado para se financiar.

O novo pagamento foi aprovado porque a Grécia conseguiu cumprir várias demandas de líderes da zona do euro (especialmente da Alemanha), com a implementação de uma ampla agenda de reformas estruturais impopulares.  Este é o terceiro programa de resgate à Grécia, iniciado em 2015, envolvendo um montante total de 86 bilhões de euros.

Com uma dívida impagável de 180% do PIB, porém com as reformas implementadas, o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, já começa sinalizar que a zona do euro poderá, no futuro, iniciar discussão sobre o alívio na dívida grega, no qual os alemães ainda são amplamente contra.

Mercado

Pouco se importando com o shutdown ou qualquer outro evento negativo, o mercado de capitais segue eufórico e comprador de risco, mesmo a curtíssimo prazo, onde a sobrecompra está mais gritante. S&P500 rasgou nova máxima com candle de força relevante, atingindo 2.832 pontos. Dow Jones fechou aos 26.214 pontos e Nasdaq disparou aos 7.408 pontos, em mais um dia de recordes históricos estourados pelos três principais índices de Wall Street.

Na Alemanha, a bolsa de Frankfurt colou na máxima histórica aos 13.463 pontos. Londres fechou a segunda-feira aos 7.715 pontos, também próximo do nível recorde, e Paris segue no mesmo ritmo aos 5.541 pontos.

Na Índia, a bolsa de Bombay alcançou novo recorde aos 35.798 pontos, iniciando a oitava semana consecutiva de alta. Rússia também segue em rali, superando com folga a máxima registrada em 2017, aos 1.282 pontos. México segue na máxima do ano, trabalhando movimento de recuperação após o forte tombo verificado nos últimos meses de 2017. África do Sul segue em forte rali, acumulando ganhos de 20% desde a mínima registrada em dezembro/2017.

No Brasil, o índice Bovespa fechou mais um pregão em alta, alcançando novo recorde aos 81.675 pontos, sem apresentar novidade. Destaque na agenda doméstica para a revisão do TOP 5 (grupo de economistas que mais acertam as previsões no boletim Focus) sobre a taxa Selic no final de 2018, de 6,5% para 6,63% (na mediana). Para 2019, o TOP 5 também aumentou a projeção da Selic de 8% para 8,5%. A revisão para cima passou praticamente batida pelo mercado.

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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Mais um empurrãozinho com a barriga


O que significa mais um empurrãozinho para algo que está rolando há tempos? O clima para aprovação da reforma da previdência no mês de fevereiro, para variar, azedou novamente. A fala de Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, nesta quinta-feira, foi desanimadora. Meirelles disse acreditar que a reforma será aprovada, mas a questão é quando isso vai acontecer.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara, também sinalizou que a reforma da previdência está prestes a ser adiada novamente. Durante uma conferência do banco Santander em Cancun, Maia afirmou que o Legislativo não pode ter seus trabalhos paralisados caso o governo não consiga os votos necessários para aprovar a reforma em fevereiro. De acordo com os cálculos do presidente da Câmara, o número de aliados do governo caiu para cerca de 260 deputados após as denúncias contra o presidente no ano passado.

Corre rumores no mercado de que o governo pensa em suspender a votação da reforma da previdência no mês de fevereiro e retomar o assunto somente em outubro, após as eleições. Deputados que temem o efeito negativo da votação na eleição deste ano teriam mais conforto para aprovar a reforma após uma vitória nas urnas.

Não parece ser uma decisão bem pensada colocar em votação uma reforma altamente impopular justamente no momento em que a população está mais engajada politicamente, seja pela própria disputa e consequente resultado das eleições, que normalmente deixam as pessoas mais exaltadas, seja pelo discurso de campanha “paz e amor” comumente utilizado ainda na memória do povo, configurando quadro de estelionato político numa votação de ”medidas duras”, um belo impulso aos protestos de massa.

O fato é que o governo está perdido há muito tempo e não sabe o que fazer para colocar a casa em ordem, principalmente na parte fiscal. Reforça o quadro político negativo o diagnóstico da agência de classificação de risco Moody’s em relação à possibilidade de privatização da Eletrobras em 2018. Segundo relatório da Moody’s, a evolução do cenário político brasileiro pode dificultar a execução da proposta (privatização) no prazo previsto para até o fim deste ano.

Global 2047

Segundo informações do Tesouro Nacional, o governo brasileiro conseguiu captar 1,5 bilhão de dólares nesta quinta-feira na reabertura do título Global 2047. A taxa ficou em 5,600% ao ano, com um spread de 271 pontos básicos acima da referência de mercado (Treasurys – títulos do tesouro norte-americano).

Essa foi a primeira emissão externa desde o justificado rebaixamento proporcionado pela Standard & Poor’s. O Tesouro avaliou que a influência do rebaixamento na emissão do Global 2047 foi quase nula, com razão. O clima eufórico do mercado financeiro mundial é bastante favorável para captações neste momento, proporcionando taxas atrativas para os emissores de dívida. Outros países e empresas têm feito o mesmo movimento, aproveitando a janela de oportunidade criada pelo ambiente positivo.

Na emissão desta quinta-feira a taxa de 5,600% ao ano ficou menor do que a taxa praticada em 2016, aos 5,875% ao ano, quando o Global 2047 foi lançado. O spread da operação também ficou mais baixo comparado à emissão de 2016, onde o spread havia fechado em 357 pontos base acima da referência.

Novo método de cálculo na TBF

O CMN (Conselho Monetário Nacional) alterou o método de cálculo da TBF (Taba Básica Financeira), que compõe a TR (Taxa Referencial), deixando de seguir as taxas prefixadas de CDBs e RDBs, passando a seguir, a partir de 1 de fevereiro, as taxas das LTNs praticadas no mercado secundário.

Segundo o chefe do Departamento de Estatística do Banco Central, Fernando Rocha, a alteração na fórmula de cálculo da TBF não vai provocar mudança na remuneração da poupança. Atualmente, a poupança rende 70% da taxa Selic mais a TR. Na verdade a nova TR não será exatamente igual a TR antiga, pois os títulos privados precisam apresentar prêmio minimamente superior aos títulos soberanos. Mas como são títulos de curtíssimo prazo, a diferença da antiga TR para a nova TR será muito pequena.

Liquidação Extrajudicial

A agenda foi movimentada no Banco Central. Ainda nesta quinta-feira, foi decretada liquidação extrajudicial da Crediserv (Cooperativa de Crédito Mútuo dos Servidores Públicos Municipais de Bauru).  A autoridade monetária justificou sua decisão devido ao quadro de insolvência patrimonial, violações a normas legais e riscos anormais submetidos aos credores da instituição.

China

A economia chinesa surpreendeu no quarto trimestre do ano passado ao registrar crescimento de 6,8% sobre o mesmo período do ano anterior, acima das expectativas de 6,7%. No acumulado de 2017, a China registrou PIB de 6,9% ante 2016, primeira aceleração anual desde 2010, fechando bem acima da meta de 6,5%.

Embora o ritmo da atividade tenha surpreendido em 2017, é amplamente esperado pelo mercado uma desaceleração neste ano, já que o governo está aumentando os esforços para conter riscos ao sistema financeiro e desacelerar o crescimento do endividamento.

SARB

O SARB (South Africa Reserve Bank) manteve inalterada a taxa básica de juros aos 6,75% ao ano na reunião de Comitê encerrada nesta quinta-feira. A decisão foi justificada por uma expectativa de crescimento revisada para cima em 1,4% para 2018 e 1,6% para 2019, ao mesmo tempo em que a projeção de inflação para este ano foi alterada de 5,2% para 4,9%, mostrando cenário favorável para manutenção dos juros.

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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Segura os gringos


Dow Jones a 26.115 pontos, S&P500 a 2.802 pontos, Nasdaq aos 7.298 pontos. Mais um dia de máximas históricas e números psicológicos atropelados sem piedade em Wall Street, desafiando a gravidade da sobrecompra de curto prazo. Somente neste ano, essa é a sétima vez consecutiva que os três principais índices do mercado acionário norte-americano superam simultaneamente seus respectivos recordes. Se você ligar intrigado para um broker norte-americano, ele provavelmente vai lhe responder "it’s a bull market baby".

Os rendimentos das Treasurys (títulos do tesouro norte-americano) continuam respaldando o status quo do mercado: desmonte de posições em ativos considerados seguros e busca alucinante por ativos de risco. O ritmo de desvalorização na Treasury de 10 anos continua acentuado, provocando disparada na taxa, que hoje atingiu 2,57%, recorde deste ano, já se aproximando da máxima alcançada em 2017.

O dólar contra cesta de principais moedas globais renovou nova mínima nesta quarta-feira, aos 90,31, distanciando-se, para baixo, da média móvel simples de 200 períodos semanal. Para se ter uma ideia da expressividade do movimento na moeda norte-americana, o atual patamar é inferior ao importante piso de sustentação observado em 2015, 2016 e 2017.

Se ontem havia receio quanto ao “risco” de shutdown nos Estados Unidos, hoje não mais. Em mercados bull, notícias negativas possuem impacto limitado e cada pregão pode pegar fogo da noite para o dia. Foi o que aconteceu nesta quarta-feira, Wall Street ferveu com investidores abrindo novas posições compradas em ativos de risco.

O famoso Livro Bege do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), divulgado hoje ao mercado, revelou que a economia norte-americana se expandiu a um ritmo modesto a moderado entre o fim novembro até o encerramento de 2017, enquanto a massa salarial continuou a crescer, mas sem ameaçar inflação, que permanece com baixo risco de rompimento ascendente do centro da meta, mesmo a médio e longo prazo, segundo as últimas projeções da autoridade monetária.

Economia em crescimento com inflação baixa, respaldada pelas projeções do FED (que apontam para um cenário de ancoragem na meta no futuro), é música para os ouvidos de um mercado bull, que ainda aguarda os reflexos positivos sobre o crescimento do forte pacote tributário aprovado no final do ano passado.

Se nem mesmo o FED demonstra se preocupar com a possibilidade de retomada da inflação, mesmo com o impacto da aceleração do crescimento sobre uma economia que opera próxima do nível de pleno emprego, o mercado, comprado, não terá muitos motivos para discordar deste diagnóstico.

A festa continua sem nenhum receio de surpresas negativas inflacionárias no futuro. O clima muito positivo de Wall Street segue contaminando as demais praças financeiras mundiais. Está difícil fazer o controle de quantas bolsas renovaram máximas históricas num único dia, seja em mercados desenvolvidos ou em emergentes.

A maré está nitidamente alta no mercado e os investidores estão surfando a onda. Esqueça o lamaçal do quadro doméstico, possibilidade de Lula condenado, só que não, mercado irracional, etc. A questão é puro e simples fluxo de capital, principalmente por parte dos estrangeiros.

Conforme levantamento arcaico de uma planilha de excel disponível para download após uma longa trilha no estável site da BM&FBovespa, os investidores estrangeiros acumulam saldo positivo (diferença entre volume comprador e volume vendedor) de pouco mais de 4 bilhões de reais somente entre os dias 01/01/2018 a 15/01/2018.


Em outras palavras, os gringos estão enchendo a lata. Considerando o curto período de tempo, o saldo comprador é significativamente expressivo para um mercado como o nosso. Não por acaso, o Ibovespa renovou máxima histórica novamente nesta quarta-feira, alcançando 81.189 pontos.

O mercado segue comprado, em onda perfeitamente surfável, mas cabe sempre ressaltar prudência e disciplina na gestão de risco em função dos elevados níveis de sobrecompra. Realizações de lucro, quando vierem, podem chegar com força, em função do elástico esticado a curto prazo.

Europa

A Eurostat mandou mais uma música para os ouvidos de Mario Draghi, presidente do BCE (Banco Central Europeu). A agência de estatísticas informou que a inflação na zona do euro subiu 0,4% em dezembro sobre o mês anterior. Na comparação anual, a inflação ficou em apenas 1,4%, inferior aos 1,5% registrados em novembro.

A inflação segue muito baixa e distante do centro da meta de 2% a ser perseguida pelo BCE, aliviando a pressão de curto prazo para a autoridade monetária decidir sobre os próximos passos do seu programa de compras de ativos, em fase de redução gradual de volume.

Canadá

Quase ninguém notou, mas o BoC (Bank of Canada) se viu forçado a subir sua taxa básica de juros em 0,25 p.p. na reunião de política monetária encerrada na tarde desta quarta-feira. Em comunicado, o BoC justificou a decisão de subir o juros para 1,25% ao ano devido a aceleração da inflação rumo a meta de 2% e fortalecimento do mercado de trabalho.

Segundo a autoridade monetária canadense, a economia está operando próxima de sua capacidade total, portanto, o movimento na taxa de juros tem caráter preventivo. Ou seja, subir os juros gradualmente, antes que a inflação ultrapasse o centro da meta de 2%. Importante ressaltar que as incertezas em relação ao Nafta permitem dose de gradualismo na política de aperto monetário. Assim como outros banqueiros centrais, o BoC não está com tanta pressa para subir os juros.

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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Fumaça na Caixa


O corriqueiro noticiário policial não dá trégua no Brasil. Mesmo com tantos escândalos de corrupção escancarados no passado, a roubalheira parece que continua sendo um vírus difícil de desgrudar de nossa economia e pelos anseios da população por um Estado grande e acolhedor

Uma auditoria independente realizada pelo escritório Pinheiro Neto, contratada pela Caixa, revelou supostas irregularidades em ao menos quatro vice-presidências do banco. São aberrações para todos os gostos: vazamento de informações privilegiadas para políticos sobre andamento de pedidos de empréstimos, negociações de cargos em estatais como moeda de troca para liberação de crédito, pedidos para atender “demandas” de políticos como forma de manutenção da vaga de vice-presidente, entre outros.

Oficialmente a autoridade monetária não comenta sobre o assunto, mas corre boato no mercado de que o Banco Central determinou o afastamento de todos os 12 vice-presidentes da Caixa por suspeitas de corrupção. O MPF (Ministério Público Federal) também defende o afastamento, mas o presidente Michel Temer decidiu suspender apenas 4 vice-presidentes por apenas 15 dias, isso porque a notícia veio à tona nesta terça-feira.

A Caixa alega que não concorda com as interpretações que vem sendo dadas às conclusões do relatório de auditoria feito pelo escritório Pinheiro Neto, elaborado a pedido do próprio banco. O pedido de afastamento foi realizado em dezembro/2017, porém o governo vinha recusando, sabe-se lá por qual motivo real, afastar os executivos. Circula no mercado informação de que Temer insistia em manter os dirigentes no banco para evitar conflitos com partidos políticos que indicaram os nomes para os cargos.

As suspeitas de irregularidades na Caixa causam preocupação por envolver a alta cúpula de uma instituição financeira de grande porte para o sistema financeiro nacional, o que merece todo o cuidado na administração do estrago na imagem possivelmente já efetuado, a fim de se evitar a criação do efeito bola de neve no sistema.

Estados Unidos

Destaque para o risco insignificante de shutdown do governo norte-americano predominante em Wall Street nesta terça-feira, primeiro pregão da semana. O Congresso precisa aprovar uma lei de gastos até essa sexta-feira, caso contrário, o governo poderá ser automaticamente paralisado em alguns setores. A mídia explora a notícia como risco de shutdown nas Treausyrs, ou seja, interrupção nos pagamentos dos títulos da dívida do Tesouro norte-americano.

O fato é mais sensacionalismo do que risco propriamente dito. O orçamento nos Estados frequentemente alcança teto de endividamento, sendo em todas as situações o Congresso conseguiu aprovar um novo orçamento, impondo um novo limite, até que este seja alcançado novamente, exigindo novas negociações. É como a roubalheira na política brasileira, algo corriqueiro e que todos sabem qual será o desfecho.

O ponto positivo criado pelo “risco” do shutdown é visível nos índices de Wall Street. S&P500, Dow Jones e Nasdaq, muito sobrecomprados, iniciaram o pregão rasgando novas máximas, até que a circulação da notícia no mercado forçou um movimento de realização de lucros, fazendo os índices encerrarem o dia em baixa.

Mesmo com a queda desta terça-feira os índices ainda continuam operando em nível de sobrecompra, mostrando haver mais espaço para realizações saudáveis, sem afetar a tendência principal de alta em prazos mais longos.

Commodities

A terça-feira também foi de pé no freio no mercado de commodities, após fortes ganhos acumulados nas últimas semanas. O minério de ferro à vista no porto de Qingdao recuou 1,15%, para 75,51 dólares a tonelada. A equipe do Braclays estima recuo do preço da commodity para cerca de 50 dólares a tonelada no segundo trimestre deste ano, influenciada pela desaceleração da economia chinesa, estoques elevados e fim da restrição de inverno.

O barril de petróleo do tipo Light recuou para 63,73 dólares nesta terça-feira, considerado por traders da commodity como movimento de realização de lucros. Em dezembro do ano passo a commodity foi negociada aos 56 dólares/barril, portanto, um forte upside de curto prazo.

O barril de petróleo do tipo Brent, negociado em Londres, encerrou o pregão mais cedo no momento em que o mercado ainda estava em clima positivo e fechou em leve alta aos 69,87 dólares. Assim como o Light, o barril do Brent acumula bom upside desde dezembro/2017, quando era negociado na faixa dos 62 dólares.

Analistas do Société Générale advertiram que os preços estão superaquecidos e devem cair dos níveis atuais. O banco projeta barril do Brent aos 62 dólares no fim de 2018. Já o Bank of America Merryl Lynch acredita que o barril do Brent deve encerrar o ano aos 64 dólares. O Goldman Sachs também abriu sua estimativa para o mercado nesta terça-feira em relatório apontando  preço médio do Brent em 62 dólares e do Light aos 57,5 dólares neste ano.

BCE

Vazou notícia de que o BCE (Banco Central Europeu) não pretende alterar a promessa de continuar comprando títulos na reunião de política monetária a ser realizada na próxima semana. Segundo relatos, os membros do Comitê querem mais tempo para avaliar o cenário sobre a inflação e crescimento, em linha com o posicionamento super dovish do presidente Mario Draghi.

De qualquer forma, a orientação de política monetária deverá sofrer alterações até o segundo trimestre deste ano, já que o programa de compras mensais de ativos está em fase de redução de volume na Europa, já preparando o mercado para uma possível interrupção a médio prazo.

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Um downgrade para ser comemorado


Nos últimos anos o Brasil tem colecionado uma vasta sequência de downgrades por parte das principais agências de classificação de risco. Em velocidade surpreendente, não só deixamos de sair do grupo de países grau de investimento, como mergulhamos de ponta cabeça na categoria grau especulativo.

Caímos como uma jaca podre. Cada rebaixamento vinha acompanhado de desânimo e preocupação, pois estávamos desfrutando de uma antiga boa posição mais elevada, de relativo status no ambiente global. Agora, que estamos acostumamos a fazer companhia com o grupo de países junk bonds (“títulos lixo”), os rebaixamentos são um belo presente (não de grego) para um futuro melhor.

Em primeiro lugar, apesar de a equipe econômica do governo desfrutar de boa reputação no mercado, imerecidamente reconhecida como ortodoxa, os números revelam outro cenário completamente diferente. A taxa de investimento segue incrivelmente baixa, muito distante da média de países emergentes, a reação econômica continua sendo apenas uma promessa, mesmo depois de uma forte trajetória de recessão, a inflação de 3% é comemorada exclusivamente como vitória de política monetária e não reflexo do tombo monumental do PIB e disparada da taxa de desemprego e, por fim, as contas públicas são um completo desastre.

Lamentavelmente a equipe econômica demonstrou gastar mais tempo correndo atrás de receitas extras para tentar camuflar parte do rombo fiscal gigantesco do que empenho/força de vontade para cortar gastos e/ou reduzir dezenas de bilhões de reais desperdiçados em privilégios considerados altamente ineficientes por estudos de instituições de elevada reputação global. E mesmo usando e abusando das receitas extras, ainda assim o nosso endividamento continua em forte trajetória ascendente, podendo alcançar insustentáveis 80% do PIB já neste ano.

É muito importante frisar que apesar de uma gestão desastrosa e/ou incompetente, o atual governo vem desfrutando de uma boa reputação imerecida do mercado. O ambiente global extremamente positivo emite uma falsa sensação de que tudo parece estar indo muito bem, apesar dos trágicos números brasileiros.

O mercado está muito longe de exercer qualquer pressão para que o governo tome atitudes para resolver uma pilha de problemas estruturais. Essa imposição precisa vir de outra fonte, daí a importância das agências de classificação de risco.

A Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito do Brasil de BB para BB-, nos colocando três degraus abaixo do patamar mínimo de grau de investimento. Isso significa que, se continuarmos neste ritmo, ou seja, se cairmos mais três degraus, estaremos com um pé na escala mais baixa de ratings do mundo inteiro, aquela formada por o pequeno grupo de países considerados alto risco de calote e de baixíssimo interesse.

BB- é belo um carimbo de vergonha e incompetência. Apenas economias pequenas e/ou instáveis são consideradas BB- pela Standard & Poor’s, entre as nossas novas companheiras estão as economias da Costa Rica, República Dominicana, Guatemala, Honduras, Tunisia, entre outras. A Grécia, que passou por uma grave crise econômica e financeira, é atualmente considerada B-, apenas três degraus abaixo da nota brasileira.

Com o rebaixamento desta quarta-feira, inevitavelmente aumenta a pressão para solução de nossos graves problemas fiscais, se não ocorrer nesta gestão, será na próxima. É uma imposição que não estava sendo feita pela população (e nunca será, pois são medidas altamente impopulares) e nem pelo mercado. Cair para BB- é como se despedir antes de partir para uma longa viagem, já se sabe que o retorno será demorado. Até então, a nota BB passava a sensação de que não estávamos tão longe de recuperar o necessário grau de investimento. Agora, a saudade vai bater mais forte.

Os poucos brasileiros conscientes da complexidade de nosso quadro doméstico agradecem enormemente o serviço da Standard & Poor’s, não somente pelo rebaixamento em ano eleitoral (derrubando mais uma lenda de mercado), mas pelo texto em tom poético de seu comunicado divulgado à imprensa, citando o lento progresso e fraco apoio da classe política para corrigir em tempo hábil a piora fiscal, além da infeliz discussão para abrandar a regra de ouro, o que pode ter sido a gota d’água para a decisão desta quinta-feira.

Mercado

A euforia segue generalizada no mercado financeiro global. S&P500 fechou colado na máxima, renovando topo histórico, aumentando o nível de sobrecompra do IFR para perigosos 80,90 no diário. O dólar contra cesta de principais moedas globais segue apanhando, assim como as Treasurys, sinalizando manutenção do movimento de desmonte de posições em ativos considerados seguros, com investidores em busca de maior retorno em ativos de outras classes e mercados mais arriscados.

O mercado russo fechou em alta pelo 13 pregão consecutivo, rasgando sobrecompra no curto prazo aos 1.246 pontos, já se distanciando da máxima atingida em 2017. Índia continua renovando novas máximas, aos 34.503 pontos. A bolsa brasileira acompanha o baile global, voltando a encostar na máxima nesta quinta-feira, após dois pregões de correção.

Em caso de manutenção deste ambiente global extremamente positivo, o esperado impacto do rebaixamento sobre os negócios pode não se concretizar. Quando o clima é favorável, o mercado tende a focar no lado positivo dos fatos, mesmo que forçadamente. No caso deste downgrade para BB-, o ponto positivo está numa pressão maior para que soluções sejam tomadas, principalmente no campo fiscal.

Outro detalhe positivo está na mudança da perspectiva para o rating brasileiro, de negativa para estável. O fato de a Standard & Poor’s trabalhar com perspectiva estável para a nota brasileira evita o risco de novos rebaixamentos a curto/médio prazo.

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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Ascensão de Oprah pode inspirar Huck no Brasil


Oprah Winfrey, uma magnata da mídia norte-americana, deixou as redes sociais eufóricas nos últimos dias com a possibilidade de sua candidatura para disputa presidencial nas eleições de 2020.

Durante a premiação do Globo de Ouro no último domingo, Oprah fez do seu discurso de 9 minutos um verdadeiro palanque de campanha. Usando uma abordagem mais humana, contra os assédios e abusos sexuais, Oprah foi ovacionada de pé pela plateia. Logo em seguida, começaram a surgir milhares de publicações em redes sociais com as palavras Oprah presidente.

Alguns veículos de imprensa norte-americanos informaram que Oprah está considerando seriamente a hipótese de concorrer nas eleições presidenciais de 2020. O movimento forçou uma resposta do presidente Donald Trump, que por sua vez afirmou que enfrentaria Oprah com prazer como adversária na próxima corrida presidencial.

Oprah é a outsider perfeita ao partido Democrata para enfrentar Trump em 2020. Hillary Clinton, candidata do partido na última campanha, decepcionou muitos analistas políticos, que consideravam uma vitória fácil até meados de 2016. Hillary não convenceu suficientemente os eleitores norte-americanos, talvez por ter uma imagem associada à podridão de Washington.

É bem possível que os Democratas passem a olhar com mais atenção para candidatos outsiders. A fama de Trump num programa de reality show certamente o ajudou vencer a disputa de 2016. Assim como Trump, Oprah tem forte presença na mídia norte-americana.

Ser famoso na TV parece ser um grande ponto favorável para que um candidato tenha chance real de vitória nos Estados Unidos. Esse movimento tem sido observado em outros países ocidentais, inclusive no Brasil.

Luciano Huck é a figura da mídia brasileira mais bem posicionada para captar esse movimento global. Apesar de o apresentador da TV Globo ter afastado especulações de que disputaria as eleições neste ano, as pesquisas precoces revelam que Huck tem potencial significativo de chegar ao segundo turno, o que certamente não é de se descartar, principalmente quando existe um poderoso veículo de imprensa pronto para o jogo.

Se um “simples” discurso em evento popular foi capaz de fazer vários eleitores sondarem Oprah na disputa de 2020, Huck, que tem uma boa aproximação e facilidade de comunicação com o povo brasileiro, poderia fazer o mesmo, se não melhor, na disputa deste ano, que será marcada por elevado sentimento de repúdio à classe política tradicional, terreno propício para rápido crescimento de outsiders.

BofA lança os três frágeis

Relatório do Bank of America Merril Lynch considerou África do Sul, Turquia e Brasil (para variar) como os três emergentes mais frágeis do planeta. A Turquia causa preocupação especialmente pela inflação alta e na África do Sul o problema principal é com o endividamento externo elevado.

No Brasil, a rápida deterioração fiscal é o principal ponto de preocupação do BofA, que projeta dívida sobre o PIB (Produto Interno Bruto) alcançando preocupantes 81% já no final deste ano. A reforma da previdência é considera essencial para corrigir o enorme desequilíbrio das contas públicas, mas infelizmente a chance de aprovação neste ano segue extremamente baixa.

Expectativa para o PIB dos Estados Unidos

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s elevou sua previsão para o PIB dos Estados Unidos em 2018, de 2,6% para 2,8%, influenciada pelos impactos da reforma tributária aprovada pelo Congresso em dezembro de 2017.

O ritmo de crescimento é considerado robusto para o padrão da economia norte-americana, que já opera próxima do pleno emprego. A previsão para 2019 também foi alterada de 1,9% para 2,2%.

A Standard & Poor’s não se arriscou a palpitar sobre eventual resposta do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) frente ao possível aumento da inflação vindo de uma economia em aceleração operando no ritmo de pleno emprego.

Entretanto, a longo prazo, a agência de classificação de risco considerada que o impulso provocado pelo pacote tributário ao crescimento tende a ser modesto, com o PIB retornando para a faixa de 2% em 2020. Estudos revelam que reduções distorcidas nos tributos (empresas, famílias de classe alta, média e baixa) mostram ter menor efeito multiplicador sobre o crescimento devido a uma menor propensão marginal a consumir entre as diferentes faixas de renda.

Inflação no México e juros na Argentina

O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) do México subiu 0,59% em dezembro na comparação com o mês anterior, acumulando alta de 6,77% em 2017, a maior desde 2000, pressionando o Banxico (Banco Central do México) a manter posição firme na taxa básica de juros, atualmente em 7,25% ao ano, contra a tendência global de afrouxamento monetário.

Na Argentina, o Banco Central enxergou espaço para reduzir sua taxa básica de juros de 28,75% para 28% ao ano, já que a inflação oficial no país está enfim cedendo. A meta de inflação a ser perseguida em 2018 foi definida em 15%. Para 2019, o objetivo é alcançar 10% e, para 2020, apenas 5%.

Mercado

Os contratos futuros de minério de ferro seguem avançando na China, alcançando o maior nível dos últimos quatro meses. O barril de petróleo do tipo Light alcançou 62,96 dólares nesta segunda-feira, superando o pico de 2015. Já o barril de petróleo do tipo Brent segue aos 67,78 dólares, colado na máxima registrada em 2015.

Apesar do fôlego adicional das commodities, o Ibovespa recuou para os 78.863, em movimento de alívio, com os indicadores em zona de sobrecompra. Nos Estados Unidos, S&P500 fechou sinalizando candle de indecisão, operando com IFR em 79,64 no gráfico diário.

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